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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Nota de Falecimento: John Finn

John Finn
(23/07/1909 - 27/05/2010)

Faleceu no último dia 27 de maio em Chula Vista, Califórnia, de causas naturais aos 100 anos de idade, o mais antigo ganhador da Medalha de Honra do Congresso, Tenente John William Finn.

Nascido em Los Angeles, Califórnia, Finn largou a escola para alistar-se na Marinha aos 16 anos, em julho de 1926. Após receber o treinamento de recruta em San Diego, ele recebeu treinamento especializado na Estação Naval dos Grandes Lagos, passando a servir como municiador de aeronaves e armas antiaéreas. Finn serviu a bordo de muitos navios, entre eles os porta-aviões USS Lexington e USS Saratoga. Em dezembro de 1941, ele estava estacionado na Estação Aérea da Marinha em Kaneohe Bay, na ilha de Oahu, Havaí, sendo responsável pela equipe que municiava o esquadrão de PBY-5s Catalina.

Na manhã de 7 de dezembro, Finn dormia com sua esposa Alice quando acordou sobressaltado ao ouvir aeronaves passando baixo e som de metralhadoras. Vestindo-se rapidamente, ele tomou um carro e partiu em direção à pista, ainda respeitando o limite de velocidade permitido dentro da base. Foi quando uma aeronave japonesa veio rasante por trás dele e virou-se, revelando os brilhantes hinomarus nas asas: "Eu escutei o avião vindo por trás de mim; quando olhei, o cara fez uma virada com as asas, e eu vi a grande almôndega vermelha, o símbolo do sol nascente, sob sua asa. Bem, eu joguei uma marcha pra cima e fico impressionado por não ter atropelado todos os marinheiros naquela base", lembrou-se décadas mais tarde. Quando chegou, Finn percebeu que os Catalinas já estavam em chamas, então tomou uma metralhadora 12,7 mm e foi para uma área aberta, abrindo fogo contra os japoneses. "Eu estava lá atirando nos japas e também sendo alvo deles. Algumas vezes cheguei a ver suas caras", lembrou-se. Ele continuou atirando por duas horas, recebendo um total de 21 ferimentos, nos dois pés, joelho direito, peito, ventre, cabeça e uma perfuração no braço esquerdo que inutilizou o membro. Finn ainda manteve-se disparando a metralhadora, com um único braço, até que o ataque cessou.

Hospitalizado naquela tarde, Finn ainda ajudou a armar os aviões americanos que restaram. No dia 15 de setembro de 1942, à bordo do porta-aviões USS Enterprise, John Finn recebeu a Medalha de Honra do Congresso das mãos do Almirante Chester Nimitz. Ele foi um dos 15 ganhadores por ações durante o ataque a Pearl Harbor, e um dos 5 a sobreviver ao ataque. Durante o restante da guerra, Finn serviu nos Estados Unidos; posteriormente ele foi transferido para o esquadrão de bombardeiros VB-102 à bordo do porta aviões USS Hancock, finalmente aposentando-se em setembro de 1956.

Finn viveu em um rancho perto de Pine Valley, Califórnia, por toda a sua aposentadoria. Ele participava constantemente de encontros de veteranos e acabou tornando-se o mais antigo ganhador da Medalha de Honra e também o último dos ganhadores por Pearl Harbor ainda vivo. Viúvo desde 1998, ele conheceu a Casa Branca em março de 2009, e celebrou seu 100º aniversário com a visita de muitos outros ganhadores da Medalha de Honra. Em 2001, Finn foi um dos veteranos convidados ao Havaí para a estréia do filme "Pearl Harbor": "É um filme muito bom. Ajuda a educar as pessoas que não conhecem Pearl Harbor e o que aconteceu lá. Mas o que eu mais gostei foi que pude beijar todas aquelas belas jovenzinhas atrizes de cinema".

John Finn (sentado, de branco) comemorando seu 100º aniversário com outros ganhadores da Medalha de Honra.

