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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 6


Olá meus amigos!

Finalmente, estou aqui postando novamente. Já estou em Bucareste agora - na verdade, acabei de chegar. Mas vamos ao que aconteceu em Friedrichroda, no Encontro Internacional dos Pilotos.

Na quinta-feira (15/10), Theo Nau levou-me até a casa do Coronel Müller - ex-piloto de Sabres, Phantoms e Starfighters - para que eu fosse com ele até o encontro. No caminho conversei bastante com o Coronel e sua esposa, ambos muito educados. Ele mostrou-me quando passamos pelo ponto onde ficava a antiga fronteira com a Alemanha Oriental. E vou contar para vocês: dá pra ver a diferença instantaneamente, mesmo agora, 20 anos depois. Um fato estranho ocorreu: estávamos sob um belo sol brilhante, e exatamente ao cruzar a fronteira o tempo fechou completamente... céu cinza! Até parece que o lugar tem uma estigma...

Chegamos a Friedrichroda às 15 horas. É uma pequena cidade da Turíngia, que como tantas outras dentro da esfera comunista, é povoada de grandes edifícios quadrados feitos de blocos pré-moldados, que destoam completamente da paisagem alemã. E assim é o Berghotel, um "resort" construído pelos comunistas para receber líderes trabalhistas alemães. O prédio é antigo e todas as reformas feitas para deixá-lo mais palatável não tiveram muito sucesso. Elevadores demorados, quartos sem telefone, e absolutamente nenhuma internet! Puxa vida... Contudo, foi bom conhecer as duas faces da Alemanha.

Vamos ao que realmente interessa. Os pilotos foram chegando aos grupos ao grande hotel. Na primeira noite, tivemos um jantar no salão principal, e ao entrar tive o orgulho de constatar o aviso na mesa: "Reservado - Brasil". Nossa, me bateu uma honra tremenda. Todos foram chegando e o Coronel Reiners, organizador do evento, fez seu discurso de abertura. Em seguida, tivemos um buffet e, por fim, fomos à caça de autógrafos. Um dos brasileiros da nossa turma, Paulo Rago - que é piloto comercial - foi comigo às mesas. Rapidamente reconheci Karl-Fritz Schlossstein, piloto de Me 110 do JG 5. Assinaturas e fotos, e logo encontramos o sorridente Hans-Ekkehard Bob. Bob é um caso a ser relatado em destaque: claro que vejo muitos e muitos veteranos que, apesar dos seus 80 e tantos anos, estão em forma excelente, mas Bob é espetacular. O cara está à beira dos 93 anos e tem uma disposição física invejável!

Fui ao encontro do piloto inglês Joe Patient, que foi um pathfinder voando o De Havilland Mosquito durante a guerra. Uma figura impressionante, ele nos falou sobre a operação do Mosquito e as vantagens da construção em madeira. Lá ainda conheci pessoalmente meu amigo Boris Fabian, de Zagreb, que conseguiu-me a entrevista com o Sr. Marko, e que agora trouxe-me uma foto autografada por ele! Junto com Boris veio Goran Pjenovic, também fã da aviação na Segunda Guerra.

No dia seguinte, sábado, tivemos uma cerimônia no cemitério para honrar os pilotos, de todas as nacionalidades, mortos no conflito. Nossa bandeira estava lá, com todo o orgulho. E para colocar a coroa de flores com nossa flâmula, foram à frente Márcio Madeira e Giovanni La Peña, ambos amigos do Sr. Martin. Diversas delegações depositaram suas homenagens, e depois voltamos para o hotel (num frio glacial, diga-se de passagem).

Esta última noite de festividades foi magnífica. As delegações de diferentes países estavam identificadas nas mesas. Posso dizer que talvez a nossa fosse a maior, excetuando-se a da própria Alemanha. Muitos uniformes diferentes popularam o salão. Para minha surpresa, ao nosso lado estavam as delegações russa e ucraniana, e lá entre eles estava um senhor de uniforme militar azul. Não me contive e fui ter com ele. Infelizmente meu russo não passa de cumprimentos básicos, mas por sorte o neto dele, que fala inglês muito bem, estava lá e ajudou bastante. Acabei descobrindo que se tratava do Coronel Yuri Mikhailovich Romanov, que foi instrutor de pilotos de caça durante a guerra. Ele contou-nos sobre seus voos em I-153s, Yak-3s, Yak-7s, Yak-9s e MiG-15s. Foi uma tremenda experiência poder falar com um piloto russo, dos quais nunca esperava encontrar um. Mas como as surpresas não param, estava lá também o Dr. Olli Kivioja, finlandês piloto de Blenheim. Ele foi da infantaria e lutou na Guerra de Continuação como metralhador, antes de ser transferido para a Força Aérea. O Dr. Kivioja é muito bem educado, fala inglês muito bem convidou-nos para ir à Helsinque.

Entre pilotos alemães, estavam lá uma pluralidade. Pilotos de transporte, de ataque, novatos que não completaram o treinamento, tudo e mais um pouco. Um deles foi Martin Hoffman, que foi um rammjaeger (colisores aéreos), e o outro foi um senhor muito simpático chamado Wilhelm Desinger. Ele foi piloto do JG 3 "Udet", voou o Me 109K-4 e derrubou sete aeronaves soviéticas. Desinger estava bem tímido, e eu disse "mas o senhor é um ás!", e ele respondeu: "não, não... não para os padrões da Força Aérea Alemã". Hehehe... O mais legal é que ele é dono de um clube de voo a vela e ainda hoje voa em planadores.

Fazendo o balanço final, posso dizer que estou 100% satisfeito de ter participado destes eventos. Conheci diversas personalidades e o Sr. Martin ficou muito feliz com nossa participação. E o melhor: fizemos uma excelente representação do Brasil lá fora.

Amanhã irei encontrar-me com pilotos romenos, junto com meu amigo Claudiu Stumer. Hora de despedir-me. Abraços!













Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 1
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 2
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 3
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 4
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 5

1 comentários:

Richard disse...

Oh, i see you met some interesting people again. Wonderful, my friend!
I hope yspu had have a wonderful week without us, haha.
Talk to you soon!
Richard