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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Nota de Falecimento: John Pattison

John Pattison
(27/01/1917 - 11/09/2009)

Faleceu no último dia 11 de setembro em Hawke's Bay, Nova Zelândia, de causas naturais aos 92 anos de idade, o veterano da Batalha da Inglaterra, Squadron Leader John Pattison.

Nascido em Waipawa, Pattison recebeu educação local e trabalhou na fazenda do pai na juventude. Ainda nessa época, juntou-se à Reserva Civil de Pilotos, aprendendo a voar em Tiger Moths. Como muitos dos seus compatriotas, ele voluntariou-se para serviço com a RAF assim que a guerra foi declarada em 1939. Após completar seu treinamento, ele zarpou para a Inglaterra, onde chegou no fim de julho de 1940. Com a crítica falta de pilotos de caça, após apenas alguns dias Pattison foi colocado em treinamento de combate. Ele juntou-se ao 266º Esquadrão em Debden, Essex, voando Spitfires a partir de 26 de agosto de 1940.

Em sua primeira missão, Pattison interceptou uma formação de 40 bombardeiros alemães e suas escoltas. Ele perdeu-se dos seus colegas, ficou sem combustível e fez um pouso forçado num campo, onde foi recebido por fazendeiros furiosos que o confundiram com um alemão. Duas semanas depois Pattison estava com o 92º Esquadrão em Biggin Hill, no auge da batalha. Em 23 de setembro ele foi atacado por um Messerschmitt Me 109 sobre Gravesend e fez outro pouso forçado, ferindo-se seriamente e passando os próximos 8 meses no hospital. Ao recuperar-se, foi feito instrutor. Pattison nem sempre era um bom exemplo para os alunos, sendo um piloto deveras ousado. Certa vez ele "roubou" um Hurricane para ir à uma festa e em outra ocasião foi proibido de voar por passar com seu Spitfire por baixo de uma ponte ferroviária.

Ele retornou à ação em abril de 1942, realizando missões de ataque ao solo sobre a França. Nas operações de preparação para o Dia-D, ele atacou bases de V-1s em Calais. No dia 6 de julho ele derrubou um Me 109, e repetiu a dose contra um Focke-Wulf Fw 190 um mês depois. Em setembro de 1944 ele recebeu o comando do 485º Esquadrão, e liderou a unidade com tenacidade em ataques pela França, Bélgica e Holanda. Em 1945 ele passou para o quartel-general do 84º Grupo.

Após a guerra ele voltou para a Nova Zelândia e trabalhou em sua fazenda até aposentar-se. O destemido Pattison era um membro frequente das reuniões anuais do 485º Esquadrão. Quando perguntado sobre seu tempo como piloto de combate, dizia: "Foram tempos maravilhosos para estar vivo, e com fantásticos camaradas". John Pattison deixa esposa e quatro filhos.

Pattison assinando pinturas de seu Spitfire.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Leopold Heimes
>>Nota de Falecimento: Ken Mackenzie
>>Museu celebra os “esquecidos poucos” entre os Poucos
>>Giuseppe Ruzzin
>>Vídeo: Batalha da Inglaterra

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Aventura de 007 foi inspirada na Segunda Guerra

Aventura de 007 foi inspirada na Segunda Guerra


Moonraker”, obra de Ian Fleming, criador de James Bond, é uma peça clássica de ação fantasiosa de alta octanagem.

Mas novas pesquisas revelam que os fatos são mais estranhos que a ficção – porque a trama de Moonraker, sobre um vilão que adquire tecnologia de foguetes atômicos, foi provavelmente inspirada por experiências reais de vida de Fleming, durante seu serviço confidencial numa unidade militar durante o fim da Segunda Guerra Mundial.

Fleming começou a trabalhar com a Target-Force, cujo trabalho era trazer cientistas de foguetes alemães para a Inglaterra antes que fossem capturados pelos russos em avanço.

Agora, pesquisa exaustiva feita pelo respeitado historiador militar Sean Longden revelou semelhanças indeléveis entre o serviço de Fleming e a trama de Moonraker, na qual o vilão, Sir Hugo Drax, tenta destruir Londres.

O filme de 1979 ("007 Contra o Foguete da Morte" - aquele da cena do bondinho do Pão de Açúcar), estrelando Roger Moore como 007 e Michael Lonsdale como Drax, tem pouca semelhança com o livro de Fleming, mas Longden divisou uma ligação entre o livro e a realidade enquanto lia uma cópia após completar a leitura de uma obra sobre a Target-Force.

Entre as similaridades, estão:

-Drax trabalha no projeto de foguete Moonraker para o governo britânico. Isso é similar à Operação Backfire, um projeto britânico que testou mísseis V2 capturados, recuperados pela T-Force;

-Um dos capangas de Drax chamava-se Dr. Walter. Na vida real, o Dr. Hellmuth Walter administrava a fábrica Walterwerke em Kiel, no norte da Alemanha, que foi capturada pela T-Force em 1945. Lá fabricou-se os motores usados nas V1 e V2;

-No livro, 50 cientistas alemães – descritos como “mais ou menos todos os experts em mísseis que os russos não capturaram” – estão trabalhando no projeto Moonraker. A T-Force retirou cientistas da zona russa e o Dr. Walter ajudou nesse trabalho;

-O Drax fictício trabalhou para a siderúrgica Rheinmetall-Borsig. Esta empresa alemã é real e um dos alvos primários da T-Force;

-O foguete Moonraker é comparado ao V2 e seria testado no Mar do Norte. Na Operação Backfire, os ingleses testaram V2s no Mar do Norte;

-O Moonraker é propelido por peróxido de hidrogênio. O Dr. Walter real era um especialista em motores de peróxido de hidrogênio e trabalhou num desenho de motor para o míssil V2.

Longden disse: “Quando me sentei para ler o livro, tudo que eu sabia era que Moonraker era a história de um sistema de mísseis inglês. Nos dias seguintes, me choquei ao ver o quanto a história me era familiar. Nas primeiras páginas pareceu uma aventura de James Bond, com muito carteado e champanhe, com um elemento de mistério cercando um sistema de mísseis projetado pelos alemães e funcionando na Inglaterra”.

Então, na página 126, me choquei com um nome familiar. Um dos 50 cientistas alemães era um tal Dr. Walter, especialista em motores de peróxido de hidrogênio. O nome instantaneamente lembrou minha pesquisa. Quando a T-Force foi enviada a Kiel, um de seus alvos principais era a Walterwerke, e em particular o seu dono, Dr. Walter. Sabendo que Fleming esteve em posição privilegiada para ver os relatórios secretos da T-Force vindos da Alemanha, eu me dediquei a encontrar quaisquer outros elementos da história da T-Force dentro de Moonraker”.

Não tenho dúvidas de que Fleming utilizou suas lembranças de operações ultra-secretas para desenvolver o material para Moonraker”.

Fonte: Daily Mail, 20 de setembro de 2009.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Konrad Dannenberg
>>Nota de Falecimento: Dr. Ernst Stuhlinger
>>Filmes: Fascistas em Marte
>>Focke-Wulf Triebflugel
>>Vídeo: Entrevista com Hanna Reitsch

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Cenários da Segunda Guerra: ontem e hoje

Aqui está uma coletânea fantástica de fotos de locais históricos da Segunda Guerra Mundial, comparando-se o ontem e o hoje. É um trabalho realmente digno de nota. Para completar, o empolgante score de Medal of Honor (quem não se lembra desse clássico...).



Veja também:
>>Itens pessoais de Hitler e Goering vão a leilão
>>Fotos de um "tesouro nacional"
>>Condecorações em cores
>>Vídeo: Afrika Korps em cores
>>Um Focke-Wulf em Duxford

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Livro: O Outro Lado da Colina

O Outro Lado da Colina

A história militar da Segunda Guerra Mundial sob os olhos dos generais alemães - uma obra clássica.

por Júlio César Guedes Antunes

Nenhum relato de evento histórico pode ser tão prejudicado pela parcialidade quanto o relato de um confronto militar, e esta regra se aplica com feroz precisão no caso do maior de todos os conflitos humanos: a Segunda Guerra Mundial. Desde que começou-se a escrever história militar, os historiadores dessa vertente dividem-se em duas classes: os que participaram do ato em si, e os que pesquisaram a documentação original e testemunhos gerados pelo conflito.

Quanto à Segunda Guerra Mundial, historiadores clássicos como Kenneth Macksey, Vassily Grossman e Cornelius Ryan encaixam-se na primeira categoria; já Antony Beevor, Stephen Ambrose e David Glanz são representantes da outra categoria. Poderia-se esperar que o relato de um historiador que esteve presente nas fileiras dos exércitos e conferiu a ação em primeira mão pudesse fornecer um retrato mais fiel dos acontecimentos; contudo, o sentimento patriótico, por menor que seja, e a escolha de uma palavra em detrimento de outra, pode mudar todo o cenário de uma batalha. Todavia, podemos concordar que o fator de maior peso nessa balança é justamente o desconhecimento do que se passa “no outro lado da colina”, ou seja, nas mentes e nas ações do inimigo.

Sir Basil Liddell Hart, um veterano da Primeira Guerra Mundial e proeminente correspondente de guerra, teve uma oportunidade única de explorar este campo desconhecido, ao conseguir autorização do alto-comando inglês para entrevistar os oficiais generais alemães que estavam sob sua custódia ao fim das hostilidades em 1945. Desta forma, o livro O Outro Lado da Colina (“The Other Side of the Hill”) apresenta uma coletânea de testemunhos destes homens, com suas lembranças ainda intactas e não afetadas por considerações que inevitavelmente apareceriam nos anos do pós-guerra.

O livro se faz uma obra clássica da historiografia militar, tendo sido publicado inicialmente em 1948. O autor monta uma narrativa cronológica que começa no período transitório do poder na Alemanha, entre 1932 e 1933, época em que Hitler ascendeu ao poder. Nas palavras dos generais, fica patente a personalidade e herança do militar prussiano, que obedece ao estado e vê no protesto uma atitude incabível com sua posição. Contudo, Liddell Hart mostra-se surpreso ao perceber que, ao contrário do que pensava, nenhum daqueles homens era o fanático e inflexível guerreiro que esperava. A relação de Hitler com seus generais era mais complicada e difícil do que se imaginava. Se por um lado, eles fizeram vista grossa aos atos criminosos levados a cabo nos territórios ocupados, fica óbvio que a escala de atrocidades teria sido muito maior se tais ordens criminosas não tivessem sido ignoradas ou modificadas por eles próprios.

Liddell Hart foi capaz de traçar um relato de toda a guerra, graças à pluralidade das personalidades por ele entrevistadas. O Marechal-de-Campo Gerd von Rundstedt, comandante do Grupo de Exércitos A durante a invasão da França e Bélgica em 1940, relata que apenas obedeceu a ordens superiores quando parou seus tanques nos arredores do porto belga de Dunquerque, o que acabou permitindo a fuga do exército inglês pelo Canal da Mancha. Rundstedt, que era o comandante militar da área, fora julgado o responsável pela ordem (juntamente com Hitler) durante o decorrer da guerra pelos Aliados, mas o livro revela, através dele próprio e do General Walter Warlimont (chefe de operações no Quartel-General Supremo), que a ordem de parada viera de Hitler, e não de Rundstedt. O Führer pretendia, ao deixar os ingleses escaparem, tentar uma aproximação com o governo de Londres, e preparar o terreno para as negociações de paz. Warlimont também relata que o Marechal Hermann Goering assegurara a Hitler que sua Força Aérea poderia, sozinha, dar cabo dos ingleses no porto, não havendo assim necessidade de envolver os tanques na luta.

