Capitano Pilota
(1914 - 1944)
por Paul J. Perron
Giovanni Bonet nasceu em San Fior, Treviso, Itália, no dia 24 de julho de 1914. Seu pai lutou e morreu na Primeira Guerra Mundial. Ainda na juventude, Bonet desenvolveu uma grande paixão pelo voo. Para preparar-se para se tornar um piloto, ele treinava pulando de uma sacada com um guarda-chuva, fingindo ser um paraquedas. No começo de setembro de 1935, Bonet iniciou sua carreira na aviação estudando para se tornar um oficial da reserva em Parma, e depois seguiu para a escola de voo em Foligno.
Em 4 de março de 1936, Bonet foi nomeado oficialmente piloto enquanto voava o AS-1. Finalizando essa fase do treinamento, ele foi enviado para a escola de aviação em Aviano em 11 de março, e foi nomeado piloto militar em 18 de julho, voando o Fiat CR.20. Bonet era um perito em acrobacias aéreas, e recebeu o apelido “Matto dei Ronchi” (“O Doido de Ronchi”; uma pequena cidade). Uma vez terminado o treinamento, ele foi transferido para o 52º Stormo CT em Ghedi no dia 27 de julho, com a patente de Sottotenente (da reserva).Ele voluntariou-se para a Aviazione Legionaria, que servia na Guerra Civil Espanhola, em março de 1938, sendo designado para o XVI Gruppo Caccia “La Cucaracha”. Durante seu tour operacional na Espanha, Bonet ganhou uma Medaglie d’Argento al Valor Militare e uma promoção por mérito de guerra. Ele retornou à Itália em fevereiro de 1939 e em março foi promovido a Tenente.
O começo da guerra para a Itália, em 10 de junho de 1940, viu o Tenente Bonet na 359ª Squadriglia do 22º Gruppo CT, participando de numerosas ações sobre o front Greco-Albanês e na Iugoslávia, ganhando uma segunda Medaglie d’Argento.
Certa vez, enquanto Mussolini visitava o front em companhia de altos oficiais, Bonet iniciou um combate com uma aeronave inimiga, bem próximo de onde estava a comitiva. O Duce então puxou seu binóculo e acompanhou o duelo. O italiano estava manobrando e seguindo bem de perto a aeronave inimiga, sem atirar. Devido à persistência, o piloto inimigo finalmente desistiu, pousou e se rendeu. Mussolini imediatamente mandou chamar Bonet, e perguntou-lhe por que não havia atirado. Ele respondeu: “Eu estava sem munição” – os oficiais murmuraram com admiração. O 22º Gruppo, que voava o Macchi MC.200, foi então transferido para a União Soviética.
Em 28 de dezembro de 1941, Bonet decolou de Stalino com outros dois MC.200 da 359ª Squadriglia para patrulhar o front. Quando chegaram lá, avistam e atacaram uma formação de cinco Polikarpov I-16s (3 Rata e 2 Super Rata), metralhando tropas italianas. Seu ataque repentino e decidido dispersou os russos, que fugiram. Mais tarde no mesmo dia, os mesmos três Saettas estavam escoltando uma formação de Stukas em missão de bombardeio. Quando os Stukas começaram a bombardear, foram repentinamente atacados por 20 aeronaves soviéticas. Apesar da desvantagem numérica, os italianos devotaram toda sua energia ao combate, sobre Debalzowo e Rikowo. Algum tempo depois, um grupo de caças alemães chegou para auxiliá-los. Quando o combate terminou, os italianos haviam derrubado três caças inimigos e danificado outros quatro. Bonet retornou à base com a aeronave danificada.No dia 2 de fevereiro de 1942, uma formação oito Macchis decolou com tempo muito ruim. Sua missão era metralhar posições inimigas na linha Balka-Olikowatka-Rassjnoja. A missão foi completada e o grupo retornou à base. Ao pousar, a aeronave de Bonet (que estava com problema na hélice) escapou da pista, bateu na neve e capotou. Contudo, ele conseguiu sair ileso da cena.
Três dias depois, Bonet decolou novamente com mais seis colegas, para atacar o aeródromo russo em Kranyj Liman, onde um grande número de aeronaves havia sido avistado. O ataque foi inesperado e repentino. Os italianos atacaram em fila, a baixíssima altitude, por todo o aeródromo. Apesar do fogo antiaéreo, pelo menos 11 Polikarpovs foram destruídos no solo e dois outros caças foram derrubados no ar.
No dia 24 de fevereiro, seis caças (da 362ª e 359ª Squadriglie) decolaram de Stalino para patrulhar o front. Sobre Alexandrowka, Bonet e os outros encontraram um grupo de caças soviéticos, e no combate que se seguiu derrubaram dois deles, sem perdas do seu lado. Poucos dias depois, em 10 de março, Bonet voltou para a Itália. Ele foi promovido a Capitano em junho e assumiu o comando da 362ª Squadriglia. Também foi condecorado pelos alemães com a Cruz de Ferro de 2ª Classe.No mês seguinte, ele foi transferido para o 2º Gruppo CT, sendo apontado comandante da 150ª Squadriglia, que voava o Reggiane Re.2001. Bonet participou então de numerosos combates sobre Malta, e sobre o Mediterrâneo central e ocidental. O constante ritmo de combate exauriu o esquadrão em junho de 1943: eles ficaram com somente 4 Reggianes operacionais.
