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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Veterano japonês reconta os horrores na China

Veterano japonês reconta os horrores na China

por Natsuko Fukue

A agenda de Ichiro Koyama está cheia de palestras, conversas e entrevistas. O antigo soldado do Exército Imperial Japonês, de 88 anos, que estava postado em Jinan, na província chinesa de Shandong, acredita que tem o dever de passar suas experiências de guerra para os jovens.

Estou velho agora. Esta pode ser minha última chance de contar o que realmente aconteceu”, disse Koyama numa recente entrevista, acrescentando que a guerra transformava num monstro aqueles que não hesitavam em matar.

Koyama trabalhava em uma metalúrgica quando foi convocado aos 20 anos de idade, e cinco dias depois enviado para Qingtao, na China. Ele foi depois para Jinan, onde foi informado por um Major-General de que estava em território inimigo.

Ele nos deu 5 balas, dizendo que 4 eram para o inimigo e uma para nos matarmos. Eu era um assalariado uma semana antes, e a primeira coisa que aprendi no campo de batalha foi como cometer suicídio”. Uma das mais terríveis experiências de Koyama foi ser ensinado a torturar prisioneiros civis chineses.

Um dia, Koyama viu sete ou oito homens chineses de uma vila em Zaozhuang, na Província de Shandong, vendados e amarrados a árvores. Eles estavam sendo punidos por não revelarem a localização do Exército Comunista Chinês. Veteranos ordenaram os recrutas novatos a executar os prisioneiros por falta de cooperação.

Eu estava com medo de matar um homem no começo”, disse Koyama. “Me senti muito mais culpado matando alguém com uma baioneta do que com uma pistola a 100 metros de distância”.

Com seus camaradas, ele tentou perfurar o coração do homem, mas não conseguiu porque a vítima se contorcia para evitar ser atingida. Koyama eventualmente perfurou o homem no estômago e nos ombros. Após matar pela primeira vez, disse que não conseguiu comer. Mas, tempo depois, ele também começou a treinar novos recrutas a executar seus prisioneiros, justificando suas ações argumentando que ele não tinha escolha, pois era guerra. “Era o inferno”, disse. “Ainda não consigo esquecer o sangue deles espirrando”.

Koyama disse que os novos recrutas, neste processo, também se acostumaram à matança. No entanto, um camarada, que era professor de dança clássica japonesa, cometeu suicídio por não agüentar a pressão. O professor perdeu o treinamento uma noite, dizendo estar doente. Koyama disse-o que descansasse, e saiu. Quando voltou, encontrou o homem morto.

O comandante decidiu reportar seu suicídio como morte em combate, porque o suicídio durante o treinamento era desonroso. “Ele era um homem bom. Não podia se tornar um monstro”, disse Koyama, que estava prioritariamente envolvido em patrulhar cidades que o Exército Imperial conquistara. Mas em 1944 sua unidade foi pega numa luta com o Exército Chinês numa vila da Província de Shandong.

Foi um ataque-surpresa noturno em terreno aberto que não oferecia lugar para esconder-se. De acordo com suas lembranças, sete ou oito companheiros morreram e mais de 10 ficaram feridos. Koyama se lembra que levou muitas horas para cremar os camaradas mortos, e que achou terrível imaginar-se virando cinzas também.

Em 15 de agosto de 1945 ele recebeu a notícia da rendição do Exército Imperial enquanto estava em Hamhung, na atual Coréia do Norte, preparando-se para lutar contra os soviéticos. Koyama disse ter-se sentido aliviado por não mais ter que enfrentar a morte no campo de batalha.

No entanto, ele e seus camaradas foram capturados pelos soviéticos alguns dias depois e mantidos em campos de prisioneiros na URSS e China por 10 anos. Por cinco anos ele foi mantido na União Soviética, trabalhando em minas de carvão. Ele estava sempre faminto e comia tudo o que encontrava, incluindo folhas de Dente-de-Leão. Outros estavam tão famintos que confundiam tijolos caídos no chão com pedaços de pão. “Tudo que fiz foi contar os dias para voltar ao Japão”, confessou.

Em 1950, ele foi transferido para Fushun, na Província de Liaoning, na China. Embora tenha ficado preso lá por cinco anos como criminoso de guerra, ele disse estar grato pelo bom tratamento que recebeu. Os chineses o davam três refeições por dia, muito diferente do que faziam os soviéticos. “Eu costumava ter preconceitos contra os chineses... mas fui bem tratado na China. Minha opinião mudou”.

Enquanto ficou preso na China, Koyama disse que gradualmente conscientizou-se da tragédia e sofrimento que a guerra causou, e arrependeu-se do que fez aos chineses. Quando foi posto num julgamento militar em Shenyang, ele viu-se tremendo, mesmo sentindo-se pronto para aceitar qualquer punição por seus atos. Após saber que seria libertado, ele chorou e ajoelhou-se perante o juiz.

Não devemos recorrer à guerra para resolver nossos problemas”, disse Koyama, que é muito versado em notícias mundiais e política doméstica. Desde que Barack Obama foi empossado presidente dos EUA, ele diz esperar que o mundo se torne mais pacífico.

Devemos procurar a paz verdadeira, e isso significa dar valor à vida de todas as pessoas”, concluiu.

Fonte: The Japan Times, 9 de abril de 2009.

Entrevista com o Sr. Koyama:

Veja também:
>>Convocado em 13 de agosto e levado a um gulag soviético
>>Sobrevivente ainda assombrado pela noite de terror
>>Rendição poupou um jovem, duvidoso kamikaze
>>Jornalismo a serviço das autoridades de guerra
>>Primeiro-Ministro japonês queria continuar a luta

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Membro da Juventude Hitlerista divide lições aprendidas

Membro da Juventude Hitlerista divide lições aprendidas


George Michelson se lembra de sua primeira lição real de democracia. Foi nos anos 1950, e seu comandante no Exército dos EUA estava dizendo às tropas que as crianças alemãs foram forçadas a orar por Hitler como parte de seu doutrinamento.

Mas Michelson, 76, sabia que isso não era verdade, porque apenas uma década antes ele fora parte do movimento nazista – membro da Juventude Hitlerista aos 10 anos de idade.

Michelson desafiou o Capitão sobre a informação. O Capitão mais tarde pediu desculpas em frente de toda a unidade e agradeceu Michelson, que era um soldado, por ter falado.

Michelson disse que percebeu que mudar de visão seria impossível sob o domínio de Hitler: “Eu aprendi a ver a diferença entre a América e a Alemanha Nazista. Eu não abracei a democracia mais cedo porque não sabia o que significava”.

Recentemente, Michelson palestrou para os 95º e 97º Batalhões de Relações Públicas. Ele usou sua vida como exemplo para ensinar a lidar com pessoas não-doutrinadas após uma mudança de regime. Ele disse que a única maneira de mudar uma nação é destruir a raiz do problema e substituí-la por algo melhor.

A sua primeira lembrança da Segunda Guerra Mundial é aos 7 anos em 1940, quando ele escutou de sua mãe que a França havia se rendido para a Alemanha. Para o jovem garoto vivendo na Alemanha, aquilo eram boas notícias, porque significava que seu pai poderia voltar para casa logo após a batalha.

