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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Alemanha divulga nomes de 700 mil prisioneiros soviéticos

Alemanha divulga nomes de 700 mil prisioneiros soviéticos

Autoridades alemãs colocaram on-line os nomes de 700.000 soldados soviéticos capturados, cuja maioria morreu nos campos de prisioneiros nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

A lista estava sendo mantida pelas autoridades alemãs para ajudar as pessoas das antigas repúblicas soviéticas a descobrir informações de seus entes perdidos. “Agora as pessoas poderão fazer toda a pesquisa elas mesmas”, disse Klaus-Dieter Müller, bibliotecário-chefe da Fundação Memorial da Saxônia, em Dresden, que é responsável por diversos memoriais de campos de concentração que expõem os crimes nazistas.

Dois websites, http://www.dokst.de/ e http://www.dokst.ru/, contêm a lista completa em ordem alfabética dos homens – em alemão e russo – começando os dados vitais de Erich Aawik, um estoniano nascido em 1919 que morreu em cativeiro alemão em 24 de novembro de 1943.

A biblioteca alemã começou a digitalizar os dados em 2000, com a ajuda de autoridades da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia. Os responsáveis disseram que mais nomes serão adicionados assim que novas informações emergirem.

A Alemanha Nazista quebrou a Convenção de Genebra sobre prisioneiros de guerra no tratamento de seus cativos do Exército Vermelho, usando-os como escravos e os confinando em doenças e quase-inanição. Parentes frequentemente ainda não sabem onde estão os restos dos homens desaparecidos.

Fonte: Times Live, 16 de novembro de 2009.

Veja também:
>>Mistérios de Colditz revelados com registro de prisioneiros
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>>Prisioneiro morre mais de 60 anos após ser torturado por nazistas

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ex-soldado da SS acusado de crimes de guerra

Ex-soldado da SS acusado de crimes de guerra


Um antigo membro da Waffen-SS, hoje com 90 anos, foi acusado de ter assassinado 58 judeus húngaros que foram forçados a ajoelhar-se ante uma vala aberta antes de serem fuzilados.

O homem, nomeado pela imprensa alemã como Adolf Storms, se tornou o mais recente aposentado a ser processado por supostos crimes de guerra nazistas, e as cortes correm para conseguir condenações antes que os réus se tornem incapazes e as testemunhas pouco confiáveis.

O Sr. Storms foi encontrado por acidente no ano passado, como parte da pesquisa de Andreas Forster, um estudante vienense de 28 anos. O caso contra Storms foi liderado por Ulrich Maass, que também é promotor do julgamento de Heinrich Boere, 88, que é acusado de matar três partisans holandeses.

No fim deste mês outro suposto criminoso, John Demjanjuk, 89, deve enfrentar acusações múltiplas que remetem a seu tempo como guarda de campo de extermínio.

O Sr. Storms foi membro da 5ª Divisão Panzer SS “Wiking”, que lutou no front leste, passando pela Ucrânia até o Cáucaso, tomando parte na sangrenta luta por Grozny e nas batalhas de tanques em Kharkov e Kursk, antes de recuar para a Europa Oriental. Muitos relatos dizem que a formação deixou uma trilha de corpos atrás de si.

Em 27 de março de 1945 o acusado e seus cúmplices agruparam pelo menos 57 trabalhadores judeus em diversos grupos perto de uma floresta, onde foram forçados a ajoelhar-se”, disse a corte. No dia seguinte, o Sr. Storms supostamente atirou contra outro judeu que não conseguiu seguir com a marcha forçada até a vila de Hartberg. Os promotores dizem ter encontrado duas testemunhas vivas desse crime.

Contudo, nenhuma testemunha foi encontrada para confirmar o assassinato em massa; o caso contra o Sr. Storms será baseado em testemunhos escritos feitos em julgamentos anteriores. A vala foi cavada por um destacamento da Juventude Hitlerista.

O Sr. Forster estava estudando o massacre quando viu uma referência ao nome do Sr. Storms, e procurou na lista telefônica para encontrar um aposentado que se encaixasse na descrição. Mais tarde seu supervisor viajou para conhecer o Sr. Storms, que confirmou ter servido na Divisão Wiking. Ele disse ao promotor que tem algumas lembranças do seu tempo de guerra, mas não se lembra de nenhum massacre.

Fonte: The Times, 18 de novembro de 2009.

Veja também:
>>Estudante localiza suposto criminoso de guerra nazista
>>O papel das mulheres nos crimes nazistas
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mostra sobre americano que lutou pela URSS será inaugurada

Mostra sobre americano que lutou pela URSS será inaugurada


Uma mostra dedicada ao único homem conhecido que lutou tanto pelos Estados Unidos quanto pela União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial será inaugurada em Moscou.

Joe Beyrle, pai do atual embaixador americano na Rússia, foi capturado por forças alemãs após saltar de paraquedas na Normandia em junho de 1944. Ele tentou escapar duas vezes, mas somente teve sucesso na terceira tentativa.

Após escapar, ele fez contato com uma divisão de tanques russos, e apesar de saber somente duas palavras em russo (“Amerikanskii tovarishch”, ou “Camarada americano”), tornou-se um valioso membro da unidade, tomando parte numa série de batalhas, incluindo a liberação do campo de prisioneiros no qual estivera.

Após ser ferido em combate, ele encontrou-se com o lendário herói de guerra Marechal Zhukov, que deu-lhe um salvo-conduto para a embaixada americana em Moscou, de onde ele conseguiu voltar para Michigan.

Quando ele eventualmente chegou à embaixada e disse que era Joe Beyrle, não acreditaram a princípio. Seus dog tags haviam sido encontrados num soldado alemão morto e o listaram como baixa de guerra. Os pais de Joe ainda fizeram um funeral para ele.

Joe mais tarde voltou à Rússia por diversas vezes para contar sua história – um conto que ainda tem relevância hoje, explica o organizador da mostra, Greg Guroff, presidente da Fundação para Artes Internacionais e Educação. “Isso se tornou um assunto de grande importância”, disse Guroff. “Muitas pessoas estão interessadas na história, e o simbolismo da cooperação americano-soviética durante a Segunda Guerra. Isso atraiu um grande número de interessados entre os membros do governo”.

Guroff disse que nos EUA pesquisas têm mostrado que muitas pessoas com menos de 40 anos acreditam que os americanos lutaram contra a União Soviética na Segunda Guerra.

Na Rússia, eles acham que os americanos não fizeram quase nada na guerra, e não estão cientes que 15 milhões de americanos estão diretamente envolvidos na luta. Esta é uma tentativa de não esquecer o que aconteceu”, ele acrescenta. “Os veteranos estão morrendo. A Guerra Fria deixou uma triste marca nas nossas percepções mútuas”.

A mostra “Um herói de duas nações” será inaugurada em 18 de fevereiro de 2010 em São Petersburgo. Em maio, irá para Moscou, depois para Kursk e então Novorossiisk. Depois disso seguirá para os Estados Unidos.

Fonte: Ria Novosti, 12 de novembro de 2009.

NOTA: Bem, os leitores da Sala de Guerra sabem que existe pelo menos mais um americano que lutou ao lado dos soviéticos, e que já deu uma entrevista exclusiva bem aqui: Joe Peterburs. Quem diria que teríamos informações privilegiadas, hein!

Veja também:
>>Bate-papo com o veterano - Cel. Peterburs responde
>>Cemitério da Wehrmacht é inaugurado na Rússia
>>Viagem de Alfonso Felici à Rússia em 2003
>>Tanques no coração de Moscou
>>Rússia: Ocidente esqueceu dos soviéticos nas celebrações do Dia-D

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Submarinos samurais japoneses encontrados

Submarinos samurais japoneses encontrados


Após 60 anos numa tumba aquática no Havaí, dois submarinos de ataque japoneses da Segunda Guerra Mundial foram descobertos perto de Pearl Harbor - anunciaram arqueólogos marinhos recentemente.

Especificamente desenhados para ataques surpresa à costa leste dos EUA – talvez objetivando Washington DC ou Nova York – esses “submarinos samurais” eram rápidos, imenso raio de ação, e em alguns casos carregavam aeronaves com asas dobráveis, de acordo com Dik Daso, curador da seção de aeronaves militares modernas do Museu Aeroespacial Smithsonian.

