Ennio TarantolaMaresciallo(1915 - 2001)Ennio Tarantola nasceu em Como, em 19 de janeiro de 1915. Durante sua infância, Ennio trabalhou como vendedor de bananas para a empresa “Colombo-Poggi” na Piazza Cavour, ganhando o apelido de “Banana”. Ennio andava com seu carrinho de bananas pela cidade, onde os moradores o chamavam “Dai, Banana!” (“Venha, Banana!”). Em setembro de 1936 ele se juntou à Regia Aeronautica como Sergente Pilota. Tarantola se voluntariou para Guerra Civil Espanhola, voando com o XVI Gruppo Caccia Terrestre “La Cucaracha” num Fiat CR.32. Seu pequeno caça Fiat tinha na cauda a inscrição “Pivello”, que significa “piloto novato e inexperiente”.
Em 20 de janeiro de 1938 ele derrubou um “caça Curtiss”, mais tarde identificado como um Polikarpov I-15 Chaika, sobre a Espanha. Por seus serviços no país ibérico recebeu a Medaglie d’Argento al Valore Militare. Ennio voltou à Itália e se juntou à 155ª Squadriglia, ainda equipada com o CR.32.
Quando Mussolini declarou a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial, Tarantola voava o Junkers Ju 87 Stuka, ou “Pichiatello” (como eram chamados na Itália), com a 209ª e 239ª Squadriglie Autonoma Bombardamento a Tuffo de março a outubro de 1941, sob o comando do Capitano Giuseppe Cenni (também veterano da Guerra Civil Espanhola e ás de 9 vitórias).
Às 19:45 de 29 de junho de 1941, bombardeiros de mergulho alemães e italianos atacaram o destróier australiano HMS Waterhen e o danificaram severamente. Tarantola, junto à 239ª Squadriglia, foi um dos pilotos que provavelmente atingiu o navio. O navio foi inicialmente abandonado, semi-destruído pela tripulação, e mais tarde afundou enquanto era rebocado pelo HMS Defender, às 01:50 de 30 de junho.No dia seguinte, manhã de 30 de junho, Ennio foi derrubado em seu Ju 87 sobre o Mediterrâneo, mas conseguiu se salvar e ficou flutuando à deriva por 18 horas antes de ser resgatado. Após essa infeliz experiência ele pediu para ser transferido de volta aos caças. A transferência foi conseguida e em 4 de novembro ele se juntou à 151ª Squadriglia do 20º Gruppo CT, que era comandada pelo Capitano Furio Niclot Doglio. A unidade era então equipada com Fiat G.50s e baseada em Trípoli. Em 5 de dezembro, Tarantola derrubou um Curtiss P-40 sobre o deserto.No fim de dezembro de 1941, o 20º Gruppo foi transferido para a Itália para ser reequipado com o Macchi MC.202 Folgore. Uma vez
reequipados, foram transferidos para o controle do recém-reformado 51º Stormo, e baseados na Sicília para tomar parte nos ataques contra Malta. Durante 1942, Tarantola voou na maioria das vezes no MC.202 “151-2”, marcado pela proeminente inscrição em amarelo “Dai Banana!” no nariz do caça. Neste período ele voou como ala do Comandante Niclot Doglio.Pouco após as 18:45 de 1 de julho, Tarantola derrubou um Spitfire sobre Malta, em combate com o 603 Squadron. Os italianos registraram oito Spitfires derrubados e dois Folgores danificados. A RAF registrou um caça inimigo destruído e um caça e um bombardeiro prováveis, com a perda de um Spitfire. Na manhã de 4 de julho dez Spitfires do 249 Squadron interceptaram três bombardeiros Savoia-Marchetti SM.84 do 4º Gruppo escoltados por 22 MC.202s do 51º Gruppo e mais 17 Macchis que atuavam como suporte indireto. Durante o combate o 249 Squadron registrou três bombardeiros derrubados sem perdas aliadas, embora dois dos seus tenham ficado severamente danificados. A Regia Aeronautica registrou a perda de dois bombardeiros, mas derrubou quatro Spitfires: um pelos bombardeiros e três pelos caças, incluindo um por Tarantola.Em 7 de julho ele dividiu com Niclot Doglio a destruição de um Spitfire sobre Malta, vendo o piloto inglês saltar antes que a aeronave se chocasse a leste de Valetta. Novamente os dois dividiram outro Spitfire em 10 de julho, quando os caças se enfrentaram ao sul de Rabat. Envolvidos