Generalleutnant
(1893 - 1966)
Otto Fretter-Pico nasceu no dia 2 de fevereiro de 1893 na cidade de Karlsruhe, perto da fronteira sudoeste da Alemanha com a França. No dia 14 de julho de 1914, ele tornou-se um aspirante a oficial no 14º Regimento de Artilharia “Grossherzog”. No mês seguinte irrompeu a Primeira Guerra Mundial, e após terminar o treinamento básico, Fretter-Pico foi enviado para o front ocidental. Lá ele passou toda a guerra, excetuando-se o período de fevereiro a maio de 1916, quando foi designado para o quartel-general da 28º Divisão. Em outubro do mesmo ano ele também passou alguns dias nesse posto.
Em 27 de janeiro de 1915, Fretter-Pico foi comissionado Leutnant. Em setembro de 1917 ele recebeu o comando da 6ª Bateria do seu Regimento, e em 18 de outubro de 1918 foi promovido a Oberleutnant. Durante o conflito ele foi agraciado com ambas as classes da Cruz de Ferro.
Ao terminar a guerra, Fretter-Pico foi um dos oficiais selecionados para o restrito Reichswehr, onde foi designado para o 13º Regimento de Artilharia em Königsberg. Em 1921, passou para o 5º Regimento em Fulda, onde permaneceu até ser promovido a Hauptmann em fevereiro de 1928. Seguiu-se um período trabalhando no Ministério da Defesa em Berlim, e a partir de 1930 ele ocupou uma série de posições na Bavária. Em setembro de 1934 ele recebeu o comando do III Batalhão do recém-comissionado Regimento de Artilharia de Munique.
Em 1 de janeiro de 1935, Otto Fretter-Pico foi promovido a Major, sendo também designado Inspetor de Observação de Artilharia no Ministério da Guerra em Berlim. Promovido a Oberstleutnant em outubro de 1937, ele recebeu o comando do 7º Batalhão de Observação em novembro de 1938 – completando um curso de artilharia em Jüterborg em janeiro de 1939. No comando da unidade, Fretter-Pico tomou parte na invasão da Polônia após o início da Segunda Guerra Mundial em 1 de setembro de 1939. No dia 6 de fevereiro de 1940 ele assumiu o comando do 297º Regimento de Artilharia, unidade que lideraria durante a campanha de 1940 contra Holanda, Bélgica e França. Como reconhecimento pelo trabalho, foi promovido a Oberst em 1 de setembro daquele ano.
Ainda no comando do 297º Regimento, Fretter-Pico participou da Operação Barbarossa, a invasão da União Soviética, a partir de junho de 1941. Seus méritos foram reconhecidos com a condecoração da Cruz Alemã em Ouro no dia 11 de dezembro daquele ano. No dia 20 de dezembro de 1942, Otto Fretter-Pico despediu-se do front leste, quando entrou para a Reserva do Führer. Contudo, foi chamado de volta ao serviço em 20 de fevereiro de 1943, para liderar o treinamento da nova 57ª Divisão de Infantaria, na França. Quando a unidade foi comissionada em maio, ele tornou-se seu comandante, pois havia sido promovido a Generalmajor em 1 de março.
Em 25 de setembro de 1943, Fretter-Pico recebeu um novo comando: a 148ª Divisão de Infantaria. Após os desembarques Aliados na costa da Normandia em junho de 1944, a Divisão ficou responsável por guardar a passagem dos Alpes entre a França e a Itália. Em 20 de outubro daquele ano, ele foi promovido a Generalleutnat e, em 12 de dezembro, como reconhecimento pela liderança da 148ª Divisão, foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.
Em outubro de 1944, os estados-maiores do Generalfeldmarschall Albert Kesselring e do Maresciallo d’Italia Rodolfo Graziani começaram a planejar uma ofensiva de inverno no front italiano – mais especificamente na região montanhosa da Garfagnana, usando 40.000 homens com pobre apoio de tanques, artilharia e aviões para romper as linhas do 5º Exército Americano e recapturar o porto de Livorno, tirando dos Aliados seu ponto de apoio mais próximo da frente.
Contudo, quando o plano chegou aos comandantes divisionais – Otto Fretter-Pico e o Generale di Brigata Mario Carloni, comandante da Divisão Alpina “Monterosa” – sofreu drásticas mudanças, sendo bastante reduzido. Fretter-Pico e Carloni sabiam que tinham de adequar o planejamento ao real estado das forças do Eixo na região, já que nenhum reforço era esperado dos outros fronts.
