(10/08/1923 - 16/10/2010)
Faleceu no último dia 16 de outubro em Austin, Texas, de causas naturais aos 87 anos de idade, o piloto veterano do Escuadrón 201, as "Águias Astecas", Capitão Reynaldo Pérez "Rey" Gallardo.
Nascido em San Luis Potosí, no México, Rey era filho de um general do Exército Mexicano, e entrou para a Cavalaria Mexicana com apenas 14 anos de idade. Lá ele conheceu a aviação, e segundo ele: "Fiquei louco para voar quando vi um avião pela primeira vez". Quando submarinos alemães afundaram dois petroleiros mexicanos em maio de 1942, o país declarou guerra às potências do Eixo, e o presidente Manuel Avila Camacho ordenou a formação do Escuadrón Aéreo de Pelea 201 (Esquadrão Aéreo de Caça 201), que deveria ser enviado para combate no exterior. Nomeado comandante da Fuerza Aérea Expedicionaria Mexicana, o Coronel Antonio Cárdenas Rodríguez abriu um chamado por voluntariado, que Rey Gallardo prontamente atendeu.
Após receber treinamento básico com instrutores norte-americanos ainda no México, os pilotos foram enviados para Laredo, Texas, em 24 de julho de 1944. Transferidos para Greenville, no mesmo estado, em 30 de novembro, receberam treinamento em táticas de combate, formação e armamento, graduando-se em 20 de fevereiro de 1945. As Águias Astecas embarcaram para as Filipinas em 27 de março de 1945, chegando a Manila em 30 de abril e sendo subordinados ao 58º Grupo de Caça do 5º Comando de Caça (5ª Força Aérea) em Porac, Luzon. Rey Gallardo lembrou-se que "quando entramos em combate pela primeira vez, os americanos nos desprezavam, pelo menos um pouco. Eles não falavam, mas nós notávamos". Em uma missão em conjunto com americanos, Gallardo atacou uma coluna de veículos japoneses e entusiasmou-se, fazendo um "tunneu da vitória". Ele então ouviu um dos americanos caçoando dele no rádio, dizendo: "Olha só aquele mexicano maluco". Gallardo ofendeu-se e, por rádio, desafiou o piloto a acertar as contas atrás do hangar após pousarem. Sem ter ideia de quem iria enfrentar, Gallardo foi até o local acertado e teve uma desagradável surpresa: "Quando o vi, percebi que era 3 vezes maior e 4 vezes mais pesado que eu. Ele olhou pra mim e perguntou se eu ainda queria lutar. Eu disse 'Pois eu vou lutar com você seu filho da p***!'". Felizmente, depois de uma rápida troca de socos, os dois se cumprimentaram e tornaram-se amigos. O incidente quebrou o gelo entre americanos e mexicanos, e reduziu a tensão entre os grupos.
Em julho de 1945, enquanto realizava uma missão de ataque terrestre a alvos japoneses em Taiwan, ele foi atingido pela antiaérea e ferido na cabine. Gallardo teve que conduzir a aeronave danificada de volta às Filipinas, onde fez um pouso forçado e colidiu seu P-47 Thunderbolt com uma ambulância.
Após a guerra, o Escuadrón 201 voltou ao México, onde foi dissolvido. Mudando-se para os EUA, Rey Gallardo nunca desapegou-se da aviação, e sempre falou de sua experiência em escolas e eventos públicos no Texas. "Estávamos ansiosos por acertar as contas com os japoneses, e acho que o fizemos. Estou feliz por termos tido a oportunidade de fazê-lo", disse ele. "Neste ponto da minha vida, não estou preocupado com gratidão ou reconhecimento, nem quero que as pessoas saibam o que nós ou eu pessoalmente fizemos, mas o que o México fez durante a guerra".
Rey Gallardo usando o uniforme do Escuadrón 201 em um show aéreo em San Diego, Califórnia, em maio de 2003.
Um dos Thunderbolts das Águias Astecas sobre as Filipinas em 1945.
Veja também:
>>Câmera de combate do P-47
>>Nota de Falecimento: Renato Goulart Pereira
>>Nota de Falecimento: Edward Roddy
>>Restos de aeronave japonesa encontrados em Bataan
>>Fernando Corrêa Rocha
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