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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ocupação americana censurou ex-membros da Unidade 731


Ocupação americana censurou ex-membros da Unidade 731


Um documento recentemente veio a público mostrando uma ordem das autoridades de ocupação norte-americanas para censurar o correio de antigos membros da Unidade 731, a unidade do Exército Imperial Japonês que conduziu experimentos de guerra bacteriológica em pessoas, disse um historiador de Tóquio.

O documento, marcado como “sigiloso”, foi descoberto por Taketoshi Yamamoto, professor de história da mídia na Universidade de Waseda, em Tóquio, em um arquivo de microfilmes da Biblioteca Nacional do Congresso.

O documento foi enviado pelo Exército dos Estados Unidos para o escritório de censura da ocupação norte-americana em 15 de fevereiro de 1946.

Lá estão listados os nomes e endereços de 12 japoneses cujo correio deveria ser censurado, incluindo o antigo comandante da Unidade 731 Tenente-General Shiro Ishii, e Kanji Ishihara, antigo oficial do Exército que tinha planejado o Incidente da Manchúria em 1931.

Também lista os nomes de nove ex-membros da Unidade 731 com formação em medicina, cujos endereços não eram conhecidos pelas autoridades. Eles trabalharam em instalações da notória unidade.

De acordo com Yamamoto, o governo americano garantiu imunidade aos antigos membros da Unidade 731 em troca de dados sobre guerra bacteriológica, incluindo informações sobre experimentos em seres humanos.

A censura pode ter sido necessária para os EUA darem imunidade à Unidade 731, checando se estariam planejando algum tipo de retaliação contra os Estados Unidos ou não”, disse Yamamoto.

Poucas listas de pessoas observadas [pela ocupação] restam hoje. Este é um material precioso, que mostra que os Estados Unidos secretamente conduziram uma operação de censura”, comentou.

Uma mensagem ordenando a destruição do documento ainda pode ser vista no canto do papel.

A Unidade 731, formada em 1936, era baseada nos arredores de Harbin, no nordeste da China. A unidade secretamente estudou e desenvolveu armas bacteriológicas conduzindo testes em prisioneiros chineses e russos. O número de vítimas pode ter passado de 3.000.

A Unidade 731 espalhou o bacilo da peste durante a guerra com a China e planejou em vão um ataque contra os Estados Unidos nos últimos estágios da Segunda Guerra Mundial.

Após a guerra, a unidade explodiu a maioria das suas instalações numa tentativa de destruir as evidências de suas armas e experimentos.

Fonte: The Japan Times, 10 de fevereiro de 2010.

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