Os tanques, que passaram a ser as peças principais no campo de batalha na Segunda Guerra Mundial, desempenharam papel fundamental para a assombrosa vitória alemã sobre a França em 1940. Liddell Hart entrevistou o criador da doutrina alemã de uso de tanques, General Heinz Guderian. Guderian, desde meados da década de 1930, advogava o uso tático dos tanques como pontas-de-lança, ao invés de escoltas de infantaria. Ao coordenar os tanques com a aviação de ataque, e utilizar tal combinação no arrojado plano ofensivo concebido pelo Marechal-de-Campo Erich von Manstein, os alemães obtiveram um resultado impressionantemente positivo sobre franceses e ingleses, deixando-os sem possibilidade de reação. Guderian explica no livro de forma ágil e compreensiva os passos que levaram à rápida conquista da França.

A relação de Hitler com a Inglaterra e a relutância dele em tentar uma invasão pelo Canal sempre foi alvo de discussão por historiadores militares nos últimos 60 anos. Em O Outro Lado da Colina, Rundstedt explica os pormenores da planejada invasão, batizada de “Operação Leão Marinho”, que nunca tornou-se realidade. Tal relato joga luz sobre a então perene dúvida da real existência do plano.

Os alemães foram inovadores nos primeiros anos da guerra, não somente no uso de tanques e aviação de ataque, mas também introduzindo o uso de paraquedistas de combate. O homem responsável pela criação de tal força, tão bem sucedida na captura da fortaleza belga de Eben-Emael em 1940, General Kurt Student, dá a Liddell Hart um esclarecimento que modifica, sob certos aspectos, a visão geral da Operação Mercúrio, a invasão aeroterrestre da ilha de Creta, então sob posse dos ingleses, em maio de 1941. A altíssima taxa de baixas entre os paraquedistas convenceu Hitler a nunca mais usá-los em saltos ofensivos, convencido de que tais tropas haviam perdido sua capacidade de surpresa. Como provaria a importância dos massivos saltos de paraquedistas Aliados no Dia-D em 1944, Hitler estava errado. E Kurt Student explica que, ao visitar o campo de batalha de Creta logo após os combates, descobriu que os ingleses haviam capturado um manual de operações dos paraquedistas alemães na Holanda em 1940, sabendo de antemão como eles saltariam e a melhor forma de liquidá-los antes de chegarem ao solo. Daí a razão de tantas baixas.

As clássicas manobras de tanques nos combates do Norte da África são explicadas Wilhelm Ritter von Thoma, vice-comandante do Marechal Erwin Rommel. Thoma deixa patente as extremas dificuldades que os alemães enfrentaram com o alongamento das linhas de suprimento, e a insuficiência de meios para impor uma vitória decisiva aos ingleses naquele teatro de operações. Por outro lado, Thoma explica as pouco ortodoxas táticas que Rommel utilizou no deserto para ludibriar os ingleses, obtendo vitórias apelando para o psicológico ao invés da força bruta.

Entretanto, a questão principal a ser tratada na obra não poderia deixar de ser as relações da Alemanha com a União Soviética, e o que levou as duas potências a entrar em guerra entre si. De acordo com Rundstedt e o General Günther Blumentritt, Hitler insistira nas intenções russas de atacar a Alemanha ainda em 1941. Seu ataque seria, assim, uma ofensiva preventiva. Rundstedt, contudo, disse que encontrou pouca ou nenhuma evidência de preparativos russos para uma ofensiva, quando seu Grupo de Exércitos Sul invadiu a região da Ucrânia. O plano de Hitler, aceito com muita relutância pelo Alto-Comando, previa a destruição do exército soviético a oeste do rio Dnieper, em operações de cerco utilizando tanques. Quando esse objetivo mostrou-se impossível de ser cumprido, ele seguiu o erro de Napoleão e ordenou uma penetração mais profunda no território russo. Guderian também volta à cena neste ponto, relatando que fez tudo ao seu alcance para convencer Hitler a cancelar sua ordem de desviar os tanques do eixo de ataque de Moscou para a Ucrânia. De acordo com Guderian, tivessem os tanques continuado em sua ofensiva original, Moscou poderia ter sido atingida em setembro, e não em fins de novembro, já com o inverno a pleno. A insistência de Hitler em não recuar suas tropas para formar uma linha defensiva durante o inverno possibilitou aos soviéticos montar uma ofensiva que desmontou todo o centro das posições alemãs, impossibilitando a retomada dos ataques naquele setor em 1942.

Como única saída, Hitler somente pôde continuar com a ofensiva no setor sul, avançando através do rio Don contra Stalingrado. O Marechal Ewald von Kleist e o General Blumentritt explicam que a situação da ofensiva alemã no sul da União Soviética em 1942 já parecia condenada ao fracasso desde o início. Kleist relata a dificuldade extrema na obtenção de suprimentos, e Blumentritt conta que a dualidade de objetivos foi o que causou o fracasso e possibilitou os russos de realizarem o cerco do 6º Exército alemão em Stalingrado.

Com as derrotas somando-se e a perspectiva de ver a Alemanha destroçada pelo esforço conjunto dos Aliados, alguns generais alemães iniciaram um complô para assassinar Hitler. O atentado contra sua vida em 20 de julho de 1944, contudo, falhou. Os Aliados já haviam desembarcado na França, e Rundstedt e Blumentritt falam sobre a inevitável derrota que se estabelecia naquela frente, enquanto Hitler emitia constantes ordens de não-recuo. À medida que o terreno sob controle alemão diminuía, as atitudes do Führer iam se tornando cada vez mais irrealistas, como a ordem de realizar um ataque durante o inverno contra as posições americanas na floresta das Ardenas. O General Hasso von Manteuffel, exímio comandante de tanques, explica que Hitler esperava que seus exércitos conseguissem repetir os feitos de 1940, mas com efetivos extremamente debilitados e contra inimigos muito mais preparados. Manteuffel, ele mesmo um dos comandantes da operação, relata as dificuldades da movimentação de tanques na neve, e a falta crônica de combustível que paralisou o ataque alemão.

Por fim, Liddell Hart dedica todo um capítulo às considerações que Manteuffel faz da pessoa de Hitler. Manteuffel fora promovido ao generalato durante a guerra, e era um dos poucos generais que Hitler pedia por conselhos e escutava opiniões. Ele conferenciara com Hitler mais do que qualquer outro general no ano de 1944. Manteuffel descreve Hitler como um homem de personalidade marcante, que podia facilmente influenciar aqueles que se aproximavam dele. Assim ele explica que muitos generais iam ao seu encontro para protestar contra alguma ordem, mas ele acabava por convencê-los do seu ponto de vista. Hitler também era, de acordo com Manteuffel, obcecado por números. Constantemente recorria às tabelas de produção das fábricas de armamento para calcular a força de seus exércitos, mas como o próprio Manteuffel disse “não levava em consideração que tais efetivos ainda deviam ser levados à linha de frente”.

O Outro Lado da Colina permanece uma obra de grande importância para o estudo da Segunda Guerra Mundial. Historiadores têm concordado que o livro é uma referência clássica, colocando reservas apenas na forma em que Liddell Hart aparenta querer aumentar sua importância na criação da doutrina de uso de tanques cunhada por Heinz Guderian. Salvaguardando tais sugestões de Liddell Hart, a obra é de validade inquestionável.

Veja também:
>>Livro: Quero Matar Hitler
>>Livro: Mussolini e a Ascensão do Fascismo
>>Livro: O Zoológico de Varsóvia
>>Livro: As Benevolentes
>>Livro: A Espada da Honra

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Documentário: A História Soviética

Eis aqui mais um interessante documentário legendado em português: A História Soviética. O documentário conta, de maneira bastante gráfica, as grandes atrocidades cometidas pelo regime soviético, especialmente no período em que a URSS foi liderada por Josef Stalin. Documentos que atestam uma parceria entre a Gestapo e o NKVD são exibidos pela primeira vez:










Veja também:
>>Documentário: Stalingrado - O Ataque, O Caldeirão, A Morte
>>Documentário: Hitler's Stealth Fighter
>>Documentário: Lo Spirito del Serchio (trailers 2 e 3)
>>La Leggenda del Comandante Diavolo
>>A guerra de Hitler contra a América

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

As únicas fotos coloridas da rendição alemã

As únicas fotos coloridas da rendição alemã


As únicas fotografias coloridas da rendição alemã na Segunda Guerra Mundial vão a público pela primeira vez em 64 anos, após serem tiradas por um soldado escondido atrás de uma árvore.

Ronald Playforth secretamente capturou um dos momentos mais históricos do século XX após esgueirar-se entre um grupo de árvores para observar a cena da rendição.

Com uma câmera, ele registrou o Marechal-de-Campo Bernard Montgomery saudando os mais altos oficiais alemães do que sobrara do Terceiro Reich de Hitler em sua tenda.

Embora derrotados e apenas dias após o suicídio de Hitler, as fotos inéditas mostram os oficiais alemães parecendo imaculados – e ainda ameaçadores – em seus longos sobretudos e botas de cano alto.

Até agora, as únicas imagens do momento eram as oficiais em preto e branco no acervo do Imperial War Museum.

O Sr. Playforth guardou as fotos junto com um discurso escrito a mão por Montgomery em março de 1945, para estimular os soldados ingleses em seu último esforço na Alemanha. Os itens históricos permaneceram com a família desde então, e estão agora indo a leilão.

Andrew Aldridge, um dos leiloeiros, disse: “Playforth sabia que iria testemunhar um dos momentos mais importantes do século XX. Ele era de patente muito baixa para estar presente, então espiou por entre arbustos e árvores no perímetro do quartel-general e tirou quatro fotografias com filme colorido. Até onde sabemos, são as únicas fotos coloridas a capturar o evento; todas as outras são em preto e branco”.

Ronald Playforth era um sargento na comitiva de Montgomery, desde o Dia-D até a rendição final. Em maio de 1945 ele estava estacionado no QG de Monty em Luneburg, perto de Hamburgo, quando o alto-comando alemão chegou para assinar os papéis da rendição dos seus exércitos na Europa.

As fotos mostram o Almirante Hans Georg von Friedeburg, o membro de mais alta patente na delegação; General Eberhard Kinzel, chefe de estado-maior do Exército Alemão no noroeste; e o Major Friedl, com seus 1,98 m de altura, chefe da Gestapo.

No dia anterior, Montgomery havia estabelecido os termos de rendição incondicional à mesma delegação, no mesmo local.

Quando os alemães tentaram negociar, ele deu-lhes um longo sermão sobre o bombardeio de Coventry e os horrores de Belsen.

A delegação voltou para o QG do Grande-Almirante Karl Doenitz – o sucessor de Hitler – e receberam permissão para assinar os papeis, o que fizeram no dia seguinte, 4 de maio.