Quando Michelson fez 10 anos, ele e seus amigos foram inscritos na Juventude Hitlerista. Ele se lembra das marchas, acampamentos e prática de esportes. O modo de vida nazista era tudo que ele conhecia, e ele o apoiava.

Eu tinha 10 ou 11 anos, o que esperavam de mim?”, ele perguntou.

A chave para a mudança em sua mente foi a remoção da liderança nazista e a apresentação de um modo de vida melhor. “Não é o suficiente dizer que você tem que ser um democrata. Você tem que ser influenciado e ensinado a sê-lo”.

Seu sobrinho, Tenente-Coronel Brian Michelson, comanda a unidade que recebeu a palestra. Seus soldados trabalham com líderes no Afeganistão para ajudá-los na luta pela influência e legitimidade.

Ele disse que a maior batalha no Afeganistão é pelos corações e mentes dos jovens. “Só podemos vencer uma ideia com uma ideia melhor. Você não pode socá-la garganta abaixo. Tem que mostrá-los como o correto funciona”.

Fonte: The Fayetteville Observer, 31 de outubro de 2009.

Veja também:
>>Filmes: O Triunfo da Vontade
>>Bate-papo com o veterano - Theo Nau responde
>>Alfonso Felici
>>Heinkel He 162 Volksjäger
>>Rall dá palestra em Oshkosh

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tanques no coração de Moscou

Tanques no coração de Moscou


7 de novembro marca o 68º aniversário da singular parada militar em Moscou em 1941, quando, após marchar pela Praça Vermelha, os soldados soviéticos partiram diretamente para a linha de frente.

Este ano, uma marcha em celebração foi realizada na capital russa para comemorar o esforço do país na Segunda Guerra Mundial.

Pelo menos 45 participantes da parada de 1941 compareceram como convidados de honra.

A marcha envolveu unidades atuais do distrito militar de Moscou – vestindo uniformes militares soviéticos e outros uniformes históricos – como também 4.000 membros de diversas organizações de juventude.

Também, dois famosos tanques T-34 da Segunda Guerra tomaram parte na parada deste ano. O T-34, produzido entre 1940 e 1958, foi a pedra fundamental das divisões blindadas Exército Vermelho por toda a guerra. Foi muitas vezes creditado como o mais eficiente, efetivo e influente tanque da guerra.

A parada de 7 de novembro de 1941, que por sua vez comemorava a Revolução Bolchevista de 1917, foi realizada pela primeira vez após a Rússia entrar em guerra, e objetivava elevar o moral enquanto as forças alemãs se aproximavam de Moscou.

Enquanto isso, os comunistas na Rússia prepararam diversas marchas e comícios no centro de Moscou e por todo o país, para celebrar o 92º aniversário da Revolução Bolchevista, que é mais comumente referida na Rússia como “Grande Revolução Socialista de Outubro”.

Embora o 7 de novembro não seja mais celebrado como feriado nacional desde que o ex-presidente Vladimir Putin aboliu-o anos atrás, pesquisas de opinião dizem que muitos russos ainda marcam a data como aniversário da revolução.

Fonte: Russia Today, 7 de novembro de 2009.

Assista a matéria:

Veja também:
>>Parada da Vitória Soviética 1945 - Em Cores
>>Cemitério da Wehrmacht é inaugurado na Rússia
>>Nota de Falecimento: Valentin Varennikov
>>Decisiva Batalha de Khalkhin-Gol é relembrada
>>Vídeo: Veículos históricos italianos em parada

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Günter Halm

Günter Halm
Leutnant
(1922 - )

Günter Halm nasceu em 27 de agosto de 1922 em Elze, Baixa Saxônia, sendo filho de um secretário-chefe da ferrovia nacional. No início da guerra em 1939, Halm estava no meio de um curso técnico de operação de maquinário, que ele concluiu por volta da Páscoa de 1941. Durante seu período na Juventude Hitlerista, ele desenvolveu seu interesse por veículos motorizados e, em outubro de 1941, voluntariou-se para serviço numa unidade motorizada do Exército Alemão. Após completar seu treinamento no fim de abril de 1942, aos 19 anos de idade, iniciou o serviço ativo como municiador no pelotão antitanque da Companhia de QG do 104º Regimento Panzergrenadier – que então era parte da 21ª Divisão Panzer, no Deutsche Afrika Korps.

Chegando ao deserto da Líbia, Halm viu ação na captura de Tobruk e, em 15 de julho, recebeu a Cruz de Ferro de 2ª Classe após destruir dois tanques ingleses em Bir Hacheim. Em julho de 1942 as forças ítalo-germânicas no Norte da África atingiram o pico de seu avanço em direção ao Canal de Suez, sendo paradas na linha de defesa britânica criada ao sul de El Alamein, no Egito, pelo General Claude Auchinleck na chamada “Primeira Batalha de Alamein”.

Na noite de 21 para 22 de julho, Auchinleck enviou seu 13º Corpo na Operação Splendour contra as posições alemãs na colina de Ruweisat, onde elementos da 21ª Panzer sofreram o impacto direto do ataque. O pelotão antitanque era composto de duas armas antitanques de 76,2 mm, capturadas dos russos e designadas PaK 36(r). Comandada pelo Leutnant Skubovius, a pequena unidade estava em posição defensiva cobrindo um wadi (leito seco de rio) de 300 metros de comprimento. Esta posição ficava a alguns quilômetros do quartel-general tático do regimento. A arma nº 1 era comandada pelo Unteroffizier Jabeck, e o Gefreiter Halm era seu municiador.

Após um prolongado bombardeio pela artilharia britânica na manhã do dia 22, a poeira e a fumaça cegaram as equipes antitanque e elas não viram a aproximação da 23ª Brigada Blindada britânica (recém-chegada da Inglaterra), e somente localizaram os tanques Valentine do 40º Real Regimento de Tanques quando eles estavam a pouco mais de 100 metros de distância. Halm e seus colegas reagiram às ordens de seu comandante instantaneamente, e um furioso duelo iniciou-se.

Munindo a arma com frenética precisão e sob fogo contínuo, a equipe de Halm destruiu nove tanques inimigos e danificou outros seis, em apenas alguns minutos. Diversos projéteis atingiram a posição do canhão, danificando o escudo e ferindo os homens – em especial o municiador. Um projétil passou por entre as pernas de Günter Halm, sem tocá-lo. Ele continuou a operar o canhão, mesmo após dois de seus colegas serem feridos e incapacitados. Os Valentines foram forçados a recuar, mas continuaram a abrir fogo, e uma granada eventualmente destruiu a mira da arma de Halm. Foi então que Stukas da Luftwaffe e Panzers IV da 21ª Divisão Panzer chegaram em apoio, efetivamente aniquilando o restante da 23ª Brigada, que perdeu 93 dos seus 104 tanques.

No dia seguinte, Halm recebeu a Cruz de Ferro de 1ª Classe do seu comandante regimental, Oberst Ewert. No entanto, Ewert ficou tão impressionado com a performance sob fogo do jovem soldado que, em 29 de julho de 1942, recomendou Günter Halm para receber a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro. No dia 7 de agosto, a condecoração foi-lhe presenteada pessoalmente pelo Generalfeldmarschall Erwin Rommel, na presença do Maresciallo d’Italia Ugo Cavallero, General der Panzertruppe Walter Nehring e do comandante do DAK, General der Panzertruppe Wilhelm Ritter von Thoma. Halm lembra-se que uma mosca incomodou-o bastante durante a cerimônia, e que Rommel disse-lhe: “Aquele que homem foi, homem sempre será, por toda a vida. Volte para casa em segurança”.