Quando a guerra terminou em 1945, a Marinha Norte-Americana capturou a frota japonesa no Pacífico, incluindo cinco submarinos samurais – apelido que adquiriram. Os submarinos foram mais tarde afundados, para manter a tecnologia fora das mãos da União Soviética. Os militares não mantiveram a localização do afundamentos dos barcos, pensando que ninguém iria querer saber.

Desde 1992 o arqueólogo Terry Kerby e seus colegas do Laboratório de Pesquisas Submarinas do Havaí têm caçado os submarinos samurais e submersíveis. A tripulação encontrou o I-401 em 2005. Então, em fevereiro do mesmo ano, eles encontraram mais dois, o I-14 e o I-201. O I-400 – um dos maiores submarinos não-nucleares já construídos – e o I-203 permaneciam desaparecidos.

É emocionante ver objetos como esses sob a água, porque é um ambiente muito pacífico, mas estes submarinos foram feitos para agressão”, disse Hans Van Tilburg, do Escritório Nacional Oceânico e Atmosférico. O trabalho foi parcialmente financiado pelo National Geographic Channel. Os resultados das pesquisas serão divulgados por todo o Pacífico, como parte do esforço de reconciliação, e para fazer a pesquisa pacífica dessas armas secretas.


Os dois bombardeiros dentro do pequeno hangar do I-14 podiam ser catapultados do convés após poucos minutos na superfície, dizem os arqueólogos que encontraram os destroços do submarino em fevereiro de 2009. Na doca seca, o I-14 tem quase quatro andares de altura e 114 metros de comprimentos (maior que um campo de futebol). Esses submarinos japoneses comportavam até três aviões com asas dobráveis, cada um armado com 816 quilos de bombas.

Dar capacidade de bombardeio a um submarino era um ideia à frente de seu tempo, disse Van Tilburg. “O conceito é muito poderoso, porque é exatamente o que estamos fazendo hoje”, disse ele, referindo-se aos submarinos modernos armados com mísseis guiados.

Em 1946, o afundamento do I-14 foi filmado marinheiro Charles Alger: “Foi muito triste – o momento do afundamento. Mas como todo bom marinheiro, era um trabalho a ser feito, e nos o fizemos”.

Parte da classe japonesa Sen Taka – os mais rápidos submarinos da Segunda Guerra – o I-201 podia ir a 35 km/h submerso. A classe I-200 também podia mergulhar mais fundo que qualquer outro submarino japonês e ficar submerso por até um mês, dizem os arqueólogos que descobriram o I-201 nas profundezas do Havaí em fevereiro de 2009.

Uma torre estreita, armas retráteis no convés, e superfícies de controle retráteis – que ajudavam o submarino a subir ou submergir – ajudavam a melhorar a hidrodinâmica do barco e aumentar sua velocidade.

Van Tilburg disse que os submarinos samurais agora pertencem ao oceano e as pessoas deviam protegê-los como relíquias, já que hoje são recifes cheios de vida marinha. “É um lugar perfeito para eles. É escuro e quieto, é profundo e frio – eles podem descansar lá por um bom tempo”.


Fonte: National Geographic, 13 de novembro de 2009.

Veja também:
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>>Submarino da Segunda Guerra será resgatado
>>Submarino soviético é encontrado no Mar Báltico
>>U-Boot Tipo XXI em detalhes

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Nota de Falecimento: Douglas Benham

Douglas Benham
(30/12/1917 - 28/10/2009)

Faleceu no último dia 28 de outubro em Pembrokshire, Inglaterra, de causas naturais aos 91 anos de idade, o ás do Supermarine Spitfire, Wing Commander Douglas Ian Benham.

Nascido em Wimbleton, ao sul de Londres, Benham juntou-se em setembro de 1938 à Reserva Voluntária da RAF. Quando a guerra começou em setembro de 1939, ele foi chamado à ativa e iniciou o treinamento de combate, que foi concluído em maio de 1941. Benham foi imediatamente designado para o 607º Esquadrão, voando Hurricanes na defesa da base naval de Scapa Flow. Em abril de 1942 foi transferido para o 242º Esquadrão "Canadense" - que tinha sido comandado pelo ás Douglas Bader durante a Batalha da Inglaterra - e participou das missões de cobertura para o desembarque anfíbio em Dieppe, na França, em 19 de agosto de 1942. Contudo, a operação foi um fiasco completo, e a Luftwaffe tomou o controle aéreo sobre as praias; em um único dia, a RAF perdeu 105 aeronaves.

Em novembro de 1942, 242º Esquadrão - já reequipado com o Supermarine Spitfire Mk.V - foi movido para a Argélia, provendo cobertura para os desembarques da Operação Torch. Lá, Benham travou contato imediatamente com o inimigo, destruindo um Junkers Ju 88 no dia 9. No dia 11, abateu um Savoia-Marchetti SM.79 Sparviero e, no dia 26, um Focke-Wulf Fw 190. O esquadrão então moveu-se para o aeródromo avançado de Bone, bem próximo de Túnis, e a ação aumentou para Benham: ele tornou-se um ás em fevereiro de 1943, recebendo a Distinguished Flying Cross. Em junho de 1943 ele foi feito instrutor-chefe em Birmingham, retornando à ação em agosto de 1944, no comando do 41º Esquadrão, que voava o Spitfire Mk.XIV. No fim do ano, a unidade foi transferida para a Holanda, onde realizou missões de ataque e patrulhas de caça. Em 23 de janeiro de 1945, o esquadrão encontrou uma formação de Focke-Wulfs sobre Münster, e no feroz combate resultante Benham adicionou dois Fw 190 à sua lista de vitórias - que totalizou dez abates.

Ao fim da guerra ele foi transferido para o centro de pesquisas do Ministério do Ar, onde ajudou a reorganizar a reduzida RAF do pós-guerra. Benham voltou a voar em 1949, tornando-se instrutor-chefe de jatos do Comando de Caça em 1951. Em 1954 foi designado oficial de operações em Aden, e teve papel importante na Crise de Suez em 1956. Aposentando-se da RAF em 1957, Benham tornou-se executivo de uma emissora de TV em Cardiff, e foi presidente da Spitfire Society no País de Gales até 1999.

O Wing Commander Douglas Benham casou-se três vezes e era viúvo. Ele deixa dois filhos e uma filha.

As praias de Dieppe sob pesado fogo alemão, agosto de 1942.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Ken Mackenzie
>>Nota de Falecimento: Greenville Green
>>Nota de Falecimento: Alan "Alfie" Sutton
>>Nota de Falecimento: "Bam" Bamberger
>>Nota de Falecimento: John Pattison

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Nota de Falecimento: Albert Dubicki

Albert Dubicki
(12/07/1921 - 25/10/2009)

Faleceu no último dia 25 de outubro em Koblenz, na Alemanha, de causas naturais aos 88 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Wachtmeister Albert Dubicki.

Nascido em Osternienburg, na Saxônia-Anhalt, Dubicki juntou-se ao Exército Alemão, sendo designado para uma unidade de artilharia de foguetes (Werfer-Artillerie), o 14º Regimento de Foguetes. No dia 6 de junho de 1944, sua unidade estava postada no litoral da Normandia, mais especificamente na zona de praia designada pelos Aliados como "Omaha". Ao amanhecer, Dubicki e seus colegas avistaram a vasta frota inimiga, que imediatamente começou o bombardeio da costa. Seguindo-se à invasão anfíbia das praias, o 14ºRegimento iniciou um cuidadoso recuo entre Caen e St. Lô - sob constante ataque aéreo Aliado e incursões de guerrilheiros franceses.

No dia 11 de julho daquele ano, o Unteroffizier Dubicki realizava uma patrulha solitária de reconhecimento quando, entre os arbustos, localizou um grande grupo de mais de 1.000 soldados ingleses em uma fábrica de cimento desativada - que tomaram por um bom lugar para descansar. Cuidadosamente, Dubicki retornou às suas linhas e no caminho encontrou 50 soldados da Luftwaffe, que convocou para ajudar-lhe. Dispondo os homens silenciosamente ao redor do perímetro da fábrica, ele ordenou o avanço-surpresa, que pegou os ingleses completamente inadvertidos: Dubicki capturara mais de 1.000 soldados inimigos sem disparar um único tiro. Por esta audaciosa ação, no dia 12 de agosto de 1944 ele foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em uma cerimônia em Suderburg, na Baixa-Saxônia.

