Lancastria: o desastre esquecido

O pior desastre marítimo da história da Grã-Bretanha, o afundamento do transporte de tropas RMS Lancastria em 1940 – que tirou as vidas de 4 a 6 mil homens – passou quase despercebido pela história. Mas sobreviventes e simpatizantes tentam manter a história viva.
A maioria das pessoas já ouviu falar sobre o Titanic, o transatlântico que afundou em sua viagem inaugural em 1912, e foi imortalizado pelo filme de James Cameron em 1997.
Também é famoso o Lusitania, torpedeado por um submarino alemão em 1915, e ainda lembrado como o navio que trouxe os Estados Unidos para a Primeira Guerra Mundial.
Mas você conhece o Lancastria? Talvez não. Isso se deve ao fato do afundamento desse navio em 1940 – um evento que tirou mais vidas que os desastres combinados do Titanic e Lusitania – quase desapareceu da história, uma vítima da propaganda de guerra que marcou a luta da Grã-Bretanha contra a Alemanha Nazista.
Construído no Clyde, o navio de 176 metros e 16.243 toneladas podia transportar até 2.200 passageiros, e foi originalmente batizado de Tyrrhenia.
Após sua viagem inicial em 1922, serviu como navio de passageiros na rota transatlântica, bem como cruzeiro no Mediterrâneo e no Norte da Europa, antes de ser requisitado em 1940 como transportador de tropas.
O Lancastria participou da evacuação de tropas na Noruega e então zarpou para o porto francês de St Nazaire para resgatar mais soldados, acuados pela invasão alemã.
James Cowan, de 89 anos, estava em St Nazaire fugindo dos alemães, e viu o Lancastria chegando. “O sol refletia no navio e ele parecia branco, e eu pensei comigo ‘mas que alvo... que alvo fácil’”, ele recordou.
A bordo do navio estava Charles Napier: “Eu estava deitado no deque superior”, lembrou-se. “Um cara chegou e não me viu. Mas de qualquer jeito eu disse pra ele ‘você parece muito preocupado’. Ele disse ‘bem, estou muito preocupado... há entre 8 e 9 mil pessoas nesse navio e só tem salva-vidas para cerca 2.500’”.
Na tarde de 17 de junho de 1940 o Lancastria foi atacado pela Luftwaffe. Após receber três impactos diretos de um bombardeiro Junkers Ju 88 do KG 30, o navio afundou em apenas 20 minutos.
Jacqueline Tillyer tinha dois anos de idade, e almoçava com a família nos deques inferiores quando o navio foi atacado. “Mamãe disse que me pegou e correu pelas escadas... os soldados abriram caminho e nos deixaram subir. E papai disse que quando chegamos ao convés nos puseram num barco salva-vidas, mas ele afundou. Então eles se entreolharam e disseram: ‘Agora é nadar!’ Por sorte, eram bons nadadores”.
Outro sobrevivente, Jack Lumsden, lembrou-se: “Pessoas por toda parte no mar, e também muitas coisas, como cocos, flutuando ao redor. Mas não eram cocos, eram as cabeças das pessoas afogadas”.
Estimativas de mortes variam. O que se sabe é que até 9.000 tropas estavam embarcadas no Lancastria quando deixou St. Nazaire, e alguns dizem que até 6.000 vidas podem ter se perdido.
Mas o consenso geral é que o desastre tirou 4.000 vidas. Não é somente o pior desastre marítimo da Grã-Bretanha, mas também a maior perda de vidas britânicas por uma única causa durante toda a Segunda Guerra Mundial.
Contudo, o governo britânico impôs censura à notícia do afundamento, significando que os jornais e a BBC nada podiam reportar do desastre, o que significou que a história do Lancastria ficou esquecida dos livros de história.
O jornalista Jonathan Fenby, autor de “O Afundamento do Lancastria: O Maior Desastre Marítimo da Grã-Bretanha e o Acobertamento de Churchill”, explica: “Era um momento muito ruim na história britânica. A França ruía, Mussolini tinha entrado na guerra, Hitler e Mussolini planejavam novas conquistas”.
“Weygand, o Chefe de Estado-Maior francês, disse que ‘a Grã-Bretanha é uma galinha cujo pescoço será torcido por Hitler’. Churchill, como ele disse mais tarde em suas memórias, simplesmente decidiu que os jornais já tinham notícias ruins o suficiente”.
Hoje, a Associação do Lancastria na Escócia lidera uma campanha para persuadir o governo britânico e o francês a reconhecer o local dos destroços como um túmulo de guerra.
Recentemente, representantes da associação colocaram uma coroa de flores no Memorial do Lancastria em St Nazaire, como tributo aos milhares que morreram, sem reconhecimento, durante o tempestuoso verão de 1940.