Promovido a Unteroffizier, Halm continuou a servir no Norte da África até ser evacuado após contrair uma séria doença em março de 1943. Hospitalizado em Atenas, ele recuperou-se em agosto e, em dezembro, foi selecionado para a escola de oficiais em Berlim. Ao graduar-se em março de 1944, foi comissionado Leutnant, voltando a servir na 21ª Panzer quando a divisão estava envolvida nos encarniçados combates na Normandia, no esteio dos desembarques Aliados em junho de 1944.

No dia 24 de agosto de 1944, Halm foi capturado por tropas americanas no Bolsão de Falaise. Enviado para os Estados Unidos, conheceu no navio um inglês que tinha um pé amputado. Após algum tempo de conversa, e para sua completa surpresa, Halm descobriu que o inglês perdera o pé na mesma ação em que ele ganhou sua Cruz do Cavaleiro!

Após quase dois anos de cativeiro, Halm foi liberado da prisão em março de 1946, retornando para a Alemanha. Nos anos seguintes, formou-se em engenharia mecânica, e viveu em Brunswick, onde casou-se e teve quatro filhas. Ele teve uma bem-sucedida carreira no negócio de mineração de carvão, que dirigiu até 1989. Esteve por 20 anos no câmara executiva do Volksbank, e também foi eleito para o Conselho Municipal. Entre 1994 e 2004, trabalhou para a Comissão Alemã de Túmulos de Guerra. Em 1995 foi condecorado com a Cruz Federal do Mérito por seus serviços ao país.

Tive a honra de conhecer Günter Halm no encontro da OdR este ano.

Veja também:
>>Ludwig Crüwell
>>Johannes Kümmel
>>Vídeo: Afrika Korps em cores
>>Adalbert Schulz
>>Erich Bärenfänger

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Herói de guerra foi destratado por De Gaulle

Herói de guerra foi destratado por De Gaulle

Saltando de paraquedas atrás das linhas inimigas numa missão para treinar partisans franceses, ele foi um herói da Segunda Guerra Mundial.

O Capitão Peter Lake treinou dezenas de Maquis – partisans da zona rural – em sabotagem e guerrilha, sendo condecorado por franceses e ingleses.

Então, quando Lake finalmente foi conhecer o General Charles De Gaulle – líder dos Franceses Livres – ele poderia esperar pelo menos uma calorosa receptiva. O que ele conseguiu uma distinta decepção.

De Gaulle – cujo país tinha somente acabado de ser liberado por pessoas como Lake – questionou o porquê do oficial inglês estar na França e, em termos bastante diretos, disse que “fosse para casa”.

Detalhes desta desfeita bastante gálica foram recentemente revelados em documentos do Arquivo Nacional em Kew, no sudoeste de Londres. Uma descrição do encontro em setembro de 1944, apenas três semanas após a liberação da França, foi escrita por Lake apenas alguns dias depois. Ele descreveu a inquietude dos oficiais franceses, ansiosos por prestar seus respeitos ao General, recém-apontado presidente do governo provisório.

O Sr. Lake e outro oficial inglês decidiram juntar-se aos franceses que visitavam a cidade de Saintes, no sudoeste da França, “com o mesmo objetivo”. Ele observou que seria perfeitamente natural para oficiais Aliados serem apresentados ao General visitando o local.

Mas ao contrário, De Gaulle – agora notório por ser uma pessoa teimosa que em inúmeras vezes entrou em choque com Winston Churchill – desapareceu por trás de portas fechadas com os oficiais franceses para discutir assuntos militares do setor. Lake notou, com apenas um toque de ironia, que “esta não era uma situação que desconhecíamos por completo”.

Cerca de uma hora depois, o General voltou e foi apresentado a Lake, que era conhecido pelo nome de guerra “Jean-Pierre Lenormand” e falava francês fluentemente. Sua breve conversa não começou no mais promissor dos tons, quando De Gaulle disse: “Jean-Pierre, este é um nome francês”.

Ele estava, claro, dizendo o óbvio, já que Lake tinha-o adotado como nome de guerra. Em seguida o General disse: “O que você está fazendo aqui?”, no que Lake respondeu com compostura, que estava numa missão inter-Aliada em Dordogne.

De Gaulle continuou, com ênfase no “o que”: “mas ‘o que’ você está fazendo aqui?

Lake respondeu: “estou treinando certas tropas para operações especiais”. As notas de Lake descrevem respondendo: “nossas tropas não precisam de treinamento. Você não tem o que fazer aqui”.

Eu obedeço ordens superiores”, disse Lake.

Após repetir que o oficial “não tinha o que fazer ali”, ele fechou a conversa dizendo: “Não precisamos de você aqui. Só resta a você partir... Você deve ir para casa. Vá, vá logo. Au revoir”.

O sempre educado Lake terminou com um sucinto: “Oui, mon General”.

Escrevendo seu relatório do encontro, o oficial inglês disse: “todo o diálogo se passou muito rapidamente e num de voz que não havia erro. Eu estava tão surpreso que devo confessar que não fui capaz de responder inteligentemente, e acredito que a maioria dos presentes teve a mesma reação”.

O Sr. Lake retornou à Inglaterra no mês seguinte, mas o incidente não afetou sua reputação entre seus oficiais superiores. Um relatório oficial o aponta como “modesto, responsável, mas possui autoridade considerável”, e nota: “seu encontro com De Gaulle mostrou que ele é um bom diplomata, sensato e inteligente”. Ele ganhou muitas medalhas, incluindo a Croix de Guerre francesa.

Lake saltou sobre a França em Dordogne em abril de 1944, para dirigir a guerrilha contra os alemães nos dias anteriores ao Dia-D. Ele imediatamente começou a treinar membros dos Maquis, que inicialmente era composto de veteranos da Guerra Civil Espanhola.

Em relatórios ele lembra-se como, nas primeiras surtidas em solo, os combatentes franceses se “armavam como piratas, comportavam-se como piratas e esperavam que eu fizesse o mesmo”.

Ele organizou uma “escola noturna” para os partisans, ensinando sabotagem e guerrilha, enquanto aproximava-se a invasão. Após os desembarques, a situação tornou-se “muito precária”, já que os alemães ampliaram os ataques à Resistência.

Mas no meio de junho ele executou uma audaciosa operação para destruir o eixo ferroviário principal entre Perigueux e Coutras, explodindo 500 metros de trilhos em 12 pontos. Após a guerra, Lake teve uma bem-sucedida carreira com o serviço consular.

Ele ficou profundamente desapontado com o tratamento recebido de De Gaulle.

Mas alguns anos depois, quando era cônsul no Brasil, os dois se encontraram numa recepção. Desta vez, De Gaulle cumprimentou Lake de maneira extremamente educada, e a desfeita inicial foi perdoada.

O herói faleceu em junho deste ano, aos 94 anos.

Fonte: The Daily Mail, 28 de outubro de 2009.

Veja também:
>>Liberação de Paris foi feita uma "vitória branca"
>>A Corrida por Paris
>>Fotografias inéditas de Hitler na rendição francesa
>>Segunda Guerra Mundial: a França invade a Alemanha
>>Nota de Falecimento: Pearl Witherington

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Museu recebe chocante proposta de parente de nazista

Museu recebe chocante proposta de parente de nazista


O escritório do Yad Vashem, a agência israelense que cuida da memória dos seis milhões de judeus mortos pelos nazistas e seus aliados, recebeu uma extraordinária e mesmo indecorosa proposta recentemente. O neto de Rudolf Höss, o notório comandante do campo de extermínio de Auschwitz, ofereceu alguns dos itens pessoais do avô ao museu.

A carta ao museu, que foi enviada muitos meses atrás e intitulada “Objetos raros, Auschwitz, Comandante Höss”, era curta e sucinta, dizendo: “Estes são diversos objetos do patrimônio de Rudolf Höss, comandante de Auschwitz: uma grande caixa à prova de fogo com a insígnia oficial – presente de Heinrich Himmler, comandante da SS, pesando 50 quilos, um abridor de correspondência e envelopes, fotos de Auschwitz nunca antes vistas pelo público, cartas de seu período na prisão em Cracóvia. Gostaria muito de uma rápida resposta. Atenciosamente, Reiner Höss”.

A direção do Yad Vashem respondeu com choque à proposta e rejeitou-a no ato. O museu expressou seu desgosto pelo desejo do parente do criminoso de lucrar com artefatos do Holocausto.

Um diretor do Yad Vashem disse: “Agora devemos perguntar: você mata e lucra da mesma forma?” (referência ao Livro dos Reis 21:19).

No entanto, o museu disse ao neto de Rudolf Höss, Reiner, que ele poderia doar os itens originais à instituição.

Numa recente entrevista, Reiner Höss, 44, disse que a ideia de vender os itens para o Yad Vashem surgiu de uma conversa que ele teve com um amigo, o neto de Baldur von Schirach – antigo líder do movimento da juventude nazista, a Juventude Hitlerista.

Estes itens estão em posse da família”, disse Höss por telefone. “Sabíamos deles, e pessoas fora da família os conheciam há muito tempo. Muitas organizações quiseram comprá-los de nós, incluindo conhecidos veículos de mídia como o Der Spiegel e a editora Axel Springer. No calor da recomendação do Sr. von Schirach, eu achei que seria apropriado vender os itens para o Yad Vashem. Não quero que estes itens caiam nas mãos erradas”.

Foi perguntado ao Sr. Höss: “O Senhor estaria disposto a doar os itens ao Yad Vashem?

Ele respondeu: “Esta é uma boa pergunta. Não posso tomar a decisão sozinho. Minha tendência é concordar com a doação, mas terei de consultar o restante da família. Queremos que estes itens num museu que lida com história”.

Fonte: The Bulletin, 25 de outubro de 2009.

Veja também:
>>Plantas de Auschwitz são encontradas em Berlim
>>Polêmica sobre o caso dos "gêmeos" de Mengele
>>Construtores encontram mensagem de Auschwitz
>>O terror invisível
>>Nota de Falecimento: Dinko Sakic

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Nota de Falecimento: Lu Zhengcao

Lu Zhengcao
(04/01/1905 - 13/10/2009)

Faleceu no último dia 13 de outubro em Pequim, China, de causas naturais aos 104 anos de idade, o último dos generais revolucionários chineses, General Lu Zhengcao.

Nascido em Haicheng, na Manchúria, em plena Guerra Russo-Japonesa, Zhengcao teve sua casa incendiada pelos japoneses, que disputavam com os russos o controle da região. Esse fato o fez crescer com um profundo ódio do Japão, e quando este ocupou a Manchúria em 1931, Zhengcao, horrorizado, resolveu tornar-se um soldado. Ele juntou-se à Brigada de Guardas do Exército do Nordeste de Zhang Xueling, o "Jovem Marechal". Xueling tomou Zhengcao como seu assistente, ao notar suas boas maneiras e boa caligrafia; enviou-o então para a Academia Militar. Ao graduar-se em 1936, Zhengcao cuidava de assuntos administrativos do setor de Xueling, quando este prendeu o Generalíssimo Chiang Kai-Shek em 3 de dezembro, para forçá-lo a interromper a guerra civil contra os comunistas - e concentrar esforços contra os japoneses.

Em 1937, Zhengcao secretamente juntou-se ao Partido Comunista, embora na prática fosse comandante de um regimento de infantaria do Exército Nacionalista. Quando a Guerra Sino-Japonesa irrompeu naquele ano, Zhengcao mostrou suas habilidades no campo de batalha, ao prover cobertura para o recuo das tropas chinesas na província de Hebei. Certa vez, um dos seus batalhões estava cercado perto de Shijiazhuang, e Zhengcao recebeu ordens de recuar e abandonar os homens no cerco. Ao invés disso, ele montou uma operação de resgate que conseguiu romper as linhas japonesas com apenas algumas centenas de soldados, salvando o batalhão mas sofrendo muitas baixas. Indo para o norte, Zhengcao montou uma imensa guerrilha que combateu os japoneses até o fim da guerra, organizando camponeses para cavar trincheiras e explodir ferrovias, pontes e linhas de comunicação. Ele também montou uma unidade de homens-rãs, cujos membros respiravam por bambus para permanecer submersos. Sua guerrilha chegou a ter mais de 100.000 membros em seu ápice.

Após a guerra ele foi nomeado chefe das Ferrovias do Nordeste, e com a vitória da Revolução Comunista em 1949 passou a ser um dos maiores conselheiros militares do novo regime. Em 1955, Mao Tsé-Tung reabilitou a patente de general, e Lu Zhengcao tornou-se um dos primeiros 57 generais da República Popular da China. Ele foi feito também Ministro das Ferrovias.

Contudo, a Revolução Cultural acusou-o de simpatias anti-revolucionárias, e Zhengcao passou sete anos num gulag antes que Mao interferisse a seu favor. Em 1982 ele foi feito presidente da Associação Chinesa de Tênis, e continuou um jogador enérgico até seus 90 anos. O General Zhengcao disse: "O que importa não é o quanto você vive, mas quantos feitos consegue realizar. Eu não fiz muita coisa na minha vida, exceto três coisas: combater os japoneses, construir ferrovias e jogar tênis".

Seu funeral foi presenciado pelo presidente Hu Jintao e pelo ex-presidente Jiang Zemin. Lu Zhengcao deixa um filho e duas filhas.

Zhengcao no front durante a Segunda Guerra Mundial.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Boris Yefimov
>>Nota de Falecimento: Henry Allingham
>>Nota de Falecimento: "Tex" Hill
>>Yohei Hinoki
>>Jim Pattillo: Os problemas operacionais do B-29 no CBI

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Falece chefe que desarmou bombas em ônibus

Falece chefe que desarmou bombas em ônibus

O homem que fez sua reputação como o chefe que desarmou bombas em ônibus durante as revoltas na Irlanda do Norte faleceu.

Werner Heubeck, antigo diretor da Ulsterbus e Citybus, faleceu aos 86 anos num hospital das Ilhas Shetland, no último dia 19 de outubro.

Seus anos na Luftwaffe ajudaram a formar o homem que estava determinado a manter o serviço de ônibus funcionando, durante os dias mais negros da Irlanda do Norte.

Ele chefiou o serviço público de ônibus de 1965 até aposentar-se em 1988. Durante as revoltas ele tornou-se famoso por desativar bombas plantadas em ônibus seqüestrados em Belfast.

O Sr. Heubeck nasceu em Nuremberg em 1923, filho de um engenheiro, e foi convocado para a Luftwaffe em 1942, aos 19 anos.

Ele serviu com a Divisão Hermann Goering no oeste da França, depois na Itália, antes de ser despachado para o Afrika Korps de Rommel, durante os últimos estágios da campanha norte-africana.

Um ataque aéreo aos navios de transporte do Eixo lançou o jovem ao mar, a 7 quilômetros da costa africana, mas ele não só nadou até a costa do Cabo Bon, como também ajudou a resgatar alguns dos seus camaradas; somente 60 dos 550 a bordo sobreviveram.

Capturado logo depois, ele foi levado para os Estados Unidos no último comboio de prisioneiros de guerra na África, em setembro de 1943, para passar o resto do conflito num campo de trabalho na Louisiana.

Transporte

Repatriado em 1946, o Sr. Heubeck ajudou sua família a reconstruir sua casa em Nuremberg, e trabalhou para sustentar nove pessoas, incluindo um casal de idosos que estava morando com eles.

Após um período trabalhando para o Exército Americano, ele conseguiu um trabalho como tradutor e leitor de provas nos julgamentos de crimes de guerra em Nuremberg.

Lá ele encontrou Monica, sua futura esposa. Ela era de Gales e trabalhava como intérprete. Ela havia estudado alemão antes da guerra, e esteve envolvida com atividades de inteligência, baseada em Bletchley Park.

Em 1949, apesar das dificuldades burocráticas que enfrentavam os cidadãos alemães para entrar na Grã-Bretanha, eles foram para lá para casar-se e viver. O Sr. Heubeck preencheu os papéis de cidadania britânica cinco anos depois.

Em 1957, ele passou para a indústria de papel, trabalhando para a Alex Pirie & Sons em Stoneywood, perto de Aberdeen.

Ele lembrou-se que viu, quase por acidente, o anúncio de vaga para diretor de ônibus na Irlanda do Norte, e preparou-se para a bem-sucedida entrevista passando um dia com o diretor de ônibus de Aberdeen e passando um fim de semana na Irlanda do Norte.

Desde que começou seu trabalho, em 1965, ele mudou a sorte econômica do serviço de ônibus da Irlanda do Norte. As revoltas nos anos 1970 e 1980 foram o maior desafio do Sr. Heubeck.

Ele inspecionava sua equipe para manter os ônibus funcionando por todo o período de dificuldades, quando os veículos eram frequentemente incendiados nas ruas.

Ele era conhecido do público por seus feitos em desarmar bombas nos ônibus, mas também dava apoio à equipe e suas famílias. Em reconhecimento aos seus feitos, ele recebeu a OBE em 1977, e a CBE em 1988, ano de sua aposentadoria.

Durante sua aposentadoria perto de Glenoe, Condado de Antrim, ele criou numerosos artefatos feitos à mão. Muitos desses estão hoje em igrejas, e suas peças ornamentam mais de 40 igrejas por toda a Irlanda do Norte. Ele então fechou sua oficina e mudou-se para Shetland, onde um dos seus três filhos trabalha como ornitólogo. Monica, sua esposa por 60 anos, faleceu em setembro de 2009. O Sr. Heubeck lutava contra o câncer há 30 anos. Ele deixa três filhos.

Fonte: BBC News, 19 de outubro de 2009.

Veja também:
>>Wilhelm Schmalz
>>Sir Alan Brooke
>>Nota de Falecimento: Thomas Carew
>>Ratos do Deserto se encontram com antigo inimigo
>>Veterano encontra colega que pensava estar morto há 67 anos

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nota de Falecimento: Fritz Darges

Fritz Darges
(08/02/1913 - 25/10/2009)

Faleceu no último dia 25 de outubro em Celle, na Alemanha, de causas naturais aos 96 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, SS-Obersturmbannführer Fritz Darges.

Nascido em Dülseberg, na Saxônia-Anhalt, Darges terminou seus estudos e voluntariou-se para a SS em abril de 1933. Foi selecionado para a escola de oficiais em Bad Tölz e, em abril de 1935, foi comissionado SS-Untersturmführer. Em 1936, ele tornou-se ajudante de Martin Bormann, filiando-se ao Partido em 1937 e sendo promovido a SS-Obersturmführer em setembro daquele ano. Em outubro de 1939 ele voltou para a Waffen-SS e comandou uma companhia nos regimentos Deutschland e Der Führer, lutando na Batalha da França - onde recebeu a Cruz de Ferro de 2ª Classe e foi promovido a SS-Hauptsturmführer. Com a formação da nova 5ª Divisão SS "Wiking", Darges tomou parte na Operação Barbarossa, ganhando a 1ª Classe da Cruz de Ferro em agosto de 1942.

Em março de 1943, Fritz Darges foi feito ajudante de Adolf Hitler, e promovido a SS-Obersturmbannführer em janeiro de 1944. No dia 18 de julho de 1944, durante uma conferência diurna na Wolfsschanze, uma mosca começou a voar ao redor de Hitler, que estava do lado de fora examinando um mapa. Incomodado com o inseto, Hitler disse a Darges que livrasse-se do problema. Darges - num óbvio excesso de bom humor - sugeriu que, como a mosca era uma praga aérea, o responsável deveria ser o ajudante da Luftwaffe, Nikolaus von Below. Obviamente enfurecido com a brincadeira, Hitler demitiu Darges e enviou-o para o front leste.

De volta aos combates, Darges assumiu o comando do 5º Regimento Panzer SS. Na noite de 4 de janeiro de 1945, a "Wiking" avançava em direção a Bieske, quando foi parada pela 4ª Divisão de Rifles da Guarda. Sondando a linha soviética com um grupo misto de tanques e granadeiros, ele conseguiu romper as defesas inimigas ao amanhecer, atacando e destruindo uma força-tarefa soviética em seguida. Ele então atacou o Castelo Regis, forçando a guarnição russa a recuar e então viu-se cercado por reforços inimigos, sendo forçado a repelir diversas investidas, até ser resgatado três dias depois - deixando mais de trinta tanques russos em chamas. Por essas ações, Fritz Darges foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.

Após a guerra, Darges mudou-se para Celle, na Baixa Saxônia. Ele era participante frequente das reuniões de veteranos até o declínio de sua saúde, alguns anos atrás. Após o falecimento de sua esposa e seu médico particular três anos atrás, ele passou a morar sozinho. Poucos dias antes de sua morte, repórteres do jornal alemão Bild o entrevistaram, e perguntaram-lhe se faria tudo de novo. Ele respondeu: "Sim. Nosso sonho, no fim das contas, era um Grande Império Alemão".

Fritz Darges escreveu suas memórias, que serão publicadas agora, após sua morte.

Darges e Hitler no Berghof em 1943.

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>>Fui o guarda-costas de Hitler

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tarantino na idade da razão

Tarantino na idade da razão


Em Bastardos Inglórios, uma unidade voluntária de soldados judeus espalha o pânico entre os nazistas na França ocupada. É uma fantasia típica de Quentin Tarantino - mas, da escrita soberba à escolha dos atores excelentes, denota o avanço notável do diretor rumo à maturidade pessoal e artística.

por Isabela Boscov

Em 1941, diante de uma pequena casa de fazenda, em algum lugar montanhoso da França, o sol brilha, os sinos das vacas são ouvidos ao longe e o pai corta lenha, enquanto a filha pendura a roupa no varal. Pelo lado do lençol que se levanta com o vento, porém, ela vê um grupo de soldados vindo pela estrada, e imediatamente esse quadro tão pitoresco de rusticidade ganha um caráter diverso. Em vez da paz rural, o que se percebe agora é o isolamento da casa e quanto o pai e suas três filhas estão indefesos ali. Ajuda muito que a trilha escolhida para a cena seja um trecho original de Ennio Morricone para os faroestes-espaguete de Sergio Leone, capaz de anunciar como nenhuma outra coisa jamais composta para o cinema a solidão e o perigo. Mas os enquadramentos exímios e o tempo impecável em que transcorre essa sequência de abertura de Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, Estados Unidos/Alemanha, 2009), que estreia no país na próxima sexta-feira, são obra e graça de Quentin Tarantino - tanto eles como a destreza com que o fazendeiro francês e o tenente-coronel alemão Hans Landa, que acabou de chegar com seus soldados, vão descrever círculos um em torno do outro, num enfrentamento que tem como objeto o paradeiro de uma família judia, e em que as armas serão um copo de leite, dois cachimbos, as três meninas e o domínio de ambos os personagens do inglês e do francês.

Na maneira como Tarantino retrai e prolonga o tempo previsto para chegar ao desfecho, essa abertura é eletrizante. E ilustra também a distância que o diretor vem percorrendo rumo à maturidade, em um caminho já indicado na segunda parte de Kill Bill. Tarantino é capaz, agora, de imaginar não só um jogo entre dois personagens, mas um porquê para ele que vá além de suas contingências narrativas. Consegue ouvir a beleza de um diálogo travado, não meramente disparado. E aprendeu a apreciar a utilidade emocional da pausa e dos pequenos milagres que os bons atores podem proporcionar. O pouco conhecido Denis Menochet, que interpreta o fazendeiro, é excelente, e com cada pequeno gesto acumula mais algum dado sobre a vida e o passado de seu personagem, ainda que nem uma palavra se diga sobre eles. E o ainda menos conhecido Christoph Waltz, que faz o nazista, é espetacular: um ator de precisão absoluta, que rouba o filme com a anuência do diretor - e dos outros atores, igualmente galvanizados por sua performance.

O tenente-coronel Hans Landa, assim, será ainda mais essencial para o filme do que os próprios bastardos inglórios - uma unidade especial de soldados judeus voluntários, que penetram na França ocupada para assassinar nazistas com selvageria e dessa forma espalhar o pânico. Liderados pelo tenente Aldo "O Apache" Raine (Brad Pitt), um matuto do Tennessee com um sotaque caipira mais espesso que melaço e o hábito de escalpelar suas vítimas, os bastardos são uma criação típica de Tarantino (que, claro, não deixou de ser ele mesmo): um grupo de homens que se comunicam por meio de frases de efeito - bom efeito, aliás - e se dedicam à violência com prazer, sem pesar nem drama de consciência. Quando eles estão em cena, o filme adquire continuidade com os outros do diretor em tema, estilo e volume bruto de sangue. Quando não, Bastardos Inglórios assinala uma espécie de ruptura.

Em um processo análogo ao do canadense David Cronenberg, que depois de explorar a fundo as possibilidades da escatologia se renovou com o classicismo de Marcas da Violência e Senhores do Crime, Tarantino estuda aqui as propriedades desestabilizadoras da elegância. Cada ato do filme agrupa um determinado número de personagens em um cenário delimitado - uma taverna, um cinema, uma mesa de restaurante. Todos tratam de alguém dissimulando e correndo grande risco; mas os duelos são travados por meio de insinuações. Assim, a estrela de cinema e agente dupla Bridget von Hammersmark (a alemã Diane Kruger, que depois de quase afundar com Troia hoje só faz brilhar) tem de colocar aliados e alemães em volta de uma rodada de bebidas sem que ninguém se traia, e de forma a que aquilo que tem de ser descoberto o seja. A judia disfarçada Shosanna (Mélanie Laurent), por sua vez, tem de repudiar as atenções insistentes de um herói de guerra nazista (Daniel Brühl) sem antagonizá-lo - e ambas, em momentos diversos, terão de sobreviver aos ataques de cordialidade, efusão e malevolência do tenente-coronel Landa. Tão fabulosa é a escrita dessas cenas que a mera menção a um copo de leite causa uma vertigem de medo.

Bastardos Inglórios, contudo, não é um filme sobre a II Guerra. Não é nem mesmo uma história fantasiosa passada na II Guerra, já que trata de dois complôs paralelos para pulverizar, literalmente, o alto-comando nazista. É um filme passado em todos os outros filmes já feitos sobre o tema, com vários elementos dos noir dos anos 30 e dos faroestes de John Ford e Sergio Leo-ne acrescidos à sua encenação. É um filme que pertence só à história do cinema, não à outra, a mais ampla. Mas, como no segundo Kill Bill, Tarantino mostra que descobriu a existência de outro mundo para além desse território imaginário - e que entendeu que, quanto mais se alimentar dele, mais verossímil e envolvente será sua fantasia.

Fonte: Revista Veja, 7 de outubro de 2009.

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cemitério da Wehrmacht é inaugurado na Rússia

Cemitério da Wehrmacht é inaugurado na Rússia


Um novo cemitério foi aberto na Rússia central, mas este é um pouco diferente dos outros espalhados pelo país: o local homenageia os soldados alemães mortos na Rússia durante a Segunda Guerra Mundial.

Quase 25.000 alemães já foram enterrados num cemitério perto da vila de Besedino, na região de Kursk, num ato que a Rússia espera ser visto como um sinal de reconciliação.

No entanto, a decisão de construir o cemitério não foi fácil, confessou o governador da região de Kursk, Aleksandr Mikhailov, para a Vesti TV. Ele ressaltou que a ocupação nazista de Kursk destruiu mais de 300 vilarejos na região, deixando milhares de mortos e desabrigados.

Mesmo assim, a administração regional e nossos veteranos decidiram que era hora de construir o cemitério”, disse Mikhailov. O governador explicou que o local não apenas se tornará um lugar para celebrar os mortos, mas também irá contribuir para o entendimento mútuo e a reconciliação entre a Rússia e a Alemanha.

A cerimônia foi presenciada por parentes daqueles que perderam suas vidas durante a guerra.

Este é o 11º cemitério desse tipo na Rússia, e para os residentes locais representa um ato de perdão.

Fonte: Russia Today, 22 de outubro de 2009.

Assista a matéria:

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Diário de Bordo - Parte 9


Olá meus amigos! Finalmente continuando de onde parei:

No caminho para o Museu Militar Nacional, Claudiu e eu fizemos uma parada no gigantesco Palácio do Parlamento. Este magnífico elefante branco foi idealizado e construído por Nicolai Ceaucescu, para mostrar ao mundo a exuberância do povo romeno (seu nome original era "Palácio do Povo") - mesmo que para isso ele tivesse que desapropriar centenas de residências em uma imensa área no centro de Bucareste, para construir seu objeto de desejo. A ironia é que Ceaucescu não chegou a ver seu palácio pronto, pois ainda não tinha sido completado quando foi executado em dezembro de 1989.

