Tem dúvidas, sugestões, críticas ou simplesmente quer entrar em contato? Envie um e-mail para:
http://i14.tinypic.com/4zv9mhz.jpg

Pesquise no blog!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nota de Falecimento: Fritz Darges

Fritz Darges
(08/02/1913 - 25/10/2009)

Faleceu no último dia 25 de outubro em Celle, na Alemanha, de causas naturais aos 96 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, SS-Obersturmbannführer Fritz Darges.

Nascido em Dülseberg, na Saxônia-Anhalt, Darges terminou seus estudos e voluntariou-se para a SS em abril de 1933. Foi selecionado para a escola de oficiais em Bad Tölz e, em abril de 1935, foi comissionado SS-Untersturmführer. Em 1936, ele tornou-se ajudante de Martin Bormann, filiando-se ao Partido em 1937 e sendo promovido a SS-Obersturmführer em setembro daquele ano. Em outubro de 1939 ele voltou para a Waffen-SS e comandou uma companhia nos regimentos Deutschland e Der Führer, lutando na Batalha da França - onde recebeu a Cruz de Ferro de 2ª Classe e foi promovido a SS-Hauptsturmführer. Com a formação da nova 5ª Divisão SS "Wiking", Darges tomou parte na Operação Barbarossa, ganhando a 1ª Classe da Cruz de Ferro em agosto de 1942.

Em março de 1943, Fritz Darges foi feito ajudante de Adolf Hitler, e promovido a SS-Obersturmbannführer em janeiro de 1944. No dia 18 de julho de 1944, durante uma conferência diurna na Wolfsschanze, uma mosca começou a voar ao redor de Hitler, que estava do lado de fora examinando um mapa. Incomodado com o inseto, Hitler disse a Darges que livrasse-se do problema. Darges - num óbvio excesso de bom humor - sugeriu que, como a mosca era uma praga aérea, o responsável deveria ser o ajudante da Luftwaffe, Nikolaus von Below. Obviamente enfurecido com a brincadeira, Hitler demitiu Darges e enviou-o para o front leste.

De volta aos combates, Darges assumiu o comando do 5º Regimento Panzer SS. Na noite de 4 de janeiro de 1945, a "Wiking" avançava em direção a Bieske, quando foi parada pela 4ª Divisão de Rifles da Guarda. Sondando a linha soviética com um grupo misto de tanques e granadeiros, ele conseguiu romper as defesas inimigas ao amanhecer, atacando e destruindo uma força-tarefa soviética em seguida. Ele então atacou o Castelo Regis, forçando a guarnição russa a recuar e então viu-se cercado por reforços inimigos, sendo forçado a repelir diversas investidas, até ser resgatado três dias depois - deixando mais de trinta tanques russos em chamas. Por essas ações, Fritz Darges foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.

Após a guerra, Darges mudou-se para Celle, na Baixa Saxônia. Ele era participante frequente das reuniões de veteranos até o declínio de sua saúde, alguns anos atrás. Após o falecimento de sua esposa e seu médico particular três anos atrás, ele passou a morar sozinho. Poucos dias antes de sua morte, repórteres do jornal alemão Bild o entrevistaram, e perguntaram-lhe se faria tudo de novo. Ele respondeu: "Sim. Nosso sonho, no fim das contas, era um Grande Império Alemão".

Fritz Darges escreveu suas memórias, que serão publicadas agora, após sua morte.

Darges e Hitler no Berghof em 1943.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Friedrich Blond
>>Nota de Falecimento: Ernst Barkmann
>>Nota de Falecimento: Heinz Jürgens
>>Sylvester Stadler
>>Fui o guarda-costas de Hitler

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tarantino na idade da razão

Tarantino na idade da razão


Em Bastardos Inglórios, uma unidade voluntária de soldados judeus espalha o pânico entre os nazistas na França ocupada. É uma fantasia típica de Quentin Tarantino - mas, da escrita soberba à escolha dos atores excelentes, denota o avanço notável do diretor rumo à maturidade pessoal e artística.

por Isabela Boscov

Em 1941, diante de uma pequena casa de fazenda, em algum lugar montanhoso da França, o sol brilha, os sinos das vacas são ouvidos ao longe e o pai corta lenha, enquanto a filha pendura a roupa no varal. Pelo lado do lençol que se levanta com o vento, porém, ela vê um grupo de soldados vindo pela estrada, e imediatamente esse quadro tão pitoresco de rusticidade ganha um caráter diverso. Em vez da paz rural, o que se percebe agora é o isolamento da casa e quanto o pai e suas três filhas estão indefesos ali. Ajuda muito que a trilha escolhida para a cena seja um trecho original de Ennio Morricone para os faroestes-espaguete de Sergio Leone, capaz de anunciar como nenhuma outra coisa jamais composta para o cinema a solidão e o perigo. Mas os enquadramentos exímios e o tempo impecável em que transcorre essa sequência de abertura de Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, Estados Unidos/Alemanha, 2009), que estreia no país na próxima sexta-feira, são obra e graça de Quentin Tarantino - tanto eles como a destreza com que o fazendeiro francês e o tenente-coronel alemão Hans Landa, que acabou de chegar com seus soldados, vão descrever círculos um em torno do outro, num enfrentamento que tem como objeto o paradeiro de uma família judia, e em que as armas serão um copo de leite, dois cachimbos, as três meninas e o domínio de ambos os personagens do inglês e do francês.

Na maneira como Tarantino retrai e prolonga o tempo previsto para chegar ao desfecho, essa abertura é eletrizante. E ilustra também a distância que o diretor vem percorrendo rumo à maturidade, em um caminho já indicado na segunda parte de Kill Bill. Tarantino é capaz, agora, de imaginar não só um jogo entre dois personagens, mas um porquê para ele que vá além de suas contingências narrativas. Consegue ouvir a beleza de um diálogo travado, não meramente disparado. E aprendeu a apreciar a utilidade emocional da pausa e dos pequenos milagres que os bons atores podem proporcionar. O pouco conhecido Denis Menochet, que interpreta o fazendeiro, é excelente, e com cada pequeno gesto acumula mais algum dado sobre a vida e o passado de seu personagem, ainda que nem uma palavra se diga sobre eles. E o ainda menos conhecido Christoph Waltz, que faz o nazista, é espetacular: um ator de precisão absoluta, que rouba o filme com a anuência do diretor - e dos outros atores, igualmente galvanizados por sua performance.

O tenente-coronel Hans Landa, assim, será ainda mais essencial para o filme do que os próprios bastardos inglórios - uma unidade especial de soldados judeus voluntários, que penetram na França ocupada para assassinar nazistas com selvageria e dessa forma espalhar o pânico. Liderados pelo tenente Aldo "O Apache" Raine (Brad Pitt), um matuto do Tennessee com um sotaque caipira mais espesso que melaço e o hábito de escalpelar suas vítimas, os bastardos são uma criação típica de Tarantino (que, claro, não deixou de ser ele mesmo): um grupo de homens que se comunicam por meio de frases de efeito - bom efeito, aliás - e se dedicam à violência com prazer, sem pesar nem drama de consciência. Quando eles estão em cena, o filme adquire continuidade com os outros do diretor em tema, estilo e volume bruto de sangue. Quando não, Bastardos Inglórios assinala uma espécie de ruptura.

Em um processo análogo ao do canadense David Cronenberg, que depois de explorar a fundo as possibilidades da escatologia se renovou com o classicismo de Marcas da Violência e Senhores do Crime, Tarantino estuda aqui as propriedades desestabilizadoras da elegância. Cada ato do filme agrupa um determinado número de personagens em um cenário delimitado - uma taverna, um cinema, uma mesa de restaurante. Todos tratam de alguém dissimulando e correndo grande risco; mas os duelos são travados por meio de insinuações. Assim, a estrela de cinema e agente dupla Bridget von Hammersmark (a alemã Diane Kruger, que depois de quase afundar com Troia hoje só faz brilhar) tem de colocar aliados e alemães em volta de uma rodada de bebidas sem que ninguém se traia, e de forma a que aquilo que tem de ser descoberto o seja. A judia disfarçada Shosanna (Mélanie Laurent), por sua vez, tem de repudiar as atenções insistentes de um herói de guerra nazista (Daniel Brühl) sem antagonizá-lo - e ambas, em momentos diversos, terão de sobreviver aos ataques de cordialidade, efusão e malevolência do tenente-coronel Landa. Tão fabulosa é a escrita dessas cenas que a mera menção a um copo de leite causa uma vertigem de medo.

