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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Lembranças do Sargento Donald Boyd


Lembranças do Sargento Donald Boyd

Eu era um soldado na Companhia Cannon, 128º Regimento de Infantaria, 32ª Divisão de Infantaria “Red Arrow”. Eu me juntei à companhia como substituto em Aitape após a maior parte dos combates ter terminado. A área da nossa companhia era na praia, perto do rio Driniumor. Naquela época, tínhamos morteiros de 81 mm como nossa principal arma de apoio. Fomos a Hollandia para treinar para o desembarque em Leyte e, para nossa surpresa, a unidade recebeu seis novos M-7s para substituir nossos morteiros. Claro, ninguém sabia nada sobre eles. Um Major do batalhão de tanques veio para nos ensinar a dirigir, atirar, fazer manutenção, etc.

O M-7 tem um canhão de 105 mm e uma metralhadora 12,7 mm em um chassis de tanque M-4 Sherman. É propelido por um motor radial de 9 cilindros refrigerado a ar de 380 hp. Nossos operadores de morteiro se adaptaram à mira do canhão bem rápido, mas não tínhamos motoristas. Um aviso foi colocado no mural da companhia dizendo: “Quem estiver interessado em ser motorista, voluntarie-se para um teste”. Eu fui com poucas esperanças de conseguir o emprego. Com 18 anos, eu era o mais novo e o mais novato na companhia. Diversos colegas se encontraram com o Major na manhã seguinte, e já que somente um motorista e um substituto eram requeridos para cada M-7, eu pensei que minhas chances eram pequenas, pra dizer o mínimo.

O Major explicou que os motores tinham rotação controlada, para que não superaquecessem, mas você tinha que dirigir em potência máxima em todas as marchas. Nunca afrouxar o motor. A transmissão de 5 marchas requeria que colocasse o câmbio no ponto morto entre cada troca de velocidade. Alguns caras ficaram paralisados, outros não conseguiram passar as marchas – o que afrouxava o motor e estragava as conexões. Quando chegou minha vez eu pensei: “Vou dar um tranco nesse bicho”, porque eu não ia mesmo ter outra chance. O Major deve ter ficado impressionado, porque eu acabei sendo escolhido para dirigir. Depois de muito treino em artilharia e na direção, estávamos prontos para Leyte. Chegamos à praia em Leyte sem problemas, já que a 24ª Divisão tinha limpado a área antes. Nós eliminamos uma metralhadora japonesa que estava disparando contra a praia – foi nosso primeiro acerto.

Aconteceu um massacre de reforços japoneses na Baía de Ormoc. Estávamos em uma colina alta que dava visão sobre a baía quando voo após voo de nossos aviões pegaram alguns navios de tropas japonesas no porto. Estávamos a alguns quilômetros de distância, mas com binóculos e lunetas tivemos uma excelente vista. Nossos aviões bombardearam e metralharam aqueles bastardos e eliminaram 7.000 deles!

Algum tempo depois, nosso grupo estava em frente à nossa posição principal, vendo um vale de grama alta, que batia na cintura. Harper, nosso companheiro que carregava uma BAR, disse: “Não é um maldito japa bem ali?”. E era, e nós olhamos espantados enquanto ele vinha tropeçando em nossa direção. Parecia estar desarmado. Quando o japa estava a uns 100 metros de distância, percebemos que ele estava alheio à situação. Eu disse: “Vou pipocar esse filho da p*”. Harper disse: “Eu vi primeiro”, levantou sua BAR e disparou todo o cartucho. O primeiro tiro o acertou no pé esquerdo e os seguintes perfuraram todo o corpo, matando-o instantaneamente. Entre suas coisas, estava um maço de cigarros Chesterfield. Quando eu me recordo que teria matado aquele cara sem hesitação, fico assustado.

