Prefeito francês exibe foto do Marechal Petain
Um prefeito francês é acusado de insultar a memória de centenas de soldados britânicos que morreram liberando sua cidade, ao exibir um retrato de um notório colaborador nazista.
Bernard Hoye, líder cívico de Genneville-sur-Mer, na Normandia, insiste em homenagear Philippe Petain, o líder de Vichy que trouxe vergonha ao país durante a Segunda Guerra Mundial.A homenagem ocorre apesar do fato de que comandos britânicos, incluindo Royal Marines e SAS, passaram dias lutando para derrotar a guarnição alemã da cidade nas semanas após o Dia-D.
Christian Leyrit, representante do governo na Baixa Normandia, escreveu a Hoye em termos duros, dizendo-o que “remova a foto de Petain imediatamente”.
“O retrato não pode ser exibido ao lado de retratos oficiais pendurados na prefeitura, que é um lugar altamente simbólico para a República Francesa”, escreveu Leyrit.
As palavras de Leyrit refletem o crescente desgosto com a tentativa de alguns franceses de reabilitar a memória de Petain, que foi um herói nacional durante a Primeira Guerra Mundial.
Petain foi aprisionado após a liberação da França em 1944 por ter montado um regime pró-nazista na cidade de Vichy, efetivamente abolindo a República Francesa para se tornar um estado-fantoche alemão, colaborando inclusive na perseguição de judeus. Petain morreu no esquecimento em 1951.
Leyrit escreveu a Hoye após reclamações feitas por um grupo francês de direitos humanos, a Liga Internacional Contra o Racismo e o Anti-Semitismo (LICRA).
Em carta, a LICRA disse ser deplorável que Leyrit tenha sido “obrigado a dar lições de história e leis ao prefeito da cidade normanda apenas alguns meses depois do aniversário de 65 anos dos desembarques Aliados. Manter a fotografia em exibição é uma afronta à memória das vítimas das perseguições anti-semitas de Petain, da Resistência e dos soldados Aliados”.Hoye, que foi eleito prefeito de Gonneville em 2008, disse: “Esta fotografia está aí há décadas. Petain aparece na galeria de chefes de estado franceses. Se são controversas ou não, eu não tomo partido, ao contrário da LICRA, que não é nada objetiva”. Hoye, um experiente advogado, disse que ninguém pediu-lhe que removesse o retrato, e que ninguém tinha o poder para fazê-lo.
Após semanas de lutas, Gonneville-sur-Mer foi finalmente liberada em meados de agosto de 1944 por comandos britânicos que abriram caminho desde as praias da Normandia.
Fonte: Daily Mail, 24 de janeiro de 2010.
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