Bastardos Inglórios, contudo, não é um filme sobre a II Guerra. Não é nem mesmo uma história fantasiosa passada na II Guerra, já que trata de dois complôs paralelos para pulverizar, literalmente, o alto-comando nazista. É um filme passado em todos os outros filmes já feitos sobre o tema, com vários elementos dos noir dos anos 30 e dos faroestes de John Ford e Sergio Leo-ne acrescidos à sua encenação. É um filme que pertence só à história do cinema, não à outra, a mais ampla. Mas, como no segundo Kill Bill, Tarantino mostra que descobriu a existência de outro mundo para além desse território imaginário - e que entendeu que, quanto mais se alimentar dele, mais verossímil e envolvente será sua fantasia.

Fonte: Revista Veja, 7 de outubro de 2009.

Veja também:
>>Trailer: Inglorious Basterds
>>Trailer: Inglorious Basterds (trailer 2)
>>Sob a névoa da guerra
>>Um astro em busca da reinvenção
>>Especial VEJA - II Guerra Mundial

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cemitério da Wehrmacht é inaugurado na Rússia

Cemitério da Wehrmacht é inaugurado na Rússia


Um novo cemitério foi aberto na Rússia central, mas este é um pouco diferente dos outros espalhados pelo país: o local homenageia os soldados alemães mortos na Rússia durante a Segunda Guerra Mundial.

Quase 25.000 alemães já foram enterrados num cemitério perto da vila de Besedino, na região de Kursk, num ato que a Rússia espera ser visto como um sinal de reconciliação.

No entanto, a decisão de construir o cemitério não foi fácil, confessou o governador da região de Kursk, Aleksandr Mikhailov, para a Vesti TV. Ele ressaltou que a ocupação nazista de Kursk destruiu mais de 300 vilarejos na região, deixando milhares de mortos e desabrigados.

Mesmo assim, a administração regional e nossos veteranos decidiram que era hora de construir o cemitério”, disse Mikhailov. O governador explicou que o local não apenas se tornará um lugar para celebrar os mortos, mas também irá contribuir para o entendimento mútuo e a reconciliação entre a Rússia e a Alemanha.

A cerimônia foi presenciada por parentes daqueles que perderam suas vidas durante a guerra.

Este é o 11º cemitério desse tipo na Rússia, e para os residentes locais representa um ato de perdão.

Fonte: Russia Today, 22 de outubro de 2009.

Assista a matéria:

Veja também:
>>Decisiva Batalha de Khalkhin-Gol é relembrada
>>Ron Goldstein: O Retorno a Cassino
>>Vídeo: Dobran discursa no túmulo de Serbanescu
>>Viagem de Alfonso Felici à Rússia em 2003
>>Encontrada vala comum da Segunda Guerra na Polônia

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 9


Olá meus amigos! Finalmente continuando de onde parei:

No caminho para o Museu Militar Nacional, Claudiu e eu fizemos uma parada no gigantesco Palácio do Parlamento. Este magnífico elefante branco foi idealizado e construído por Nicolai Ceaucescu, para mostrar ao mundo a exuberância do povo romeno (seu nome original era "Palácio do Povo") - mesmo que para isso ele tivesse que desapropriar centenas de residências em uma imensa área no centro de Bucareste, para construir seu objeto de desejo. A ironia é que Ceaucescu não chegou a ver seu palácio pronto, pois ainda não tinha sido completado quando foi executado em dezembro de 1989.

Alguns anos depois o Palácio do Parlamento foi concluído, reduzindo-se o projeto original (que era de torná-lo o maior prédio do mundo). Dessa forma, tornou-se o segundo maior prédio do mundo, perdendo somente para o Pentágono. Fiquei impressionado com a extensão do edifício, e foi realmente difícil enquadrá-lo numa única foto. Tive que ficar realmente longe para conseguir. O palácio possui as maiores tapeçarias do mundo, além de diversos outros luxos mirabolantes. É um ponto obrigatório para quem está visitando Bucareste. Passe lá, vale a pena.

Bem, chegando ao Museu Militar Nacional, tivemos uma notícia frustrante: a direção não permite que o acervo seja fotografado. Uma decisão um tanto ridícula, pois o Museu de Aviação libera câmeras sem nenhuma cerimônia. Imediatamente então, pus-me a fotografar tudo que podia do lado de fora do museu. Há alguns carros blindados de fabricação soviética, além de peças de artilharia e um lançador de mísseis no jardim. Há também uma série de bustos de heróis nacionais, entre eles o famoso Vlad Tepes - nosso popularmente conhecido Drácula. Claro, tirei uma foto ao lado da estátua (confiram abaixo).

Adentrando o museu, passamos inicialmente pelo pátio, que é de tirar o fôlego: peças e mais peças de artilharia de um lado, e tanques e mais tanques de outro lado. Nem posso descrever para vocês uma a uma, mas eram muitas peças de história bélica. Havia um canhão ferroviário austríaco da Primeira Guerra Mundial, capturado pelos romenos no campo de batalha, dois T-34 (sendo que um foi cortado para exibir seu interior), uma fila de tanques T-72, diversos canhões de assalto, um Flak 88, um PAK 50 mm e a jóia da coleção, na minha opinião: um Panzer IV Ausf J. Devo dizer-lhes, a máquina é muito maior na realidade do que aparenta nas fotos.

Prosseguindo, entrei no hangar, que acabara de ser aberto. Lá dentro haviam tantas maravilhas, que decidi arriscar e sacar a câmera, hehe. Lá estavam um segundo IAR-80, uma réplica em tamanho real do jato de Coanda, um Nardi FN.305 e diversas outras aeronaves. Contudo, alguns dos itens mais interessantes foram o traje espacial e a cápsula da Soyuz 40, do cosmonauta romeno Dumitru Prunariu.

Em seguida fomos para a exposição interna, que conta com diversos uniformes, que vão desde o período de domínio turco até os anos comunistas. Entre as raridades estão os uniformes dos reis Carol I, Ferdinand e Carol II. Na exposição da Segunda Guerra Mundial, existem muitas condecorações, inclusive uma RK (que infelizmente não me recordo o dono), o uniforme do Major-General Leonard Mociulshi, e diversas fotos raras do rei Mihai I condecorando soldados romenos.

O Museu Militar Nacional é muito extenso e possui um acervo inacreditável. Indubitavelmente uma parada obrigatória para qualquer um interessado em história militar (ou mesmo história geral) que esteja de passagem por Bucareste.

Bem, no dia seguinte à minha passagem pelo museu, tomei um voo de volta a Frankfurt. Após uma curta noite de sono, rumei para Lisboa e em seguida Belo Horizonte. Felizmente, tudo correu bem na minha viagem, segui o meu plano inicial e consegui alguns "extras" que nem imaginava (como visitar Walter Schuck e os castelos do Reno). Foi tudo muito agradável, mas realmente senti-me bem em estar de volta em casa.

Abraços!













Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 8
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 7
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 6
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 5
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 4

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 8


Dia de visitação aos museus da cidade. Bucareste tem dois museus que devem ser visitados por qualquer um interessado em história militar: o Museu Nacional de Aviação e o Museu Nacional Militar.

O Museu de Aviação fica localizado no antigo aeroporto de Pipera, de onde operou uma esquadrilha de caças durante a guerra. Há diversos hangares, construídos pelos italianos, que hoje abrigam as exposições internas. Há também muitas aeronaves no pátio, distribuídas por toda a área. O museu estava fechado para visitação neste dia, mas graças ao amigo Sorin Turturica (que trabalha lá como pesquisador), eles me permitiram entrar - então tive o museu todo só pra mim!

Ao adentrar as instalações, após alguns passos pode-se visualizar os primeiros MiGs no pátio. Porém, o guia levou-me inicialmente ao primeiro hangar, local de uma exposição muito bem organizada que mostra a evolução da aviação romena. Bastante similar a nós, os romenos têm seu próprio pioneiro da aviação: Traian Vuia. É dito que ele construiu e voou a primeira aeronave a decolar por seus próprios meios – antes de Santos Dumont. Se é verdade ou não, ainda terei de pesquisar para saber.

Há uma réplica do avião de Vuia e também do curioso protótipo do pioneiro romeno Henri Coanda, que muitos consideram o primeiro avião a jato da história, datado de 1910. Muitas outras réplicas e originais também estão lá, mas o que mais me interessava mesmo estava no canto oposto do hangar – o IAR 80. Este foi o caça nacional romeno da Segunda Guerra, equipando sua força aérea desde o começo até o fim do seu envolvimento no conflito. Lá estava ele em toda sua glória. Muito maior do que eu imaginava pelas fotos. Fiquei imaginando como seria ver aquela máquina em operação, nos distantes aeródromos da União Soviética. Definitivamente uma Avis Rara.

Passei pelo segundo hangar e fui para o pátio, num frio congelante e vento forte. Contudo, valeu totalmente a pena. Fileiras de MiGs, aeronaves que eu somente sonhava em ver tão de perto, ao alcance das mãos. Entre eles estão MiGs-15, 17, 21, e o mais impressionante de todos: o MiG-29 Fulcrum romeno. A Força Aérea Romena havia apenas começado a receber seu primeiro lote de caças quando o regime comunista ruiu em 1989. Dessa forma, sem possibilidade de continuidade de suprimentos, foram utilizados por um curto período e logo aposentados. Existe apenas um exemplar no museu, batizado “Sniper”.

Lá estão também diversos helicópteros militares Mil, bem como um dos helicópteros pessoais de Nicolai Ceaucescu. Um tour impressionante. Apesar de que no fim meus dedos estavam doloridos de tanto frio (tive que tirar as luvas para operar a câmera), fiquei feliz com o resultado.

Hora de prosseguir para o Museu Nacional Militar, mas este fica pro próximo post. Abraços!










Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 7
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 6
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 5
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 4
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 3

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 7


No domingo à tarde eu voei de Frankfurt para Bucareste. Um pouso às 17:12h no aeroporto Otopeni iniciou minha visita à Romênia, um país que há muito queria conhecer, principalmente por seu turbulento passado recente, que inclui a Segunda Guerra e a Guerra Fria. A maioria de nós já ouviu falar de Nicolai Ceaucescu, o líder comunista que governou país com mão de ferro por décadas e acabou morto em 1989, quando o comunismo foi derrubado.

Lá no aeroporto já me esperava meu amigo Claudiu Stumer, dentista local e entusiasta da aviação romena na Segunda Guerra. Ele levou-me ao Hotel Phoenicia, um grande hotel de padrão internacional, localizado na vizinhança de Baneasa. Realmente recomendo o hotel para quem for passar alguns dias em Bucareste.

Logo de cara, percebe-se a diferença da Romênia (ou talvez do leste europeu) para o oeste europeu. A infraestrutura é pobre, e muitas vezes se assemelha à que temos no Brasil. Na verdade, a Romênia em muito se assemelha com o Brasil: arquitetura, iluminação, disposição dos edifícios... muita coisa. A diferença é que aqui o povo tem que pagar preços altíssimos pela comida e todos os básicos (sim, mais do que no Brasil), além do severo inverno, que faz com que dependam de gás proveniente da Rússia para sobreviver.

Pois bem, segunda-feira foi um dia ocupado, visitando dois ases da aviação romena na Segunda Guerra. Acordando bem cedo, me preparei e às 9:30h Claudiu me buscou para irmos até o Brigadeiro-General Ion Dobran. O tempo em Bucareste estava fechado, céu cinza como o que vi em Friedrichroda, nada melhor para passear por um ex-país comunista. Após manobrar por grandes avenidas e ruas estreitas, com um tráfego tremendo, chegamos finalmente à casa do General. Avistei-o logo enquanto estacionávamos, com seu característico boné - e para minha surpresa, com seu uniforme militar.

Dobran recebeu-nos no topo da escada com um sorriso e a mão estendida, e logo percebi que ali estava uma pessoa bastante aberta e simpática. Ele mostrou-me suas condecorações, muito bem preservadas, e muitos modelos de Messerschmitts e outras aeronaves. Presentei-o com um boné da FAB, que ele imediatamente colocou na cabeça, dizendo ter gostado imensamente. Ele mostrou-me sua casa, que tem um grande jardim nos fundos. E veja a coincidência: bem quando chegamos, estava sendo transmitida uma reprise da final da Copa Sub-20, Brasil X Gana. Como eu não tinha visto o jogo e Dobran estava acompanhando a partida, terminamos de assistir a desastrosa cobrança de pênaltis que deu o título a Gana. Brasilsilsil....

Rimos bastante daquilo. Dobran contou algumas histórias, como o de seu desafio de voo rasante com Helmut Lipfert, e então assinou algumas fotos. Nos despedimos dele e fomos em direção a outro ás romeno, Tenente-General Ion Dicezare.

Chegamos a uma casa muito antiga, que Claudiu me disse ter pelo menos cem anos. Anunciamos a chegada e Dicezare veio receber-nos, também com seu uniforme militar. Mais sério que Dobran, mas de forma alguma menos cortez, Dicezare mostrou-nos diversos documentos, e presenteou-me com alguns. Em seguida, foi buscar sua farda com as medalhas conseguidas durante a guerra. Minha surpresa foi quando ele tirou do bolso a Cruz de Ferro de 1ª Classe, original, que hoje o governo romeno proibe-o de usar. Mas eu tive o privilégio de vê-la. Dicezare é uma enciclopédia viva da aviação romena, apesar dos seus 94 anos. Ele conta história atrás de história, e tem uma disposição fantástica para folhear documentos.

Ele também mostrou-nos um modelo do seu Messerschmitt, com a famosa inscrição "Hay Fetito" ("Venha Garota"). O sujeito é uma lenda viva: é o aviador mais velho da Romênia - sua licença é de 1936 - é o maior ás vivo e também o único membro da Força Aérea Romena da Segunda Guerra (ainda vivo) detentor da Mihai Viteazul, a maior condecoração nacional por bravura.

Pouco depois despedimo-nos, e agradeci muito pela visita. Retornei ao hotel, para em seguida ir ao Museu da Aviação. Mas isso fica para amanhã. Até lá!









Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 6
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 5
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 4
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 3
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 2

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Nota de Falecimento: Kyösti Karhila

Kyösti Karhila
(02/05/1921 - 16/09/2009)

Faleceu em Helsinque, na Finlândia, no último dia 16 de setembro, de causas naturais aos 88 anos, o último dos grandes ases finlandeses, Primeiro-Tenente Kyösti Keijo Ensio Karhila.

Nascido em Rauma, no sudoeste da Finlândia, Karhila voluntariou-se para o serviço militar em 1939, sendo então designado para a Força Aérea. Após concluir seu treinamento como piloto de caça, foi designado para o 32º Esquadrão de Caça em 18 de março de 1941. Iniciando suas missões a bordo de um Fokker D.XXI, Karhila passou para o Curtiss P-36 Hawk em meados de julho. Neste período, a Finlândia já estava novamente em guerra com a União Soviética - a chamada Guerra de Continuação. Karhila derrubou sua quinta vítima, um Mikoyan-Gurevich MiG-3, em 19 de setembro daquele ano, tornando-se um ás com apenas 20 anos de idade.

Karhila prosseguiu no cockpit do Curtiss Hawk, atingindo 13 vitórias, até 20 de abril de 1943, quando foi transferido para o 34º Esquadrão de Caça, equipado com o Messerschmitt Me 109G. Imediatamente, Karhila mostrou resultado positivo com a nova máquina: derrubou dois caças russos LaGG-3 em 4 de maio. Seu escore continuou subindo até 22 de agosto, quando sua unidade foi transferida para o aeródromo de Malmi, em Helsinque, para a defesa da capital. A partir de março de 1944 ele passou três meses com o 30º Esquadrão, retornando para o 34º em junho. Em 30 de junho Karhila assumiu o comando do 3º Voo do 34º Esquadrão, substituindo Hans Wind, que sofrera um sério acidente. Já durante a invasão soviética da Finlândia, Karhila recebeu o comando do 2º Voo do 30º Esquadrão, mas nessa altura, a ação já tinha acabado. "Kössi" Karhila terminou sua carreira de combate tendo voado 304 missões e somado 32 vitórias áereas.

Após a guerra ele tornou-se brevemente um controlador de tráfego aéreo, antes de fazer a transição para piloto comercial. Ele trabalhou para a Finnair, Spearair e outras empresas, antes de aposentar-se em 1973. Ele ainda trabalhou como piloto privado até 1986, quando aposentou-se definitivamente. Kyösti Karhila tornou-se bastante famoso em seus últimos anos, como o último representante da classe dos grandes ases finlandeses. Concedeu diversas entrevistas e participou de muitos eventos, inclusive o ocorrido em março deste ano em Helsinque, na companhia dos ases alemães Walter Schuck, Peter Spoden e Hans-Ekkehard Bob.

Kyösti Karhila e seu P-36 Hawk no 32º Esquadrão.

NOTA: Sei que o falecimento Sr. Karhila aconteceu há mais de um mês, mas a notícia não teve grande alcance fora da Finlândia. Fui informado do ocorrido pelo Dr. Olli Kivioja durante as celebrações do último sábado em Friedrichroda.

Descanse em paz Sr. Karhila!

Veja também:
>>Eino Ilmari Juutilainen
>>Aarne Edward Juutilainen
>>Simo Häyhä
>>Hitler visita a Finlândia - Parte 1, Parte 2
>>Entrevista com Ilmari Juutilainen - Parte 1 , Parte 2 , Parte 3

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 6


Olá meus amigos!

Finalmente, estou aqui postando novamente. Já estou em Bucareste agora - na verdade, acabei de chegar. Mas vamos ao que aconteceu em Friedrichroda, no Encontro Internacional dos Pilotos.

Na quinta-feira (15/10), Theo Nau levou-me até a casa do Coronel Müller - ex-piloto de Sabres, Phantoms e Starfighters - para que eu fosse com ele até o encontro. No caminho conversei bastante com o Coronel e sua esposa, ambos muito educados. Ele mostrou-me quando passamos pelo ponto onde ficava a antiga fronteira com a Alemanha Oriental. E vou contar para vocês: dá pra ver a diferença instantaneamente, mesmo agora, 20 anos depois. Um fato estranho ocorreu: estávamos sob um belo sol brilhante, e exatamente ao cruzar a fronteira o tempo fechou completamente... céu cinza! Até parece que o lugar tem uma estigma...

Chegamos a Friedrichroda às 15 horas. É uma pequena cidade da Turíngia, que como tantas outras dentro da esfera comunista, é povoada de grandes edifícios quadrados feitos de blocos pré-moldados, que destoam completamente da paisagem alemã. E assim é o Berghotel, um "resort" construído pelos comunistas para receber líderes trabalhistas alemães. O prédio é antigo e todas as reformas feitas para deixá-lo mais palatável não tiveram muito sucesso. Elevadores demorados, quartos sem telefone, e absolutamente nenhuma internet! Puxa vida... Contudo, foi bom conhecer as duas faces da Alemanha.

Vamos ao que realmente interessa. Os pilotos foram chegando aos grupos ao grande hotel. Na primeira noite, tivemos um jantar no salão principal, e ao entrar tive o orgulho de constatar o aviso na mesa: "Reservado - Brasil". Nossa, me bateu uma honra tremenda. Todos foram chegando e o Coronel Reiners, organizador do evento, fez seu discurso de abertura. Em seguida, tivemos um buffet e, por fim, fomos à caça de autógrafos. Um dos brasileiros da nossa turma, Paulo Rago - que é piloto comercial - foi comigo às mesas. Rapidamente reconheci Karl-Fritz Schlossstein, piloto de Me 110 do JG 5. Assinaturas e fotos, e logo encontramos o sorridente Hans-Ekkehard Bob. Bob é um caso a ser relatado em destaque: claro que vejo muitos e muitos veteranos que, apesar dos seus 80 e tantos anos, estão em forma excelente, mas Bob é espetacular. O cara está à beira dos 93 anos e tem uma disposição física invejável!

Fui ao encontro do piloto inglês Joe Patient, que foi um pathfinder voando o De Havilland Mosquito durante a guerra. Uma figura impressionante, ele nos falou sobre a operação do Mosquito e as vantagens da construção em madeira. Lá ainda conheci pessoalmente meu amigo Boris Fabian, de Zagreb, que conseguiu-me a entrevista com o Sr. Marko, e que agora trouxe-me uma foto autografada por ele! Junto com Boris veio Goran Pjenovic, também fã da aviação na Segunda Guerra.

No dia seguinte, sábado, tivemos uma cerimônia no cemitério para honrar os pilotos, de todas as nacionalidades, mortos no conflito. Nossa bandeira estava lá, com todo o orgulho. E para colocar a coroa de flores com nossa flâmula, foram à frente Márcio Madeira e Giovanni La Peña, ambos amigos do Sr. Martin. Diversas delegações depositaram suas homenagens, e depois voltamos para o hotel (num frio glacial, diga-se de passagem).

Esta última noite de festividades foi magnífica. As delegações de diferentes países estavam identificadas nas mesas. Posso dizer que talvez a nossa fosse a maior, excetuando-se a da própria Alemanha. Muitos uniformes diferentes popularam o salão. Para minha surpresa, ao nosso lado estavam as delegações russa e ucraniana, e lá entre eles estava um senhor de uniforme militar azul. Não me contive e fui ter com ele. Infelizmente meu russo não passa de cumprimentos básicos, mas por sorte o neto dele, que fala inglês muito bem, estava lá e ajudou bastante. Acabei descobrindo que se tratava do Coronel Yuri Mikhailovich Romanov, que foi instrutor de pilotos de caça durante a guerra. Ele contou-nos sobre seus voos em I-153s, Yak-3s, Yak-7s, Yak-9s e MiG-15s. Foi uma tremenda experiência poder falar com um piloto russo, dos quais nunca esperava encontrar um. Mas como as surpresas não param, estava lá também o Dr. Olli Kivioja, finlandês piloto de Blenheim. Ele foi da infantaria e lutou na Guerra de Continuação como metralhador, antes de ser transferido para a Força Aérea. O Dr. Kivioja é muito bem educado, fala inglês muito bem convidou-nos para ir à Helsinque.

Entre pilotos alemães, estavam lá uma pluralidade. Pilotos de transporte, de ataque, novatos que não completaram o treinamento, tudo e mais um pouco. Um deles foi Martin Hoffman, que foi um rammjaeger (colisores aéreos), e o outro foi um senhor muito simpático chamado Wilhelm Desinger. Ele foi piloto do JG 3 "Udet", voou o Me 109K-4 e derrubou sete aeronaves soviéticas. Desinger estava bem tímido, e eu disse "mas o senhor é um ás!", e ele respondeu: "não, não... não para os padrões da Força Aérea Alemã". Hehehe... O mais legal é que ele é dono de um clube de voo a vela e ainda hoje voa em planadores.

Fazendo o balanço final, posso dizer que estou 100% satisfeito de ter participado destes eventos. Conheci diversas personalidades e o Sr. Martin ficou muito feliz com nossa participação. E o melhor: fizemos uma excelente representação do Brasil lá fora.

Amanhã irei encontrar-me com pilotos romenos, junto com meu amigo Claudiu Stumer. Hora de despedir-me. Abraços!













Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 1
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 2
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 3
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 4
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 5

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 5


Cheguei ontem à cidade de Bacharach, às margens do Reno. Como o nome indica, é uma referência ao deus romano do vinho, Baco. Foram os romanos que estabeleceram Bacharach, mais de 2.000 anos atrás.

Bem, ao chegar à estação de trem, meu anfitrião já me esperava: Theo Nau. Como piloto de Messerschmitt 109, ele voou voou nos últimos meses de 1944 e começo de 1945. Participou da Operação Bodenplatte, derrubando um P-47 na ocasião. Foi ferido gravemente no dia 14 de janeiro de 1945, após abater o Thunderbolt do americano Roland Potter. Theo levou-me ao meu hotel e depois seguimos para sua residência, uma bela casa com uma grande sala que tem uma belíssima vista para o Reno. Lá, também fui apresentado à sua esposa, Ilse Nau, uma senhora extremamente agradável. Theo mostrou-me seu escritório, que tem muitos quadros relacionados à Luftwaffe e diversos modelos de aviões. O que mais me impressionou, todavia, foi um pedaço de metal retorcido sobre sua escrivaninha - que é na verdade o eixo da hélice do P-47 de Roland Potter (seu terceiro abate) - que souvenir!

Theo Nau é um verdadeiro jaeger, em todos os sentidos. Ele mostrou-me sua sala de caça, recheada de troféus, em todas as paredes. Até hoje ele caça nas redondezas de Bacharach; nada mal para alguém de 84 anos.

Hoje, o casal Nau levou-me para conhecer a cidade. Fomos inicialmente ao Castelo Stahleck, que fica na colina sobre a cidade. De lá tem uma vista estonteante do Reno com suas curvas brilhantes. Simplesmente espetacular. Em seguida, fomos visitar as vinícolas de Bacharach, que ficam quase na vertical em íngremes colinas. Acompanhamos o processo de colheita das uvas em uma delas. Explicando: a família Nau possui uma destilaria e já trabalhou com vinícolas. Hoje, um dos netos do Theo estuda a ciência do vinho para continuar os negócios.

Subindo para o norte pela margem direita do rio, fomos até a Loreley - "Sereia" em alemão - o ponto mais estreito do Reno. Conta a lenda que os marinheiros se encantavam com uma bela moça loira que ficava no topo do penhasco, e acabavam acidentando seus barcos. Realmente o estreito costumava ser bastante perigoso, mas os novos instrumentos da navegação moderna anularam o perigo. Logo depois encontra-se o Burg Rheinfels, o maior castelo do Reno. Tem 750 anos e hoje é um hotel-restaurante - muito caro, pelo que me disse o Theo.

Voltamos à Bacharach no fim da tarde e fomos a um famoso restaurante, propriedade do produtor de vinhos Rolf Heidrich. Rolf costuma vestir-se de Baco para os festivais e no verão, época em que a cidade lota-se com turistas do mundo todo. Ele disse-me que tem família no Brasil, em Florianópolis e Porto Alegre, e também levou-me para conhecer sua fábrica de vinhos.

Realmente foi um dia para os olhos. Bacharach é de tirar o fôlego. Quem estiver de viagem marcada para a Alemanha (especialmente no verão), reserve dois dias para passar aqui, 100% recomendado.

Amanhã irei para Friedrichroda, local do Fliegertreffen deste ano. Theo disse-me que pilotos de outros países também comparecerão. Vamos ver...

Até!










Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 4
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 3
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 2
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 1
>>Bate-papo com o veterano - Theo Nau responde

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 4


Algumas semanas antes de pegar o avião para a Europa, eu enviei a Otto Carius um pedido para visitá-lo. A resposta chegou dias depois, para minha surpresa, por telefone. Era cerca de meio-dia quando recebi a ligação de um assistente do Sr. Carius, pedindo-me para aparecer no dia 12 de outubro, à tarde. Claro, concordei de imediato. Hoje então, meu amigo Richard e eu fomos ao encontro do lendário comandante de tanques Tigre - que agora é um simpático farmacêutico.

Ao chegarmos à Tiger Apotheke, lá estava ele, despedindo-se de um cliente. Veio receber-nos com um sorriso e mão estendida. Os ralos cabelos brancos contrastam com os olhos azuis muito vivos do velho comandante. A Sra. Göddel, gerente da farmácia, veio nos cumprimentar e chamou-nos para almoçar. Foi uma ocasião e tanto poder almoçar com o lendário Otto Carius - que é a simplicidade em pessoa. Conversamos e demos algumas risadas durante a refeição, e depois ele assinou dois exemplares de sua autobiografia, "Tigers in the Mud" - uma minha e outra do meu amigo Leo Melo, que não pôde vir.

Ele então mostrou-nos sua Cruz do Cavaleiro com Folhas de Carvalho, cuja fita ainda está suja com seu sangue, de um ferimento grave que ele recebeu na nuca em julho de 1944. Em seguida ele mostrou-nos algumas fotografias e pinturas de seu tanque, todas presenteadas por amigos. Carius mostrou-nos também um mangá baseado no seu livro, e também uma tradução (pirata, diga-se de passagem) em russo. Vejam que ironia: a obra de Otto Carius é hoje utilizada como material didático na escola de tanques do Exército Russo.

Descendo novamente para a farmácia, fomos ao escritório dele, decorado com diversos modelos de tanques e presentes de diferentes países. Qual foi a minha surpresa quando a Sra. Göddel apareceu com uma túnica branca, que não reconheci a princípio, mas então o Sr. Carius apontou para a foto na parede, e minha cabeça explodiu: a famosa túnica branca da foto de estúdio dele! Nossa... que relíquia eu tinha nas mãos!

Foi muito boa a conversa, mas eu tinha que ir... Despedimo-nos com uma foto na famosa placa da entrada da farmácia. Meu amigo Richard havia preparado uma supresa pra mim em seguida.

Pegamos o carro e fomos até Homburg. Saímos e fomos a um prédio de apartamentos. Ele tocou o interfone e eu fui olhar qual nome estava escrito.

Schuck.

Hahaha,... Walter Schuck. Lá estava o ás do JG 5 Eismeer e do Messerschmitt Me 262, um pequeno senhor, com expressão austera. Fomos até o bar logo abaixo do seu apartamento, para tomar um chopp. É estranho, no meio da conversa, você parar e pensar "puxa, esse é o cara que derrubou 206 aeronaves na Segunda Guerra?" Pois era. Meu amigo Joe Peterburs, que já cedeu entrevista para a Sala de Guerra, o derrubou em abril de 1945. Schuck assinou algumas fotos e um livro para mim. Nos despedimos rapidamente, ele parecia estar com pressa.

De volta a Landstuhl, visitei um castelo numa colina, que dá uma boa visão da Base Aérea de Ramstein (USAF). Lá é território norte-americano e o acesso é completamente proibido, então, fotos somente a essa distância. Mas dá pra ver uns C-5 Galaxy e C-17 Globemaster na pista.

Mais notícias amanhã. Grande abraço!







Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 3
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 2
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 1
>>Vídeo: Panzers restaurados
>>Mörser Karl Gerät - Isso é que é gigante!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 3


Terminou hoje de manhã o encontro da OdR em Bad Honnef. O que posso dizer...

F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O.

Conhecer caras que a gente somente vê em velhas fotos em preto-e-branco, da época em que nem mesmo nossos pais eram nascidos, é uma experiência única. Peguei o trem em Frankfurt às 11:00h da sexta-feira, e às 14:00h eu estava em Bad Honnef. Fui recepcionado pelo meu amigo Richard, que veio à estação para me buscar. Fomos até o Hotel Avendi, onde o evento foi realizado; após fazer meu check-in, fomos fazer um "reconhecimento" do local, e bem na porta do salão do evento estava ninguém menos que Herbert Fries, o mais jovem ganhador da Cruz do Cavaleiro. Cruzando a esquina, passeando na calçada, Max Zastrow. Ao voltar para o prédio, deparo-me com Artur Becker-Neetz...

Demorei a me acostumar com aquilo. Somente um pouco depois fui "aterrissar", quando encontrei uma face familiar na recepção: meu caro amigo Martin Drewes. Um abraço e o sorriso de sempre - uma pessoa absolutamente carismática. Conheci também os outros brasileiros que vieram para o evento, e fui procurar uma loja para imprimir fotos. No caminho, um barulho de avião me chamou a atenção. Bem, eu realmente não acreditei nos meus olhos quando vi. Olho para cima e o que vejo? Acreditem ou não - um Junkers Ju 52. O mesmo usado nas filmagens de Operação Valquíria. Lá estava o clássico trimotor sobrevoando a belíssima paisagem de Bad Honnef, na exata data onde eu estou na cidade (e no continente hehe). Não acreditei na minha sorte.

Na noite de sexta-feira aconteceu a primeira celebração. É conhecida por ser a "noite de autógrafos", onde todos os convidados podem levar suas fotos, livros e qualquer coisa para que os veteranos assinem. Enquanto uma orquestra tocava, o salão se movimentava com a constante andança dos convidados por entre as mesas. Consegui autógrafos de Fries, Zastrow e Becker-Neetz - além de August Kaminski, Kurt Bischof, Heinrich Sonne, Hugo Broch, Erwin Kressman, Eberhard Heder, Franz Weber, Heinrich Südel, Ludwig Bauer, Othmar Hermes e do soldado que recebeu sua Ritterkreuz das mãos de Erwin Rommel: Günter Halm.

No sábado pela manhã tivemos um passeio de barco pelo Reno, acompanhados de alguns veteranos como Zastrow, Kaminski e Bischof - o restante foi para a reunião de organização da OdR. O tempo estava fechado e chuvoso no começo, mas começou a melhorar enquanto o barco seguia seu caminho até Linz. A meio percurso, lá estava uma cidade de nome famosíssimo: Remagen. Confesso que fiquei emocionado quando vi os dois suportes da extinta ponte, cada um a uma margem do Reno, pela qual os americanos passaram tantos veículos e suprimentos para o coração da Alemanha. Pude ver por onde as ondas e ondas de aeronaves da Luftwaffe vieram, no vão esforço de destruir a ponte (que acabou caindo sozinha alguns dias depois).

De volta à Bad Honnef, tivemos às 16:00h a cerimônia no cemitério militar local. Lá estão enterrados 1.871 soldados alemães, incluindo cinco Ritterkreuzträger. Estava chovendo bastante, e muitos, inclusive eu, estavam sem guarda-chuva. Mas isso não impediu que o grupo fosse até o monumento aos soldados mortos e realizasse a cerimônia de colocação da coroa de flores. Um pastor disse algumas palavras, seguido de Günter Halm (que também é organizador do evento). Ao fim, retornamos para o hotel e nos preparamos para a segunda e última noite.

Às 18:30h foi realizada a tradicional sessão de fotos oficiais do encontro. Como há anos venho acompanhando as fotos oficiais do evento, ver aquilo ao vivo foi espantoso. Lá estavam eles: 22 senhores, detentores de altas condecorações, sentados para serem fotogrados, 70 anos depois do início das hostilidades - é algo incrível.

Na segunda noite uma orquestra ainda mais completa estava tocando, e quando as portas se abriram, nós convidados pudemos entrar. Em cada uma das mesas havia um veterano, e lá no centro do salão estava uma mesa com uma bandeirinha do Brasil e o Sr. Martin sorrindo muito satisfeito. Depois de uns minutos, Günter Halm veio falar comigo, pedindo-me para conferir uma lista com os nomes dos brasileiros presentes. Não me toquei do real propósito daquilo no momento. Mas então, uns minutos depois, eis que ele sobre ao palco e inicia seu discurso. Lá para o meio, diz: "gostaria de agradecer aos nossos amigos brasileiros presentes" e foi lendo os nomes, até ele chegar a "Júlio Antunes", no que me levantei para agradecer e fui aplaudido, assim como meus outros colegas. Este segundo baile foi mais formal, sem autógrafos, somente para conversas e risadas. Mais quatro veteranos chegaram neste dia: Hans Klaus, Günther Braake, Achim Wunderlich e Günther Frenzel. Um ambiente fantástico. Algo que se guarda na memória.

Já no fim da festa, quando algumas mesas já estavam vazias, a osquestra nos brindou com uma linda versão de "Lili Marleen", que tive o privilégio de apreciar, como o único brasileiro restante no salão. Numa belíssima demonstração de saudosismo, numa mesa estavam Günter Halm e Heinrich Südel, com suas respectivas famílias, cantando alegremente a letra da canção.

No dia seguinte, nos encontramos para o café da manhã. Como todos iriam embora após este momento, foi uma hora para despedidas e entregas de presentes. Artur Becker-Neetz foi um dos últimos a ficar no local, esperando seu táxi das 11:00h. Dessa forma, fui agraciado com quase 1 hora de conversa com esse fantástico senhor. E que forma perfeita de encerrar este encontro.

Ok, estou indo para Landstuhl agora, e amanhã terei um encontro com ninguém menos que o "Tigre". Isso mesmo, Otto Carius, o segundo maior ás de tanques da história. Conto mais quando voltar. Até mais.










Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 2
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 1
>>Nota de Falecimento: Günther Rall
>>Um astro em busca da reinvenção
>>Prefeito romeno usa provoca ultraje ao usar uniforme alemão

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 2


Uma dica para quem viaja pela primeira vez à Europa ou qualquer lugar distante: fique um dia em um hotel local antes de começar qualquer jornada pelo país adentro. O mal do Jet Lag me pegou de cheio. E olha que a diferença foi só de 5 horas. Isso somado ao cansaço gerado pelas 14h de voo me fez cair num sono profundo de 9 horas no hotel em Frankfurt. O que normalmente é mais do que suficiente para descansar qualquer um, pra mim quase não significou nada: após tomar o café da manhã lá estava o sono voltando com tudo. Realmente, ter pegado o trem para Bad Honnef logo ao chegar não seria bom negócio.

Depois do meio-dia resolvi sair e conhecer a cidade um pouco. Para quem for ficar nos hotéis próximos à Hauptbahnhof (a Estação Central), atenção ao sair à noite, pois o local não é exatamente o mais seguro de Frankfurt. Porém, de dia, a situação é bastante tranquila e um passeio à pé te leva à pontos turísticos bastante interessantes. Por exemplo, a Willy Brandt Platz, cercada de altos edifícios comerciais e uma bela área verde, é o ponto onde você pode escolher onde ir em seguida. Eu decidi seguir uns quarteirões para o sul até o rio Main, com suas águas tranquilas e limpas. Atravessando-o, pode-se seguir para leste até a Dreikönigskirche, uma catedral protestante muito bonita. Cruzando novamente o rio, encontrei a Catedral de São Bernardo, que atualmente está fechada para reformas. Por fora, contudo, o altíssimo edifício já é show o suficiente.

Segui para oeste uns poucos metros e fui parar na Römer Platz, um dos principais pontos turísticos da cidade. Alguns bares lá oferecem um chopp muito bom (eu atesto). Há uma grande concentração de turistas na praça, de diversas nacionalidades. Uma dica é pegar um mapa da cidade, disponível em qualquer hotel que você for ficar. Com o mapa fica muito fácil se deslocar, pois todas as ruas são muito bem sinalizadas.

Viajar dentro da Alemanha é sempre mais fácil com o trem. Assim, vá até a Hauptbahnhof e dirija-se ao balcão da Deutsches Bahn, localizado no saguão do térreo, para comprar sua passagem. Na Alemanha praticamente todo mundo fala inglês, então não se preocupe muito em saber alemão (é bom manter um dicionário de bolso consigo).

Embarco agora para Bad Honnef, local do primeiro encontro - o dos ganhadores da Cruz do Cavaleiro. Acredito que haverá uma homenagem a Günther Rall, e farei questão de registrar tudo.

Por enquanto é só meus amigos, até o próximo post.








Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 1
>>Nota de Falecimento: Günther Rall
>>Theobald Lieb
>>Job Odebrecht
>>Theo Nau - Parte 1

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Nota de Falecimento: Günther Rall

Günther Rall
(10/03/1918 - 04/10/2009)

Faleceu no último dia 4 de outubro em Bad Reichenhall, na Alemanha, de complicações após um ataque cardíaco aos 91 anos de idade, o terceiro maior ás da história, Generalleutnant Günther Rall.