Alguns anos depois o Palácio do Parlamento foi concluído, reduzindo-se o projeto original (que era de torná-lo o maior prédio do mundo). Dessa forma, tornou-se o segundo maior prédio do mundo, perdendo somente para o Pentágono. Fiquei impressionado com a extensão do edifício, e foi realmente difícil enquadrá-lo numa única foto. Tive que ficar realmente longe para conseguir. O palácio possui as maiores tapeçarias do mundo, além de diversos outros luxos mirabolantes. É um ponto obrigatório para quem está visitando Bucareste. Passe lá, vale a pena.

Bem, chegando ao Museu Militar Nacional, tivemos uma notícia frustrante: a direção não permite que o acervo seja fotografado. Uma decisão um tanto ridícula, pois o Museu de Aviação libera câmeras sem nenhuma cerimônia. Imediatamente então, pus-me a fotografar tudo que podia do lado de fora do museu. Há alguns carros blindados de fabricação soviética, além de peças de artilharia e um lançador de mísseis no jardim. Há também uma série de bustos de heróis nacionais, entre eles o famoso Vlad Tepes - nosso popularmente conhecido Drácula. Claro, tirei uma foto ao lado da estátua (confiram abaixo).

Adentrando o museu, passamos inicialmente pelo pátio, que é de tirar o fôlego: peças e mais peças de artilharia de um lado, e tanques e mais tanques de outro lado. Nem posso descrever para vocês uma a uma, mas eram muitas peças de história bélica. Havia um canhão ferroviário austríaco da Primeira Guerra Mundial, capturado pelos romenos no campo de batalha, dois T-34 (sendo que um foi cortado para exibir seu interior), uma fila de tanques T-72, diversos canhões de assalto, um Flak 88, um PAK 50 mm e a jóia da coleção, na minha opinião: um Panzer IV Ausf J. Devo dizer-lhes, a máquina é muito maior na realidade do que aparenta nas fotos.

Prosseguindo, entrei no hangar, que acabara de ser aberto. Lá dentro haviam tantas maravilhas, que decidi arriscar e sacar a câmera, hehe. Lá estavam um segundo IAR-80, uma réplica em tamanho real do jato de Coanda, um Nardi FN.305 e diversas outras aeronaves. Contudo, alguns dos itens mais interessantes foram o traje espacial e a cápsula da Soyuz 40, do cosmonauta romeno Dumitru Prunariu.

Em seguida fomos para a exposição interna, que conta com diversos uniformes, que vão desde o período de domínio turco até os anos comunistas. Entre as raridades estão os uniformes dos reis Carol I, Ferdinand e Carol II. Na exposição da Segunda Guerra Mundial, existem muitas condecorações, inclusive uma RK (que infelizmente não me recordo o dono), o uniforme do Major-General Leonard Mociulshi, e diversas fotos raras do rei Mihai I condecorando soldados romenos.

O Museu Militar Nacional é muito extenso e possui um acervo inacreditável. Indubitavelmente uma parada obrigatória para qualquer um interessado em história militar (ou mesmo história geral) que esteja de passagem por Bucareste.

Bem, no dia seguinte à minha passagem pelo museu, tomei um voo de volta a Frankfurt. Após uma curta noite de sono, rumei para Lisboa e em seguida Belo Horizonte. Felizmente, tudo correu bem na minha viagem, segui o meu plano inicial e consegui alguns "extras" que nem imaginava (como visitar Walter Schuck e os castelos do Reno). Foi tudo muito agradável, mas realmente senti-me bem em estar de volta em casa.

Abraços!













Veja também:
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>>Diário de Bordo 2009 - Parte 6
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 8


Dia de visitação aos museus da cidade. Bucareste tem dois museus que devem ser visitados por qualquer um interessado em história militar: o Museu Nacional de Aviação e o Museu Nacional Militar.

O Museu de Aviação fica localizado no antigo aeroporto de Pipera, de onde operou uma esquadrilha de caças durante a guerra. Há diversos hangares, construídos pelos italianos, que hoje abrigam as exposições internas. Há também muitas aeronaves no pátio, distribuídas por toda a área. O museu estava fechado para visitação neste dia, mas graças ao amigo Sorin Turturica (que trabalha lá como pesquisador), eles me permitiram entrar - então tive o museu todo só pra mim!

Ao adentrar as instalações, após alguns passos pode-se visualizar os primeiros MiGs no pátio. Porém, o guia levou-me inicialmente ao primeiro hangar, local de uma exposição muito bem organizada que mostra a evolução da aviação romena. Bastante similar a nós, os romenos têm seu próprio pioneiro da aviação: Traian Vuia. É dito que ele construiu e voou a primeira aeronave a decolar por seus próprios meios – antes de Santos Dumont. Se é verdade ou não, ainda terei de pesquisar para saber.

Há uma réplica do avião de Vuia e também do curioso protótipo do pioneiro romeno Henri Coanda, que muitos consideram o primeiro avião a jato da história, datado de 1910. Muitas outras réplicas e originais também estão lá, mas o que mais me interessava mesmo estava no canto oposto do hangar – o IAR 80. Este foi o caça nacional romeno da Segunda Guerra, equipando sua força aérea desde o começo até o fim do seu envolvimento no conflito. Lá estava ele em toda sua glória. Muito maior do que eu imaginava pelas fotos. Fiquei imaginando como seria ver aquela máquina em operação, nos distantes aeródromos da União Soviética. Definitivamente uma Avis Rara.

Passei pelo segundo hangar e fui para o pátio, num frio congelante e vento forte. Contudo, valeu totalmente a pena. Fileiras de MiGs, aeronaves que eu somente sonhava em ver tão de perto, ao alcance das mãos. Entre eles estão MiGs-15, 17, 21, e o mais impressionante de todos: o MiG-29 Fulcrum romeno. A Força Aérea Romena havia apenas começado a receber seu primeiro lote de caças quando o regime comunista ruiu em 1989. Dessa forma, sem possibilidade de continuidade de suprimentos, foram utilizados por um curto período e logo aposentados. Existe apenas um exemplar no museu, batizado “Sniper”.

Lá estão também diversos helicópteros militares Mil, bem como um dos helicópteros pessoais de Nicolai Ceaucescu. Um tour impressionante. Apesar de que no fim meus dedos estavam doloridos de tanto frio (tive que tirar as luvas para operar a câmera), fiquei feliz com o resultado.

Hora de prosseguir para o Museu Nacional Militar, mas este fica pro próximo post. Abraços!










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>>Diário de Bordo 2009 - Parte 3

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 7


No domingo à tarde eu voei de Frankfurt para Bucareste. Um pouso às 17:12h no aeroporto Otopeni iniciou minha visita à Romênia, um país que há muito queria conhecer, principalmente por seu turbulento passado recente, que inclui a Segunda Guerra e a Guerra Fria. A maioria de nós já ouviu falar de Nicolai Ceaucescu, o líder comunista que governou país com mão de ferro por décadas e acabou morto em 1989, quando o comunismo foi derrubado.