Dessa forma, o plano revisado e nomeado Operação Tempestade de Inverno (não confundir com a grande operação homônima de resgate do 6º Exército em Stalingrado, liderada por Hermann Hoth), foi posto em movimento. Na madrugada de 25 para 26 de dezembro, três colunas ítalo-germânicas – totalizando 4.600 soldados – atacaram o setor da Garfagnana, defendido pela 92ª Divisão de Infantaria “Buffalo” (soldados negros norte-americanos).
Rapidamente, as forças do Eixo sobrepujaram os americanos, que recuaram e permitiram uma penetração de 8 km em suas linhas – em pouco mais de 24 horas de ação. Sob comando geral de Otto Fretter-Pico e comando operacional de Mario Carloni, a Operação Tempestade de Inverno foi um sucesso completo. Como a última ofensiva bem-sucedida do Eixo no front italiano, ela desarticulou as posições Aliadas nos Apeninos Ocidentais, e estabeleceu uma linha que permaneceu incólume até a Ofensiva da Primavera em abril de 1945.
Com a substituição da Monterosa pela Divisão Bersaglieri “Italia” no começo de 1945, e o início da Ofensiva da Primavera em abril, Fretter-Pico viu-se cercado por três regimentos da Força Expedicionária Brasileira nas cercanias de Fornovo di Taro. Abordado por um vigário local, que levou uma sugestão de rendição enviada pelos brasileiros, Fretter-Pico enviou seus plenipotenciários para negociar a entrega das armas.
Dessa forma, no dia 29 de abril de 1945, a 148º Divisão de Infantaria alemã e a Divisão Bersaglieri “Italia” se tornaram as primeiras divisões inteiras do Eixo a capitular no front italiano – e o fizeram à Força Expedicionária Brasileira. Fretter-Pico e Carloni renderam-se na manhã do dia 30, sendo escoltados pelos Generais Falconière da Cunha e Zenóbio da Costa até o QG do 5º Exército em Florença.
Nos últimos dias da guerra, por iniciativa do General der Panzertruppe Joachim Lemelsen, comandante do 14º Exército, partiu a recomendação para entrega das Folhas de Carvalho a Otto Fretter-Pico. Contudo, o pedido chegou ao QG de Karl Dönitz tarde demais, e nunca pôde ser formalmente aprovado.
Ele permaneceu em cativeiro norte-americano até julho de 1948, quando aposentou-se e foi residir na Suíça. O General Otto Fretter-Pico faleceu na cidade de Flims, aos 73 anos de idade no dia 30 de julho de 1966.
Em 27 de janeiro de 1915, Fretter-Pico foi comissionado Leutnant. Em setembro de 1917 ele recebeu o comando da 6ª Bateria do seu Regimento, e em 18 de outubro de 1918 foi promovido a Oberleutnant. Durante o conflito ele foi agraciado com ambas as classes da Cruz de Ferro.Ao terminar a guerra, Fretter-Pico foi um dos oficiais selecionados para o restrito Reichswehr, onde foi designado para o 13º Regimento de Artilharia em Königsberg. Em 1921, passou para o 5º Regimento em Fulda, onde permaneceu até ser promovido a Hauptmann em fevereiro de 1928. Seguiu-se um período trabalhando no Ministério da Defesa em Berlim, e a partir de 1930 ele ocupou uma série de posições na Bavária. Em setembro de 1934 ele recebeu o comando do III Batalhão do recém-comissionado Regimento de Artilharia de Munique.
Em 1 de janeiro de 1935, Otto Fretter-Pico foi promovido a Major, sendo também designado Inspetor de Observação de Artilharia no Ministério da Guerra em Berlim. Promovido a Oberstleutnant em outubro de 1937, ele recebeu o comando do 7º Batalhão de Observação em novembro de 1938 – completando um curso de artilharia em Jüterborg em janeiro de 1939. No comando da unidade, Fretter-Pico tomou parte na invasão da Polônia após o início da Segunda Guerra Mundial em 1 de setembro de 1939. No dia 6 de fevereiro de 1940 ele assumiu o comando do 297º Regimento de Artilharia, unidade que lideraria durante a campanha de 1940 contra Holanda, Bélgica e França. Como reconhecimento pelo trabalho, foi promovido a Oberst em 1 de setembro daquele ano.
Ainda no comando do 297º Regimento, Fretter-Pico participou da Operação Barbarossa, a invasão da União Soviética, a partir de junho de 1941. Seus méritos foram reconhecidos com a condecoração da Cruz Alemã em Ouro no dia 11 de dezembro daquele ano. No dia 20 de dezembro de 1942, Otto Fretter-Pico despediu-se do front leste, quando entrou para a Reserva do Führer. Contudo, foi chamado de volta ao serviço em 20 de fevereiro de 1943, para liderar o treinamento da nova 57ª Divisão de Infantaria, na França. Quando a unidade foi comissionada em maio, ele tornou-se seu comandante, pois havia sido promovido a Generalmajor em 1 de março.
