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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Lembranças do Normandie-Niemen


Lembranças do Normandie-Niemen


Roland de La Poype, piloto de caça do famoso grupo de caça Normandie-Niemen e Herói da União Soviética, era muito jovem quando a Segunda Guerra Mundial começou, e disse que não aceitava o fato da França ter se curvado sem uma luta.

Tínhamos uma dívida com os russos que vieram nos ajudar entre 1914-1917. Eu sabia disso muito bem, e ir para a Rússia era quase uma obrigação pra mim. Então quando me perguntaram no quartel-general das Forças Francesas Livres do General De Gaulle se eu queria ir para a Rússia com um esquadrão, eu disse – claro, vou agora”, ele lembrou-se.

Cheguei à cidade russa de Ivanovo com outros pilotos franceses. Havia 14 de nós no total, e foi assim que o esquadrão Normandie começou. Tínhamos muito orgulho de estar no Exército Vermelho. Fizemos tudo que pudemos para alcançar o dia da vitória. Tínhamos um grande espírito de camaradagem, entre nós e com os russos também. Dizíamos pra eles – ‘amo vocês’. Conhecemos cavaleiros do Cáucaso, infantes que seguiam tanques e, claro, seus pilotos. Todos tomaram parte na batalha comunal e na vitória”.

Valentin Ogurtsov, mecânico aeronáutico do Normandie-Niemen durante a guerra, disse que estava no último ano da escola quando foi convocado para servir.

Todos os meninos da minha classe foram alistados. Tínhamos 17 anos na época. Fui levado para treinamento na cidade de Ivanovo. Fomos treinados na manutenção de motores dos Airacobras americanos. Antes de completarmos o treinamento, fomos transferidos para a cidade de Tula. Quando chegamos ao aeródromo local, nos disseram que nossos pilotos eram franceses. Mas nenhum deles falava russo nem nós falávamos francês. Os pilotos vinham até nós com um tradutor. E as aeronaves não eram os Airacobras que conhecíamos, eram Yaks russos. Durante o treinamento alguns pilotos se acidentaram”, disse ele.

Nossos franceses eram excelentes lutadores. Durante a guerra o Normandie-Niemen derrubou 273 aviões inimigos, o que é muito. Eles perderam 40 pilotos em ação. Costumavam chamar a nós mecânicos de ‘anjos da guarda’. Eles sabiam que trabalhávamos a noite toda para ter certeza que tudo estaria pronto de manhã”.

Fonte: Russia Today, 23 de junho de 2010.

Entrevista com Roland de La Poype


Entrevista com Valentin Ogurtsov


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