Quando tudo terminou, Montgomery simplesmente disse: “Isso conclui a rendição”.

Dois dos membros da delegação alemã – Kinzel e Friedeburg – cometeram suicídio semanas depois, e Friedl morreu num acidente de carro.

Sobre o leilão, o Sr. Aldridge disse: “Estamos esperando grande interesse nesses itens, de colecionadores privados e museus militares”. A estimativa é que as fotos sejam vendidas entre £1.000 e £1.500 cada.

Fonte: The Telegraph, 16 de setembro de 2009.


Veja também:
>>Fotografias inéditas de Hitler na rendição francesa
>>Camarote para a rendição
>>O terror invisível
>>Fotos do ataque a Pearl Harbor
>>Fotografias de um temido capanga de Hitler serão vendidas após 60 anos em casa na Inglaterra

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Veterano nu rende intruso em sua casa

Veterano nu rende intruso em sua casa


Autoridades disseram que um senhor de 91 anos de Lake Worth, Florida, foi capaz de segurar um intruso bêbado sob a mira de sua arma até a chegada da polícia.

Robert E. Thompson saltou da cama no fim da madrugada de sábado, 19 de setembro, quando seu cachorro começou a rosnar, atacando o intruso. Ele disse que pegou seu revólver e saiu pelos fundos para deixar o intruso sabendo o que ele pensa de visitas indesejadas.

Thompson, que é veterano da Segunda Guerra Mundial, disse que não notou que estava parado do lado de fora, no escuro, sem nenhum tipo de roupa.

As autoridades chegaram e encontraram um intruso bêbado sob a mira da arma do proprietário, nu.

O intruso foi identificado como Jose Pasqual, de 26 anos. Ele foi fichado e preso na prisão do condado de Palm Beach, sendo indiciado por invasão de domicílio.

Fonte: Orlando Sentinel, 20 de setembro de 2009.

Veja também:
>>Veterano conta histórias pouco tradicionais em novo livro
>>Cartões postais revelam o humor na Kriegsmarine
>>Ás da Segunda Guerra é libertado da prisão
>>Enfermeira da foto de Times Square se reúne com a Marinha
>>O "novo discurso" do General Patton

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O que diz o manual dos kamikazes

O que diz o manual dos kamikazes


Pilotos kamikazes japoneses recebiam manuais aconselhando-os a “exercer força sobrenatural” – e manter os olhos abertos.

Kamikaze: trechos do manual do piloto

A missão das unidades

Transcender vida e morte. Quando você eliminar todos os pensamentos sobre a vida e a morte, você será capaz de desapegar-se totalmente de sua vida terrena.

Isso também o ajudará a concentrar sua atenção em erradicar o inimigo com determinação inabalável, enquanto reforça sua excelência nas qualidades de voo.

Exerça o melhor de si. Ataque a embarcação inimiga que estiver ancorada ou navegando. Afunde o inimigo e pavimente o caminho para a vitória do nosso povo.

Faça uma caminhada pelo aeródromo

Quando fizer essa caminhada, tome ciência do que o cerca. A pista é a chave para o sucesso ou falha de sua missão. Devote toda a sua atenção a ela.

Olhe para o terreno. Quais são as características do solo? Qual é o comprimento e a largura da pista? No caso de você decolar de uma estrada ou campo, qual é a direção correta do seu voo? Em que ponto você decide decolar?

No caso de decolar ao entardecer, ou ao amanhecer, ou após o pôr-do-sol, que tipos de obstáculos devem ser lembrados – um poste elétrico, uma árvore, uma casa, uma colina?

Onde chocar-se (os pontos vulneráveis do inimigo)

Quando estiver mergulhando ou chocando-se contra o navio, mire um ponto entre a ponte de comando e as chaminés.

Entrar nas chaminés também é eficiente.

Evite atingir a ponte de comando ou uma torre de tiro. No caso de um porta-aviões, mire nos elevadores. Se isso for difícil, atinja o convés de voo perto da popa. Em um ataque horizontal à baixa altitude, mire no centro do navio, um pouco acima da linha d’água. Se isso for difícil, em caso de um porta-aviões, mire na entrada do hangar das aeronaves, ou na base das chaminés. Para outras embarcações, mire perto da sala dos motores.

Logo antes do choque

Sua velocidade está no máximo. O avião tende a subir. Mas você pode prevenir isso empurrando o controle do profundor para frente o suficiente para permitir o aumento de velocidade. Faça seu melhor. Vá em frente com todo o seu poder. Você viveu por 20 anos ou mais. Você deve exercer toda a extensão do seu poder pela última vez na sua vida. Exerça força sobrenatural.

No momento do impacto

Faça seu melhor. Toda divindade e os espíritos de seus camaradas mortos estão olhando você com atenção. Logo antes da colisão é essencial que você não feche seus olhos nem por um momento, para não errar o alvo. Muitos se chocaram com seus alvos com olhos plenamente abertos. Eles lhe dirão o quão divertido foi.

Você está a 30 metros do alvo

Você sente que sua velocidade aumentou repentina e abruptamente. Você sente que a velocidade aumentou milhares de vezes.

Parece uma panorâmica em um filme, tornando-se um close, e a cena expande-se na sua frente.

No momento do choque

Você está a dois ou três metros do alvo. Você pode ver claramente os brilhos das armas inimigas. Você sente que, de repente, está flutuando no ar. Naquele momento, você vê a face da sua mãe. Ela não está sorrindo nem chorando. É a face normal dela.

Pontos a lembrar quando estiver fazendo seu último mergulho

Chocar-se diretamente contra um alvo não é fácil. Causa grande dano ao inimigo. Portanto, o inimigo irá utilizar todos os meios para evitar sua colisão.

De repente você se sente confuso. Mas mantenha a inquebrantável convicção até o último momento, de que irá afundar o navio inimigo.

Lembre-se quando estiver mergulhando de gritar a plenos pulmões: “Hissatsu!” [“Afundar sem falhar!”] Naquele momento, todas as flores de cerejeira do Santuário Yasukuni em Tóquio irão sorrir brilhantemente para você.

Fonte: The Guardian, 7 de setembro de 2009.

Veja também:
>>Vídeo: Anime Kamikaze
>>Rendição poupou um jovem, duvidoso kamikaze
>>Trailer: For Those We Love
>>Nakajima Ki-43 Hayabusa "Oscar"
>>Bate-papo com o veterano - Cel. Ashland responde

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Artigo de Jerry Yellin na final do MWSA

Artigo de Jerry Yellin na final do MWSA

Meus caros amigos,

Nosso amigo Jerry Yellin, piloto de caça americano da Segunda Guerra Mundial, hoje com 86 anos de idade, escreveu um artigo que está entre os finalistas do concurso do Military Writers Society of America. Ele me mandou e-mail pedindo pra dar uma força na votação; é um cara muito legal e eu sei que ele merece vencer essa.

Jerry iniciou sua carreira de combate em 7 de março de 1945, quando pousou com seu North-American P-51D Mustang na ilha de Iwo Jima. No dia 7 de abril, ele participou da primeira missão de escolta de Ultra-Longo Alcance (Very Long Range) sobre o Japão. Jerry completou 17 missões VLR, e voltou para os Estados Unidos como Capitão. Seu filho mais novo casou-se com a filha de um piloto japonês que foi treinado em Mitsubishis Zero para se tornar kamikaze - mas a guerra acabou antes que ele pudesse cumprir a tarefa.

Então, peço pra vocês só um minuto, para votarem no artigo do Jerry, entitulado "Iwo Jima, August 14, 1945". É a 4ª opção da lista. Para votar, basta marcar a opção e colocar seu nome abaixo:

http://www.militarywriters.com/
2009ConferencePeoplesChoice.html#VoteNow

Jerry tem um canal no YouTube, onde há alguns vídeos de palestras dele. Neste vídeo, ele lê o artigo que compôs:


Jerry Yellin agradece a atenção de todos vocês.

Veja também:
>>North American P-51 Mustang
>>Donald "Don" Blakeslee
>>Nakajima Ki-84 Hayate "Frank"
>>Yohei Hinoki
>>Bate-papo com o veterano - Cel. Peterburs responde

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Segunda Guerra Mundial: a França invade a Alemanha

Segunda Guerra Mundial: a França invade a Alemanha


A guerra no front ocidental começou com a invasão do território alemão, quando tropas cruzaram a fronteira em vários pontos.

Tornou-se conhecido no seguinte anúncio oficial de Paris em 7 de setembro de 1939:

Comunicado de Guerra Nº 6 (publicado às 21:25)– Nossos primeiros elementos, progredindo além da fronteira com avanço variando de acordo com diferentes partes do front, encontraram em todo lugar armas automáticas e organização em campo.

Aeronaves estão bastante ativas na cooperação com as operações em solo.

Os movimentos prescritos para mobilização de transporte e acampamento de todas as unidades estão acontecendo normalmente.

As várias formações e grupos estão, de acordo com nossas tradições, na medida do possível fazendo tudo para ajudar a prover materiais para nossas tropas, cujo moral é excelente.

O suprimento de nossos exércitos está funcionando de maneira apropriada.

O contato entre as forças rivais foi agora estabelecido ao longo de toda a fronteira entre o Reno e o Mosela, aproximando-se do Estado neutro de Luxemburgo.

De acordo com relatórios vindos de Luxemburgo que chegaram a Paris na última noite, as tropas francesas, apoiadas por tanques, penetraram as linhas alemãs na direção de Saarbrucken.

Aeronaves Aliadas bombardearam pesadamente os centros industriais da Renânia, principalmente ao redor de Aix-la-Chapelle. Um despacho de Bruxelas afirma que Eschweiller sofreu pesados danos no ataque.

O “Paris Soir” diz que os combates de artilharia entre as linhas Maginot e Siegfried estão acontecendo ao longo do bastião impenetrável do Reno, de Basle a Strasbourg.

O jornal diz que na luta entre Haguensu e Luxemburgo, ganhos locais foram conseguidos, posições estão sendo fortificadas e postos avançados estão sendo esmagados.

O anúncio oficial feito em Paris naquela manhã disse:

Comunicado de Guerra Nº 5 (publicado às 10:45) – Diversos avanços locais foram feitos por toda a noite de ontem.

Cidades evacuadas – trens superlotados

O comunicado oficial de guerra alemão reportou, como antes, que havia quietude no front oeste.

Saarbrucken foi completamente evacuada.

Correspondentes no oeste da Alemanha reportam que oficiais alemães estão ocupados evacuando outras cidades e vilas por todo o Sarre. Milhares de mulheres e crianças estão sendo transportadas para Koblenz, Colônia e outros lugares.

Trens estão lotados ao sufocamento, com mais de 30 pessoas em cada compartimento. As jornadas que normalmente levam uma hora, agora levam sete ou oito.

A auto-estrada entre Colônia e o Saarbrucken está fechada para tráfego comum por longos períodos, com infinitos comboios de soldados, armas e materiais de construção enviados para o Sarre. O tráfego de passageiros nas linhas da ferrovia também estão sendo suspensos.

A Gestapo – Polícia Secreta – no distrito do Sarre – já prendeu centenas de pessoas, incluindo mineradores suspeitos de simpatia pró-França.

Estradas fechadas – suprimento deficiente de comida

As estradas em Eifel e Ahr estão fechadas com incessantes comboios de tropas e material. A construção segue nas defesas ocidentais.

