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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

José María Bravo


José María Bravo
Coronel
(1917 - 2009)

José María Bravo Fernández-Hermosa nasceu em Madri, numa família de classe média, em 8 de abril de 1917. Educado nas tradicionais e seculares escolas da capital espanhola, ele tornou um estudante de intercâmbio na Alemanha, pouco antes da subida de Hitler ao poder, entre 1932 e 1933. Retornando à Espanha, ele aprendeu a voar em planadores em Ocaña, na província de Toledo.

Bravo iniciou o curso superior de engenharia, mas seus estudos foram interrompidos pelo início da Guerra Civil Espanhola. Estando em Santander, ele teve que cruzar a fronteira francesa e retornar à Espanha por Barcelona, então território dominado pelas forças Republicanas. Bravo apresentou-se na convocatória para pilotos de combate. Em dezembro de 1936 ele foi enviado, junto com outros quatro pilotos, para realizar treinamento na União Soviética. Essa primeira turma de pilotos Republicanos espanhóis foi enviada para Kirovabad, no Azerbaijão. “Pusemos uniformes soviéticos. Nossa missão era ultra-secreta e ninguém devia saber que estavam trazendo espanhóis. Deram a todos nós nomes russos. Eu era Iosif Bravi”.

Após seis meses de treinamento, iniciado no dócil biplano Polikarpov U-2, Bravo completou 100 horas de voo, das quais somente algumas feitas no então avançadíssimo Polikarpov I-16. De volta à Espanha no verão de 1937, os novatos foram enviados para o 21º Grupo de Caça ao norte de Madri. Na Espanha, os novos monoplanos Polikarpov I-16 ganharam o apelido de “Mosca”. Isso se deveu em parte à ultra-manobrabilidade do modelo e à inscrição “MOCKBA” (“Moscou” em cirílico) que vinha nas caixas dos recém-chegados caças.

Bravo teve seu batismo de fogo na Batalha de Brunete, uma ofensiva Republicana para furar o cerco Nacionalista da capital. Parte da 1ª Esquadrilha de Moscas, que contava com muitos pilotos russos, Bravo demonstrou-se um aviador ousado e competente. Em março de 1938 é promovido a Tenente e no mês seguinte assume o comando da recém-criada 3ª Esquadrilha de Moscas. Sua alta-capacidade foi mais uma vez atestada pela rápida promoção a Capitão em 31 de maio.

Contudo, com a chegada dos contingentes aéreos italiano e alemão, os Moscas começaram a enfrentar oponentes mais avançados. Bravo mais tarde reconheceu que o armamento do Polikarpov era insuficiente para abater bombardeiros alemães: “as metralhadoras [de 7,62 mm] disparavam chumbinhos que não eram muito eficientes contra os Junkers e Heinkels que os alemães deram pro Franco”.

A 3ª Esquadrilha de Bravo continuou atuando freneticamente, na cabeça de ponte de Balaguer e nos últimos dias do ataque a Valencia, culminando na Batalha do Ebro. Em 27 de agosto de 1938 ele foi feito subcomandante do 21º Grupo de Caça – aos 21 anos de idade ele assumia a responsabilidade pela mais poderosa unidade aérea da aviação Republicana.

Entretanto, a bem-sucedida ofensiva Nacionalista na Catalunha impôs uma derrota definitiva nas forças Republicanas, e Bravo escapou para a França em fevereiro de 1939. Lá, permaneceu quatro meses nos campos de internamento em Argèles-sur-mer e Gurs, no sul do país. Após ser liberado, rumou diretamente para a União Soviética, concluindo seu curso de engenharia em Kharkov, na Ucrânia.

Quando os alemães iniciaram a Operação Barbarossa em 22 de junho de 1941, Bravo tentou juntar-se à VVS, mas foi proibido. Assim, juntou-se a um grupo de guerrilheiros espanhóis que atacava as retaguardas alemãs na região do Mar de Azov. Ele lembrou-se ressentidamente mais tarde: “Eu tinha me tornado um piloto para não ter que andar, e lá estava eu marchando de noite com neve até o joelho e cercado de inimigos”.

Em meados de 1942, a Força Aérea Soviética aceitou em suas fileiras um grupo de pilotos Republicanos espanhóis, e Bravo voltou a pilotar o Polikarpov I-16. Desta vez, sua missão foi defender os campos petrolíferos de Baku. Mostrando mais uma vez suas qualidades de liderança, ele assumiu responsabilidades cada vez maiores, e foi designado chefe da escolta de caças que acompanhou Josef Stalin na Conferência de Teerã em 1943.

No total, Bravo havia completado 1.700 horas de voo no Polikarpov I-16, tendo passado por duas guerras sem um arranhão e totalizando 23 vitórias aéreas. Ele havia chegado ao posto de Coronel na VVS quando, em 1948, a deserção de um piloto espanhol para a Turquia causou a desmobilização de todos os espanhóis.

Mesmo assim, Bravo permaneceu na União Soviética, tornando-se professor de espanhol na Universidade de Moscou. Ele tornou-se um especialista em poesia russa e traduziu muitos clássicos da literatura russa para o espanhol. Em 1960, o governo de Franco permitiu que ele voltasse à Espanha. Após a transição para a democracia, o novo governo reconheceu sua patente de Coronel.

Em seus últimos anos, Bravo ajudou a levantar fundos para restaurar às condições de voo um Polikarpov I-16, que recebeu a pintura de seu antigo caça de 70 anos atrás. Em 2007, ele publicou suas memórias, “El Seis Doble” (Duplo Seis), uma referência à peça de dominó pintada na cauda dos aviões da sua unidade. Ele disse que representava o valor do trabalho em equipe dos 12 aviões da esquadrilha.

Reconhecido por sua personalidade amigável e sorriso sempre presente no rosto, José María Bravo, o último dos grandes ases espanhóis, faleceu em Madri, aos 92 anos de idade, no dia 26 de dezembro de 2009. Foi casado duas vezes, deixando a última esposa, uma filha e um filho.

Polikarpov I-16 "Mosca" de José María Bravo. 3ª Esquadrilha do 21º Grupo de Caça - Espanha, 1938.

Homenagem a Bravo e um belo voo do I-16:

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