(27/01/1910 - 25/11/2010)
Faleceu no último dia 25 de novembro em Heidelberg, Alemanha, de causas naturais aos 100 anos de idade, o comandante das Forças Especiais Brandenburg e ganhador da Cruz do Cavaleiro, Oberstleutnant Wilhelm Walther.
Logo após a queda da Polônia em outubro de 1939, o Abwehr emitiu ordens para a criação de um batalhão de operações especiais que foi eufemisticamente chamado de "Companhia de Treinamento e Construção Nº 800". O então Leutnant Walther recebeu o comando da 4ª Companhia em 15 de dezembro. Por receber treinamento em um acampamento perto da região de Brandenburg, em Berlim, essas forças especiais alemãs tornaram-se mundialmente conhecidas como "Brandenburgers", e eram compostas de soldados de elite, especialistas em sabotagem e fluentes em muitas línguas, operando atrás das linhas inimigas.
Em 8 de maio de 1940, dois dias antes da invasão da Holanda, Bélgica e França, Brandenburgers vestidos em uniformes militares holandeses cruzaram a fronteira com a missão de capturar pontes vitais ao avanço alemão. Às 2h da manhã de 10 de maio, uma unidade de 8 homens sob o comando de Walther aproximou-se da ponte sobre o rio Meuse em Gennep. Fingindo estar escoltando prisioneiros alemães, eles se aproximaram dos defensores da ponte e tomaram dois postos de guarda de surpresa. Contudo, com a reação de um dos holandeses, três alemães se feriram e os postos de guarda do outro lado da ponte abriram fogo sem saber ao certo o que se passava. Foi então que o Leutnant Walther, vestido em uniforme holandês, avançou sozinho pela ponte, na mira das metralhadoras dos guardas, que hesitaram em abrir fogo contra o que pensaram ser um dos seus. A hesitação foi o suficiente para os alemães tomarem o controle da ponte e desativar os explosivos nela montados, pouco antes da chegada dos primeiros Panzers, que consolidaram a posição.
Por esta ação, Walther foi promovido a Oberleutnant e tornou-se o primeiro soldado Brandenburger a ser condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro, em 24 de junho de 1940.
Ele então tornou-se instrutor de operações especiais. Com a expansão dos Brandenburgers para um regimento, Walther foi nomeado comandante do 1º Batalhão, e com o início da Operação Barbarossa, recebeu o comando geral das operações especiais na União Soviética. Sob seu comando, os Brandenburgers realizaram inúmeras bem-sucedidas ações por trás das linhas soviéticas, causando confusão e pânico. Já como Major, e com a formação da Divisão Brandenburg no fim de 1942, ele recebeu o comando do 1º Regimento. Transferido para os Bálcãs em 1943, ele chefiou operações de combate a partisans ao noroeste de Atenas e, a partir de fins de 1944, comandou seus homens em operações regulares no front leste.
No fim da guerra, Walther foi entregue às autoridades holandesas, que o condenaram à morte. Contudo, sua sentença foi comutada e ele libertado. Após a guerra, as táticas empregadas pelos Brandenburgers foram adaptadas em equipes de forças especiais pelo mundo todo, incluindos os SEALs norte-americanos e o GSG9 alemão. Tendo comemorado seu centenário no começo deste ano, o longevo Wilhelm Walther deixa esposa e três filhos.
A ponte de Gennep, já capturada pelos alemães.
Walther como comandante dos Brandenburgers na União Soviética.
Veja também:
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>>Nota de Falecimento: Adolf Dickfeld
>>Nota de Falecimento: Hans Röger
>>Nota de Falecimento: Marcel Bigeard
>>Nota de Falecimento: Robert Prince
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