Os suprimentos de comida são deficientes na Renânia, mas isso está sendo explicado pelas autoridades que a situação será normalizada.

A fronteira germano-belga está fechada para todos, exceto tráfego pedestre. A fronteira germano-holandesa está aberta.

A imprensa e os serviços telefônicos entre a Alemanha e a Holanda voltaram a funcionar após breve interrupção.

Fonte: The Telegraph, 7 de setembro de 2009.

Veja também:
>>Gabriel Gauthier
>>Fotografias inéditas de Hitler na rendição francesa
>>Jean Accard
>>A Itália declara: "Guerra!"
>>Bloch MB.152

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Nota de Falecimento: Artur Pipan

Artur Pipan
(05/12/1919 - 01/08/2009)

Faleceu no último dia 1 de agosto em Klagenfurt, na Áustria, de causas naturais aos 89 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro Brigadeiro Artur Pipan.

Nascido em Velden, na região austríaca da Caríngia, Pipan entrou para a Luftwaffe e, após completar as escolas básicas de voo, foi enviado para o treinamento em bombardeiros de mergulho. Após ser comissionado, foi enviado para a 5ª Staffel do Stukageschwader 1, estacionado em Liège, na Bélgica, em outubro de 1940. Enviado com o Fliegerkorps X para Comiso, na Sicília, ele voou sua primeira missão operacional em fevereiro de 1941, contra a ilha de Malta. A alta rotatividade da unidade levou Pipan a combater em Tobruk, Grécia, Creta e União Soviética.

Partindo de Suwalki, no setor central do front leste, Pipan voou missões com incrível frequência, operando também no lago Ilmen e Rovanniemi, na Finlândia. Sua performance no campo de batalha rendeu-lhe a Cruz Alemã em Ouro em outubro de 1942, e em abril de 1943, como Oberleutnant, recebeu o comando da 5ª Staffel do SG 1. Após completar 672 missões operacionais, Pipan foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 6 de abril de 1944, e foi promovido a Hauptmann em 1 de maio. Entre abril de 1944 e fevereiro de 1945 ele serviu no estado-maior do SG 1, e em março daquele ano assumiu o comando do I Grupo do SG 1. Nesse posto, Pipan supervisionou operações de recuo em Varsóvia, Pomerânia, Poznan, Danzig e Berlim. Ele ainda recuou o restante do SG 1 da capital para Schleswig Holstein em 26 de abril, finalmente rendendo-se em 8 de maio de 1945. Pipan terminou a guerra tendo completado 758 missões de combate, destruindo 10 locomotivas, 9 pontes importantes, uma canhoneira e inúmeros tanques.

Em 1956 ele retornou ao serviço militar, na Força Aérea Austríaca. Pipan foi instrutor de voo na escola de aviação de Langenlebarn, perto de Viena. Ele foi um dos pioneiros pilotos de jatos da Áustria, e foi instrutor de muitos outros. Em 1978, tornou-se comandante do 2º Regimento Aéreo, e foi promovido a Brigadeiro em 1981. Artur Pipan aposentou-se em 1 de janeiro de 1982. Sua esposa faleceu antes dele, e Pipan deixa um filho.

Artur Pipan como Brigadeiro da Força Aérea Austríaca.

Veja também:
>>Junkers Ju 87 Stuka
>>Nota de Falecimento: Richard Czekay
>>Nota de Falecimento: Werner Roell
>>Rudel em cores
>>Ennio Tarantola

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Entrevista com o Rei Mihai I - Parte 3

Entrevista com Mihai I
Rei da Romênia


O futuro da Moldávia

-A República da Moldávia, cujo território é basicamente a Bessarábia, é uma entidade que passou a existir como conseqüência direta do Pacto Molotov-Ribbentrop. Podemos dizer que a República da Moldávia é o lugar em que a Segunda Guerra Mundial ainda não terminou: separatismo no Transdniester, instabilidade política, luta por esferas geopolíticas de influência, imensa pobreza, tudo isso é conseqüência da aparição de um estado artificial resultado da ocupação soviética da Bessarábia. Como o senhor vê o futuro dessa entidade?
-É uma questão muito difícil de ser respondida. Eu penso com muita freqüência naquele lugar e naquele povo, e fico emocionado às vezes... E sei muito bem que eles passam por uma situação extremamente difícil, horrível, por lá. Sei muito bem disso. O problema é que não podemos fazer muito a respeito. A única coisa que podemos fazer, e devemos fazer, é ter um bom relacionamento com eles, mesmo com as coisas na atual situação, porque na verdade, cabe ao povo da Bessarábia tentar e fazer algo. Não podemos interferir. Eu notei que a última eleição lá foi um pouco diferente das anteriores. Isso é positivo? Espero que sim. Mas eu penso nas pessoas muito frequentemente, e é muito, muito doloroso.

-O senhor vê a República da Moldávia virando-se para o Oeste ou Leste no futuro?
-Bem, até onde sei, eles querem ser oeste – as pessoas – mas, será que podem? Essa é a grande questão, porque como eu disse, cabe a eles decidir.

-O senhor acha que a União Européia deveria atuar com maior proeminência para trazer a Moldávia mais para perto da Europa?
-Isso seria o normal, o lógico, a fazer. Sim. Mas quão longe eles estão disposto a ir, essa é a questão. Porque ainda é inexplicável para mim, há uma certa fascinação que vem da Rússia. Não quero falar muito disso, mas o povo russo é muito especial, e eles também passaram pelo inferno por 80 anos ou o que quer que seja, mas existe algo de fascinante sobre eles [no ocidente]. Claro, é um país enorme, e muitas vezes os europeus ocidentais não colocam os pés onde devem. Eles deveriam tentar trazer a Bessarábia de volta à Europa. Não porque mudariam fronteiras, mas ela é parte da Europa porque era parte da Europa.

Trazendo a Romênia de volta para a Europa

-Após 1989, o senhor fez esforço substanciais para promover a integração Euro-Atlântica da Romênia, mesmo quando o novo poder em Bucareste tratou-o com hostilidade. O reconhecimento e influência que Sua Majestade desfruta nas chancelarias ocidentais contribuíram largamente para acelerar a adesão da Romênia à União Européia e à OTAN. O senhor é um exemplo eloqüente de que apesar das adversidades da história e do destino, patriotismo e retidão moral sempre vencem no fim, não importa quão longa seja a batalha. Foi um caminho muito grande, marcado por sacrifícios pelo rei, mas agora o rei voltou para casa, mesmo que a casa tenha mudado. Quando o senhor olha para trás, quais são seus sentimentos?
-É difícil colocar isso em palavras. Éramos parte da Europa, sempre fomos, e acho que uma das coisas que fazem parte da minha responsabilidade é tentar levar o país de volta para seu lugar, tanto quanto possível, o que é muito difícil. Não se esqueça que quando voltei para lá, foi depois de 1997, após Emil Constantinescu ser eleito presidente. Agora estamos onde deveríamos estar, mas ainda temos um longo caminho pela frente. Mas estamos no tipo certo de aliança e nós temos que ficar juntos com o restante dos europeus.

Durante o esforço para conseguir a entrada da Romênia na OTAN, eu o restante da minha família nos envolvemos na luta, e tivemos encontros muito interessantes com militares e políticos, acabou funcionando. Até mesmo me encontrei com líderes militares que não deveria encontrar, porque o acordo ainda não estava selado. Há diversas maneiras de fazer as coisas, e no fim das contas conseguimos. Isso nunca foi dito e nem deveria ser dito, mas o fato é que me encontrei com diversas pessoas e finalmente tudo deu certo. Mas tive que jogar o nosso peso [risadas].

-Num livro publicado em 1992, o senhor afirmou que acredita em milagres. Agora, não importa quanta significância este ano possa ter, ainda há um evento que marcaremos este ano que foi pouco menos que um milagre: a queda do comunismo em 1989. No verão de 1989, muito da Europa Oriental ainda estava sob as garras do totalitarismo. Alguns meses depois, o acampamento “socialista” se desfez como um castelo de areia, culminando no violento levante dos romenos. Duas décadas depois, o senhor acredita que, no caso da Romênia, o milagre foi completo?
-Não, diria que não... Muito foi feito, sim. Mas eu disse uma porção de vezes, mesmo que as pessoas não tenham gostado – que a União Soviética, o sistema, caiu, mas o comunismo não desapareceu. Não. Muito mudou, mas muitas coisas por dentro... Basta cavar um pouquinho e você encontrará aquilo de novo.

Sabe, após 40-50 anos de tudo que passamos, é como uma lenta tortura. Ano após ano, as pessoas recebiam aquela ideologia, e após tantos anos, você começa a pensar que é sua própria ideologia. É uma maneira muito insidiosa de comportamento. Na superfície muita coisa mudou, sim. Mas de vez em quando você encontra pequenos fragmentos do passado que de repente aparecem. E, sabe, com toda a honestidade, não é só no meu país, mas nos outros também.

Veja bem, minha ideia, ou meus sentimentos sobre certas coisas como essa: um fala muito sobre o perdão, que é a coisa cristã correta, moral, de ser fazer. Contudo, há situações diversas. No meu caso, sendo ou não soberano da Romênia, ainda é meu dever proteger o meu país. Você disse antes que eles me trataram mal e tudo mais.

Sim, isso é verdade. Enquanto eu estava fora, e mesmo quando eu voltei. Mas isso é algo pessoal. E, as coisas pessoais você pode perdoar ou não, isso é problema seu.

Mas quando você vê o que algumas pessoas têm feito com o seu país, você pode perdoar isso? Na minha cabeça, como cristão, você não pode. Porque dezenas de milhões de pessoas foram destruídas praticamente, passaram pelo absoluto inferno, e de repente você diz “bem, acabou, vamos esquecer isso”. Você não esquece. Você sabe, o povo judeu, eles tem algo como uma prece, acho que o nome é “Nós lembramos”. E, se nosso povo e outros se lembrarem [dos crimes do comunismo], isso é um modelo positivo e moral de pensamento. Mas eu sei que é muito difícil depois de todos esses anos, porque você perde seu senso de direção.

-Como soberano do Grande Reino da Romênia, com cujo Sua Majestade se identifica, teria agora, sete décadas após os eventos trágicos de 1939, uma mensagem para todos os romenos – dentro e fora de suas fronteiras?
-Se eles querem que as coisas melhorem mais do que estão agora, o que desejo pedir ao povo romeno é que permaneçam juntos, porque algumas pessoas estão tentando separá-los, e assim não conseguiremos chegar onde queremos. Temos que mostrar solidariedade com os próximos, lembrar de que estamos na Europa, e comportar-nos apropriadamente perante os outros. Porque não é bom fazer certas coisas que todos conhecem na Romênia atualmente, e quando os estrangeiros nos criticam dizemos que não é problema deles. Claro que é problema deles, porque somos parte da Europa.

O povo romeno deveria unir-se e acordar, porque ainda temos um longo caminho pela frente. Temos que ficar juntos e avançar juntos, e trazer a Romênia de volta ao seu lugar de honra. Não diria necessariamente onde estava, porque muitas coisas do passado mudaram. Mas essas coisas do passado deveria ser inspiração para o futuro.

