(14/07/1922 - 17/08/2010)
Faleceu no último dia 17 de agosto em Dawlish, Inglaterra, de causas naturais aos 88 anos de idade, o gaitista escocês que tocou durante do desembarque na Normandia, Soldado William "Bill" Millin.
Nascido em Glasgow, na Escócia, Bill era filho de um policial. Sua família emigrou para o Canadá quando ele era pequeno, e somente na adolescência ele voltou à Escócia. Já em serviço no Exército, devido à sua grande habilidade com a gaita de fole escocesa, ele foi escolhido pelo Brigadeiro Simon Fraser - o 15º Lorde Lovat - como seu gaitista pessoal. Embora o uso de gaitistas em batalha fosse uma antiga tradição militar escocesa, o Ministério da Guerra havia proibido o toque de gaitas em combate. Contudo, Lovat, um aristocrata escocês, resolveu desconsiderar as ordens superiores e pediu a Millin que tocasse durante o desembarque, para elevar o moral de sua unidade, a 1ª Brigada de Serviços Especiais. Millin, então com 21 anos, considerou o pedido uma honra.
Na manhã de 6 de junho de 1944, Lovat e Millin estavam no primeiro veículo de desembarque a chegar na praia Sword, na extrema esquerda da invasão. Enquanto os comandos desembarcavam, Millin tocou "The Road to the Isles" e saltou na água com seu saiote kilt, abrindo caminho para a praia em meio ao pesado fogo inimigo. Seguido de perto por Lovat, ele somente parou de tocar quando a unidade ficou sob fogo de um sniper nos arbustos perto da praia. Após a ameaça ser eliminada, ele mais uma vez recomeçou a tocar, seguindo pela estrada à frente dos comandos ingleses, finalmente chegando ao objetivo da unidade: fazer a ligação com os paraquedistas que haviam tomado a Ponte Pegasus. Com galhardia, Millin atravessou a ponte, escutando o estalar das balas inimigas contra a estrutura metálica, e tocou até a unidade chegar aos arredores da vila de Ranville, que deveriam tomar. Nos combates que se seguiram, sua gaita foi mortalmente danificada por estilhaços, e ele não pôde mais tocar. Soldados alemães capturados na praia foram questionados sobre o porquê de não terem atirado em Millin: "Pensamos que ele era louco". O próprio Bill Millin falou sobre suas ações anos depois: "Eu não percebi que estavam atirando em mim. Quando você é jovem, faz coisas que nunca sonharia em fazer ao ficar mais velho".
Após a guerra, Millin trabalhou na propriedade rural de Lorde Lovat em Inverness, e mais tarde tornou-se gaitista numa companhia volante de teatro. Ainda trabalhou como enfermeiro num hospital psiquiátrico antes de aposentar-se em Devon. Em 1962, sua curiosa participação nos combates na Normandia foi imortalizada no filme "O Mais Longo dos Dias", onde foi interpretado pelo gaitista pessoal da Rainha Mãe, Major Leslie de Laspee.
Em 2007, os franceses levantaram 120 mil dólares para erigir uma estátua em homenagem ao Gaitista Millin em Colleville-Montgomery, no litoral da Normandia. Tendo viajado diversas vezes à França e aos EUA para falar sobre sua experiência, Millin tocou no funeral de Lorde Lovat em 1995. Bill Millin era viúvo e deixa um filho.
Millin tocando para os comandos ingleses após chegarem à Ponte Pegasus.
Bill Millin em sua casa em 2004.
Veja também:
>>Nota de Falecimento: David Wood
>>Nota de Falecimento: Maurice Chauvet
>>Nota de Falecimento: Frank Gregory-Smith
>>Davi e Golias na Batalha da Normandia
>>Nota de Falecimento: Ernst Barkmann
Comente aqui!

0 comentários:
Postar um comentário