Veja também:
>>Por que a confusão? Porque ele é um herói de Pearl Harbor
>>Nota de Falecimento: Jack Lucas
>>Nota de Falecimento: Nathan Gordon
>>Nota de Falecimento: Shizuya Hayashi
>>Nota de Falecimento: Michael Daly
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

URSS teve duas chances de matar Hitler

URSS teve duas chances de matar Hitler


A União Soviética teve pelo menos duas oportunidades para eliminar Adolf Hitler, mas Josef Stalin não deu sua aprovação, temendo a assinatura de uma paz separada entre Alemanha e os Aliados.

Os fatos foram revelados pelo ex-ministro do interior da Rússia, General Anatoly Kulikov, numa conferência chamada “Páginas Desconhecidas da Grande Vitória”, que aconteceu na Academia Militar do Quartel-General das Forças Armadas da Rússia.

Poucas pessoas sabem que em 1941 a liderança da União Soviética tomou a decisão de eliminar Hitler. A princípio, foi planejado fazer isso na Rússia, em Moscou, caso tropas alemãs tomassem a capital. Mais tarde foi decidido matar Hitler em seu quartel-general. Porém, repentinamente em 1943, Stalin decidiu não fazer isso, temendo que, com a morte de Hitler, seus sucessores assinassem uma paz separada com a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, sem o envolvimento da Rússia. Os fatos provam que tais negociações existiram”, disse Kulikov.

De acordo com o General, que agora lidera o Clube de Comandantes Militares da Federação Russa, a União Soviética teve uma segunda chance de assassinar Hitler em 1944.

Um detalhado plano para o ataque foi preparado, mas uma repentina rejeição por parte de Stalin novamente aconteceu. E isso aconteceu apesar do fato de que já havia uma pessoa preparada, que intencionalmente rendeu-se aos alemães e estava gozando de sua confiança. A operação tinha todas as chances de sucesso”, ele destacou.

Kulikov acrescentou que o Clube de Comandantes Militares possui uma quantidade ainda maior de fatos pouco conhecidos sobre a Grande Guerra Patriótica.

Estamos planejando publicar uma coleção de 500 ou 600 páginas desse material, e revelá-lo ao público”, anunciou.

Fonte: Russia Today, 25 de maio de 2010.

Veja também:
>>Livro: Quero Matar Hitler
>>Fui o guarda-costas de Hitler
>>Polêmica sobre os restos de Hitler na Rússia
>>“Caro Tio Adolf”: documentário sobre cartas para Hitler
>>Nota de Falecimento: Philipp von Boeselager
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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Nota de Falecimento: Peter Hall

Peter Hall
(16/05/1922 - 22/05/2010)

Faleceu no último dia 22 de maio na Inglaterra, de causas naturais aos 88 anos de idade, o ás neo-zelandês Flight Lieutenant Peter Francis Locker Hall.

Nascido em Opotiki, Nova Zelândia, Hall encantou-se por aeronaves após o pai pagar-lhe um voo de passeio com pioneiro aviador australiano Charles Kingsford Smith em 1928. Desde então o paqueno Hall fixou-se na ideia de tornar-se um piloto. Contudo, ele tornou-se um professor primeiro, juntando-se à RNZAF (Royal New Zealand Air Force) em julho de 1941. Após o treinamento básico no país, ele foi enviado à Inglaterra, onde integrou um esquadrão de Spitfires de reconhecimento fotográfico. Em julho de 1943 ele foi transferido para o 488º Esquadrão, estacionado na Escócia e equipado com o Bristol Beaufighter, para missões ofensivas noturnas. Foi onde ele iniciou a parceria com o navegador R. D. Marriot.

O esquadrão foi reequipado com De Havilland Mosquitos em agosto de 1943, sendo também transferido para o sul da Inglaterra. Agora bem perto da ação, Hall abriu seu escore na madrugada de 26 de novembro, quando seu radar capturou um Messerschmitt Me 410 incursor, que ele abateu sobre o Canal da Mancha. Em 23 de fevereiro de 1944, ele iniciou a perseguição de uma aeronave pega por holofotes, levando abaixo um Heinkel He 177 do KG 100. Após o Dia-D, o 488º Esquadrão foi designado para apoiar as forças Aliadas em terra, e durante os meses de junho, julho e agosto, a dupla derrubou cinco Junkers Ju 88s. A última vitória de Hall viria na noite de 5 para 6 de agosto, quando um Dornier Do 217 foi vítima de suas armas. Ele foi condecorado com a Distinguished Flying Cross e uma barra por seus feitos.