Após a guerra, Dubicki retornou às Forças Armadas em maio de 1956, ascendendo ao oficialato. Depois de mais de duas décadas de serviço, ele aposentou-se em março de 1977 com a patente de Hauptmann. Em sua aposentadoria foi morar em Koblenz.

Dubicki após a condecoração e a promoção a Wachtmeister.

Meus agradecimentos ao amigo Richard Schmidt pela ajuda.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Hans Röger
>>Nota de Falecimento: Wilhelm Niggemeyer
>>Nota de Falecimento: Bodo Spranz
>>Nota de Falecimento: Heinrich Köhler
>>Nota de Falecimento: Kurt Prinz

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Petacci: Hitler era um sentimentalista

Petacci: Hitler era um sentimentalista

Os diários escritos pela amante do ditador fascista Benito Mussolini revelam que o Duce achava que Adolf Hitler era um “velho sentimentalista no coração”.

Os recém-publicados diários de Claretta Petacci também ressaltam o anti-semitismo de Mussolini, seu desgosto pelos casamentos mistos entre italianos e nativos nas colônias africanas, e sua raiva do papa do pré-guerra, Pio XI.

O pai dela era o médico pessoal do Papa. Ela tinha apenas 20 anos em 1932 quando conheceu Mussolini, que tinha 49. Ela foi seu amor por nove anos antes do fim da guerra e, como ele, foi fuzilada e pendurada pelos pés pelos partisans numa praça de Milão.

Agora seus diários, que estão sendo mantidos por um sobrinho que vive nos EUA, serão publicados em um livro, “O Segredo de Mussolini”.

Neles, Petacci lembra-se que Mussolini descreveu-lhe sua infame conferência em Munique, em outubro de 1938, onde encontrou Hitler e Primeiro-Ministro britânico Neville Chamberlain para discutir sobre a Tchecoslováquia: “A recepção em Munique foi fantástica e o Führer estava muito feliz. Hitler é um velho sentimentalista no coração. Quando ele me viu, ficou com lágrimas nos olhos. Ele gosta mesmo muito de mim. Mas ele tem acessos de ódio que somente eu posso controlar. Houve momentos tensos e ele lutava para se controlar. Eu, por outro lado, nunca me perturbava”.

Em outra passagem, de 5 de janeiro de 1938, escrita logo após se encontrarem em sua residência em Roma, ela descreve como Mussolini, casado e pai de 5, descreveu suas fantasias sexuais para ela: “Sabia amor, que ontem a noite no teatro eu tirei sua roupa pelo menos três vezes? Eu tinha um desejo louco de possui-la. Seu corpo pequeno, sua carne me enlouquece, amanhã você será minha”.

Seu corpo delicioso será meu, todo meu. Eu o tomarei e nossos corpos serão um”.

Petacci também escreveu em seu diário que Mussolini tinha outras amantes. Ela descreve suas desculpas em 19 de fevereiro de 1938: “Sim meu amor, eu errei, mas eu te amo e sinto que você me é necessária mais do que nunca. Eu a adoro, eu sou um louco. Não quero que sofra porque esse seu sofrimento se reflete em mim; eu sofro quando você sofre”.

Ela então escreve como Mussolini descreveu-lhe suas visões racistas em 4 de agosto de 1938, quando os amantes estavam em um barco: “Sou racista desde 1921. Eu não sei porque o povo acha que estou imitando Hitler, ele não era ninguém. Isso me faz rir... Preciso ensinar esses italianos sobre raça, que não se cria castas mistas e que não arruínem a beleza em nós”.

24 dias depois, ela relata a visão de Mussolini sobre a África: “Toda vez que recebo um relatório da África, fico preocupado. Hoje tivemos mais cinco pessoas presas por viver com os negros. Ah, esses italianos sujos, ele estão destruindo um Império em menos de sete anos. Eles não têm consciência de raça”.

Em 8 de outubro de 1938, Petacci escreveu sobre a raiva que o Duce tinha do Papa Pio XI: “Você não tem ideia do mal que este Papa faz à igreja. Nunca houve um Papa tão agourado com a igreja. Há católicos comprometidos que o detestam. Ele perdeu virtualmente o mundo todo. A Alemanha toda. Ele não sabe manter fiéis e erra em tudo”.

Em outra passagem três dias depois, Petacci relata o ódio de Mussolini pelos judeus: “Esses judeus nojentos, devem ser todos destruídos. Os destruirei como os turcos fizeram. Isolei 70.000 árabes (nas colônias norte-africanas), e posso facilmente isolar 50.000 judeus. Construirei uma pequena ilha e os colocarei lá”.

Trechos do diário foram publicados no Corriere Della Sera. Será lançado em forma de livro, escrito pelo editor americano Mauro Suttora. Ele teve permissão de usar os diários, que são mantidos pelo único parente vivo de Claretta, seu sobrinho Ferdinando Petacci, que vive no Arizona.

Fonte: The Daily Mail, 16 de novembro de 2009.

Veja também:
>>Livro: Mussolini e a Ascensão do Fascismo
>>Vídeo: Juramento à RSI
>>Sabres por Savoia
>>Filmes: Leão do Deserto
>>Filmes: Fascistas em Marte

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Os africanos que lutaram na Segunda Guerra

Os africanos que lutaram na Segunda Guerra


O 70º aniversário da Segunda Guerra Mundial está sendo comemorado por todo o mundo, mas a contribuição de um grupo de soldados é quase universalmente ignorada. Quantos se lembram do papel de mais de um milhão de tropas africanas?

Mesmo assim, eles lutaram no deserto do Norte da África, nas selvas da Birmânia e sobre os céus da Alemanha. Um grupo de veteranos que encolhe, muitos agora vivendo na pobreza, amargurados de terem escrito a história.

Para a África, a Segunda Guerra Mundial não começou em 1939, mas em 1935.

Tropas Fascistas Italianas, apoiadas por milhares de forças coloniais da Eritréia, invadiram a Etiópia. O Imperador Haile Selassie foi forçado a fugir para a Grã-Bretanha, mas outros, conhecidos como patriotas, continuaram a luta. Entre eles estava Jagama Kello. Com 15 anos na época, ele deixou sua casa para montar uma guerrilha que atacou os invasores italianos.

Mein Kampf

Outros africanos aprenderam o que o fascismo poderia significar para eles. Eles esses, estava John Henry Smythe de Serra Leoa. Seu professor deu-lhe de presente o livro de Adolf Hitler, “Mein Kampf”.

Nós lemos o que esse homem iria fazer aos negros se ele chegasse ao poder. E ele atacou os ingleses e americanos por encorajarem os negros a se tornarem médicos e advogados”, disse o Sr. Smythe. “Era um livro que colocaria qualquer negro em alerta”.

Ele voluntariou-se para a Royal Air Force, tornou-se um navegador e voou em bombardeiros sobre a Alemanha. Outros tiveram uma visão similar.

Joe Culverwell, que foi lutar pela liberação do Zimbábue, voluntariou-se no dia que a guerra foi declarada, em 1939. “Não se esqueça que naquela época éramos leais aos ingleses – por mais estúpido que isso possa soar hoje”, diz. “Passamos por lavagem cerebral para nos sentirmos pequenos ingleses marrons”.

Outros foram convocados. Eles eram escolhidos quando iam visitar um mercado local ou sob ordens de um chefe local. E muitos descobriram que, uma vez alistados, foram muito maltratados. A realidade da vida militar dos soldados negros como a do nigeriano Marshall Kebby era muito diferente da propaganda.

Como um soldado colonial eu tive um tratamento muito ruim. Na época não tínhamos nenhum oficial nigeriano, todos eram ingleses. E muitos de nós nos revoltamos contra a injustiça, no que posso chamar de inumanidade do homem para com o homem”.

