Enfrentei fogo pesado no Pacífico
Algumas vezes Mike O’Connor, 86 anos, tem uma “memória olfativa”, que o leva de volta décadas atrás.“De vez em quando, eu sinto aqueles exaustores soprando”, referindo-se à fumaça dos motores dos navios de desembarque, recorda o residente e Lakeland, Flórida.
O’Connor pilotava um tipo especializado de navio de desembarque – conhecido como Barco Higgins – através de todo o Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, sempre sob fogo enquanto despejava fuzileiros e soldados nas cabeças-de-praia ocupadas.
Os barcos carregavam 36 tropas e uma tripulação de 4; a rampa se abria na frente, dando ao inimigo um campo de tiro livre para atingir o que estivesse dentro.
“Eram barcos de madeira compensada e era fácil, naquelas águas, abrir buracos neles”, ele disse. “Então tínhamos que rebocá-los de volta, para dentro e consertá-los dentro do navio. Eles me deram um jipe para desembarcar em Guam. Não consegui levar o barco até a praia, então abrimos a frente e a água entrou, inundando tudo”.
“Nos escondemos atrás de uma linha cavada na praia até que o tiroteio dos japoneses desvaneceu”, lembrou-se O’Connor, “então bombeamos a água para fora e fomos rebocados pelo navio”.
O’Connor juntou-se à Marinha dos EUA em 8 de dezembro de 1942, e foi levado para o campo de treinamento em Bainbridge, Maryland, onde viu neve pela primeira vez. Foi um choque para um jovem que só conhecia climas tropicais e subtropicais.
O’Connor e suas três irmãs nasceram em Honduras. Seu pai, Michael Ronald O’Connor, tinha ido para lá trabalhar como engenheiro ferroviário da United Fruit Company. Ele conheceu e se casou com Petrona, futura mãe de Mike, cuja ancestralidade remonta à civilização maia.
Fonte: The Ledger, 23 de maio de 2010.
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