Após a guerra ele permaneceu na Inglaterra com sua esposa inglesa Mary, e tornou-se vendedor de aeronaves da De Havilland. Hall fazia frequentes viagens à Nova Zelândia à trabalho, e inclusive esteve a bordo do primeiro voo do De Havilland Comet ao país, em 1950. Ele deixou a empresa em 1972 e abriu uma bem-sucedida loja de restauração de móveis. Sua esposa faleceu em 2009. Peter Hall, ás de 8 vitórias aéreas confirmadas, deixa três filhos e muitos netos.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Douglas Oxby
>>Vídeo: Peter Spoden demonstra suas táticas de caça
>>Nota de Falecimento: John Pattison
>>Nota de Falecimento: Wolfgang Falck
>>Nota de Falecimento: Günther Bahr
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Enfrentei fogo pesado no Pacífico

Enfrentei fogo pesado no Pacífico

Algumas vezes Mike O’Connor, 86 anos, tem uma “memória olfativa”, que o leva de volta décadas atrás.

De vez em quando, eu sinto aqueles exaustores soprando”, referindo-se à fumaça dos motores dos navios de desembarque, recorda o residente e Lakeland, Flórida.

O’Connor pilotava um tipo especializado de navio de desembarque – conhecido como Barco Higgins – através de todo o Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, sempre sob fogo enquanto despejava fuzileiros e soldados nas cabeças-de-praia ocupadas.

Os barcos carregavam 36 tropas e uma tripulação de 4; a rampa se abria na frente, dando ao inimigo um campo de tiro livre para atingir o que estivesse dentro.

Eram barcos de madeira compensada e era fácil, naquelas águas, abrir buracos neles”, ele disse. “Então tínhamos que rebocá-los de volta, para dentro e consertá-los dentro do navio. Eles me deram um jipe para desembarcar em Guam. Não consegui levar o barco até a praia, então abrimos a frente e a água entrou, inundando tudo”.

Nos escondemos atrás de uma linha cavada na praia até que o tiroteio dos japoneses desvaneceu”, lembrou-se O’Connor, “então bombeamos a água para fora e fomos rebocados pelo navio”.

O’Connor juntou-se à Marinha dos EUA em 8 de dezembro de 1942, e foi levado para o campo de treinamento em Bainbridge, Maryland, onde viu neve pela primeira vez. Foi um choque para um jovem que só conhecia climas tropicais e subtropicais.

O’Connor e suas três irmãs nasceram em Honduras. Seu pai, Michael Ronald O’Connor, tinha ido para lá trabalhar como engenheiro ferroviário da United Fruit Company. Ele conheceu e se casou com Petrona, futura mãe de Mike, cuja ancestralidade remonta à civilização maia.

Fonte: The Ledger, 23 de maio de 2010.


Veja também:
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>>Culto à Carga sobrevive no Pacífico Sul
>>Camarote para a rendição
>>Paul Newman foi um condecorado marinheiro na SGM
>>Lembranças do Sargento Donald Boyd
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terça-feira, 25 de maio de 2010

Avô inglês pode ter matado Michael Wittmann

Avô inglês pode ter matado Michael Wittmann


Um avô britânico está sendo creditado com a eliminação do temido ás dos tanques alemães, o “Barão Negro” Michael Wittmann.

Novas evidências surgiram sugerindo que Joe Ekins, 86, disparou o tiro fatal que encerrou o reino de terror do mais temido comandante de tanques da Alemanha Nazista, SS-Hauptsturmführer Michael Wittmann.

Historiadores argumentaram por décadas sobre quem matou o Barão Negro após o Exército Canadense, Forças Polonesas e a RAF clamarem responsabilidade pelo feito.

O Barão foi um herói de guerra alemão e peça de propaganda de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, após destruir 138 tanques Aliados e 132 armas antitanques.

Agora, o avô de dois, residente em Rushden, Northantshire, foi revelado como o verdadeiro soldado que disparou aqueles três tiros fatais que explodiram o tanque de Wittmann no campo de batalha do norte da França em 8 de agosto de 1944.

Historiadores de um canal de televisão passaram dois anos produzindo o documentário “Wittmann vs. Ekins: A morte de um ás dos Panzers”.

Eles dizem que o Sr. Ekins era o único que estava a alcance de fogo do Barão Negro e o único que possuía uma arma com calibre suficiente para destruir um tanque Tiger alemão.

O Sr. Ekins, do 1º Regimento Northampton Yeomanry, aprovou o documentário e acrescentou que Wittmann, de 30 anos de idade, “merecia morrer”.

Ele disse: “Num campo de batalha eu não acho que ninguém pode ter 100% de certeza, mas agora a maioria dos historiadores parecem estar certos de que fui eu”.

Eu não tenho arrependimentos, ele merecia morrer e estou contente de ter sido o cara que fez isso”.

O documentário está sendo colocado à venda em DVD.

Fonte: The Telegraph, 15 de maio de 2010.

Michael Wittmann fotografado em seu Tiger em maio de 1944.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Ernst Barkmann
>>Vídeo: Tiger vs. Sherman
>>Adalbert Schulz
>>Hermann von Oppeln-Bronikowski
>>Vídeo: O rugido do Tigre
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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Evento: ANR em Campoformido 2010

ANR em Campoformido - 2010


por Paul Perron

Em 29 de abril de 2010, você não poderia pedir por um dia melhor; o clima estava quente e ensolarado, sem uma nuvem no céu. O local era Campoformido, base operacional do 1º Gruppo Caccia cerca de 65 anos atrás. Uma pequena parte da base ainda é ativamente utilizada pela Força Aérea Italiana, e alguns prédios originais ainda estão presentes, em condições relativamente decentes.

Os pilotos que compareceram neste dia foram Franco Benetti, do 2º Gruppo Caccia; Gino Pizzati, do 1º Gruppo Caccia; Bruno Tito Livio, do 1º Grupo Caccia e Olimpio Agostinis, do 1º Gruppo Caccia. O Sr. Agostinis era mecânico, e trabalhou nos Macchi MC.205s e Fiat G.55s.

Este encontro anual tem três propósitos específicos. Primeiro, para lembrar Santa Catarina de Siena, que é padroeira da Itália junto com São Francisco. Segundo, para honrar a memória daqueles que perderam suas vidas defendendo seu país do incessante bombardeio pelas forças anglo-americanas. Terceiro, é o dia em que o Maggiore Visconti e seu ajudante-de-campo, Tenente Stefanini, foram assassinados a sangue frio por partisans comunistas.

Foi a segunda vez que compareci à cerimônia, que sempre foi uma experiência prazerosa, com cerca de 30 pessoas comparecendo este ano. Novamente, é o tipo de coisa que você deve ficar sabendo ou ser convidado – não há publicidade.

A pequena cerimônia começou com uma procissão para a igreja localizada não muito longe do portão principal. Quando todos chegaram e assentaram-se, um capelão militar começou a celebração. Quando a missa terminou, retornamos ao portão principal onde uma belíssima estátua em art deco futurista está localizada.

Quando todos estavam presentes, a segunda parte da cerimônia teve início com uma coroa de flores sendo colocada em memória dos mortos, um corneteiro tocou “Taps” e o “poema do aviador” foi lido. Depois disso, fomos todos para uma pequena sala para um coquetel, onde todos aproveitaram um bom vinho e petiscos.

A próxima parada foi um restaurante para um maravilhoso almoço onde todos compareceram. Durante a refeição houve muitos brindes, e interessantes histórias foram contadas por cada um desses antigos guerreiros. Também, muitas perguntas foram respondidas sobre o que eles fizeram durante aqueles distantes dias tantos anos atrás, e muitos autógrafos foram assinados. Suas memórias ainda estão afiadas e cada um deles apreciou relembrar-se para os presentes como era a vida durante a Segunda Guerra Mundial.

Foi outro grande dia passado com meus amigos, algo que anseio em todas as ocasiões. Vários veteranos não puderam comparecer por diversas razoes, mas na maioria por causa da idade. Há somente um punhado de veteranos da ANR ainda vivos, então para mim e os outros, toda vez que os vemos é uma ocasião especial. Já estou ansioso pela próxima reunião neste mês de setembro.