“Inferno”

Mas uma vez que a luta começasse, havia pouco tempo para protestar. Para homens como o Sr. Culverwell, servindo na Somália, ser bombardeado pelos italianos foi uma experiência aterrorizante.

Ah, aquilo foi o inferno. Todos tínhamos trincheiras. Nunca senti tanto medo na minha vida. Eles jogaram as bombas a 100 metros de mim. Não ousávamos nem mesmo olhar pra cima, sabe”.

O Sr. Smythe tomou parte nos bombardeios em território inimigo. Mas na noite de 18 de novembro de 1943 seu avião foi derrubado sobre a cidade alemã de Mannheim. Ele passou 18 meses como prisioneiro em um campo, onde os alemães tentaram conseguir informações dele.

Você deve usar instrumentos especiais para navegar até aqui”, disse o interrogador alemão. “Ele me disse: ‘Sabe, estão pensando se te executam amanhã ou não. Porque você, um negro, não devia se envolver numa guerra de brancos’”.

Encontrando Gandhi

No outro lado do mundo, o Sr. Kebby estava encontrando indianos. Entre eles estava o líder do movimento pela Índia independente, Mahatma Gandhi, que estava falando a uma multidão de um milhão de pessoas em Madras. O Sr. Kebby prosseguiu seu caminho para o front.

Foi uma das maiores coisas que fiz como soldado. Cumprimentei Gandhi com uma saudação militar e o perguntei: ‘O que fará pela África agora que a Índia será livre?’”

Ele disse: ‘a Índia não fará nada por você. Mas a Índia irá dar apoio moral com a condição de que confronte os ingleses de forma não-violenta’”.

Em 1945 a guerra havia terminado, e as tropas africanas haviam ajudado os Aliados a derrotar os poderes da Alemanha, Itália e Japão. O Sr. Culverwell se lembra de falar com outros soldados negros que conheceu sobre o que aconteceria com eles agora. “Costumávamos ter longas conversas sobre o problema da cor e estávamos determinados a não ser mais tratados daquela maneira”.

Guerreiros da liberdade

Mas para a maioria dos africanos, a independência ainda estava a 15 anos no futuro. Nesse meio tempo, os veteranos tiveram que voltar para casa e arrumar um emprego. Muitos encontraram pouca gratidão por seus anos de serviço e não acharam trabalho.

Em fevereiro de 1948 os veteranos de Gana, entre eles Kalimu Glover, fizeram uma petição ao governador. Mas ao invés de recebê-los, a polícia abriu fogo. Isso disparou uma onda de ódio nas ruas de Accra.

Após o tiroteio, resolvemos destruir todas as coisas britânicas na cidade. Pegamos pedras e paus para destruir as lojas. Quebramos todas elas. Aqueles foram dias maravilhosos: fevereiro de 1948, sábado e domingo”.

O Sr. Kebby está convencido de que ele e outros ajudaram a encerrar o domínio colonial. “Todo soldado que foi para a Índia voltou com novas idéias e aprendeu novas coisas. Nós voltamos com melhores idéias sobre a vida. Nós, ex-soldados, demos a este país a liberdade da qual desfruta hoje. Conseguimos esta liberdade e a demos ao nosso país”.


Fonte: BBC News, 9 de novembro de 2009.

Veja também:
>>Liberação de Paris foi feita uma "vitória branca"
>>O Exército Indiano secreto de Hitler
>>Museu celebra os “esquecidos poucos” entre os Poucos
>>Tul Bahadur Pun
>>A Conquista da Somalilândia Britânica - Parte 1, Parte 2, Parte 3

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Luftwaffe convidada para celebração da Batalha da Inglaterra

Luftwaffe convidada para celebração da Batalha da Inglaterra


O rugido dos Messerschmitts da Luftwaffe será ouvido nos céus da Grã-Bretanha mais uma vez.

A Força Aérea Alemã foi convidada para celebrar o 70º aniversário da Batalha da Inglaterra com um show no evento Royal Internacional Air Tatoo no mês de julho de 2010. Juntando-se a eles, estarão aeronaves históricas da Força Aérea Italiana, que voou junto aos alemães na batalha, designada por Winston Churchill como a “finest hour” da Grã-Bretanha – após a RAF, em desvantagem numérica, bater o inimigo dos céus.

Os organizadores disseram que um “segmento” será incorporado ao evento para comemorar a Batalha da Inglaterra, lutada entre 10 de julho e 31 de outubro de 1940. Planos sendo considerados incluem passagens baixas e até mesmo um dogfight simulado envolvendo Messerschmitts, Spitfires e Hurricanes.

A Força Aérea Italiana, que voou ao lado da Luftwaffe, também foi convidada para o evento.

O diretor da Air Tatoo, Tim Prince, disse que é importante reconhecer a bravura e honra dos que caíram em ambos os lados do conflito. Ele disse: “A Air Tatoo é reconhecida por todo o mundo por ser um lugar onde nações se juntam num espírito de amizade para dividir sua paixão pela aviação. Os militares alemães têm sido grandes apoiadores do evento por muitos anos, e estamos confiantes que tomarão parte neste importante aniversário”.

Messerschmitts alemães tomarão parte com Spitfires e Hurricanes num show dedicado à Batalha da Inglaterra, dentro do Air Tatoo. Notícias do convite das forças aéreas que uma vez foram inimigas juradas da Inglaterra foram bem recebidas pelos veteranos e associações militares atuais.

O ex-oficial da RAF Pat Beard, de Tewkesbury, Gloucertershire, disse que tempo suficiente já passou e velhas hostilidades devem ser esquecidas; o evento histórico deve ser celebrado por todos os envolvidos. “É uma guerra que acabou há muito tempo, e agora estamos todos de mãos dadas para trabalhar juntos. Todos que lutaram na guerra eram aviadores, independente de que lado estavam e havia um sentimento de camaradagem entre todos eles”.

Um porta-voz do Setor de Cheltenham da Real Legião Britânica disse: “Não vemos nada de errado em ter os alemães e italianos vindo à Air Tatoo para tomar parte nas comemorações. Somos todos amigos agora, não é? Não tem como isso ser um problema para alguém; eu vou dar as boas-vindas à Luftwaffe aqui. Lutamos ao seu lado em muitas guerras desde 1940 e eles merecem o reconhecimento”.

Robert Lee, porta-voz nacional da Real Legião Britânica, disse: “As ordens mudaram muito nos últimos 70 anos. Enquanto a Real Legião Britânica continua a lembrar e honrar os sacrifícios da Segunda Guerra Mundial, estamos muito mais preocupados agora em cuidar daqueles envolvidos no Afeganistão, onde a força internacional está empregada no momento”.

O fato é que hoje os alemães e italianos são nossos aliados no Afeganistão. Estamos no meio de uma campanha aqui e nossa missão é dar suporte aos feridos em ação no conflito afegão”.

A Batalha da Inglaterra foi um momento pivotal para o resultado da Segunda Guerra Mundial. O confronto aéreo no sul da Inglaterra durante o verão de 1940 foi o prelúdio da proposta Operação Leão Marinho – a invasão da Grã-Bretanha. Mas a Luftwaffe falhou em estabelecer a superioridade aérea sobre a enfraquecida Real Força Aérea, e os planos de invasão foram eventualmente engavetados.

Durando menos de quatro meses, a Batalha da Inglaterra foi a primeira grande campanha a ser lutada exclusivamente por forças aéreas.

O Royal Internacional Air Tatoo é o maior show aéreo do mundo, com 170.000 espectadores e mais de 300 aeronaves participando a cada ano. Começou a ser realizada em 1971.

Fonte: The Daily Mail, 29 de outubro de 2009.

Veja também:
>>Vídeo: Batalha da Inglaterra
>>Acidente com o Me 109 "Black 2"
>>Giuseppe Ruzzin
>>Nota de Falecimento: Ken Mackenzie
>>O Fiat CR.42 de Salvadori

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Nazistas marchando por Londres

Nazistas marchando por Londres


Tropas de Hitler foram capturadas em câmera marchando pelas ruas do centro de Londres, numa sombria lembrança de como poderia ter terminado a Segunda Guerra Mundial.

A chocante fotografia mostra apoiadores do nazismo saudando uma procissão pelo coração de Londres, enquanto tropas de Hitler carregam um caixão coberto com a bandeira da suástica.

