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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Nota de Falecimento: Bob Doe


Bob Doe
(10/03/1920 - 21/02/2010)

Faleceu no último dia 21 de fevereiro em Rusthall, Inglaterra, de causas naturais aos 89 anos de idade, o terceiro maior ás britânico da Batalha da Inglaterra, Wing Commander Robert Francis Thomas "Bob" Doe.

Nascido em Reigate, filho de um jardineiro, Doe deixou a escola aos 14 anos de idade para trabalhar como ajudante do jornal News of the World. Ele voluntariou-se para a RAF em março de 1938 e ganhou foi comissionado em janeiro de 1939, apesar de mal ter superado o treinamento para a caça. Em novembro, foi designado para o 234º Esquadrão, que voava Spitfires em Leconfield. Não participando da Batalha da França, Doe somente teve seu batismo de fogo quando a Luftwaffe passou a atacar seu país, dando início à Batalha da Inglaterra.

No dia 15 de agosto de 1940, o 234º Esquadrão recebeu um alerta de decolagem, e Doe preparou-se para seu primeiro combate. "Eu sabia que ia morrer. Eu era o pior piloto do esquadrão", lembrou-se mais tarde. Contudo, o medo de ser taxado de covarde era pior do que o medo de ser morto. Uma hora depois, quatro de seus colegas estavam mortos; ele voltara, tendo derrubado dois Messerschmitt Me 110s perto de Swanage. No dia seguinte, derrubou um Me 109 e danificou um Dornier Do 18. Dois dias depois, derrubou outro Me 109. No fim de agosto ele já era um ás, e com a intensificação da batalha, sua lista de abates foi crescendo. Ele derrubou três Me 110 em 4 de setembro e, durante o último grande ataque diurno da Luftwaffe, em 7 de outubro, ele derrubou um Junkers Ju 88, sua 14ª vitória. Alguns dias depois, ele foi seriamente ferido quando sua aeronave foi alvejada pelo inimigo. Ele recuperou-se e voltou a voar em dezembro, mas em 3 de janeiro de 1941, durante uma missão noturna, seu motor falhou e ele fez um trágico pouso forçado. Seu cinto de segurança partiu-se e ele esmagou a face contra o painel. Um olho saltou para fora, a mandíbula foi fraturada e o nariz destruído.

Após 22 operações, e anos em recuperação, Doe retornou à ação em outubro de 1943, quando voluntariou-se para servir na Índia. Lá, ele comandou o 10º Esquadrão, equipado com Hurricanes (armados com quatro canhões de 20 mm para apoio terrestre). O esquadrão deu apoio às tropas do General William Slim em sua ofensiva na Birmânia, e Doe foi condecorado com a DFC e a DSO por sua atuação na guerra. Seu recorde foi de 14 vitórias individuais e 2 compartilhadas.

Após o conflito, ele foi enviado ao Egito em maio de 1950 para comandar o 32º Esquadrão, que voava jatos De Havilland Vampire. Como nunca tinha voado o modelo, no caminho ele parou em uma unidade de manutenção e tomou um exemplar para "dar umas voltas". Ao deixar o comando da unidade três anos depois, o 32º Esquadrão tinha uma reputação invejada por toda a RAF. Em abril de 1966 ele aposentou-se e montou uma empresa de aluguel de carros.

Bastante admirado, mas sempre modesto, Bob Doe nunca considerou-se um herói, e sempre dizia que "estava apenas fazendo meu trabalho". Ele publicou suas memórias em 1989, sob o título "Bob Doe, Fighter Pilot". Doe deixa sua terceira esposa e cinco filhos.

Bob Doe assinando uma pintura.

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