Este é meu profundo desejo para o povo romeno: fiquem juntos e pensem no futuro. Não necessariamente um futuro particular, mesmo que isso seja uma boa coisa a se fazer. Tenham em mente que são parte de seu país, e têm que fazer sua parte por ele.

Fonte: Radio Free Europe / Radio Liberty, 31 de agosto de 2009.

Veja também:
>>Entrevista com o Rei Mihai I - Parte 1, Parte 2
>>Entrevista com Adolf Galland - Parte 1 , Parte 2
>>Entrevista com Ion Dobran - Parte 1, Parte 2
>>Entrevista com Luigi Gorrini - Parte 1 , Parte 2 , Parte 3
>>Entrevista com Ilmari Juutilainen - Parte 1 , Parte 2 , Parte 3

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Entrevista com o Rei Mihai I - Parte 2

Entrevista com Mihai I
Rei da Romênia

Memórias de Churchill e Hitler

-O senhor mencionou antes que o Marechal Antonescu era o líder do estado, mas Sua Majestade era oficialmente o chefe de estado, e nessa posição negociou e conheceu muitos protagonistas da guerra. Conheceu alguns deles pessoalmente? Qual sua impressão deles?
-Embora eu fosse o chefe de estado, eu não tinha permissão para fazer nada, porque Antonescu estava lidando com tudo, tomando conta da política e tudo. Então, tais negociações eu não pude conduzir. Não conheci todos os líderes, apenas alguns deles. Conheci o primeiro-ministro Winston Churchill depois da guerra, e também o presidente Harry Truman quando visitei os EUA em 1948.

Churchill era muito educado, mas minha impressão foi que ele não sabia muito sobre nosso país. Num momento estávamos falando sobre uma situação, e então de repente ele dizia algo como “não sabia disso, a Romênia tem uma constituição?” Eu fiquei abismado quando escutei aquilo; não pude continuar e respondi: “Sim, claro, temos uma constituição”. Quero dizer, Churchill era um homem tão inteligente e tinha feito tanto para servir a Grã-Bretanha durante a guerra, mas de certo modo, sobre o resto da Europa... Não que ele não soubesse de nada. Eu não sei, realmente não posso entender como ele chegou àquele ponto.

Outra coisa, ele também não nos reconheceu de verdade quando eles fizeram a Conferência de Yalta [em fevereiro de 1945]. Até onde eu sei, pelo que entendi, eles fizeram uma lista a lápis com esferas de influência, então fomos instantaneamente abandonados, por assim dizer.

-E quanto a Hitler? O senhor o conheceu?
-Hitler, sim, encontrei-o duas vezes. Uma vez, com meu pai, quando voltávamos da Inglaterra e França em 1938. Meu pai teve conversas com ele. Eu não sei o que foi dito porque não falo nada de alemão. Então a segunda vez, quando minha mãe [Rainha Elena] queria voltar para Florença e acertar certas coisas, e falamos com Antonescu, e ele nos deu sua permissão. Mas ele disse que se eu fosse para a Itália teria que encontrar a família real italiana, então eu não poderia ir sem conhecer Mussolini também, e Hitler! [risadas] Então, Antonescu planejou nossa viagem, que deveríamos ir para Florença passando por Berlim! Minha mãe não queria, mas fomos assim mesmo. Foi assim que aconteceu. Almoçamos com Hitler em algum lugar em Berlim. Como eu disse, não falo alemão, mas minha mãe falava um pouco. Pouca coisa saiu desse encontro, apesar de que tínhamos um intérprete.

-Que tipo de impressão o senhor teve de Hitler? Ele te impressionou de alguma maneira extraordinária, ou era apenas uma lenda que fora construída ao redor dele?
-Quando chegamos a um assunto que o interessou, não me lembro ao certo qual, mas quando ele começou... Ele começou a fazer discursos para as pessoas que estavam lá para o almoço... Ele de repente ficou com uma expressão fixa nos olhos, que olhavam para mim com desconforto. Quando ele começou o discurso ele meio que se perdeu, dando voltas e voltas. Foi apenas uma questão de minutos, mas você podia ver pelo rosto dele, que quando era um assunto que ele gostava, ele simplesmente ia e ia... Um pouco constrangedor, contudo.

-Ele era, me desculpe por perguntar isso, Excelência, mas o senhor é alguém que realmente o conheceu. Ele era assustador?
-Não, sabe, estávamos tão separados pela linha de pensamento, que a performance intimidadora de Hitler pouco nos afetou [risadas]. Eu não me impressionei. Muito menos minha mãe.

-O senhor mencionou Mussolini. Também o encontrou?
-Eu me encontrei com Mussolini em Roma por 20 minutos durante a mesma viagem. Ele era, bem, como todos os italianos que conhecemos. Como ele se envolveu tanto com Hitler, é difícil dizer, este é outro problema.

-Em 1940, na Arbitragem de Viena, onde Hitler e Mussolini decidiram separar parte da Transilvânia e dá-la à Hungria, Mussolini chocou os romenos demandando “justiça pela Hungria ferida”. Os romenos se sentiram traídos pelo que viram como um “irmão latino”, ao ponto que o Ministro do Exterior Mihail Manolescu desmaiou quando viu o novo mapa da Romênia.
-Aquilo foi algo que não pudemos entender. O que Mussolini tinha a ver com os húngaros? Por que ele os estava apoiando tanto, e não a nós? Nós éramos uma nação latina como a Itália. Foi uma situação muito difícil de entender.

Ajudando os judeus romenos

-A aliança da Romênia com a Alemanha Nazista foi marcada, além das centenas de milhares de baixas militares romenas, por atos desprezíveis, como o extermínio de judeus da Romênia e Transdniester. Gostaria que nos falasse sobre as ações que Sua Majestade e a Rainha-Mãe tomaram para impedir esses crimes.
-Sabe, Antonescu era uma personalidade muito engraçada de certa maneira. Devo mencionar que ele foi nosso adido militar em Londres antes da guerra. Será que aquele período deixou alguma boa lembrança na cabeça dele? Não posso dizer. Mas ele tinha um certo respeito pela minha mãe. Quando meu pai deixou o país em 1940 [após Antonescu tomar o poder pela força], ele rapidamente disse à minha mãe para voltar [do exílio na Itália]. Ele fez isso. Mas comigo, ele me tratava como uma criança, então eu não podia conduzir muitas discussões com ele, porque era inútil.

O que aconteceu com a situação dos judeus era que sabíamos, éramos muito próximos do rabino-chefe da Romênia, Alexandru Shafran, e graças a ele, sabíamos exatamente quando algo estava sendo preparado contra os judeus. Ele costumava vir e nos visitar, especialmente a minha mãe, e explicava exatamente o que estava acontecendo. Ela então entrava em contato com Antonescu e o Ministério do Exterior, e conseguia realizar algumas coisas. Não tanto quanto se gostaria, mas algo. Ela conseguiu salvar cerca de cem mil judeus da Romênia e Transdnister. Não era tanto quanto ela gostaria, mas já era alguma coisa. E isso se deveu ao respeito de Antonescu pela minha mãe.

Ela conseguiu parar um ato muito selvagem que estava sendo preparado na Bucovina, e então fez com que Antonescu parasse parte da deportação dos judeus da Bucovina e Transdniester. Ela também conseguiu aprovação de Antonescu para mandar diversos trens com comida e roupas para eles. E isso continuou por muito tempo, porque o rabino Shafran costumava vir a cada duas ou três semanas para dizer que algo mais estava sendo preparado contra os judeus, e ela imediatamente avisava Antonescu. Ela até mesmo conseguiu o apoio do patriarca ortodoxo Nicodim. Eu podia fazer pouco pessoalmente, porque Antonescu não me considerava muito importante [risadas].

-E ele estava muito errado no fim das contas...
-O outro Antonescu [Ministro do Exterior Mihai Antonescu] era mais respeitoso para comigo, mas Ion Antonescu, uma vez que decidia o que fazer, não me explicava nada.

-Majestade, o senhor teve alguma pista naquela época de algo terrível estava acontecendo nos territórios ocupados pela Alemanha Nazista? Havia algum rumor de que os nazistas estavam fazendo atos horrendos de assassinato em massa contra os judeus?
-Muito pouco, mas tínhamos nossas fontes. Alguns dos nossos representantes voltando do exterior tinham farejado algo. Mas detalhes de onde e como, não. Sabíamos, contudo, que algo ruim estava acontecendo, mas não pudemos procurar detalhes.

-A Rainha-Mãe foi mais tarde honrada no Memorial do Yad Vashem.
-Sim, isso aconteceu muitos anos depois, porque eles tinham regras rígidas sobre o Yad Vashem, e levou cerca de dois ou três anos para completar a documentação, e ele tinham muitos documentos da SS a respeito da minha mãe.

Há algo mais que eu provavelmente deva mencionar. Antonescu queria que eu fosse visitar as tropas durante a guerra, porque eu também era o comandante do Exército. Então ele queria que eu fosse à Odessa, ao Transdniester e assim por diante. Eu me recusei. Recusei decididamente. Disse a ele: “nem deveríamos estar lá”. Então peguei um avião e voei diretamente para a Criméia. Fiquei dois dias lá vendo as tropas, então voltei. Recusei a colocar meus pés no Transdniester. E até onde eu sei, os russos souberam disso, porque me mencionaram algo mais tarde.

Depondo Antonescu

-O dia 23 de agosto de significado duplo para a Romênia. Por um lado, o Pacto Molotov-Ribbentrop de 1939 foi tremendamente negativo. Por outro, o 23 de agosto de 1944 é positivo. Foi quando Sua Majestade ordenou a prisão de Antonescu e tirou a Romênia da guerra contra os Aliados. Historiadores concordam que sua ação corajosa de fato salvou a Romênia. Poderia nos falar daquele dia, 23 de agosto de 1944?
-A preparação para o 23 de agosto na verdade começou no fim de 1942. Apesar da ditadura de Antonescu, os partidos políticos tradicionais da Romênia – os chamados partidos históricos – foram relegados e não foram abolidos, e tínhamos muito contato com eles na Romênia. Além disso, os partidos e eu mandamos emissários para discutir com os Aliados em Ancara e no Cairo.

Enquanto o tempo passava estávamos ficando ressabiados, porque a situação no front estava fugindo do controle, e dizíamos a eles: “precisamos de ajuda, queremos sair dessa situação, mas não podemos fazer isso sozinhos”. Mais tarde eu fiquei sabendo que todos os apelos que mandávamos para os Estados Unidos e Inglaterra para nos ajudar, eram notificados aos russos. O que não era muito – como devo dizer – não vou dizer nada.

E isso prosseguiu por muito tempo, porque não conseguimos nem mesmo a menor ajuda. Sim, moralmente, talvez, mas isso em nada ajuda quando você está com a corda no pescoço. Então, quando finalmente a situação fugiu completamente do controle após Stalingrado, e os russos já se aproximavam da Bessarábia novamente, nós discutimos com os partidos políticos. Porque os ingleses e americanos viviam insistindo para que trouxéssemos os comunistas e os socialistas para nosso grupo, então fizemos isso.