Tirada em 1936, a foto mostra a procissão do funeral do embaixador alemão Leopold von Hoesch, que percorreu o Whitehall, à sombra do Palácio de Buckingham, antes de ser transferida para uma carruagem e transportada pelo Mall.

A foto em preto-e-branco, que remete ao maior pesadelo da Grã-Bretanha, foi feita três anos antes do começo da Segunda Guerra Mundial, quando os governos do mundo ainda tentavam evitar a confrontação com a Alemanha.

O embaixador não era um nazista, e regularmente discordava de Adolf Hitler. Ele era muito querido pelo governo britânico, e era um amigo pessoal do Secretário de Relações Exteriores Anthony Eden.

Após a morte de von Hoesch, o posto de embaixador em Londres foi para o notório Joachim von Ribbentrop, que foi enforcado por crimes de guerra em 1946. O prédio na foto era a embaixada alemã, que agora é a sede da Royal Society.

O Secretário Executivo Stephen Cox disse: “Deve ter sido chocante ver guardas granadeiros e soldados nazistas marchando pelo Mall. Eles facilmente poderiam ter se enfrentado no campo de batalha alguns anos depois”.

A imagem da procissão foi descoberta por um taxista e historiador de Londres, Harry Harris, como parte de um documentário do Discovery Channel sobre Londres durante a guerra.

Fonte: The Telegraph, 4 de novembro de 2009.

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Veterano japonês reconta os horrores na China

Veterano japonês reconta os horrores na China

por Natsuko Fukue

A agenda de Ichiro Koyama está cheia de palestras, conversas e entrevistas. O antigo soldado do Exército Imperial Japonês, de 88 anos, que estava postado em Jinan, na província chinesa de Shandong, acredita que tem o dever de passar suas experiências de guerra para os jovens.

Estou velho agora. Esta pode ser minha última chance de contar o que realmente aconteceu”, disse Koyama numa recente entrevista, acrescentando que a guerra transformava num monstro aqueles que não hesitavam em matar.

Koyama trabalhava em uma metalúrgica quando foi convocado aos 20 anos de idade, e cinco dias depois enviado para Qingtao, na China. Ele foi depois para Jinan, onde foi informado por um Major-General de que estava em território inimigo.

Ele nos deu 5 balas, dizendo que 4 eram para o inimigo e uma para nos matarmos. Eu era um assalariado uma semana antes, e a primeira coisa que aprendi no campo de batalha foi como cometer suicídio”. Uma das mais terríveis experiências de Koyama foi ser ensinado a torturar prisioneiros civis chineses.

Um dia, Koyama viu sete ou oito homens chineses de uma vila em Zaozhuang, na Província de Shandong, vendados e amarrados a árvores. Eles estavam sendo punidos por não revelarem a localização do Exército Comunista Chinês. Veteranos ordenaram os recrutas novatos a executar os prisioneiros por falta de cooperação.

Eu estava com medo de matar um homem no começo”, disse Koyama. “Me senti muito mais culpado matando alguém com uma baioneta do que com uma pistola a 100 metros de distância”.

Com seus camaradas, ele tentou perfurar o coração do homem, mas não conseguiu porque a vítima se contorcia para evitar ser atingida. Koyama eventualmente perfurou o homem no estômago e nos ombros. Após matar pela primeira vez, disse que não conseguiu comer. Mas, tempo depois, ele também começou a treinar novos recrutas a executar seus prisioneiros, justificando suas ações argumentando que ele não tinha escolha, pois era guerra. “Era o inferno”, disse. “Ainda não consigo esquecer o sangue deles espirrando”.

Koyama disse que os novos recrutas, neste processo, também se acostumaram à matança. No entanto, um camarada, que era professor de dança clássica japonesa, cometeu suicídio por não agüentar a pressão. O professor perdeu o treinamento uma noite, dizendo estar doente. Koyama disse-o que descansasse, e saiu. Quando voltou, encontrou o homem morto.

O comandante decidiu reportar seu suicídio como morte em combate, porque o suicídio durante o treinamento era desonroso. “Ele era um homem bom. Não podia se tornar um monstro”, disse Koyama, que estava prioritariamente envolvido em patrulhar cidades que o Exército Imperial conquistara. Mas em 1944 sua unidade foi pega numa luta com o Exército Chinês numa vila da Província de Shandong.

Foi um ataque-surpresa noturno em terreno aberto que não oferecia lugar para esconder-se. De acordo com suas lembranças, sete ou oito companheiros morreram e mais de 10 ficaram feridos. Koyama se lembra que levou muitas horas para cremar os camaradas mortos, e que achou terrível imaginar-se virando cinzas também.

Em 15 de agosto de 1945 ele recebeu a notícia da rendição do Exército Imperial enquanto estava em Hamhung, na atual Coréia do Norte, preparando-se para lutar contra os soviéticos. Koyama disse ter-se sentido aliviado por não mais ter que enfrentar a morte no campo de batalha.

No entanto, ele e seus camaradas foram capturados pelos soviéticos alguns dias depois e mantidos em campos de prisioneiros na URSS e China por 10 anos. Por cinco anos ele foi mantido na União Soviética, trabalhando em minas de carvão. Ele estava sempre faminto e comia tudo o que encontrava, incluindo folhas de Dente-de-Leão. Outros estavam tão famintos que confundiam tijolos caídos no chão com pedaços de pão. “Tudo que fiz foi contar os dias para voltar ao Japão”, confessou.

Em 1950, ele foi transferido para Fushun, na Província de Liaoning, na China. Embora tenha ficado preso lá por cinco anos como criminoso de guerra, ele disse estar grato pelo bom tratamento que recebeu. Os chineses o davam três refeições por dia, muito diferente do que faziam os soviéticos. “Eu costumava ter preconceitos contra os chineses... mas fui bem tratado na China. Minha opinião mudou”.

Enquanto ficou preso na China, Koyama disse que gradualmente conscientizou-se da tragédia e sofrimento que a guerra causou, e arrependeu-se do que fez aos chineses. Quando foi posto num julgamento militar em Shenyang, ele viu-se tremendo, mesmo sentindo-se pronto para aceitar qualquer punição por seus atos. Após saber que seria libertado, ele chorou e ajoelhou-se perante o juiz.

Não devemos recorrer à guerra para resolver nossos problemas”, disse Koyama, que é muito versado em notícias mundiais e política doméstica. Desde que Barack Obama foi empossado presidente dos EUA, ele diz esperar que o mundo se torne mais pacífico.

Devemos procurar a paz verdadeira, e isso significa dar valor à vida de todas as pessoas”, concluiu.

Fonte: The Japan Times, 9 de abril de 2009.

Entrevista com o Sr. Koyama:

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Membro da Juventude Hitlerista divide lições aprendidas

Membro da Juventude Hitlerista divide lições aprendidas


George Michelson se lembra de sua primeira lição real de democracia. Foi nos anos 1950, e seu comandante no Exército dos EUA estava dizendo às tropas que as crianças alemãs foram forçadas a orar por Hitler como parte de seu doutrinamento.

Mas Michelson, 76, sabia que isso não era verdade, porque apenas uma década antes ele fora parte do movimento nazista – membro da Juventude Hitlerista aos 10 anos de idade.

Michelson desafiou o Capitão sobre a informação. O Capitão mais tarde pediu desculpas em frente de toda a unidade e agradeceu Michelson, que era um soldado, por ter falado.

Michelson disse que percebeu que mudar de visão seria impossível sob o domínio de Hitler: “Eu aprendi a ver a diferença entre a América e a Alemanha Nazista. Eu não abracei a democracia mais cedo porque não sabia o que significava”.

Recentemente, Michelson palestrou para os 95º e 97º Batalhões de Relações Públicas. Ele usou sua vida como exemplo para ensinar a lidar com pessoas não-doutrinadas após uma mudança de regime. Ele disse que a única maneira de mudar uma nação é destruir a raiz do problema e substituí-la por algo melhor.

A sua primeira lembrança da Segunda Guerra Mundial é aos 7 anos em 1940, quando ele escutou de sua mãe que a França havia se rendido para a Alemanha. Para o jovem garoto vivendo na Alemanha, aquilo eram boas notícias, porque significava que seu pai poderia voltar para casa logo após a batalha.