Na tarde de 17 de julho de 1943, a 150ª Squadriglia recebeu um alerta de decolagem imediata. O Capitano Bonet decolou com um voo de Re.2001s de Cápua. Sua missão era interceptar uma formação de Boeing B-17s voando sobre Nápoles. Durante essa missão, Bonet foi ferido (no pé direito, fraturando o metatarso) por fogo defensivo de um dos bombardeiros. Após deixar o hospital, Bonet recebeu uma licença para convalescença.
Ainda se recuperando no fim de setembro de 1943, Bonet se apresentou à estação central de recrutamento em Treviso, onde se encontrou com muitos outros pilotos e especialistas que queriam formar um novo esquadrão e retornar para o combate. Suas intenções foram assim ditas: “Rapazes, eu sinto que ainda tenho algo a fazer pelo meu país”. Em meados de outubro, Bonet e alguns companheiros foram para Padova para encontrar o Tenente-Colonello Giuseppe Baylon, e discutiram a formação da nova unidade. No fim de dezembro, homens e máquinas foram transferidos para Venaria Reale para ativação.
A nova unidade ficou conhecido como Squadriglia Complementare “Montefusco”, e Bonet tornou-se seu comandante. O novo esquadrão foi batizado em homenagem ao Capitano Mario Montefusco (Medaglie d’Oro), que foi morto nos céus do Norte da África em 4 de julho de 1941. O esquadrão foi uma das primeiras unidades operacionais formadas após o Armistício e deveria se tornar uma unidade de conversão operacional para dar apoio ao 1º Gruppo Caccia. Ao invés disso, teve seu efetivo completado e tornou-se um esquadrão de defesa. Enquanto o 1º Gruppo Caccia movia-se para Campoformido para proteger os céus do nordeste italiano, a “Montefusco” era a única unidade operacional responsável por proteger os céus do triângulo industrial de Turim, Milão e Gênova.A Squadriglia Complementare tinha cerca de 20 pilotos, e muitos haviam servido com Bonet antes do Armistício. Foram equipados com 10 caças Fiat G.55 Centauro e alguns Macchi MC.205 Veltro. Após um breve treinamento, os pilotos mais experientes estavam prontos, mas os novatos, recém-saídos da escola de voo, acharam a performance do G.55 um pouco desafiadora para sua limitada experiência. A “Montefusco” fez sua estréia operacional em 21 de fevereiro de 1944, decolando com seis G.55s. Em 13 de março, decolaram 8 caças, mas ambas as missões foram inconclusivas.
O primeiro combate da unidade aconteceu em 29 de março, quando Bonet liderou um voo de quatro Centauros (seriam originalmente seis, mas dois decolaram com atraso e não encontraram o inimigo) para interceptar uma grande formação de B-17s. Ao avistar a formação, Bonet deu ordem para atacar. Os italianos atacaram repetidamente os americanos, atingindo-os diversas vezes, mas sem romper a formação.
Então o Capitano Bonet e o Sergente Biagini notaram um B-17 (42-97152) que havia sido danificado pela antiaérea e ficava para trás. Coordenando seus ataques no bombardeiro solitário, eles conseguiram derrubá-lo, e a tripulação saltou. Os Centauros então se viram sob ataque de 44 Republic P-47s do 325º Grupo de Caça, forçando os italianos interromper a ação e voltar para a base. Durante a volta, o Maresciallo Capo Jellici teve que saltar do seu G.55 em chamas, enquanto Bonet foi morto em baixa altitude pelo ás de 18 vitórias Major Herschel “Herky” Green, comandante do 317º Esquadrão de Caça.Em honra do seu comandante morto, Bonet recebeu postumamente a Medaglie d’Oro al Valor Militare, e o esquadrão foi renomeado “Montefusco-Bonet”. Em 6 de junho de 1944, a Squadriglia Complementare foi realocada para Reggio-Emilia, e mais tarde naquele mês foi incorporada ao 1º Gruppo Caccia como sua 3ª Squadriglia “G. Bonet”. Giovanni Bonet era descrito como um “romântico”, que sempre foi amado e respeitado pelos que o conheciam. No momento de sua morte, ele era creditado com 12 vitórias aéreas confirmadas.
Fiat G.55 de Giovanni Bonet - Squadriglia Complementare "Montefusco". Venaria Reale, Março de 1944.
Paul Perron é colaborador da Sala de Guerra. Vive na Itália e é pesquisador da história militar italiana na Segunda Guerra Mundial, tendo entrevistado dezenas de veteranos das forças armadas.
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1 comentários:
A aeronave que o Capitano Giovanni Bonet foi abatido em 29/03/1944 era o Fiat G-55 Centauro Série I "yellow 5".
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