Em 25 de setembro de 1943, Fretter-Pico recebeu um novo comando: a 148ª Divisão de Infantaria. Após os desembarques Aliados na costa da Normandia em junho de 1944, a Divisão ficou responsável por guardar a passagem dos Alpes entre a França e a Itália. Em 20 de outubro daquele ano, ele foi promovido a Generalleutnat e, em 12 de dezembro, como reconhecimento pela liderança da 148ª Divisão, foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.
Em outubro de 1944, os estados-maiores do Generalfeldmarschall Albert Kesselring e do Maresciallo d’Italia Rodolfo Graziani começaram a planejar uma ofensiva de inverno no front italiano – mais especificamente na região montanhosa da Garfagnana, usando 40.000 homens com pobre apoio de tanques, artilharia e aviões para romper as linhas do 5º Exército Americano e recapturar o porto de Livorno, tirando dos Aliados seu ponto de apoio mais próximo da frente.Contudo, quando o plano chegou aos comandantes divisionais – Otto Fretter-Pico e o Generale di Brigata Mario Carloni, comandante da Divisão Alpina “Monterosa” – sofreu drásticas mudanças, sendo bastante reduzido. Fretter-Pico e Carloni sabiam que tinham de adequar o planejamento ao real estado das forças do Eixo na região, já que nenhum reforço era esperado dos outros fronts.
Dessa forma, o plano revisado e nomeado Operação Tempestade de Inverno (não confundir com a grande operação homônima de resgate do 6º Exército em Stalingrado, liderada por Hermann Hoth), foi posto em movimento. Na madrugada de 25 para 26 de dezembro, três colunas ítalo-germânicas – totalizando 4.600 soldados – atacaram o setor da Garfagnana, defendido pela 92ª Divisão de Infantaria “Buffalo” (soldados negros norte-americanos).
Rapidamente, as forças do Eixo sobrepujaram os americanos, que recuaram e permitiram uma penetração de 8 km em suas linhas – em pouco mais de 24 horas de ação. Sob comando geral de Otto Fretter-Pico e comando operacional de Mario Carloni, a Operação Tempestade de Inverno foi um sucesso completo. Como a última ofensiva bem-sucedida do Eixo no front italiano, ela desarticulou as posições Aliadas nos Apeninos Ocidentais, e estabeleceu uma linha que permaneceu incólume até a Ofensiva da Primavera em abril de 1945.
Com a substituição da Monterosa pela Divisão Bersaglieri “Italia” no começo de 1945, e o início da Ofensiva da Primavera em abril, Fretter-Pico viu-se cercado por três regimentos da Força Expedicionária Brasileira nas cercanias de Fornovo di Taro. Abordado por um vigário local, que levou uma sugestão de rendição enviada pelos brasileiros, Fretter-Pico enviou seus plenipotenciários para negociar a entrega das armas.Dessa forma, no dia 29 de abril de 1945, a 148º Divisão de Infantaria alemã e a Divisão Bersaglieri “Italia” se tornaram as primeiras divisões inteiras do Eixo a capitular no front italiano – e o fizeram à Força Expedicionária Brasileira. Fretter-Pico e Carloni renderam-se na manhã do dia 30, sendo escoltados pelos Generais Falconière da Cunha e Zenóbio da Costa até o QG do 5º Exército em Florença.
Nos últimos dias da guerra, por iniciativa do General der Panzertruppe Joachim Lemelsen, comandante do 14º Exército, partiu a recomendação para entrega das Folhas de Carvalho a Otto Fretter-Pico. Contudo, o pedido chegou ao QG de Karl Dönitz tarde demais, e nunca pôde ser formalmente aprovado.
Ele permaneceu em cativeiro norte-americano até julho de 1948, quando aposentou-se e foi residir na Suíça. O General Otto Fretter-Pico faleceu na cidade de Flims, aos 73 anos de idade no dia 30 de julho de 1966.
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3 comentários:
A biografia de Fretter-Pico é uma prova de que as tropas germanicas que estavam na Itália nao eram tão despreparadas assim. Oficial de carreira, com larga experiência, Pico organizaria, dentro das possibilidades materiais e humanas, obstinada resistência às forças aliadas (entre as quais estava inclusa a FEB).
Parabéns, Júlio! Seus textos empre apresentam grande qualidade!
Spiegel Online, num simpático artigo publicado ontem (05.01.10) sobre a atuação da FEB na Itália, disse que as tropas de Fretter-Pico estavam cercadas por partisans italianos, e que preferiu render-se aos brasileiros (talvez sabendo da relativa "Deutschfreundlichkeit" dos sul-americanos).
(J.C. Gallas)
parabéns júlio césar, é um ótimo
site.
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