E então, acidentalmente – é muito intrigante como a história faz as coisas – eu estava em Sinaia [residência real nas montanhas] na época, e então houve uma indiscrição do nosso médico – foi muito esquisito na época, mas foi como aconteceu, dois dias antes de 23 de agosto. Estávamos discutindo o que tínhamos que falar com Antonescu, e que tínhamos que pedi-lo que fizesse um armistício para encerrar a guerra, mas ainda tínhamos que decidir uma data exata. Finalmente decidimos que seria no dia 26 de agosto.

Nosso médico pessoal estava hospedando um dos oficiais de estado-maior de Antonescu na sua casa em Sinaia. O oficial recebeu uma chamada telefônica de Bucareste e, como a casa do médico tinha três telefones, o doutor acidentalmente pegou o telefone e escutou ao acaso uma conversa em que o oficial estava sendo informado que Antonescu estava partindo para o front em alguns dias. Veja como a história aconteceu! Então o médico veio correndo nos avisar: “Vejam, eu escutei que Antonescu irá para o front depois de amanhã!” Então todos entendemos que algo urgente tinha que ser feito. Eu imediatamente voltei para Bucareste e juntei todas as pessoas com as quais conversávamos e as informei.

E foi assim que decidimos agir em 23 de agosto. Decidimos que deveríamos chamá-lo para uma reunião para me explicar como as coisas estavam indo, e que os russos estavam no Dniester. Então tive uma reunião de duas horas com o chefe da minha casa militar, [o futuro primeiro-ministro] General Constantin Sanatescu, e acertamos os detalhes. Se Antonescu recusasse, iríamos prendê-lo.

Então, após muitas discussões, após eu perguntá-lo e pedir para que fizesse algo para encerrar a guerra, o General Sanatescu disse: “Se você não pode fazê-lo, então deixe outra pessoa fazer!”, e Antonescu virou-se para ele e disse, na minha frente: “O quê? Deixar o país nas mãos de uma criança?” Então finalmente, quando ele disse claramente que não se recusava a negociar um armistício, nós tínhamos um código, e eu disse bem alto: “Bem, eu sinto muito, mas não há mais nada que eu possa fazer!” E uma porta se abriu e três sargentos e um capitão entraram e o prenderam. Eles o trancaram numa sala no prédio.

-Qual foi a reação dele? Ele disse algo a alguém?
-Ele voltou-se para o General e disse: “O que é isso?” E então não disse mais nada, o trancamos.

-Existem relatórios que dizem que quando as notícias da prisão de Antonescu chegaram a Berlim, Hitler ordenou seu embaixador em Bucareste, Manfred von Killinger, que prendesse o senhor então. Sua ousada atitude poderia ter tido um fim diferente e doloroso para o senhor. O senhor estava ciente de que era um jogo de rapidez, e o jogador mais rápido ganhava a vantagem?
-Foi realmente muito rápido, porque tínhamos combinado com os comandantes da guarnição de Bucareste, onde tínhamos poucas tropas, e ainda conseguimos trazer soldados de fora da capital, e os instruímos, que caso algo acontecesse comigo, eles assumissem a situação. O que descobri mais tarde foi que Berlim tentou encontrar outro general romeno para controlar a situação em Bucareste e substituir Antonescu, mas não havia tal general. Eles eram todos leais a mim. O embaixador Killinger então veio ao palácio, mas ele não tentou me prender nem nada, apenas disse que eu estava brincando com fogo.

-Excelência, houve quem dissesse na Romênia que Antonescu era muitíssimo popular entre as tropas e no país, enquanto o senhor estava isolado. Mas o próprio fato de que essas tropas escolheram apoiá-lo, e não Antonescu, indica que fez a decisão correta aos olhos da história.
-Isso é, claramente, verdade, porque eu era o Comandante-em-Chefe do Exército, e já tinha tido contato com comandantes de grandes unidades na linha de frente. Ninguém, absolutamente ninguém, tentou libertar Antonescu.

CONTINUA...

Veja também:
>>Entrevista com o Rei Mihai I - Parte 1
>>Entrevista com Ion Dobran - Parte 1, Parte 2
>>Nota de Falecimento: Boris Capbatut
>>Ion Dobran
>>Evento: Dia da Aviação na Romênia 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Entrevista com o Rei Mihai I - Parte 1

Entrevista com Mihai I
Rei da Romênia


O ex-soberano da Romênia, Rei Mihai I, é um dos três chefes de estado da Segunda Guerra Mundial ainda vivos (junto com o Rei Simeon da Bulgária e Norodom Sihanouk do Camboja), e o único que se envolveu diretamente no conflito. O repórter Eugen Tomiuc falou com velho monarca de 88 anos em sua residência em Aubonne, na Suíça, sobre o começo da guerra e o impacto do Pacto Molotov-Ribbentrop na Romênia e o restante da Europa Oriental.

-Estamos celebrando o 70º aniversário de dois eventos fatídicos na história européia que também tiveram impacto subseqüente na Romênia. Em 23 de agosto de 1939, a Alemanha Nazista e a União Soviética assinaram um pacto de não-agressão com um protocolo secreto que resultaria, menos de um ano depois, na Romênia perder territórios para a URSS. E em 1 de setembro, como conseqüência direta do pacto, a Alemanha atacou a Polônia, começando assim a Segunda Guerra. Gostaria de perguntar se o senhor se lembra do momento em que soube do começo da guerra – e o que sentiu.
-Naquela época eu ainda estava na escola, e não estava envolvido na administração do estado. Meu pai [Rei Carol II] tomava conta de tudo com seu governo. Claro, sabíamos o que estava acontecendo à nossa volta, mas as implicações – profundas implicações – naquela época, eram difíceis de entender, porque eu estava preocupado com as tarefas escolares. Mas nos sentimos profundamente desapontados por dentro, por assim dizer, pressentindo que algo muito ruim iria acontecer. E finalmente, o que sentíamos foi exatamente o que aconteceu.

-Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha em 3 de setembro, e em 17 de setembro a URSS invadiu o leste da Polônia. Os poderes Aliados, no entanto, não declararam guerra à União Soviética, e a Romênia sentiu-se ameaçada pelos dois lados. Esse sentimento de incômodo que descreveu – o instinto de que algo ruim iria acontecer – teve algo a ver com o fato de que mesmo a Romênia tendo estabelecido relações diplomáticas com a União Soviética, a questão da Bessarábia ainda estava pendente?
-Sim, claro. A questão da União Soviética naquela época – nós sempre mantínhamos em mente como algo a ter-se muito cuidado, porque você nunca tinha certeza do que estava por vir. Já tínhamos visto muitas coisas sobre a história [da Romênia e da Rússia]; foi o suficiente para entender que poderíamos estar em apuros mais tarde.

Nós tínhamos o possível perigo dos soviéticos, e por outro lado, os nazistas também estavam trabalhando em algo e nós fomos pegos no meio dos dois. Então há muitas, muitas coisas que as pessoas criticam, mas nós – isso é algo que percebi depois, não na época em si – estávamos enfrentando o perigo no sentido de que tanto com os soviéticos quanto os nazistas, se não fizéssemos os que os dois queriam, poderíamos perder nossa independência. Então é uma situação muito complicada, que só foi totalmente entendida depois de passada. Como você se balanceia e pende para um lado sem entrar na zona de perigo? Esse era o nosso problema.

-Com o benefício de olhar fatos consumados, com Sua Majestade disse, muitos historiadores dizem que se a Romênia tivesse escolhido resistir ao ultimato soviético de 1940 e defender a Bessarábia e a Bucovina do Norte, mesmo que fosse derrotada e perdesse dezenas de milhares de soldados, teria ganhado mais moralmente e mesmo politicamente, como a Finlândia. Por que a Romênia não lutou?
-Esta é uma questão na qual pensamos muito. É bastante óbvio que todos pensávamos nisso, mesmo que depois. Talvez algo devesse ter sido tentado, pelo menos moralmente falando. Agora estávamos enfrentando um colosso – a URSS – e seria bastante possível que se apresentássemos alguma resistência, que talvez fosse moralmente boa, teríamos tido uma invasão, com os russos por todo o país. Não podemos ter certeza, mas você sabe, tem-se que ser muito cuidadoso com certas coisas. Então também é possível que o pensamento do governo e de algumas outras pessoas fosse que seria melhor agüentar a humilhação e tentar manter o restante do país independente. Isso é algo que muitas pessoas no ocidente, claro, não entendiam e não enxergavam nossa real situação.

-Então basicamente a Romênia estava em perigo mortal como nação, poderia desaparecer completamente do mapa, porque a Hungria poderia ter tomado a Transilvânia também?
-Esta poderia ter sido a realidade porque os nazistas estavam de um lado e os soviéticos de outro, e nós certamente tínhamos problemas com os húngaros. Quem sabe o que poderia ter acontecido. Nós tentamos ser tão amigáveis quanto possível com nossos vizinhos, mas algumas vezes você não sabe o que pode acontecer se não for cuidadoso.

-Sim, alguém disse certa vez que o único vizinho amigável da Romênia era o Mar Negro. Em 1941, a Romênia tomou parte da invasão da URSS, inicialmente com a justificativa de liberar a Bessarábia, mas depois manteve a luta junto à Alemanha dentro do território russo e experimentou a catástrofe em Stalingrado. Muitos dizem que os romenos deveriam ter parado no rio Dniester. Isso seria possível em 1941? O que a Romênia pretendia?
-Esta era uma situação muito complicada. Estávamos tentando pelo menos recuperar a Bessarábia e a Bucovina do Norte, e teria sido absolutamente impossível fazermos isso sozinhos. Então quando [o Marechal Ion] Antonescu estava liderando o estado – ele não era chefe de estado, estava liderando o estado – nosso führer... [risadas] Ele decidiu que, provavelmente por um curto período, a única coisa a ser feita era juntar-se aos alemães e recuperar nossos territórios. O problema era, o quão longe deveríamos ir?

Eu me lembro muito bem, algum tempo depois, o Marechal [Carl Gustav Emil] Mannerheim na Finlândia estava, de certa maneira, na mesma situação que nós – ele se juntou à guerra contra os soviéticos, mas parou nas antigas fronteiras finlandesas [após recuperar a Karélia]. E o resultado foi que ele perdeu a mesma parte [a Karélia] de novo para a URSS. Então poderíamos ter estado na mesma situação, de retomar nossos territórios, mas perdê-los de novo pro inimigo, e a situação poderia ser ainda pior. É possível. Em vista do que aconteceu depois, poderia ter sido muito perigoso.

-Mas pelo menos, a atitude romena poderia ter sido apresentada aos grandes poderes não como uma guerra de agressão, mas como uma tentativa justa de recuperar o que havia sido perdido?
-Estou muito triste por ter que dizer isso: os Estados Unidos ainda estava muito longe, enquanto a Grã-Bretanha e a França, baseado em experiências que tive mais tarde, não davam a mínima para nossa parte da Europa. Me lembro muito bem em 1938, meu pai me levou a Londres em uma visita oficial. Eu não estava diretamente envolvido mas me lembro de escutar que ele estava tentando conseguir algum tipo de entendimento do governo britânico para, não exatamente nos salvaguardar, mas pelo menos levantar um pouco de interesse britânico pelo nosso país e pelo que estava acontecendo naquela parte da Europa, mas infelizmente nada aconteceu nesse sentido.