Quando Michelson fez 10 anos, ele e seus amigos foram inscritos na Juventude Hitlerista. Ele se lembra das marchas, acampamentos e prática de esportes. O modo de vida nazista era tudo que ele conhecia, e ele o apoiava.

Eu tinha 10 ou 11 anos, o que esperavam de mim?”, ele perguntou.

A chave para a mudança em sua mente foi a remoção da liderança nazista e a apresentação de um modo de vida melhor. “Não é o suficiente dizer que você tem que ser um democrata. Você tem que ser influenciado e ensinado a sê-lo”.

Seu sobrinho, Tenente-Coronel Brian Michelson, comanda a unidade que recebeu a palestra. Seus soldados trabalham com líderes no Afeganistão para ajudá-los na luta pela influência e legitimidade.

Ele disse que a maior batalha no Afeganistão é pelos corações e mentes dos jovens. “Só podemos vencer uma ideia com uma ideia melhor. Você não pode socá-la garganta abaixo. Tem que mostrá-los como o correto funciona”.

Fonte: The Fayetteville Observer, 31 de outubro de 2009.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tanques no coração de Moscou

Tanques no coração de Moscou


7 de novembro marca o 68º aniversário da singular parada militar em Moscou em 1941, quando, após marchar pela Praça Vermelha, os soldados soviéticos partiram diretamente para a linha de frente.

Este ano, uma marcha em celebração foi realizada na capital russa para comemorar o esforço do país na Segunda Guerra Mundial.

Pelo menos 45 participantes da parada de 1941 compareceram como convidados de honra.

A marcha envolveu unidades atuais do distrito militar de Moscou – vestindo uniformes militares soviéticos e outros uniformes históricos – como também 4.000 membros de diversas organizações de juventude.

Também, dois famosos tanques T-34 da Segunda Guerra tomaram parte na parada deste ano. O T-34, produzido entre 1940 e 1958, foi a pedra fundamental das divisões blindadas Exército Vermelho por toda a guerra. Foi muitas vezes creditado como o mais eficiente, efetivo e influente tanque da guerra.

A parada de 7 de novembro de 1941, que por sua vez comemorava a Revolução Bolchevista de 1917, foi realizada pela primeira vez após a Rússia entrar em guerra, e objetivava elevar o moral enquanto as forças alemãs se aproximavam de Moscou.

Enquanto isso, os comunistas na Rússia prepararam diversas marchas e comícios no centro de Moscou e por todo o país, para celebrar o 92º aniversário da Revolução Bolchevista, que é mais comumente referida na Rússia como “Grande Revolução Socialista de Outubro”.

Embora o 7 de novembro não seja mais celebrado como feriado nacional desde que o ex-presidente Vladimir Putin aboliu-o anos atrás, pesquisas de opinião dizem que muitos russos ainda marcam a data como aniversário da revolução.

Fonte: Russia Today, 7 de novembro de 2009.

Assista a matéria:

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>>Nota de Falecimento: Valentin Varennikov
>>Decisiva Batalha de Khalkhin-Gol é relembrada
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Günter Halm

Günter Halm
Leutnant
(1922 - )

Günter Halm nasceu em 27 de agosto de 1922 em Elze, Baixa Saxônia, sendo filho de um secretário-chefe da ferrovia nacional. No início da guerra em 1939, Halm estava no meio de um curso técnico de operação de maquinário, que ele concluiu por volta da Páscoa de 1941. Durante seu período na Juventude Hitlerista, ele desenvolveu seu interesse por veículos motorizados e, em outubro de 1941, voluntariou-se para serviço numa unidade motorizada do Exército Alemão. Após completar seu treinamento no fim de abril de 1942, aos 19 anos de idade, iniciou o serviço ativo como municiador no pelotão antitanque da Companhia de QG do 104º Regimento Panzergrenadier – que então era parte da 21ª Divisão Panzer, no Deutsche Afrika Korps.

Chegando ao deserto da Líbia, Halm viu ação na captura de Tobruk e, em 15 de julho, recebeu a Cruz de Ferro de 2ª Classe após destruir dois tanques ingleses em Bir Hacheim. Em julho de 1942 as forças ítalo-germânicas no Norte da África atingiram o pico de seu avanço em direção ao Canal de Suez, sendo paradas na linha de defesa britânica criada ao sul de El Alamein, no Egito, pelo General Claude Auchinleck na chamada “Primeira Batalha de Alamein”.

Na noite de 21 para 22 de julho, Auchinleck enviou seu 13º Corpo na Operação Splendour contra as posições alemãs na colina de Ruweisat, onde elementos da 21ª Panzer sofreram o impacto direto do ataque. O pelotão antitanque era composto de duas armas antitanques de 76,2 mm, capturadas dos russos e designadas PaK 36(r). Comandada pelo Leutnant Skubovius, a pequena unidade estava em posição defensiva cobrindo um wadi (leito seco de rio) de 300 metros de comprimento. Esta posição ficava a alguns quilômetros do quartel-general tático do regimento. A arma nº 1 era comandada pelo Unteroffizier Jabeck, e o Gefreiter Halm era seu municiador.

Após um prolongado bombardeio pela artilharia britânica na manhã do dia 22, a poeira e a fumaça cegaram as equipes antitanque e elas não viram a aproximação da 23ª Brigada Blindada britânica (recém-chegada da Inglaterra), e somente localizaram os tanques Valentine do 40º Real Regimento de Tanques quando eles estavam a pouco mais de 100 metros de distância. Halm e seus colegas reagiram às ordens de seu comandante instantaneamente, e um furioso duelo iniciou-se.

Munindo a arma com frenética precisão e sob fogo contínuo, a equipe de Halm destruiu nove tanques inimigos e danificou outros seis, em apenas alguns minutos. Diversos projéteis atingiram a posição do canhão, danificando o escudo e ferindo os homens – em especial o municiador. Um projétil passou por entre as pernas de Günter Halm, sem tocá-lo. Ele continuou a operar o canhão, mesmo após dois de seus colegas serem feridos e incapacitados. Os Valentines foram forçados a recuar, mas continuaram a abrir fogo, e uma granada eventualmente destruiu a mira da arma de Halm. Foi então que Stukas da Luftwaffe e Panzers IV da 21ª Divisão Panzer chegaram em apoio, efetivamente aniquilando o restante da 23ª Brigada, que perdeu 93 dos seus 104 tanques.

No dia seguinte, Halm recebeu a Cruz de Ferro de 1ª Classe do seu comandante regimental, Oberst Ewert. No entanto, Ewert ficou tão impressionado com a performance sob fogo do jovem soldado que, em 29 de julho de 1942, recomendou Günter Halm para receber a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro. No dia 7 de agosto, a condecoração foi-lhe presenteada pessoalmente pelo Generalfeldmarschall Erwin Rommel, na presença do Maresciallo d’Italia Ugo Cavallero, General der Panzertruppe Walter Nehring e do comandante do DAK, General der Panzertruppe Wilhelm Ritter von Thoma. Halm lembra-se que uma mosca incomodou-o bastante durante a cerimônia, e que Rommel disse-lhe: “Aquele que homem foi, homem sempre será, por toda a vida. Volte para casa em segurança”.

Promovido a Unteroffizier, Halm continuou a servir no Norte da África até ser evacuado após contrair uma séria doença em março de 1943. Hospitalizado em Atenas, ele recuperou-se em agosto e, em dezembro, foi selecionado para a escola de oficiais em Berlim. Ao graduar-se em março de 1944, foi comissionado Leutnant, voltando a servir na 21ª Panzer quando a divisão estava envolvida nos encarniçados combates na Normandia, no esteio dos desembarques Aliados em junho de 1944.

No dia 24 de agosto de 1944, Halm foi capturado por tropas americanas no Bolsão de Falaise. Enviado para os Estados Unidos, conheceu no navio um inglês que tinha um pé amputado. Após algum tempo de conversa, e para sua completa surpresa, Halm descobriu que o inglês perdera o pé na mesma ação em que ele ganhou sua Cruz do Cavaleiro!

