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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Testemunhando o início da Segunda Guerra Mundial

Testemunhando o início da Segunda Guerra Mundial

Há somente um punhado de pessoas que pode dizer que viram a Segunda Guerra Mundial começar.

Poucos sobrevivem para contar a história do couraçado alemão, KMS Schleswig-Holstein, despejando uma barragem de fogo de 280mm e 170mm sobre um forte polonês e rompendo a alvorada ao entrar pela península de Westerplatte na cidade livre de Danzig em 1 de setembro de 1939.

Peguei a luneta e olhei para o canal, primeiro à direita, depois à esquerda, e então para o cruzador que estava na baía”, lembra-se Ignacy Skowron. “Na hora eu vi uma luz vermelha e a primeira salva atingiu o portão”.

O ataque começou às 04:45. Simultaneamente, a Wehrmacht cruzou a fronteira da Polônia pelo oeste, norte e sul. Dois dias depois a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha.

O então Cabo Skowron, de 24 anos, viu-se como um dos 182 soldados poloneses que defendiam o tráfego militar na península de Westerplatte. “Eu peguei uma metralhadora”, disse Skowron. “Recebemos a ordem e começamos a responder fogo. O cruzador então entrou no canal e começou a disparar contra nós. Eu vi árvores imensas sendo partidas ao meio”.

No segundo dia houve três ataques antes do meio-dia. Nós respondemos e mais tarde escutamos um barulho e aviões apareceram. Eles começaram a nos bombardear e a guarita nº 5 foi destruída. Cinco soldados morreram”.

Frio, fome e sujeira

Após a poeira baixar, os alemães ficaram impressionados ao ver alguém ainda vivo. A luta durou sete dias. “Os alemães viram que seus ataques não estavam funcionando, então usaram lança-chamas para tentar nos destruir com chamas. No sexto dia estávamos mal nos agüentando devido ao frio, fome, sujeira, e não dormíamos. Estávamos nos segurando”, disse o Sr. Skowron.

No fim, o comandante alemão, General Friedrich Eberhardt, permitiu ao comandante polonês, Major Sucharski, manter seu sabre cerimonial. “O alemão disse-lhe que se tivesse um exército assim, poderia enfrentar o mundo todo”, lembrou-se Skowron.

Dos cerca de 3.400 soldados alemães, entre 200 e 400 morreram na batalha. No lado polonês, entre 15 e 20 morreram.

O Sr. Skowron, agora com 94 anos de idade, comemorou os 70 anos do começo da guerra num pequeno centro comunitário nas cercanias de sua cidade natal de Kielce, no sul da Polônia.

Westerplatte é particularmente importante em Kielce porque muitos soldados do 4º Regimento de Infantaria, originário da cidade, lutaram na batalha.

Durante a cerimônia, veteranos, soldados de hoje e residentes fizeram uma refeição enquanto um coral entoava cânticos de guerra. Um grupo de jovens se vestiu com uniformes da época e marcharam com o estandarte polonês.

O Sr. Skowron foi condecorado com a Virtuti Militari, a maior honraria militar polonesa. Ao ser perguntado se ele sentia-se como um herói, ele disse: “Você tem que ajudar as pessoas. Quando meus amigos estavam lutando, eu tive que lutar também. Tenho memórias tristes. Não pensávamos que fôssemos sair dali vivos. Éramos como pássaros numa gaiola”.

Fonte: BBC News, 31 de agosto de 2009.

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