Neto de Ushijima luta pela paz
Sadamitsu Ushijima sempre soube que seu avô era um homem gentil. Como, então, podia ter seu avô ordenado as tropas para que lutassem até o último homem durante a Batalha de Okinawa em 1945?Esperando achar uma resposta para esta pergunta, Ushijima, 56 anos, professor de ensino fundamental em Tóquio, visitou repetidamente a ilha desde 1994.
Seu avô foi o Tenente-General Mitsuru Ushijima, comandante das forças do Exército Imperial Japonês em Okinawa, local da luta mais sangrenta da Guerra do Pacífico.
Ushijima cometeu suicídio em Mabuni, na ponta sul de Okinawa, onde a última grande batalha foi travada em 23 de junho de 1945, 65 anos atrás. Ele tinha 57 anos.
Okinawa agora celebra o 23 de junho, o dia em que a resistência japonesa às forças americanas cessou, como um dia para lembrar as mais de 200.000 vítimas.
Como professor, Sadamitsu há muito foca seus esforços em educação integrada, encorajando crianças com deficiências a aprender ao lado de seus colegas não-deficientes. Mas ele se mantinha longe de Okinawa como assunto.
Ele odiava seu nome, que inclui os mesmo ideogramas chineses que seu avô. Ele tinha medo de ser questionado sobre o falecido comandante. Sua primeira visita a Okinawa em 1994, a pedido de colegas, mudou isso.
Ele visitou um memorial da paz em Mabuni onde encontrou a ordem de “lutar até o fim” de seu avô em exibição na entrada. Uma explicação diz que, por causa daquela ordem, “mais de 100.000 civis não-combatentes foram deixados para trás no meio da saraivada de bombas e balas”.
Sadamitsu ficou petrificado. Mas logo ele percebeu que o único caminho a seguir era encarar de frente o passado.
Ele conversou com pessoas que conheceram o avô que ele nunca conheceu; entrou a caverna em Mabuni onde seu avô se matou; leu e releu seus poemas de morte muitas vezes.
“Mitsuru deu prioridade à defesa da pátria, onde o Imperador residia. Afinal de contas, ele tinha em mente somente o Imperador”, pensou Sadamitsu.
Descobrindo a resposta por si próprio, ele viu sua missão como professor. Ele começou a dar aulas de educação pela paz, passando adiante a história para as crianças. Ele já deu aulas em Okinawa, em Tóquio e por todo o Japão.
Em 18 de junho de 2010 ele visitou novamente a escola primária de Okinawa, no sétimo em que ministra suas aulas lá.
Sadamitsu falou sobre seu avô, a guerra e Okinawa, e então concluiu: “Forças armadas não defendem civis. Foi o que aprendemos com a Batalha de Okinawa”.
Tendo passado muito tempo odiando ser um Ushijima, agora ele entende como seu próprio destino está atrelado ao nome.
Fonte: Asahi Shimbun, 23 de junho de 2010.
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