Após quase dois anos de cativeiro, Halm foi liberado da prisão em março de 1946, retornando para a Alemanha. Nos anos seguintes, formou-se em engenharia mecânica, e viveu em Brunswick, onde casou-se e teve quatro filhas. Ele teve uma bem-sucedida carreira no negócio de mineração de carvão, que dirigiu até 1989. Esteve por 20 anos no câmara executiva do Volksbank, e também foi eleito para o Conselho Municipal. Entre 1994 e 2004, trabalhou para a Comissão Alemã de Túmulos de Guerra. Em 1995 foi condecorado com a Cruz Federal do Mérito por seus serviços ao país.

Tive a honra de conhecer Günter Halm no encontro da OdR este ano.

Veja também:
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>>Johannes Kümmel
>>Vídeo: Afrika Korps em cores
>>Adalbert Schulz
>>Erich Bärenfänger

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Herói de guerra foi destratado por De Gaulle

Herói de guerra foi destratado por De Gaulle

Saltando de paraquedas atrás das linhas inimigas numa missão para treinar partisans franceses, ele foi um herói da Segunda Guerra Mundial.

O Capitão Peter Lake treinou dezenas de Maquis – partisans da zona rural – em sabotagem e guerrilha, sendo condecorado por franceses e ingleses.

Então, quando Lake finalmente foi conhecer o General Charles De Gaulle – líder dos Franceses Livres – ele poderia esperar pelo menos uma calorosa receptiva. O que ele conseguiu uma distinta decepção.

De Gaulle – cujo país tinha somente acabado de ser liberado por pessoas como Lake – questionou o porquê do oficial inglês estar na França e, em termos bastante diretos, disse que “fosse para casa”.

Detalhes desta desfeita bastante gálica foram recentemente revelados em documentos do Arquivo Nacional em Kew, no sudoeste de Londres. Uma descrição do encontro em setembro de 1944, apenas três semanas após a liberação da França, foi escrita por Lake apenas alguns dias depois. Ele descreveu a inquietude dos oficiais franceses, ansiosos por prestar seus respeitos ao General, recém-apontado presidente do governo provisório.

O Sr. Lake e outro oficial inglês decidiram juntar-se aos franceses que visitavam a cidade de Saintes, no sudoeste da França, “com o mesmo objetivo”. Ele observou que seria perfeitamente natural para oficiais Aliados serem apresentados ao General visitando o local.

Mas ao contrário, De Gaulle – agora notório por ser uma pessoa teimosa que em inúmeras vezes entrou em choque com Winston Churchill – desapareceu por trás de portas fechadas com os oficiais franceses para discutir assuntos militares do setor. Lake notou, com apenas um toque de ironia, que “esta não era uma situação que desconhecíamos por completo”.

Cerca de uma hora depois, o General voltou e foi apresentado a Lake, que era conhecido pelo nome de guerra “Jean-Pierre Lenormand” e falava francês fluentemente. Sua breve conversa não começou no mais promissor dos tons, quando De Gaulle disse: “Jean-Pierre, este é um nome francês”.

Ele estava, claro, dizendo o óbvio, já que Lake tinha-o adotado como nome de guerra. Em seguida o General disse: “O que você está fazendo aqui?”, no que Lake respondeu com compostura, que estava numa missão inter-Aliada em Dordogne.

De Gaulle continuou, com ênfase no “o que”: “mas ‘o que’ você está fazendo aqui?

Lake respondeu: “estou treinando certas tropas para operações especiais”. As notas de Lake descrevem respondendo: “nossas tropas não precisam de treinamento. Você não tem o que fazer aqui”.

Eu obedeço ordens superiores”, disse Lake.

Após repetir que o oficial “não tinha o que fazer ali”, ele fechou a conversa dizendo: “Não precisamos de você aqui. Só resta a você partir... Você deve ir para casa. Vá, vá logo. Au revoir”.

O sempre educado Lake terminou com um sucinto: “Oui, mon General”.

Escrevendo seu relatório do encontro, o oficial inglês disse: “todo o diálogo se passou muito rapidamente e num de voz que não havia erro. Eu estava tão surpreso que devo confessar que não fui capaz de responder inteligentemente, e acredito que a maioria dos presentes teve a mesma reação”.

O Sr. Lake retornou à Inglaterra no mês seguinte, mas o incidente não afetou sua reputação entre seus oficiais superiores. Um relatório oficial o aponta como “modesto, responsável, mas possui autoridade considerável”, e nota: “seu encontro com De Gaulle mostrou que ele é um bom diplomata, sensato e inteligente”. Ele ganhou muitas medalhas, incluindo a Croix de Guerre francesa.

Lake saltou sobre a França em Dordogne em abril de 1944, para dirigir a guerrilha contra os alemães nos dias anteriores ao Dia-D. Ele imediatamente começou a treinar membros dos Maquis, que inicialmente era composto de veteranos da Guerra Civil Espanhola.

Em relatórios ele lembra-se como, nas primeiras surtidas em solo, os combatentes franceses se “armavam como piratas, comportavam-se como piratas e esperavam que eu fizesse o mesmo”.

Ele organizou uma “escola noturna” para os partisans, ensinando sabotagem e guerrilha, enquanto aproximava-se a invasão. Após os desembarques, a situação tornou-se “muito precária”, já que os alemães ampliaram os ataques à Resistência.

Mas no meio de junho ele executou uma audaciosa operação para destruir o eixo ferroviário principal entre Perigueux e Coutras, explodindo 500 metros de trilhos em 12 pontos. Após a guerra, Lake teve uma bem-sucedida carreira com o serviço consular.

Ele ficou profundamente desapontado com o tratamento recebido de De Gaulle.

Mas alguns anos depois, quando era cônsul no Brasil, os dois se encontraram numa recepção. Desta vez, De Gaulle cumprimentou Lake de maneira extremamente educada, e a desfeita inicial foi perdoada.

O herói faleceu em junho deste ano, aos 94 anos.

Fonte: The Daily Mail, 28 de outubro de 2009.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Museu recebe chocante proposta de parente de nazista

Museu recebe chocante proposta de parente de nazista


O escritório do Yad Vashem, a agência israelense que cuida da memória dos seis milhões de judeus mortos pelos nazistas e seus aliados, recebeu uma extraordinária e mesmo indecorosa proposta recentemente. O neto de Rudolf Höss, o notório comandante do campo de extermínio de Auschwitz, ofereceu alguns dos itens pessoais do avô ao museu.

A carta ao museu, que foi enviada muitos meses atrás e intitulada “Objetos raros, Auschwitz, Comandante Höss”, era curta e sucinta, dizendo: “Estes são diversos objetos do patrimônio de Rudolf Höss, comandante de Auschwitz: uma grande caixa à prova de fogo com a insígnia oficial – presente de Heinrich Himmler, comandante da SS, pesando 50 quilos, um abridor de correspondência e envelopes, fotos de Auschwitz nunca antes vistas pelo público, cartas de seu período na prisão em Cracóvia. Gostaria muito de uma rápida resposta. Atenciosamente, Reiner Höss”.

A direção do Yad Vashem respondeu com choque à proposta e rejeitou-a no ato. O museu expressou seu desgosto pelo desejo do parente do criminoso de lucrar com artefatos do Holocausto.

Um diretor do Yad Vashem disse: “Agora devemos perguntar: você mata e lucra da mesma forma?” (referência ao Livro dos Reis 21:19).

No entanto, o museu disse ao neto de Rudolf Höss, Reiner, que ele poderia doar os itens originais à instituição.

Numa recente entrevista, Reiner Höss, 44, disse que a ideia de vender os itens para o Yad Vashem surgiu de uma conversa que ele teve com um amigo, o neto de Baldur von Schirach – antigo líder do movimento da juventude nazista, a Juventude Hitlerista.

Estes itens estão em posse da família”, disse Höss por telefone. “Sabíamos deles, e pessoas fora da família os conheciam há muito tempo. Muitas organizações quiseram comprá-los de nós, incluindo conhecidos veículos de mídia como o Der Spiegel e a editora Axel Springer. No calor da recomendação do Sr. von Schirach, eu achei que seria apropriado vender os itens para o Yad Vashem. Não quero que estes itens caiam nas mãos erradas”.