Fonte: BBC News, 2 de julho de 2010.
A maioria das pessoas já ouviu falar sobre o Titanic, o transatlântico que afundou em sua viagem inaugural em 1912, e foi imortalizado pelo filme de James Cameron em 1997.
Também é famoso o Lusitania, torpedeado por um submarino alemão em 1915, e ainda lembrado como o navio que trouxe os Estados Unidos para a Primeira Guerra Mundial.Mas você conhece o Lancastria? Talvez não. Isso se deve ao fato do afundamento desse navio em 1940 – um evento que tirou mais vidas que os desastres combinados do Titanic e Lusitania – quase desapareceu da história, uma vítima da propaganda de guerra que marcou a luta da Grã-Bretanha contra a Alemanha Nazista.
Construído no Clyde, o navio de 176 metros e 16.243 toneladas podia transportar até 2.200 passageiros, e foi originalmente batizado de Tyrrhenia.
Após sua viagem inicial em 1922, serviu como navio de passageiros na rota transatlântica, bem como cruzeiro no Mediterrâneo e no Norte da Europa, antes de ser requisitado em 1940 como transportador de tropas.
O Lancastria participou da evacuação de tropas na Noruega e então zarpou para o porto francês de St Nazaire para resgatar mais soldados, acuados pela invasão alemã.
James Cowan, de 89 anos, estava em St Nazaire fugindo dos alemães, e viu o Lancastria chegando. “O sol refletia no navio e ele parecia branco, e eu pensei comigo ‘mas que alvo... que alvo fácil’”, ele recordou.
A bordo do navio estava Charles Napier: “Eu estava deitado no deque superior”, lembrou-se. “Um cara chegou e não me viu. Mas de qualquer jeito eu disse pra ele ‘você parece muito preocupado’. Ele disse ‘bem, estou muito preocupado... há entre 8 e 9 mil pessoas nesse navio e só tem salva-vidas para cerca 2.500’”.
Na tarde de 17 de junho de 1940 o Lancastria foi atacado pela Luftwaffe. Após receber três impactos diretos de um bombardeiro Junkers Ju 88 do KG 30, o navio afundou em apenas 20 minutos.Jacqueline Tillyer tinha dois anos de idade, e almoçava com a família nos deques inferiores quando o navio foi atacado. “Mamãe disse que me pegou e correu pelas escadas... os soldados abriram caminho e nos deixaram subir. E papai disse que quando chegamos ao convés nos puseram num barco salva-vidas, mas ele afundou. Então eles se entreolharam e disseram: ‘Agora é nadar!’ Por sorte, eram bons nadadores”.
Outro sobrevivente, Jack Lumsden, lembrou-se: “Pessoas por toda parte no mar, e também muitas coisas, como cocos, flutuando ao redor. Mas não eram cocos, eram as cabeças das pessoas afogadas”.
Estimativas de mortes variam. O que se sabe é que até 9.000 tropas estavam embarcadas no Lancastria quando deixou St. Nazaire, e alguns dizem que até 6.000 vidas podem ter se perdido.
Mas o consenso geral é que o desastre tirou 4.000 vidas. Não é somente o pior desastre marítimo da Grã-Bretanha, mas também a maior perda de vidas britânicas por uma única causa durante toda a Segunda Guerra Mundial.
Contudo, o governo britânico impôs censura à notícia do afundamento, significando que os jornais e a BBC nada podiam reportar do desastre, o que significou que a história do Lancastria ficou esquecida dos livros de história.
O jornalista Jonathan Fenby, autor de “O Afundamento do Lancastria: O Maior Desastre Marítimo da Grã-Bretanha e o Acobertamento de Churchill”, explica: “Era um momento muito ruim na história britânica. A França ruía, Mussolini tinha entrado na guerra, Hitler e Mussolini planejavam novas conquistas”.
“Weygand, o Chefe de Estado-Maior francês, disse que ‘a Grã-Bretanha é uma galinha cujo pescoço será torcido por Hitler’. Churchill, como ele disse mais tarde em suas memórias, simplesmente decidiu que os jornais já tinham notícias ruins o suficiente”.Hoje, a Associação do Lancastria na Escócia lidera uma campanha para persuadir o governo britânico e o francês a reconhecer o local dos destroços como um túmulo de guerra.
Recentemente, representantes da associação colocaram uma coroa de flores no Memorial do Lancastria em St Nazaire, como tributo aos milhares que morreram, sem reconhecimento, durante o tempestuoso verão de 1940.
Fonte: BBC News, 2 de julho de 2010.
Veja também:
>>Livro: Massacre no Atlântico
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>>Filmes: Yamato
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