Eu já disse antes, muitos países ocidentais não sabiam ou não se importavam com a história da nossa parte da Europa. Eles não ligavam muito para o que aconteceria se perdêssemos nossa independência e todo o país fosse ocupado ou não – não havia interesse.

-Em 2005, o senhor foi convidado pelo então presidente russo Vladimir Putin para comparecer às celebrações em Moscou, comemorando os 60 anos do fim da Segunda Guerra. O senhor declarou repetidas vezes que as ações soviéticas foram “extremamente horríveis para os romenos” e disse que a Rússia deveria condenar oficialmente o Pacto Molotov-Ribbentrop. Ainda mantém este pensamento?
-Eu já dizia isso muito antes de 2005. E quando fui convidado para ir às celebrações em Moscou, fiquei extremamente surpreso com o fato. Devo dizer, depois de toda a história que divido com a Rússia, eu não acreditava nos meus ouvidos. Mas devo dizer que agora que a União Soviética já é passado, eu gostaria de ver os russos – como direi – um pouco mais honestos e abertos sobre essas coisas. Eles deveriam dizer algo sobre o Pacto Molotov-Ribbentrop para começar. Acho que seria a coisa certa a fazer.

CONTINUA...

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Soldados negros estupraram em massa mulheres alemãs, diz historiador

Soldados negros estupraram em massa mulheres alemãs, diz historiador


Götz Aly, um popular historiador, acusou soldados negros Aliados de estupro sistemático de mulheres alemãs durante a Segunda Guerra Mundial.

Ele também diminui sua contribuição para a derrota dos nazistas dizendo que eles foram forçados a lutar.

Aly, autor do controverso livro “Hitler’s Beneficiaries”, fez seus comentários durante uma coletiva de imprensa na mostra “O Terceiro Mundo na Segunda Guerra Mundial”, que acontece em Berlim, reconhecendo o papel de milhares de africanos e asiáticos na derrota do nazismo.

Embora convidado a palestrar, Aly recusou o que chamou de versão “politicamente correta” da história e argumentou que, na verdade, pessoas de países colonizados tinham um “interesse paralelo” com os nazistas para derrotar as nações imperialistas como Inglaterra e França.

Ele comparou o comportamento de soldados negros britânicos e franceses com os notórios estupros em massa perpetrados pelos russos no leste da Alemanha e em Berlim.

Toda cidade do sudoeste da Alemanha pode contar histórias de estupro por soldados negros”, que “não têm nada de diferente dos russos” na forma sistemática, disse Aly.

Ele também descreveu os soldados negros e asiáticos britânicos e franceses como “libertadores não-livres”, cuja contribuição para derrotar Hitler, portanto, não deveria ser celebrada.

O estupro era prática comum durante a queda da Alemanha, mas os historiadores concordam que Exército Vermelho foi responsável pela imensa maioria dos abusos sexuais.

Dennis Goodwin, presidente da Associação dos Veteranos da Primeira Guerra Mundial, que também fala por outros veteranos – e ele mesmo um veterano da Birmânia durante a Segunda Guerra – disse que as declarações de Aly não fazem sentido.

Não há comparação com os russos, que se gabam abertamente disso. Há muitos historiadores que desafiariam essa visão. Não posso falar por franceses ou americanos, mas não havia batalhões negros britânicos na Alemanha”, ele disse.

Aly é uma figura respeitada mas controversa, mais conhecido pelo livro “Hitler’s Beneficiaries”, que argumenta que os nazistas compraram a lealdade do povo alemão por distribuir equitativamente os bens tomados dos judeus e dos países europeus conquistados.

Fonte: The Telegraph, 4 de setembro de 2009.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Britânicos desmantelaram conspiração nazista antes do Dia-D

Britânicos desmantelaram conspiração nazista antes do Dia-D


Agentes britânicos desmontaram uma desesperada tentativa alemã de monitorar movimentos de tropas apenas dias antes do Dia-D, de acordo com documentos do MI5 recentemente liberados.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Islândia se tornou taticamente importante para ambos os lados, e a Alemanha mandou para lá uma série de espiões para juntar informações climáticas sobre a área e remetê-las à Luftwaffe.

Mas em maio de 1944 eles se convenceram de que qualquer assalto naval às suas posições teria que ser lançado da Islândia, mostram os documentos do MI5 liberados recentemente pelo Arquivo Nacional.

Os alemães montaram um apressado plano para mandar três espiões para o país e monitorar movimentos de tropas para prever uma tentativa Aliada de liberar a França.

Três agentes britânicos, chamados Miller, Hoan e Frick, estavam jantando em seu hotel em Seydisfjordur, Islândia, na noite de 5 de maio de 1944, quando foram contatados por um caçador de focas que tinha avistado três homens suspeitos perto de Borganfjordur.

Os agentes tentaram alertar a navegação Aliada ancorada na costa, mas como qualquer resposta demoraria demais – e os suspeitos já teriam desaparecido – decidiram persegui-los usando o caçador como guia.

Eles marcharam pela neve, durante a noite, seguindo a frágil trilha deixada pelos espiões, até que, às 6 da manhã do dia seguinte, os avistaram. Os homens foram cercados, e rapidamente confessaram ser soldados alemães, mas disseram estar ali somente para juntar informações meteorológicas.

Ernst Frenesius, um devotado e convicto nazista, era na verdade o único alemão. Os outros dois, Hjalti Bjornsson e Sigurdur Juliusson, eram islandeses contratados como mercenários pelos nazistas.

Eles foram ordenados a mostrar onde tinham escondido seu transmissor de rádio, e uma busca revelou que estavam portando 9.000 libras esterlinas, dólares e marcos alemães.

Os três foram levados à Inglaterra e passaram por seis sessões de interrogatórios até confessarem estar lá para observar movimentos de tropas e navios nos fiordes. Eles tinham freqüentado um curso em Oslo, aprendendo cifras e sabotagem.

Os dois islandeses estavam felizes em falar tudo que sabiam sobre a escola de Oslo, esperando serem libertados. Mas Frenesius se provou muito mais difícil, e não revelou seu sinal de rádio até o fim, para impedir que os ingleses passassem informações falsas aos seus mestres alemães.

Apesar dos seus esforços, os agentes britânicos conseguiram enviar uma mensagem à Alemanha e descobriram um segundo transmissor que ele havia escondido nas colinas islandesas.

Os três homens foram entregues aos americanos e suas fichas terminam com um relatório dos interrogadores: “Há pouca prova de que os alemães têm interesse suficiente em Frenesius para arriscar um resgate via U-boat. Minha opinião é que os alemães irão abandonar estes espiões”.

Meu relatório de 22/05/44 diz que minha decisão é que este homem passe por corte marcial e seja executado. Hoje não tenho razões para mudar este ponto de vista”.

Fonte: The Telegraph, 1 de setembro de 2009.

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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Piloto quer recuperar sua insígnia

Piloto quer recuperar sua insígnia

O Primeiro-Tenente Bernerd Harding enterrou sua insígnia de piloto numa adega na Alemanha 65 anos atrás, e agora espera reavê-la.

Harding e outros aviadores foram capturados por fazendeiros alemães. Ele enterrou sua insígnia para evitar ser identificado.

Ele está indo para a Alemanha tentar localizar a fazenda onde enterrou sua insígnia.


Fonte: My Fox Boston, 5 de setembro de 2009.

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>>Uma aventura da ELO no Norte da Itália – 1944
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Testemunhando o início da Segunda Guerra Mundial

Testemunhando o início da Segunda Guerra Mundial

Há somente um punhado de pessoas que pode dizer que viram a Segunda Guerra Mundial começar.

Poucos sobrevivem para contar a história do couraçado alemão, KMS Schleswig-Holstein, despejando uma barragem de fogo de 280mm e 170mm sobre um forte polonês e rompendo a alvorada ao entrar pela península de Westerplatte na cidade livre de Danzig em 1 de setembro de 1939.

Peguei a luneta e olhei para o canal, primeiro à direita, depois à esquerda, e então para o cruzador que estava na baía”, lembra-se Ignacy Skowron. “Na hora eu vi uma luz vermelha e a primeira salva atingiu o portão”.

O ataque começou às 04:45. Simultaneamente, a Wehrmacht cruzou a fronteira da Polônia pelo oeste, norte e sul. Dois dias depois a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha.

O então Cabo Skowron, de 24 anos, viu-se como um dos 182 soldados poloneses que defendiam o tráfego militar na península de Westerplatte. “Eu peguei uma metralhadora”, disse Skowron. “Recebemos a ordem e começamos a responder fogo. O cruzador então entrou no canal e começou a disparar contra nós. Eu vi árvores imensas sendo partidas ao meio”.

No segundo dia houve três ataques antes do meio-dia. Nós respondemos e mais tarde escutamos um barulho e aviões apareceram. Eles começaram a nos bombardear e a guarita nº 5 foi destruída. Cinco soldados morreram”.

Frio, fome e sujeira

Após a poeira baixar, os alemães ficaram impressionados ao ver alguém ainda vivo. A luta durou sete dias. “Os alemães viram que seus ataques não estavam funcionando, então usaram lança-chamas para tentar nos destruir com chamas. No sexto dia estávamos mal nos agüentando devido ao frio, fome, sujeira, e não dormíamos. Estávamos nos segurando”, disse o Sr. Skowron.

No fim, o comandante alemão, General Friedrich Eberhardt, permitiu ao comandante polonês, Major Sucharski, manter seu sabre cerimonial. “O alemão disse-lhe que se tivesse um exército assim, poderia enfrentar o mundo todo”, lembrou-se Skowron.

Dos cerca de 3.400 soldados alemães, entre 200 e 400 morreram na batalha. No lado polonês, entre 15 e 20 morreram.

O Sr. Skowron, agora com 94 anos de idade, comemorou os 70 anos do começo da guerra num pequeno centro comunitário nas cercanias de sua cidade natal de Kielce, no sul da Polônia.

Westerplatte é particularmente importante em Kielce porque muitos soldados do 4º Regimento de Infantaria, originário da cidade, lutaram na batalha.

Durante a cerimônia, veteranos, soldados de hoje e residentes fizeram uma refeição enquanto um coral entoava cânticos de guerra. Um grupo de jovens se vestiu com uniformes da época e marcharam com o estandarte polonês.

O Sr. Skowron foi condecorado com a Virtuti Militari, a maior honraria militar polonesa. Ao ser perguntado se ele sentia-se como um herói, ele disse: “Você tem que ajudar as pessoas. Quando meus amigos estavam lutando, eu tive que lutar também. Tenho memórias tristes. Não pensávamos que fôssemos sair dali vivos. Éramos como pássaros numa gaiola”.

Fonte: BBC News, 31 de agosto de 2009.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Decisiva Batalha de Khalkhin-Gol é relembrada

Decisiva Batalha de Khalkhin-Gol é relembrada

A Rússia e a Mongólia comemoraram o 70º aniversário da Batalha de Khalkhin-Gol, quando a União Soviética e a Mongólia derrotaram as forças do Japão, impedindo uma possível invasão japonesa do extremo-oriente russo.

A Batalha de Khalkhin-Gol aconteceu na fronteira mongol em 1939, apenas semanas antes dos soldados de Hitler marcharem sobre a Polônia.