Foi perguntado ao Sr. Höss: “O Senhor estaria disposto a doar os itens ao Yad Vashem?

Ele respondeu: “Esta é uma boa pergunta. Não posso tomar a decisão sozinho. Minha tendência é concordar com a doação, mas terei de consultar o restante da família. Queremos que estes itens num museu que lida com história”.

Fonte: The Bulletin, 25 de outubro de 2009.

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>>Polêmica sobre o caso dos "gêmeos" de Mengele
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Nota de Falecimento: Lu Zhengcao

Lu Zhengcao
(04/01/1905 - 13/10/2009)

Faleceu no último dia 13 de outubro em Pequim, China, de causas naturais aos 104 anos de idade, o último dos generais revolucionários chineses, General Lu Zhengcao.

Nascido em Haicheng, na Manchúria, em plena Guerra Russo-Japonesa, Zhengcao teve sua casa incendiada pelos japoneses, que disputavam com os russos o controle da região. Esse fato o fez crescer com um profundo ódio do Japão, e quando este ocupou a Manchúria em 1931, Zhengcao, horrorizado, resolveu tornar-se um soldado. Ele juntou-se à Brigada de Guardas do Exército do Nordeste de Zhang Xueling, o "Jovem Marechal". Xueling tomou Zhengcao como seu assistente, ao notar suas boas maneiras e boa caligrafia; enviou-o então para a Academia Militar. Ao graduar-se em 1936, Zhengcao cuidava de assuntos administrativos do setor de Xueling, quando este prendeu o Generalíssimo Chiang Kai-Shek em 3 de dezembro, para forçá-lo a interromper a guerra civil contra os comunistas - e concentrar esforços contra os japoneses.

Em 1937, Zhengcao secretamente juntou-se ao Partido Comunista, embora na prática fosse comandante de um regimento de infantaria do Exército Nacionalista. Quando a Guerra Sino-Japonesa irrompeu naquele ano, Zhengcao mostrou suas habilidades no campo de batalha, ao prover cobertura para o recuo das tropas chinesas na província de Hebei. Certa vez, um dos seus batalhões estava cercado perto de Shijiazhuang, e Zhengcao recebeu ordens de recuar e abandonar os homens no cerco. Ao invés disso, ele montou uma operação de resgate que conseguiu romper as linhas japonesas com apenas algumas centenas de soldados, salvando o batalhão mas sofrendo muitas baixas. Indo para o norte, Zhengcao montou uma imensa guerrilha que combateu os japoneses até o fim da guerra, organizando camponeses para cavar trincheiras e explodir ferrovias, pontes e linhas de comunicação. Ele também montou uma unidade de homens-rãs, cujos membros respiravam por bambus para permanecer submersos. Sua guerrilha chegou a ter mais de 100.000 membros em seu ápice.

Após a guerra ele foi nomeado chefe das Ferrovias do Nordeste, e com a vitória da Revolução Comunista em 1949 passou a ser um dos maiores conselheiros militares do novo regime. Em 1955, Mao Tsé-Tung reabilitou a patente de general, e Lu Zhengcao tornou-se um dos primeiros 57 generais da República Popular da China. Ele foi feito também Ministro das Ferrovias.

Contudo, a Revolução Cultural acusou-o de simpatias anti-revolucionárias, e Zhengcao passou sete anos num gulag antes que Mao interferisse a seu favor. Em 1982 ele foi feito presidente da Associação Chinesa de Tênis, e continuou um jogador enérgico até seus 90 anos. O General Zhengcao disse: "O que importa não é o quanto você vive, mas quantos feitos consegue realizar. Eu não fiz muita coisa na minha vida, exceto três coisas: combater os japoneses, construir ferrovias e jogar tênis".

Seu funeral foi presenciado pelo presidente Hu Jintao e pelo ex-presidente Jiang Zemin. Lu Zhengcao deixa um filho e duas filhas.

Zhengcao no front durante a Segunda Guerra Mundial.

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>>Nota de Falecimento: "Tex" Hill
>>Yohei Hinoki
>>Jim Pattillo: Os problemas operacionais do B-29 no CBI

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Falece chefe que desarmou bombas em ônibus

Falece chefe que desarmou bombas em ônibus

O homem que fez sua reputação como o chefe que desarmou bombas em ônibus durante as revoltas na Irlanda do Norte faleceu.

Werner Heubeck, antigo diretor da Ulsterbus e Citybus, faleceu aos 86 anos num hospital das Ilhas Shetland, no último dia 19 de outubro.

Seus anos na Luftwaffe ajudaram a formar o homem que estava determinado a manter o serviço de ônibus funcionando, durante os dias mais negros da Irlanda do Norte.

Ele chefiou o serviço público de ônibus de 1965 até aposentar-se em 1988. Durante as revoltas ele tornou-se famoso por desativar bombas plantadas em ônibus seqüestrados em Belfast.

O Sr. Heubeck nasceu em Nuremberg em 1923, filho de um engenheiro, e foi convocado para a Luftwaffe em 1942, aos 19 anos.

Ele serviu com a Divisão Hermann Goering no oeste da França, depois na Itália, antes de ser despachado para o Afrika Korps de Rommel, durante os últimos estágios da campanha norte-africana.

Um ataque aéreo aos navios de transporte do Eixo lançou o jovem ao mar, a 7 quilômetros da costa africana, mas ele não só nadou até a costa do Cabo Bon, como também ajudou a resgatar alguns dos seus camaradas; somente 60 dos 550 a bordo sobreviveram.

Capturado logo depois, ele foi levado para os Estados Unidos no último comboio de prisioneiros de guerra na África, em setembro de 1943, para passar o resto do conflito num campo de trabalho na Louisiana.

Transporte

Repatriado em 1946, o Sr. Heubeck ajudou sua família a reconstruir sua casa em Nuremberg, e trabalhou para sustentar nove pessoas, incluindo um casal de idosos que estava morando com eles.

Após um período trabalhando para o Exército Americano, ele conseguiu um trabalho como tradutor e leitor de provas nos julgamentos de crimes de guerra em Nuremberg.

Lá ele encontrou Monica, sua futura esposa. Ela era de Gales e trabalhava como intérprete. Ela havia estudado alemão antes da guerra, e esteve envolvida com atividades de inteligência, baseada em Bletchley Park.

Em 1949, apesar das dificuldades burocráticas que enfrentavam os cidadãos alemães para entrar na Grã-Bretanha, eles foram para lá para casar-se e viver. O Sr. Heubeck preencheu os papéis de cidadania britânica cinco anos depois.

Em 1957, ele passou para a indústria de papel, trabalhando para a Alex Pirie & Sons em Stoneywood, perto de Aberdeen.

Ele lembrou-se que viu, quase por acidente, o anúncio de vaga para diretor de ônibus na Irlanda do Norte, e preparou-se para a bem-sucedida entrevista passando um dia com o diretor de ônibus de Aberdeen e passando um fim de semana na Irlanda do Norte.

Desde que começou seu trabalho, em 1965, ele mudou a sorte econômica do serviço de ônibus da Irlanda do Norte. As revoltas nos anos 1970 e 1980 foram o maior desafio do Sr. Heubeck.

Ele inspecionava sua equipe para manter os ônibus funcionando por todo o período de dificuldades, quando os veículos eram frequentemente incendiados nas ruas.

Ele era conhecido do público por seus feitos em desarmar bombas nos ônibus, mas também dava apoio à equipe e suas famílias. Em reconhecimento aos seus feitos, ele recebeu a OBE em 1977, e a CBE em 1988, ano de sua aposentadoria.

Durante sua aposentadoria perto de Glenoe, Condado de Antrim, ele criou numerosos artefatos feitos à mão. Muitos desses estão hoje em igrejas, e suas peças ornamentam mais de 40 igrejas por toda a Irlanda do Norte. Ele então fechou sua oficina e mudou-se para Shetland, onde um dos seus três filhos trabalha como ornitólogo. Monica, sua esposa por 60 anos, faleceu em setembro de 2009. O Sr. Heubeck lutava contra o câncer há 30 anos. Ele deixa três filhos.

Fonte: BBC News, 19 de outubro de 2009.

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