Nascido em Gaggenau, na região da Floresta Negra, Rall voluntariou-se para o Exército em 1936, indo logo depois para a Academia Militar em Dresden. Influenciado por um amigo, pediu transferência para a Luftwaffe, onde qualificou-se em 1938 e foi comissionado Leutnant junto ao Jagdgeschwader 52. Na reserva durante a invasão da Polônia, Rall viu combate pela primeira durante a ofensiva contra a França, derrubando seu primeiro inimigo no dia 12 de maio de 1940.

Quando o JG 52 foi transferido para Calais para participar da Batalha da Inglaterra, as pesadas perdas sofridas pela unidade acabaram por possibilitar que Rall assumisse o comando da 8ª Staffel, sendo promovido a Oberleutnant no dia 25 de julho. Com este comando, Rall participou das operações contra a Iugoslávia, Grécia e Creta em abril e maio de 1941. Após a conclusão dessas ações o JG 52 foi transferido para a Romênia para defender os poços de petróleo de Ploesti. Com o início da Operação Barbarossa, Rall e sua unidade foram designado para o Grupo de Exércitos Sul. Foi na União Soviética que o número de vitórias de Rall começou a crescer espantosamente e, após atingir 101 abates, foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 13 de setembro de 1942. Em 26 de novembro ele foi ao Quartel-General do Führer para receber as Folhas de Carvalho das mãos de Hitler, e em abril de 1943 foi promovido a Hauptmann. Quando atingiu 200 vitórias no fim de setembro daquele ano, recebeu as Espadas para a Cruz do Cavaleiro.

Em 19 de abril de 1944 ele foi transferido para o JG 11 na Defesa do Reich. Após muitas batalhas contra a 8ª Força Aérea americana, ele tornou-se instrutor. Seu último posto foi o de comandante do JG 300, operando de diversos aeródromos no sul da Alemanha durante os últimos meses da guerra. Rall terminou o conflito contabilizando incríveis 275 vitórias aéreas, o que o deixou atrás somente de Erich Hartmann (352) e Gerhard Barkhorn (301).

Após a guerra, Rall retornou à Força Aérea em 1956. Ele supervisionou a compra do F-104 Starfighter para a Luftwaffe, e de janeiro de 1971 até março de 1973 foi Inspetor-Geral da Força Aérea. Entre 1974 e 1975 foi também adido militar alemão junto à OTAN. Naquele mesmo ano Rall aposentou-se, com a patente de Generalleutnant. Era um dos veteranos mais ativos e reconhecidos em todo o mundo, dando palestras em diversos países e aparecendo em diversos documentários televisivos. Em 2004 ele escreveu suas memórias, com o título "Mein Flugbuch". Rall sofreu um ataque cardíaco na sexta-feira, 2 de outubro, e veio a falecer em sua casa no domingo, dia 4.

General Rall no cockpit de um Me 109.

NOTA: Recebi a notícia do falecimento do General Rall assim que cheguei a Frankfurt esta tarde. Realmente não dava para continuar com o diário e deixar passar este acontecimento tão triste. Um dos itens que mais estimo na minha coleção, a foto autografada por ele, ficou-me ainda mais preciosa agora...

Descanse em paz General!


Veja também:
>>Rall dá palestra em Oshkosh
>>Vídeo: Günther Rall e as vitórias alemãs
>>Rall e Gärtner falam sobre o Fw 190
>>Nota de Falecimento: Adolf Dickfeld
>>Nota de Falecimento: Ernst-Wilhelm Reinert

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 1


Meus caros amigos,

A convite do meu caro amigo Martin Drewes, estou acompanhando-o a partir de hoje para a Alemanha, onde iremos juntos aos encontros de veteranos que ocorrem anualmente no mês de outubro. Na verdade, são dois encontros:

-Ordensgemeinschaft der Ritterkreuträger (OdR): encontro anual dos ganhadores da Cruz do Cavaleiro, que acontece este ano em Bad Honnef, próximo a Bonn. Entrei em contato com diversos veteranos e muitos já confirmaram presença, como Georg Bose, Artur Becker-Neetz, Günter Halm e Georg Bleher.

-Fliegertreffen: encontro anual dos veteranos da Luftwaffe, que este ano acontece na cidade de Friedrichroda, próxima a Hannover. Muitos aviadores deverão marcar presença, como Walter Schuck e Theo Nau.

Depois dos encontros passarei alguns dias na Romênia a convite do correspondente Claudiu Stumer, para conhecer alguns dos ases romenos, com Ion Dobran e Ion Dicezare.

A partir de hoje, farei o diário da viagem aqui na Sala de Guerra. Visitarei diversos veteranos, mas vou manter a surpresa! Acompanhem!

Veja também:
>>Theo Nau - Parte 1
>>Ion Dobran
>>Walter Schuck
>>Evento: Reunião 2008 da ANR
>>Evento: 90º aniversário de Martin Drewes

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vídeo: Dia-D em O Resgate do Soldado Ryan

Essa é pra quem tava com saudade ou mesmo pra quem quer ver mais uma vez - uma das sequências de combate mais fantásticas já filmadas: o desembarque na praia de Omaha em O Resgate do Soldado Ryan. O Jackson atirando nos alemães com a metralhadora é inesquecível.





Veja também:
>>Saltos marcam as celebrações do Dia-D
>>Veteranos farão última celebração na Normandia
>>Britânicos desmantelaram conspiração nazista antes do Dia-D
>>Restos de cinco soldados alemães são encontrados na França
>>Bunker nazista é reaberto pela primeira vez desde a guerra

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Cvitan Galic

Cvitan Galic
Oberleutnant
(1909 - 1944)


Cvitan Galic nasceu em 5 de maio de 1909 na pequena vila de Gorica, perto de Ljubuski, na atual Bósnia Herzegovina. Ele completou seus estudos na cidade de Sovici e, após entrar para a Real Força Aérea Iugoslava no fim dos anos 1920, completou seu treinamento de pilotagem com o 7º Regimento de Aviação em Mostar, no dia 1 de novembro de 1930. Galic tornou-se piloto de caça junto ao 6º Esquadrão em 1 de agosto de 1935.

Quando a Alemanha invadiu a Iugoslávia, ele servia em Mostar com o III Grupo. A rápida vitória alemã em abril de 1941 destruiu o Reino da Iugoslávia. Com o desmembramento do país e formação do Estado Independente da Croácia, Galic voluntariou-se para a recém-formada força aérea nacional.

Com a criação da Legião Aérea Croata, foi então formada a 15ª Staffel (Croata) do Jagdgeschwader 52, equipada com Messerschmitt Me 109s. A unidade foi enviada para o setor sul do front na União Soviética, e Galic tornou-se o mais bem-sucedido piloto durante seu primeiro tour operacional de combate, com 24 vitórias confirmadas, sete não-confirmadas (quatro mais tarde se confirmaram) e duas vitórias no solo. Esses feitos renderam-lhe as duas classes da Cruz de Ferro. Em 22 de outubro de 1942, Galic foi promovido a Leutnant.

Em seu segundo tour operacional no leste, na primavera de 1943, escolheu como ala o piloto que se tornaria o maior ás croata: Mato Dukovac. Nesse período, derrubou mais dez aeronaves soviéticas confirmadas, e duas não-confirmadas. Por esses feitos, os alemães condecoraram Galic com a Cruz Alemã em Ouro em 23 de junho. No mês de julho, já promovido a Oberleutnant, ele foi enviado para o JG 104 como instrutor para jovens pilotos croatas. Em 20 de outubro ele retornou para a Força Aérea Croata, sendo designado para o 22º Esquadrão, que era equipado com Morane Saulnier Ms.406s e Fiat G.50s em Borongaj.

Em dezembro de 1943, após visitar sua família em Bjelovar, Galic voou de volta para Zagreb em um avião de treinamento, mas não estando “plenamente sóbrio”, caiu no sono, apenas para acordar justo a tempo de fazer de fazer um pouso forçado dentro de território controlado por partisans. Ele livrou-se da sua vestimenta de voo e foi capaz de persuadir os partisans a acreditar que ele era um deles. Dois dias depois ele conseguiu escapar e retornar para sua unidade, mas apenas sua folha de serviços anterior conseguiu salvá-lo de uma dura punição. Galic tornou-se comandante do 23º Esquadrão, equipado com 12 MS.406s, em 14 de março de 1944.