nesse combate estavam sete Spitfires do 249 Squadron, 19 Folgores do 20º Gruppo e outros 6 do 155º Gruppo, e Bf 109s do JG.53. Neste combate o avião de Tarantola foi bastante danificado, mas ele conseguiu trazê-lo em segurança para a base.Na tarde de 25 de julho doze MC.202s do 20º Gruppo e sete do 155º Gruppo se juntaram aos Messerschmitts para escoltar cinco Ju 88s de Luqa para Hal Far. A formação encontrou seis Spitfires, sendo dois derrubados, um deles por Tarantola. Esse Spitfire foi confirmado como destruído perto de Delimara Point pelo Tenente Italo D’Amico.Em 27 de julho o Capitano Furio Niclot Doglio foi morto pelo ás canadense George “Screwball” Beurling, sendo sua 14ª vitória. Neste mesmo combate Tarantola foi ferido no braço, mas conseguiu voltar em segurança. O Tenente D’Amico assumiu o comando da Squadriglia, mas foi morto mais tarde sobre a Sardenha.Em outro combate no domingo, 11 de outubro, 25 Folgores e 4 Bf 109s escoltaram sete Ju 88s do I/KG.54. 19 Spitfires vieram ao encontro da formação, e no combate resultante, Ennio derrubou um dos caças ingleses, que caiu em chamas. Esse foi seguido por outro Spitfire em 14 de outubro. Contudo, nesse último combate, seu Folgore ficou terrivelmente danificado, e ele teve que pular de pára-quedas perto da costa da Sicília. Após essa ação o 20º Gruppo foi transferido para Ciampino em Roma, para descanso e re-equipagem. Chegaram então a Capoterra, na Sardenha, em maio de 1943.
Em 28 de junho, Ennio conseguiu derrubar um P-40, seguido por um P-38 em 30 de julho. Já voando o novo Macchi MC.205 Veltro, com 2 canhões de 20mm, em 2 de agosto ele participou de um encarniçado combate contra P-38s americanos sobre a Sardenha, decolando cinco vezes no mesmo dia para enfrentar os inimigos. Após desmantelar uma formação de P-40s do 325th Fighter Group, ele engajou P-38s do 14th FG, derrubando dois deles sobre Capo Pula. Durante esse combate ele perdeu o grande amigo e ás Maresciallo Pietro Bianchi, que foi postumamente condecorado com a Medaglie d’Oro al Valore Militare.Após a assinatura do armistício de 8 de setembro, Tarantola foi para o norte e se juntou à Aeronautica Nazionale Reppublicana (ANR), onde serviu com a Squadriglia Complementare “Montefusco-Bonet”, uma unidade criada para defender as fábricas da Fiat em Turim, equipada com o Fiat G.55 Centauro e alguns Veltros.Em 25 de abril de 1944, 117 B-24s da 304th Wing, escoltados por 45 P-47s do 325th FG atacaram as fábricas de Turim. Noves caças da “Montefusco-Bonet” decolaram para a interceptação, liderados pelo Capitano Giulio Torresi. Às 13:05 os caças italianos foram engajados pelos P-47s, resultando em três G.55s derrubados: Lucio Biagini foi morto, Giulio Torresi saltou de pára-quedas com um ferimento na cabeça, e Ennio Tarantola saltou da aeronave em chamas com ferimentos graves.Levado às pressas a um hospital, Ennio não voou novamente até o dia da rendição, terminando o conflito com 11 vitórias individuais e mais duas compartilhadas, além do afundamento compartilhado do HMS Waterhen.Após a guerra, ingressou na recém-criada Aeronautica Militare Italiana (AMI) e juntou-se à “Pattuglia Acrobatica Nazionale” voando o
Fiat G.46 e o G.59 em 1957. Foi também pioneiro do primeiro caça a jato da AMI, o De Havilland D.H.100, com o 5º Stormo. Casou-se com Rosa Briganti, que prematuramente morreu dois anos após o matrimônio. Apesar da morte da amada, Ennio nunca perdeu seu jeito radiante, e se tornou bastante querido por sua personalidade simpática, vivendo na pequena cidade litorânea de Cesenatico, província de Forli.Após a aposentadoria, Ennio Tarantola continuou a participar de eventos públicos, recebendo homenagens e a visita de amigos, até falecer aos 86 anos de idade, em 30 de julho de 2001.

Macchi MC.202 Folgore de Ennio Tarantola - 151ª Squadriglia, 20º Gruppo, 51º Stormo CT. Sicília, verão de 1942.