Paul Perron é colaborador da Sala de Guerra. Vive na Itália e é pesquisador da história militar italiana na Segunda Guerra Mundial, tendo entrevistado dezenas de veteranos das forças armadas.


Veja também:
>>Evento: Reunião 2008 da ANR
>>Giovanni Bonet
>>Luigi Poluzzi - Uma história de guerra e de paz
>>Mario Bellagambi
>>O Tenente Longhini e o B-17G 44-8391
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Últimos veteranos japoneses falam sobre Nanking

Últimos veteranos japoneses falam sobre Nanking


O jovem infante japonês Sawamura ficou apático quando foi ordenado a baionetar um civil chinês, enquanto colegas olhavam e o incentivavam.

Você o capturou, agora livre-se dele”, esbravejou seu tenente, jogando o soldado de 21 anos contra a tremulante vítima, apenas dias após tropas japonesas conquistarem a cidade chinesa de Nanking, em dezembro de 1937.

Me inclinei para frente e enfiei a lâmina no seu corpo até que saiu do outro lado”, disse Sawamura, que agora tem 94 anos. “Éramos ensinados a não desperdiçar balas. Era o treinamento básico”.

Eu disse a mim mesmo pelo resto da vida que matar é errado”, disse o veterano do Exército Imperial Japonês, que recusou-se a dar seu sobrenome, numa entrevista em Kyoto.

Sawamura é parte de um grupo que encolhe rapidamente: os ex-soldados japoneses que tomaram parte no Massacre de Nanking, considerado por historiadores como a pior atrocidade de guerra cometida pelos japoneses na China.

Historiadores geralmente estimam que 150.000 pessoas foram mortas, milhares de mulheres foram estupradas e milhares de lares foram incendiados numa orgia de violência que durou até março de 1938, no que era até então a capital do governo nacionalista chinês.

Num estudo conjunto de um comitê sino-japonês de história liberado em 2009, a China disse que o número de vítimas excede 300.000, enquanto os historiadores japoneses estimam que o número real está entre 20.000 e 200.000 mortos.

Sawamura – que agora passa seus dias regando plantas e decorando a casa com fotos do netos – é um dos últimos japoneses vivos que participaram ativamente do massacre na cidade que agora chama-se Nanjing.

Poucos veteranos aceitam falar sobre o que no Japão ainda permanece como tabu, e muitos levaram seus testemunhos para o túmulo. Mas esse ano, num último esforço para manter viva esta obscura memória, a ativista japonesa Tamaki Matsuoka lançou um documentário no qual veteranos falam pela primeira vez em filme sobre a matança e os estupros.

Memórias Dolorosas de Nanjing foi recentemente ao ar no Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, e em pouco tempo pode estrear no Festival de Cinema de Sydney.

Por mais de uma década, Matsuoka - uma professora aposentada e inimiga dos conservadores nacionalistas japoneses - entrevistou centenas de sobreviventes chineses do banho de sangue e cerca de 250 veteranos japoneses que estiveram lá. Hoje, somente três desses soldados ainda vivem, incluindo Sawamura.

Mesmo que estrangeiros assistam o filme, também quero que o povo do Japão assista para aprender sobre isso”, disse Matsuoka. Mas apesar dos seus esforços, poucos japoneses poderão ver o documentário, que até agora só está sendo exibido em três cinemas.

A história do Japão durante a Segunda Guerra Mundial permanece um assunto sensível no país, e um espinho nas relações de Tóquio com seus vizinhos asiáticos, que frequentemente reclamam que o Japão não assumiu suficientemente seus crimes.

Livros escolares japoneses atenuam os crimes do país durante a guerra, ressaltando as provocações da China e outros países. Alguns membros do governo chamaram o Massacre de Nanking de invenção chinesa.

Embora as atrocidades estejam bem documentadas no resto do mundo, principalmente por relatos de vítimas e estrangeiros que viviam em Nanking na época, testemunhos japoneses têm sido descartados.

O punhado de veteranos que testemunharam publicamente vêm sendo criticados por grupos nacionalistas de ultra-direita, ou acusados pelas famílias dos mortos na guerra de traição e deturpação da memória dos soldados.