O presidente Medvedev foi à Mongólia para comemorar o aniversário de uma das mais esquecidas batalhas que moldaram a Segunda Guerra Mundial.

Gostaria de agradecer a todos que preveniram a agressão contra nosso país e protegeram a soberania da Mongólia”, disse Medvedev. “Dizem que até metralhadoras derretiam naquelas planícies quentes, mas o povo passou por esse teste e defendeu sua terra”.

Após o Japão ocupar a Coreia e a Manchúria, prosseguiu expandindo sua ofensiva dentro do território soviético. As primeiras escaramuças começaram em 1938.

Antes da Segunda Guerra Mundial, o Japão, aliado da Alemanha, estava planejando usar a Mongólia como plataforma para chegar à URSS por um front sul.

Devido à Batalha de Khalkhin-Gol, para muitos soldados soviéticos a Segunda Guerra começou dois anos antes do que para a maioria dos outros.

“Para nós, novatos, pareceu o inferno”

Nikolay Ganin, veterano da batalha, tinha 22 anos quando lutou para proteger a União Soviética pela primeira vez.

Durante a guerra de fronteira, ele se lembra que “era uma batalha horrível em um pequeno trecho de terra, de muitos quilômetros quadrados. Era impossível ver o chão devido à fumaça e às explosões”.

A estratégia de Tóquio estava dividida em duas: o Grupo de Ataque Norte, que queria tomar a Sibéria, e o Grupo de Ataque Sul, que buscava os ricos recursos do sudeste da Ásia. No fim, foi um russo que forçou a escolha japonesa.

Foi graças a Georgy Zhukov que os dois principais poderes do Eixo, Alemanha e Japão, nunca tiveram a chance de ligar suas áreas de conquista na Rússia. Zhukov preparou um ataque soviético de grandes proporções na fronteira mongol, mandando o esforço militar japonês e a história em caminhos diferentes.

A derrota forçou o Japão a escolha sua política de Ataque Sul, que infamemente resultou no ataque a Pearl Harbor.

Naquela época, o Japão estava lutando no rio Khalkhin-Gol. Portanto a URSS poderia facilmente ter acabado lutando uma guerra de duas frentes – então a velocidade com que os japoneses foram derrotados foi vital”, explica Aleksandr Dyukov, historiador russo e diretor do Fundo de Memória Histórica.

Dyukov ressalta que “o fato da vitória ter vindo quase simultaneamente com a vitória diplomática da assinatura do Pacto de Não-Agressão Germano-Soviético foi um grande feito para a União Soviética”.

Pouco após Khalkhin-Gol, Zhukov tornou-se um renomado líder militar, empregando técnicas muito similares na Batalha de Stalingrado e por toda a Segunda Guerra Mundial.

Nikolay Ganin, de 92 anos, é um dos poucos que se lembra das táticas de Zhukov: “A Mongólia manteve sua soberania e o Japão decidiu assinar o Pacto de Não-Agressão [com a URSS] em 1940. Hitler perdeu um importante aliado [contra a URSS] e nos fortalecemos nossas posições no leste. Graças à vitória de Zhukov, o segundo front no nosso extremo-oriente nunca foi aberto”.

O veterano disse que Khalkhin-Gol é sua devoção. Ele está juntando evidências da agressão japonesa em tempo de guerra, e quer escrever um livro. Não tanto um livro de memórias, mas para ressaltar a importância de Khalkhin-Gol para a história do século XX.

Fonte: Russia Today, 26 de agosto de 2009.

Acompanhe a reportagem em vídeo:

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

USS Missouri passará por reformas em estaleiro

USS Missouri passará por reformas em estaleiro

O “Poderoso Mo”, o couraçado da Segunda Guerra Mundial mais conhecido por ter sediado a rendição formal do Japão em 1945, está indo para reparos num estaleiro.

O USS Missouri, agora uma belonave descomissionada chamada de Memorial do Couraçado Missouri, deixará seu local histórico no Battleship Row em Pearl Harbor, no próximo outubro.

O deslocamento acontecerá logo após o navio sediar uma cerimônia marcando os 64º aniversário da rendição japonesa. Pelo menos 20 veteranos da guerra deverão comparecer, incluindo o sobrevivente do ataque a Pearl Harbor Edward Borucki, de 89 anos.

É uma jornada sentimental”, disse Borucki, que perdeu 33 colegas quando bombas e torpedos japoneses atingiram o USS Helena.

O navio de 65 anos está em boa forma, mas ainda precisa ir para o estaleiro de Pearl Harbor para reparos, porque a ferrugem está protuberante nas áreas com pintura desgastada, e a madeira do convés está entortando em alguns lugares.

O exterior do navio deverá receber jatos de areia para remoção da pintura, e será repintado numa reforma que está orçada em US$ 15 milhões – tudo pago pelos fundos de reserva do Memorial e por uma verba do Departamento de Defesa.

A ferrugem nunca dorme, eles dizem”, disse Michael Carr, presidente do Memorial. “É um trabalho grande. Tem que ser feito”.

A maior parte do trabalho será feita após o navio ser colocado numa doca fechada, cuja água será drenada. Isso permitirá que os trabalhadores pintem todo o casco, até as partes que normalmente ficam submersas. Alguns dos reparos já começaram, no píer.

O Memorial já começou a avisar as operadoras de turismo do Havaí que irão fechar a atração por três meses, começando em meados de outubro. A belonave histórica deverá retornar ao seu lugar de destaque no começo de janeiro. Mais de 400.000 pessoas visitam o navio todo ano.

O “Poderoso Mo” foi lançado em 1944 e lutou nas batalhas de Iwo Jima e Okinawa. Foi descomissionado em 1955, mas revivido nos anos 80 – depois teve a distinção de disparar os primeiros tiros da Guerra do Golfo em 1991.

Hoje, o navio está ancorado a apenas algumas centenas de metros do USS Arizona, couraçado afundado pelos japoneses em 7 de dezembro de 1941, com mais de 1.100 marinheiros e fuzileiros a bordo.

A posição próxima dos dois couraçados é exatamente para representar um símbolo dinâmico do início e do fim da Segunda Guerra Mundial, e todos os sacrifícios que foram feitos nesse meio”, disse Carr.

Fonte: York Daily Record, 30 de agosto de 2009.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Mistérios de Colditz revelados com registro de prisioneiros

Mistérios de Colditz revelados com registro de prisioneiros


Dispostos a lutar por seu país, eles acabaram passando grande parte da Segunda Guerra Mundial em cativeiro atrás de cercas de arame farpado.

Mesmo assim os 100.000 britânicos que se tornaram prisioneiros de guerra na Alemanha, Áustria e Polônia durante a luta contra Hitler conseguiram segurar grandes números de tropas inimigas pela inesgotável determinação de escapar.

E agora, 70 anos após o começo da guerra, os registros alemães de prisão de todos os britânicos capturados durante o conflito estão disponíveis na internet para aqueles que procuram informação sobre seus parentes ou ancestrais.

O banco de dados – originalmente compilado pelos alemães sob os termos da Convenção de Genebra, que requer que o inimigo notifique sobre tropas capturadas – ajuda a trazer à realidade histórias contadas na tela, como em “Fugindo do Inferno”.

Entre os listados está o ator Desmond Llewelyn, famoso por interpretar o ranzinza inventor de armas “Q” nos filmes de James Bond, mas que na realidade foi capturado em 1940 e passou cinco anos como prisioneiro em Colditz.

Outro prisioneiro famoso cujo registro será liberado é o Visconde George Henry Hubert Lascelles, que era o sétimo na linha de sucessão à coroa na época de sua captura, e ficou cativo em Colditz de 1944 até o fim da guerra.

O banco de dados forma uma das maiores coleções de documentos da Segunda Guerra disponíveis ao público, devido à regra que proíbe a liberação de documentos militares por 75 anos, devido a razões de segurança.

O mais infame dos mais de 100 campos de prisioneiros na Alemanha era, claro, o Castelo de Colditz. Oficialmente conhecido por Oflag IV-C, foi usado para abrigar prisioneiros Aliados que já tinham sido recapturados fugindo de outros campos, e deveria ser à prova de fugas.

Mas muitos homens altamente motivados dedicaram seu tempo a achar novas maneiras de enganar seus captores alemães, significando uma das mais altas taxas de fugas já registradas. Os ousados esquemas incluíam fabricar uniformes alemães, jogar-se de janelas a 40 metros de altura e até construir um planador no terraço.

Detalhes dos prisioneiros podem checados no website http://www.ancestry.co.uk/ – incluindo nome, patente, número, regimento e local do campo onde esteve preso pelos alemães durante a guerra. Juntamente, pode ser encontrada informação adicional como histórias de uma seleção de prisioneiros.

Fonte: Daily Mail, 27 de agosto de 2009.

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>>Nota de Falecimento: Eric Dowling
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Nota de Falecimento: Charles McCorkle

Charles McCorkle
(29/01/1915 - 24/08/2009)

Faleceu no último dia 24 de agosto em Durham, New Hampshire, EUA, de causas naturais aos 94 anos de idade, o ás norte-americano Major-General Charles Milton McCorkle.

Nascido em Newton, North Carolina, McCorkle completou seus estudos em 1932, entrando em seguida para a Academia Militar de West Point, onde graduou-se Segundo-Tenente do Corpo Aéreo do Exército em junho de 1936. Um ano depois, terminou seu treinamento de piloto de caça, sendo designado para o 24º Esquadrão em Albrook Field, na Zona do Canal do Panamá. Ele passou os anos seguintes como comandante do esquadrão, e entre 1940 e 1942 exerceu o cargo de vice-comandante do 35º Grupo de Caça.

Em junho de 1942 ele assumiu o comando do 54º Grupo de Caça, que voava o P-39 Airacobra no Alasca. A unidade serviu com distinção durante a Campanha das Aleutas, retornando para os Estados Unidos no começo de 1943. No mês de julho, o Coronel McCorkle recebeu o comando do 31º Grupo de Caça na Sicília, que na época estava equipado com o Supermarine Spitfire. Ele marcou sua primeira vitória na tarde de 30 de setembro, quando derrubou um Messerschmitt Me 210. Sua última vitória no Spitfire foi a que fez dele um ás, em 6 de fevereiro de 1944, sobre o campo de batalha de Anzio - sua vítima foi um Messerschmitt Bf 109G. Pouco depois, o Grupo fez a conversão para o P-51 Mustang, e McCorkle continuou tomando parte nos combates que agora se estendiam até o centro da Europa. Ele terminou a guerra com 11 vitórias confirmadas.

Após o conflito, McCorkle foi enviado para a chefia da Divisão de Testes de Voo em Wright Field, Ohio. No começo de 1947, iniciou estudos na Escola de Estado-Maior, seguindo depois para a Escola de Guerra Aérea. Na década de 50, trabalhou no desenvolvimento de mísseis balísticos, e assumiu o comando do Centro de Armas Especiais da Força Aérea no Novo México em julho de 1959. Em 1965, tornou-se Vice-Chefe de Estado-Maior para Programas e Recursos do Pentágono, servindo na função até a aposentadoria como Major-General em 1 de outubro de 1966.

McCorkle na cabine de um P-51B durante a guerra.

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>>Nota de Falecimento: David "Davey" Jones