Cvitan Galic foi morto em ação no dia 6 de abril de 1944, durante um ataque ao aeródromo de Zaluzani, em Banja Luka, por Spitfires da Força Aérea Sul-Africana. Ele retornava de uma patrulha e havia acabado de estacionar seu MS.406, quando uma bomba atingiu o cockpit da aeronave. Ele foi postumamente promovido a Hauptmann duas semanas depois, recebendo também a Ordem Ante Pavelic, o que deu-lhe o título de Vitez (Cavaleiro).

Em 439 surtidas no front leste, Galic derrubou um Tupolev DB-3, um Petlyakov Pe-2, um Spitfire e um R-10; dois hidroaviões MDR-6, cinco Ilyushin Il-2, quatro Mikoyan-Gurevich MiG-1s, quatro Polikarpov I-153s, cinco Polikarpov I-16s, cinco MiG-3s e nove Lavochkin-Gorbumov-Gudkov LaGG-3. Ele foi o segundo mais bem-sucedido ás croata da guerra, logo depois de Mato Dukovac. Seu total foi de 38 vitórias confirmadas e 8 não-confirmadas.

Me 109G-2 de Cvitan Galic. 15./JG 52, Maikop, setembro de 1942.

Veja também:
>>Mato Dukovac
>>Bate-papo com o veterano - Sr. Marko responde
>>Morane-Saulnier MS.406
>>Nota de Falecimento: Dinko Sakic
>>Nota de Falecimento: Frantisek Cyprich

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Jerry Yellin honrado por livro sobre a guerra

Jerry Yellin honrado por livro sobre a guerra


Um antigo residente do sudoeste de Iowa venceu o Star and Flags Award por seu livro baseado em eventos acontecidos na Segunda Guerra Mundial.

Jerry Yellin, que voou P-51s durante a guerra, foi agraciado por seu livro “The Blackened Canteen”. Embora uma ficção, a história é baseada em fatos sobre cinco americanos e três japoneses cujas vidas foram entrelaçadas após um bombardeio a Shizuoka, no Japão, em 20 de junho de 1945.

A trama começa em 1941, antes que Pearl Harbor e as frustradas negociações do Príncipe Konoye e o Secretário de Estado Cordell Hull levassem à guerra, e acompanha as vidas das personagens até o presente.

Jack O’Connor, Newton Towle, Monroe Cohen e Ken Colli se alistam no Corpo Aéreo do Exército e se tornam tripulantes de B-29. Richard Fiske é um trompetista de West Virginia. Fukumatsu Itoh, de 49 anos, é membro do conselho de Shisuoka; Hiroya Sugano tem 12 anos; Takeshi Maeda é um aviador que lança o torpedo que afunda o couraçado USS West Virginia – são os protagonistas do livro.

Yellin voou missões sobre o Japão partindo de Iwo Jima. Ele conheceu 16 homens que morreram em combate durante a guerra e consequentemente odiou os japoneses por toda a vida.

Em 6 de março de 1988, seu filho caçula, Robert, casou-se com a filha de um piloto japonês da guerra. O casamento dos filhos de antigos inimigos o fez repensar, não somente sua vida como guerreiro, mas sobre as vidas de todos os que serviram em combate. Hoje, ele tem três netos vivendo no Japão, com 19, 17 e 13 anos.

Eles me amam e eu os amo”, diz Yellin, “e não consigo deixar de sentir que toda a humanidade é igual, que o puro propósito da guerra é matar e o puro propósito da vida é ligar todos à natureza. Cabe aos jovens de nosso mundo encontrar um caminho para eliminar a guerra e encontrar uma maneira de viver em unidade, em harmonia com a natureza e encontrar a paz para nosso planeta”.

Historicamente correto, “The Blackened Canteen” está disponível em livrarias na internet.

Um trecho de suas memórias, “Of War and Weddings”, está na final do Military Writers Society of America People Choice Awards. (clique aqui e ajude o Jerry a vencer essa) A votação continua até o dia 5 de outubro e os vencedores serão anunciados no dia 10.

Fonte: The Hawkeye, 29 de setembro de 2009.

Veja também:
>>Artigo de Jerry Yellin na final do MWSA
>>Donald "Don" Blakeslee
>>Boeing B-29 Superfortress
>>Teruhiko Kobayashi
>>Ben Nicks: A mais longa missão da Segunda Guerra

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Polônia condena invasão soviética como tirânica

Polônia condena invasão soviética como tirânica


O parlamento polonês passou uma resolução com o objetivo de corrigir visões sobre os eventos que cercaram o início da Segunda Guerra Mundial.

Em 17 de setembro de 1939, o exército da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas deu início a hostilidades dentro do território da República da Polônia, sem declaração formal de guerra, violando a soberania polonesa e quebrando as leis internacionais. A base para a invasão do Exército Vermelho foi o Pacto Molotov-Ribbentrop, assinado em 23 de agosto pelos representantes da URSS e Alemanha Nazista”, lê-se na resolução.

Enquanto a invasão alemã da Polônia em 1 de setembro, também sem declaração formal de guerra, nunca foi contestada pelo governo alemão como o ato de agressão que deu início à Segunda Guerra Mundial, a Rússia nunca admitiu oficialmente que a invasão soviética da Polônia duas semanas e dois dias depois foi um ato paralelo de agressão em cumplicidade com as forças nazistas. A Rússia continua dizendo que estava “liberando” e “protegendo” a população local dos alemães.

Embora os historiadores geralmente concordem que o Exército Vermelho Soviético invadiu a Polônia em 17 de setembro de 1939, protegido da hostilidade nazista pelo Pacto de Não-Agressão, as opiniões divergem bastante sobre os reais objetivos da Rússia Soviética. As autoridades russas oficialmente mantêm que sua invasão foi necessária para proteger a Rússia de uma futura invasão alemã, na qual a inteligência militar soviética da época previa que aconteceria mais cedo ou mais tarde, e mais ainda, para proteger os russos e bielo-russos étnicos que viviam na Polônia. Também dizem que o Pacto de Não-Agressão foi uma maneira de ganhar tempo para conseguir a estrutura militar necessária para mitigar a expansão dos nazistas para o leste.

O governo polonês não vê as coisas dessa maneira. Eles vêem a invasão russa como um ato hostil perpetrado com o objetivo de reocupar o território polonês. Antes da Primeira Guerra Mundial, a Rússia ocupou aproximadamente 82% do território polonês por 123 anos, como poder imperial estrangeiro.

A Polônia foi vítima de dois regimes tirânicos: o Nazismo e o Comunismo. A invasão pelo Exército Vermelho abriu outro trágico capítulo na história polonesa e de toda a Europa Central e Oriental”, diz a resolução. Continua: “É longa a lista de atrocidades e desastres que tocaram as regiões orientais da Polônia e os cidadãos poloneses que lá residiam. Incluídos neste grupo estão a execução de 20.000 indefesos oficiais poloneses prisioneiros de guerra, a expulsão de centenas de milhares de cidadãos poloneses e seu internamento em condições desumanas em campos de concentração e prisões, bem como sua colocação em trabalho escravo”.

Após o fim da guerra, os soviéticos mantiveram uma força de ocupação na Polônia e impuseram um opressivo governo comunista que fechou a Polônia em sua esfera de influência por trás da infame Cortina de Ferro por 44 anos.

Apenas agora, 20 anos depois da Polônia finalmente expulsar o comunismo, é que as autoridades conseguiram arregimentar a vontade política para resolutamente proclamar que os crimes perpetrados pelo regime comunista soviético foram sim crimes de guerra, chegando às marcas do genocídio.

Fonte: The Epoch Times, 23 de setembro de 2009.

Veja também:
>>Encontrada vala comum da Segunda Guerra na Polônia
>>Polônia investigará morte de Wladyslaw Sikorski
>>Testemunhando o início da Segunda Guerra Mundial
>>Sob a névoa da guerra
>>Livro: O Zoológico de Varsóvia