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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Bill Reynolds: Uma bola de fogo perseguiu nosso avião


Uma bola de fogo perseguiu nosso avião

William “Bill” Reynolds foi piloto de Boeing B-29 junto ao 5º Esquadrão do 9º Grupo de Bombardeio, que operou a partir da ilha de Tinian, nas Marianas, em 1945. Bill comandou algumas das missões do histórico B-29 “Goin’ Jessie”, recordista operacional com 52 missões sem abortagem. Ele foi colega, desde os tempos de treinamento, do colaborador da Sala de Guerra Maurice Ashland, também do 5º/9º Grupo. Bill Reynolds faleceu no dia 11 de abril de 2010, após lutar quatro anos contra a leucemia, aos 88 anos de idade. Este é um relato dele, contido no Livro Histórico do 9º Grupo, que resolvi postar aqui como uma homenagem:

"Eu nunca tinha escutado ninguém contar uma história de guerra sobre ser perseguido por uma “Bola de Fogo”. Pensei então que seria uma mudança do usual e, talvez, uma interessante história.

No começo de 1945 os japoneses estavam usando uma arma antiaérea que as tripulações de B-29 da 20ª Força Aérea chamavam de “Bola de Fogo”. Alguns B-29s foram perdidos para essa misteriosa arma, incluindo, acredito eu, a tripulação Jones do 5º Esquadrão. Após a invasão de Okinawa, diversas bombas voadoras Baka foram encontradas. Seus exaustores de jato eram nossa “Bola de Fogo”.

Numa noite após termos despejado nossas bombas e estarmos voltando de nossa área-alvo, o artilheiro de cauda, Cabo Lou Pieri, anunciou que uma “Bola de Fogo” estava nos perseguindo e se aproximando. Os outros três artilheiros confirmaram o avistamento. Foi uma notícia assustadora, mas aos 23 anos de idade você age calmamente, mesmo embora esteja com os cabelos da nuca em pé.

Eu instruí os artilheiros a não atirar a menos que eu especificamente ordenasse o contrário. Apontei o nariz da aeronave para baixo, apliquei potência e disse ao co-piloto, Tenente J. William Frentz, que quando a “Bola de Fogo” estivesse quase nos atingindo, faríamos uma violenta e plana curva à esquerda, tanto quanto possível. Eu sabia que a “Bola de Fogo” estava tão sujeita às leis da física quanto nós. Disse ao artilheiro de cauda para manter falando a posição da “Bola de Fogo”.

O Cabo Pieri então ficou falando e falando e falando e falando (pareceu uma eternidade). Quando sua voz atingiu um certo tom agudo, eu imediatamente tirei a potência dos dois motores esquerdos, ativei o aileron esquerdo e o pedal direito do leme e deslizamos para a esquerda. Estávamos indicando 450 km/h naquela hora. A “Bola de Fogo” então passou zunindo pela nossa direita, para grande alívio e conforto de toda a tripulação.

Todo o episódio não pode ter levado mais do que alguns minutos – mas pareceu uma eternidade. Retornamos ao voo normal e fomos para casa, embora borrados e suados."

William A. Reynolds, AC, 5th Squadron

Bill Reynolds falando sobre diferenças nos depoimentos de tripulantes em uma mesma aeronave.

Veja também:
>>Maurice Ashland: A Campanha Aérea de Minagem
>>Ben Nicks: A mais longa missão da Segunda Guerra
>>Jim Pattillo: Os problemas operacionais do B-29 no CBI
>>D. H. Clarke: Meu encontro com o Saetta
>>Ron Goldstein: O Retorno a Cassino
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