Lá no aeroporto já me esperava meu amigo Claudiu Stumer, dentista local e entusiasta da aviação romena na Segunda Guerra. Ele levou-me ao Hotel Phoenicia, um grande hotel de padrão internacional, localizado na vizinhança de Baneasa. Realmente recomendo o hotel para quem for passar alguns dias em Bucareste.

Logo de cara, percebe-se a diferença da Romênia (ou talvez do leste europeu) para o oeste europeu. A infraestrutura é pobre, e muitas vezes se assemelha à que temos no Brasil. Na verdade, a Romênia em muito se assemelha com o Brasil: arquitetura, iluminação, disposição dos edifícios... muita coisa. A diferença é que aqui o povo tem que pagar preços altíssimos pela comida e todos os básicos (sim, mais do que no Brasil), além do severo inverno, que faz com que dependam de gás proveniente da Rússia para sobreviver.

Pois bem, segunda-feira foi um dia ocupado, visitando dois ases da aviação romena na Segunda Guerra. Acordando bem cedo, me preparei e às 9:30h Claudiu me buscou para irmos até o Brigadeiro-General Ion Dobran. O tempo em Bucareste estava fechado, céu cinza como o que vi em Friedrichroda, nada melhor para passear por um ex-país comunista. Após manobrar por grandes avenidas e ruas estreitas, com um tráfego tremendo, chegamos finalmente à casa do General. Avistei-o logo enquanto estacionávamos, com seu característico boné - e para minha surpresa, com seu uniforme militar.

Dobran recebeu-nos no topo da escada com um sorriso e a mão estendida, e logo percebi que ali estava uma pessoa bastante aberta e simpática. Ele mostrou-me suas condecorações, muito bem preservadas, e muitos modelos de Messerschmitts e outras aeronaves. Presentei-o com um boné da FAB, que ele imediatamente colocou na cabeça, dizendo ter gostado imensamente. Ele mostrou-me sua casa, que tem um grande jardim nos fundos. E veja a coincidência: bem quando chegamos, estava sendo transmitida uma reprise da final da Copa Sub-20, Brasil X Gana. Como eu não tinha visto o jogo e Dobran estava acompanhando a partida, terminamos de assistir a desastrosa cobrança de pênaltis que deu o título a Gana. Brasilsilsil....

Rimos bastante daquilo. Dobran contou algumas histórias, como o de seu desafio de voo rasante com Helmut Lipfert, e então assinou algumas fotos. Nos despedimos dele e fomos em direção a outro ás romeno, Tenente-General Ion Dicezare.

Chegamos a uma casa muito antiga, que Claudiu me disse ter pelo menos cem anos. Anunciamos a chegada e Dicezare veio receber-nos, também com seu uniforme militar. Mais sério que Dobran, mas de forma alguma menos cortez, Dicezare mostrou-nos diversos documentos, e presenteou-me com alguns. Em seguida, foi buscar sua farda com as medalhas conseguidas durante a guerra. Minha surpresa foi quando ele tirou do bolso a Cruz de Ferro de 1ª Classe, original, que hoje o governo romeno proibe-o de usar. Mas eu tive o privilégio de vê-la. Dicezare é uma enciclopédia vivda da aviação romena, apesar dos seus 94 anos. Ele conta história atrás de história, e tem uma disposição fantástica para folhear documentos.

Ele também mostrou-nos um modelo do seu Messerschmitt, com a famosa inscrição "Hay Fetito" ("Venha Garota"). O sujeito é uma lenda viva: é o aviador mais velho da Romênia - sua licença é de 1936 - é o maior ás vivo e também o único membro da Força Aérea Romena da Segunda Guerra (ainda vivo) detentor da Mihai Viteazul, a maior condecoração nacional por bravura.

Pouco depois despedimo-nos, e agradeci muito pela visita. Retornei ao hotel, para em seguida ir ao Museu da Aviação. Mas isso fica para amanhã. Até lá!









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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Nota de Falecimento: Kyösti Karhila

Kyösti Karhila
(02/05/1921 - 16/09/2009)

Faleceu em Helsinque, na Finlândia, no último dia 16 de setembro, de causas naturais aos 88 anos, o último dos grandes ases finlandeses, Primeiro-Tenente Kyösti Keijo Ensio Karhila.

Nascido em Rauma, no sudoeste da Finlândia, Karhila voluntariou-se para o serviço militar em 1939, sendo então designado para a Força Aérea. Após concluir seu treinamento como piloto de caça, foi designado para o 32º Esquadrão de Caça em 18 de março de 1941. Iniciando suas missões a bordo de um Fokker D.XXI, Karhila passou para o Curtiss P-36 Hawk em meados de julho. Neste período, a Finlândia já estava novamente em guerra com a União Soviética - a chamada Guerra de Continuação. Karhila derrubou sua quinta vítima, um Mikoyan-Gurevich MiG-3, em 19 de setembro daquele ano, tornando-se um ás com apenas 20 anos de idade.

Karhila prosseguiu no cockpit do Curtiss Hawk, atingindo 13 vitórias, até 20 de abril de 1943, quando foi transferido para o 34º Esquadrão de Caça, equipado com o Messerschmitt Me 109G. Imediatamente, Karhila mostrou resultado positivo com a nova máquina: derrubou dois caças russos LaGG-3 em 4 de maio. Seu escore continuou subindo até 22 de agosto, quando sua unidade foi transferida para o aeródromo de Malmi, em Helsinque, para a defesa da capital. A partir de março de 1944 ele passou três meses com o 30º Esquadrão, retornando para o 34º em junho. Em 30 de junho Karhila assumiu o comando do 3º Voo do 34º Esquadrão, substituindo Hans Wind, que sofrera um sério acidente. Já durante a invasão soviética da Finlândia, Karhila recebeu o comando do 2º Voo do 30º Esquadrão, mas nessa altura, a ação já tinha acabado. "Kössi" Karhila terminou sua carreira de combate tendo voado 304 missões e somado 32 vitórias áereas.

Após a guerra ele tornou-se brevemente um controlador de tráfego aéreo, antes de fazer a transição para piloto comercial. Ele trabalhou para a Finnair, Spearair e outras empresas, antes de aposentar-se em 1973. Ele ainda trabalhou como piloto privado até 1986, quando aposentou-se definitivamente. Kyösti Karhila tornou-se bastante famoso em seus últimos anos, como o último representante da classe dos grandes ases finlandeses. Concedeu diversas entrevistas e participou de muitos eventos, inclusive o ocorrido em março deste ano em Helsinque, na companhia dos ases alemães Walter Schuck, Peter Spoden e Hans-Ekkehard Bob.

Kyösti Karhila e seu P-36 Hawk no 32º Esquadrão.

NOTA: Sei que o falecimento Sr. Karhila aconteceu há mais de um mês, mas a notícia não teve grande alcance fora da Finlândia. Fui informado do ocorrido pelo Dr. Olli Kivioja durante as celebrações do último sábado em Friedrichroda.

Descanse em paz Sr. Karhila!

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>>Eino Ilmari Juutilainen
>>Aarne Edward Juutilainen
>>Simo Häyhä
>>Hitler visita a Finlândia - Parte 1, Parte 2
>>Entrevista com Ilmari Juutilainen - Parte 1 , Parte 2 , Parte 3