Loading

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tive Rommel na minha mira


Tive Rommel na minha mira


Jim Purves teve que ajustar seus binóculos porque não podia acreditar no que estava vendo.

Quando a figura uniformizada entrou em foco, o jovem escocês pôde ver claramente cada detalhe, dos clássicos óculos de campo e a insígnia da Wehrmacht. Ele sussurrou para si mesmo: “Ah, seu eu tivesse um rifle”.

Jim havia localizado o General Erwin Rommel – o garoto de ouro de Adolf Hitler.

Ele era o mestre de táticas do Terceiro Reich, apelidado de “Raposa do Deserto” por ter repetidamente vencido os nervos dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

E ele estava em pé a menos de uma milha do soldado escocês, sob o escaldante sol do Norte da África. Apenas uma bala teria provocado um enorme choque nos planos de guerra de Hitler.

Mas Jim apenas estava numa missão de reconhecimento para localizar forças alemãs e não tinha nenhuma arma com poder suficiente para derrubar seu alvo. O ex-artilheiro da Artilharia Real recentemente foi re-condecorado com uma medalha, a Croix de Guerre – por lutar ao lado dos franceses – a original foi perdida num incêndio após a guerra.

E mesmo embora ele agora tenha 91 anos, ainda pode recontar seu encontro com o cérebro do Terceiro Reich quase 70 anos atrás como se fosse ontem. Falando pela primeira vez, Jim disse: “Eu era parte de uma unidade de reconhecimento que procurava alemães, quando avistei Rommel. Não pude acreditar que era mesmo ele, e pedi a um colega para também dar uma olhada. Era mesmo Rommel”.

Me lembro do seu impecável uniforme, de pé ao lado de seu carro, cercado por veículos blindados. Ele parecia observar os arredores com o peito inchado, e não era por menos, ele era a Raposa do Deserto – o homem que nunca errava e cujas táticas não eram superadas por ninguém”.

Mas Rommel e suas temidas divisões panzer seriam parados em pouco tempo. E Jim, que trabalhava para o Departamento de Parques de Leith antes de ser convocado, foi parar no meio da ação.

O escocês foi enviado para a 1ª Brigada Francesa Livre, após navegar de Liverpool para o Egito em seu primeiro serviço além-mar. Em 1 de junho de 1942 ele envolveu-se na Batalha de Bir Hakeim, na Líbia. Essa batalha não é tão famosa quanto a Batalha da Inglaterra ou o Dia-D, mas teve um papel vital no resultado da Segunda Guerra Mundial.

Tropas francesas e britânicas foram atacadas por quatro divisões blindadas sob comando pessoal de Rommel. Os defensores estavam em desvantagem de 10 para 1, com somente 100 canhões, comparados aos 270 canhões e 350 tanques do inimigo. Rommel emitiu um ultimato para que eles depusessem armas, mas o comandante francês General Koenig, insistiu: “Não estamos aqui para nos render”.

Por 10 dias e noites os alemães atacaram os Aliados, com a Luftwaffe voando 1.400 surtidas contra suas posições. Jim disse: “Eu deixei de trabalhar nos parques para ir pro meio de uma batalha em um curto espaço de tempo. Tivemos pouquíssimo treinamento no deserto. O calor era insuportável e estávamos muito queimados. Eu estava disparando armas antiaéreas Bofors, e estávamos sob constante ataque de Stukas. Eles colocam o medo da morte em você. O barulho que faziam enquanto mergulhavam sobre nossas posições era ensurdecedor. Nosso trabalho era derrubá-los do céu, e parece que seu trabalho era destruir nossos Bofors”.

Uma bomba bateu a três metros de mim. Espalhou areia por todo lugar, mas não explodiu. Se tivesse, eu não estaria aqui. O 8º Exército deveria vir e nos resgatar, mas após o oitavo dia nos disseram que eles estavam em problemas e que devíamos segurar nossa posição o máximo possível, para permitir o reagrupamento”.

À noite você se agacha no chão ou em algum buraco e tenta dormir do jeito que pode. Na alvorada os tiros recomeçavam. O problema era que os canhões alemães eram maiores que os nossos e podiam disparar mais longe, o que significava que podiam ficar fora do nosso alcance. Só podíamos ficar enterrados e reagir contra as aeronaves. Eu estava em Londres durante a Blitz, mas isso foi diferente. Foi como estar no fogo do inferno”.

Eventualmente, sem água, comida e munição, os 400 soldados tiveram que se render. Embora completamente cercado, Jim e outros soldados fugiram na calada da noite, abrindo caminho entre os campos minados, antes de penetrar as linhas inimigas e atingir a liberdade.

Eu não sabia que estávamos ficando sem munição e comida até o último minuto. Eu não estava contando, estava muito ocupado sobrevivendo aos bombardeios. À noite fugimos, num círculo de fogo. Havia um lampejo e então escuridão completa”.

Podíamos ver vultos se aproximando, mas estranhamente não temíamos, andávamos em fila e esperávamos que a escuridão nos desse cobertura. Eventualmente eu pulei em um caminhão francês. Eu senti algo pegajoso atrás de mim e pensei que alguém tinha sido atingido, mas me virei e vi que era uma cabra – o mascote da brigada francesa. Eu fiquei rindo do fato da cabra ter escapado de Rommel”.

Por segurar a linha contra as expectativas, os franceses ganharam tempo precioso para o 8º Exército preparar-se para a Batalha de El Alamein, uma das batalhas mais decisivas da guerra.

Fonte: The Sun, 7 de maio de 2010.

Veja também:
>>A história do explorador do deserto Laszlo Almasy
>>Günter Halm
>>Johannes Kümmel
>>Ludwig Crüwell
>>Ratos do Deserto se encontram com antigo inimigo
Comente aqui!

0 comentários: