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segunda-feira, 1 de março de 2010

Nota de Falecimento: Heinz Stahlschmidt


Heinz Stahlschmidt
(13/11/1919 - 23/02/2010)

Faleceu no último dia 23 de fevereiro na França, de causas naturais aos 90 anos de idade, o marinheiro alemão que salvou o porto de Bordeaux, Heinz Stahlschmidt.

Nascido em Dortmund, Stahlschmidt cresceu numa família protestante que sofreu muito com a crise econômica de Weimar. Seu pai era bombeiro hidráulico e ele treinou para exercer a mesma profissão. Em 1937, seu pai faleceu num acidente automobilístico, e ele decidiu voluntariar-se para o serviço militar, adiantando-se seis meses da sua idade de recrutamento. Dessa forma, ele pôde escolher o serviço naval e evitar o Exército e a Luftwaffe. Seu objetivo era melhorar seu aprendizado mecânico e elétrico, para poder voltar a trabalhar e ajudar a família. Contudo, ele ainda estava na Kriegsmarine quando a Segunda Guerra Mundial começou.

Em 9 de abril de 1940, ele estava à bordo do cruzador KMS Blücher, quando a belonave se aproximava de Oslo, nos movimentos iniciais da invasão da Noruega. Às 04:21h as baterias costeiras da Fortaleza de Oscarsborg abriram fogo e acertaram em cheio o Blücher, que afundou em seguida. Stahlschmidt sobreviveu ao naufrágio, mas encontrou-se na água novamente no dia 21 de junho, quando a canhoneira antiáerea em que se encontrava foi afundada. Como se não bastasse, ele estava a bordo de um transporte de tropas que navegava entre a Dinamarca e a Noruega em 2 de setembro de 1940, quando este foi torpedeado e afundado. Stahlschmidt conseguiu nadar até a costa, mas 560 de seus camaradas perderam a vida. Após ser náufrago por três vezes, ele recebeu um posto em terra.

Ele se especializou em demolição, sendo designado para limpar minas inglesas na área da Baía de Biscaia. Em 1944, ele era parte de um regimento naval estacionado no porto de Bordeaux. Em 19 de agosto, em vista do rápido avanço Aliado na França, a guarnição de Bordeaux recebeu instruções de retirada, mas não sem antes destruir completamente toda a infra-estrutura do porto. A data da destruição foi marcada para 26 de agosto e, pelo fato de que nenhum aviso de evacuação seria dado, cerca de 3.000 pessoas morreriam em decurso. Stahlschmidt recebeu a tarefa de planejar as explosões, e ficou responsável pelos explosivos. Na manhã de 22 de agosto, ele fez uma visita ao Professor Dupuy, um amigo francês que conhecera há algum tempo. Ele contou-lhe que pretendia impedir a destruição, e Dupuy ofereceu-se para escondê-lo após o feito. Dessa forma, às 18h Stahlschmidt foi até o bunker da rua Raze, que guardava os explosivos, e ativou todos os detonadores às 20h. Tendo somente quatro minutos para afastar-se, ele estava numa praça da cidade quando sentiu a monstruosa explosão do bunker. Ele tentou fugir de bicicleta, mas a correia da mesma partiu-se; ele então seguiu à pé até a casa de Dupuy, conseguindo escapar da Gestapo e da certa execução. Dupuy fez com que a Resistência o escondesse, e ele entregou-se aos Aliados logo após a rendição.

Após a guerra, ele mudou para a França e obteve cidadania francesa em 1947, assumindo o novo nome de Henry Salmide. Ele casou-se com uma francesa e trabalhou como bombeiro no porto de Bordeaux por 23 anos. Em 19 de abril de 2000, o governo francês finalmente reconheceu seu mérito histórico e agraciou-o com a mais alta honraria civil da França, a Legião da Honra. À despeito da morte de alguns soldados alemães na imensa explosão que causou, Stahlschmidt nunca se arrependeu de sua atitude: "Minha família era de cristãos protestantes, e eu agi de acordo com minha consciência cristã. Eu não podia aceitar que o porto de Bordeaux fosse destruído em vão, quando a guerra estava claramente perdida".

Heinz Stahlschmidt no porto de Bordeaux.

Veja também:
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1 comentários:

Pelodan disse...

Acho que não destruir o porto de Bourdeux naquela altura da guerra foi um ato nobre como o de von Choltitz em Paris, agora a morte de camaradas de armas é demais para mim, isso é mais que traição.