Günther Prien
Ele imediatamente alistou-se na Reichsmarine, embora isso tenha obrigado-o a voltar para a patente de Marinheiro Ordinário. Sua experiência e qualidades pessoais garantiram que ele logo recuperasse o terreno perdido e em 1935 foi comissionado Leutnant zur See, sendo transferido para a nova arma de submarinos da já renomeada Kriegsmarine. Após dois anos em treinamento intensivo nos U-Boats, Prien foi promovido a Oberleutnant zur See. Ele obteve fundamental experiência prática em patrulhas durante a Guerra Civil Espanhola como Oficial de Observação do U-26. Prien rapidamente construiu uma reputação de destemido e agressivo, sempre conseguindo as maiores notas nos exercícios. Sua dedicação foi recompensada em dezembro de 1938, quando ele finalmente ganhou um comando, o submarino Tipo VIIB U-47. Em março de 1939 ele foi promovido a Kapitänleutnant.No início da Segunda Guerra, Prien imediatamente começou a corresponder às altas expectativas de seus superiores. Em 5 de setembro, em sua primeira patrulha operacional, ele afundou o cargueiro britânico Bosnia. Prien assegurou-se de que a tripulação fosse evacuada com segurança para um navio neutro antes de afundar a embarcação de 2.400 toneladas. Nenhuma vida foi perdida. Mais dois cargueiros totalizando 6.000 toneladas foram afundados durante essa patrulha. Prien era um dedicado apoiador do regime nazista, o que não impediu que ele cumprisse seu serviço com todo o cavalheirismo que as circunstâncias permitiam.
Enquanto isso, o Comandante dos Submarinos, Karl Doenitz, planejava um ataque ao coração da Royal Navy, o ancoradouro de Scapa Flow, nas Ilhas Orkney. Um audacioso comandante era necessário para essa tarefa, e Prien ofereceu-se na oportunidade. Durante a noite do dia 13 de outubro, Prien conseguiu navegar seu submarino pela entrada defendida de Scapa Flow e conseguiu torpedear e afundar o couraçado Royal Oak antes de escapar ileso. Embora fosse um pouco antigo e não um dos melhores navios da Royal Navy, o Royal Oak foi afundado ocasionando a morte de 833 tripulantes, numa zona que era considerada segura. Foi um golpe devastador no moral inglês. Muitos recusaram-se a acreditar que um submarino tinha sido o responsável, e rumores de sabotagem circularam por anos a fio. Ao retornar para a Alemanha, Prien foi condecorado com a Cruz de Ferro de 1ª Classe e a Cruz do Cavaleiro em reconhecimento aos seus grandes feitos. Na verdade, toda a tripulação do U-47 foi condecorada com a Cruz de Ferro de 2ª Classe (1ª Classe para os que já tinham a 2ª) e foram convidados para uma recepção formal em Berlim com a presença de Hitler. Todos da tripulação, especialmente Prien, tornaram-se heróis da noite para o dia.
A próxima patrulha de Prien também foi um sucesso, partindo de Kiel em 16 de novembro e afundando mais três navios inimigos durante um mês no mar, antes de retornar à base pouco antes do fim do ano. Após uma pausa na doca seca para reparos e manutenção, o U-47 saiu em sua quarta patrulha, que foi bastante tranqüila e teve somente um navio afundado. A quinta patrulha também teve pouco sucesso, o submarino sofrendo diversos problemas com torpedos. A “crise dos torpedos” afetou todos os comandantes de U-Boats que foram forçados a observá-los detonarem prematuramente ou simplesmente não detonarem. Esses problemas foram causados por testes insuficientes nos complexos detonadores magnéticos. O pior de tudo era que a detonação prematura, além de não danificar a presa, alertava as escoltas para a presença de um atacante, e muitos submarinos foram perdidos por contra-ataques ingleses.Quando Prien foi enviado em sua sexta missão em junho de 1940, espoletas de impacto convencionais tinha sido reintroduzidas nos torpedos e ele novamente atingiu enormes sucessos. Numa patrulha operacional de 34 dias, o U-47 afundou oito navios inimigos, adicionando mais 51.000 toneladas ao seu total. Seu sétimo cruzeiro teve resultados similares, com mais sete navios indo ao fundo e mais 35.000 toneladas no currículo. As táticas ousadas de Prien se evidenciaram em sua oitava patrulha: após um bem-sucedido ataque a um comboio inglês, que lhe rendeu três vítimas, ele ficou somente com um torpedo à disposição e foi designado como barco de patrulha meteorológica. Durante esse período ele detectou mais um comboio e chamou outros U-Boats para realizarem o ataque. Apesar das ordens de retornar para o porto, Prien não queria perder a oportunidade de fazer bom uso de seu último torpedo. Ele juntou-se ao ataque e afundou mais um navio inimigo, antes de vir à tona e danificar seriamente outro com seu canhão de proa de 88mm. Sua nona patrulha foi curta, durando somente 10 dias, mas adicionou mais quatro navios às suas vitórias.
Em 20 de outubro de 1940, Prien se tornou o quinto soldado da Wehrmacht a ser condecorado com as Folhas de Carvalho da Cruz do Cavaleiro. Enquanto isso, o U-47 passava por uma longa manutenção no porto, e Doenitz deu a Prien a oportunidade de transferir-se para um posto em terra, no comando de uma escola de treinamento onde sua vasta experiência tinha grande utilidade. Ele recusou e insistiu em permanecer com seu barco. Em 5 de fevereiro de 1941, durante sua décima patrulha, Prien encontrou um comboio britânico e ficou impaciente com a demora da chegada dos reforços, então atacou sozinho. Três navios foram afundados e outro danificado. Ele então passou a atuar como orientador de uma esquadrilha de Focke-Wulfs Fw 200, que afundou mais sete navios inimigos. Em 29 de fevereiro, ainda no mar, Prien foi promovido à Korvettenkapitän.

U-47 (Tipo VIIB) de Günther Prien, Kiel - 1940.
