Prosseguindo para Luzon e Villa Verde. Nosso desembarque em Lingayen foi tranqüilo, mas isso mudou quando o 1º Pelotão de M-7s teve que ir para Villa Verde. Preston dirigindo o primeiro M-7 e eu o segundo. Os engenheiros tinham feito uma estrada estreita a partir de uma trilha de cabras. A estrada era boa para um caminhão de 2,5 toneladas, mas meu M-7 era muito mais largo e em muitos lugares nós arranhamos a lateral da montanha enquanto subíamos. Fiz uma nota mental de que duas curvas seriam dureza na descida, se estivéssemos vivos pra descer. Os engenheiros tinham escavado uma posição de tiro para nós e ela funcionou muito bem. Podíamos disparar pelo vale nas posições dos japas em qualquer alcance. Não me lembro quantos projéteis disparamos, mas foram muitos.

Um dia, uma escavadeira dos engenheiros escorregou da trilha pelo lado da montanha e ficou preso. Nosso Tenente disse: “Dê a partida, vamos colocar a escavadeira de volta na trilha”. O veículo estava bem longe, a muitas curvas de onde eu estava. Partimos e encontramos ele perto o suficiente para prender um cabo.

Nessa hora, atraímos fogo de rifle. Eles tinham prendido o cabo na minha frente, para que o puxasse em marcha-ré. Não conseguimos. As esteiras do M-7 só entravam na poeira fina. Decidiram dar a partida na escavadeira e usar a força dos dois veículos para sair. Enquanto estavam ligando o veículo, eu tive que dar a volta para que pudessem prender o cabo na traseira do M-7. Eu podia escutar as balas ocasionais atingindo-nos. Coloquei meu M-7 na primeira marcha, e com a escavadeira em marcha-ré, conseguimos resgatá-la. Desprendemos o cabo, começamos a descer e BAM! Um projétil de pelo menos 75 mm atingiu o lado da montanha uns 30 metros na nossa frente. A explosão arrancou o pé de um filipino que ia à nossa frente. O Sargento Weimer gritou: “Parem! Vamos carregá-lo!” Eu gritei: “Ficou doido?” Mas eu parei e a tripulação colocou-o a bordo. Descemos e imediatamente outro projétil atingiu o lugar onde estaríamos, se NÃO tivéssemos parado.

Esse projétil colocou um estilhaço bem grande na coxa de um soldado. O carregamos e de novo BAM! Dessa vez o projétil atingiu bem onde tínhamos estado. Fizemos uma curva, saindo da mira do atirador. Se não tivéssemos parado para pegar aquele filipino, sei que teríamos morrido. Até hoje, não sei porque os japas não miraram a escavadeira.

Eu nunca fui ferido, mas apesar do episódio da escavadeira, uma metralhadora japonesa quase me pegou em Leyte. Saindo da trilha de Villa Verde, toda a tripulação, incluindo o Sargento Weimer, saltou do veículo e me deixaram preso no assento do motorista quando pareceu que íamos escorregar para fora da estrada. Eu travei as esteiras, mas era como um trenó na lama. Paramos logo antes de escorregar muitos metros abaixo. O Sargento subiu de novo e eu consegui recuar, fazer a curva e descer em segurança.

Eu estava indo para casa no fim de dezembro de 1945, e tinha parado de tomar medicação. A malária tinha me pegado e eu estava muito mal. Não conseguia responder a chamada, mas felizmente um colega, Clinton Beamer, respondia pra mim e me trazia sopa do refeitório; tomou conta de mim do melhor jeito que pôde. Eu não queria perder meu barco de volta pros EUA. Beamer era um fazendeiro de Attica, Ohio. Fizemos o treinamento juntos e acabamos na Companhia Cannon, no 1º Pelotão. Ele no primeiro M-7 e eu no segundo.

Por outro lado, havia um idiota de Maryland na nossa unidade que colecionava dentes de ouro dos japas mortos. Uma vez eu o vi urinar na cara e na boca de um japa morto que foi coberto com lama, para ver se tinha dentes de ouro. Ele sempre carregava um alicate consigo.

Donald C. Boyd

Fonte: World War II Stories In Their Own Words, 11 de abril de 2006.

Veja também:
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>>Nota de Falecimento: Robert Nett
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