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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 4


Algumas semanas antes de pegar o avião para a Europa, eu enviei a Otto Carius um pedido para visitá-lo. A resposta chegou dias depois, para minha surpresa, por telefone. Era cerca de meio-dia quando recebi a ligação de um assistente do Sr. Carius, pedindo-me para aparecer no dia 12 de outubro, à tarde. Claro, concordei de imediato. Hoje então, meu amigo Richard e eu fomos ao encontro do lendário comandante de tanques Tigre - que agora é um simpático farmacêutico.

Ao chegarmos à Tiger Apotheke, lá estava ele, despedindo-se de um cliente. Veio receber-nos com um sorriso e mão estendida. Os ralos cabelos brancos contrastam com os olhos azuis muito vivos do velho comandante. A Sra. Göddel, gerente da farmácia, veio nos cumprimentar e chamou-nos para almoçar. Foi uma ocasião e tanto poder almoçar com o lendário Otto Carius - que é a simplicidade em pessoa. Conversamos e demos algumas risadas durante a refeição, e depois ele assinou dois exemplares de sua autobiografia, "Tigers in the Mud" - uma minha e outra do meu amigo Leo Melo, que não pôde vir.

Ele então mostrou-nos sua Cruz do Cavaleiro com Folhas de Carvalho, cuja fita ainda está suja com seu sangue, de um ferimento grave que ele recebeu na nuca em julho de 1944. Em seguida ele mostrou-nos algumas fotografias e pinturas de seu tanque, todas presenteadas por amigos. Carius mostrou-nos também um mangá baseado no seu livro, e também uma tradução (pirata, diga-se de passagem) em russo. Vejam que ironia: a obra de Otto Carius é hoje utilizada como material didático na escola de tanques do Exército Russo.

Descendo novamente para a farmácia, fomos ao escritório dele, decorado com diversos modelos de tanques e presentes de diferentes países. Qual foi a minha surpresa quando a Sra. Göddel apareceu com uma túnica branca, que não reconheci a princípio, mas então o Sr. Carius apontou para a foto na parede, e minha cabeça explodiu: a famosa túnica branca da foto de estúdio dele! Nossa... que relíquia eu tinha nas mãos!

Foi muito boa a conversa, mas eu tinha que ir... Despedimo-nos com uma foto na famosa placa da entrada da farmácia. Meu amigo Richard havia preparado uma supresa pra mim em seguida.

Pegamos o carro e fomos até Homburg. Saímos e fomos a um prédio de apartamentos. Ele tocou o interfone e eu fui olhar qual nome estava escrito.

Schuck.

Hahaha,... Walter Schuck. Lá estava o ás do JG 5 Eismeer e do Messerschmitt Me 262, um pequeno senhor, com expressão austera. Fomos até o bar logo abaixo do seu apartamento, para tomar um chopp. É estranho, no meio da conversa, você parar e pensar "puxa, esse é o cara que derrubou 206 aeronaves na Segunda Guerra?" Pois era. Meu amigo Joe Peterburs, que já cedeu entrevista para a Sala de Guerra, o derrubou em abril de 1945. Schuck assinou algumas fotos e um livro para mim. Nos despedimos rapidamente, ele parecia estar com pressa.

De volta a Landstuhl, visitei um castelo numa colina, que dá uma boa visão da Base Aérea de Ramstein (USAF). Lá é território norte-americano e o acesso é completamente proibido, então, fotos somente a essa distância. Mas dá pra ver uns C-5 Galaxy e C-17 Globemaster na pista.

Mais notícias amanhã. Grande abraço!







Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 3
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 2
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 1
>>Vídeo: Panzers restaurados
>>Mörser Karl Gerät - Isso é que é gigante!

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