Matsuoka disse que está lutando por uma causa que muitas vezes ameaça sua vida e quase sempre parece infrutífera. Ela já foi interpelada por nacionalistas que protestam em seus eventos e gritam insultos – algumas revistas já a chamaram de espiã chinesa.

Alguns dos soldados inicialmente a expulsaram ou fingiram senilidade ao serem questionados, ela disse. Esposas enfurecidas enxotavam-na ou impediam seus maridos de falar sobre molestar mulheres.

Levou uma década para ganhar sua confiança e persuadi-los a falar para a câmera, ela disse. No fim, alguns confiaram-lhe fotos e objetos, incluindo um cartão postal de soldados comemorando ao lado de uma pilha de caveiras e outro mostrando-os brincando com o coração de uma vítima.

No Japão existe o ditado que diz ‘o prego que fica para fora tem que ser nivelado’. Mas eu sou um prego que se estica tanto para fora que ninguém mais consegue nivelar”, brincou Matsuoka.

Os testemunhos que ela conseguiu são poderosos.

Outro veterano japonês, o ex-aviador naval Sho Mitani, 90, recontou como a visão de corpos apodrecendo e sangue coagulado despertou nele um misto de curiosidade e repulsa.

Vivíamos numa época onde aprendíamos que chineses não eram humanos”, disse ele. “O Exército usava um som de trombeta que significava ‘mate todos os chineses que correrem’. Aprendíamos desde pequenos nas escolas que os chineses eram como insetos”.

Mitani disse que levou uma década para encontrar coragem para dar seu testemunho de chineses sendo dizimados por metralhadoras enquanto tentavam fugir nadando pelo rio Yangtze.

Ele disse que decidiu falar quando o governador conservador de Tóquio, Shintaro Ishihara, numa entrevista em 1990, disse que o massacre era uma mentira.

Eu disse a mim mesmo ‘isso é errado’, porque aconteceu de verdade”, disse Mitani, que testemunhou a matança por uma luneta de um destróier da Marinha. “Eu tinha que contar a verdade”.

Fonte: France 24, 16 de maio de 2010.

Veja também:
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>>Jornalismo a serviço das autoridades de guerra
>>Documentário retrata relação de Hirohito com os militares
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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Nota de Falecimento: Ludwik Martel

Ludwik Martel
(05/03/1919 - 25/04/2010)

Faleceu no último dia 25 de abril em Londres, de causas naturais aos 91 anos de idade, o último sobrevivente do "Circo de Skalski", Tenente-Coronel Ludwik Martel.

Nascido em Piotrkow Trybunalski, na província polonesa de Lodz, Martel graduou-se na Academia Aeronáutica de Cadetes da Reserva em Radom. Quando os alemães invadiram a Polônia em setembro de 1939 e derrotaram as forças armadas nacionais num rápido combate, ele fugiu para a França. Em março de 1940 prosseguiu para a Inglaterra, sendo comissionado na RAF em maio e transferido para a nova Força Aérea Polonesa no exílio em 6 de agosto. Como o mais jovem piloto polonês a participar da épica Batalha da Inglaterra, Martel juntou-se ao 603º Esquadrão, pilotando o Supermarine Spitfire, em 28 de setembro de 1940, no auge dos combates. No dia 3 de outubro ele derrubou um Messerschmitt Me 109, mas em 25 do mesmo mês foi forçado a fazer um pouso forçado após ser duramente alvejado por um caça alemão, sofrendo um ferimento de estilhaço na perna esquerda.

Após recuperar-se da ferida, foi designado para o 317º Esquadrão em 19 de março de 1941. Durante o ápice dos combates no Norte da África após a vitória em El Alamein, o Alto-Comando polonês quis que um pequeno grupo de seus pilotos fosse ambientado a operações em condições adversas, e dessa forma, uma unidade de elite foi formada: o Circo de Skalski. Liderada pelo maior ás polonês da guerra, Stanislaw Skalski, a unidade foi composta de 15 pilotos voluntários, que chegaram ao aeródromo de Bu Grara, a oeste de Trípoli, em 13 de março de 1943. Nessas operações contra a Luftwaffe e Regia Aeronautica na África, Martel danificou um Fw 190 em 4 de abril, e no dia 20 derrubou um Me 109 e danificou um Macchi MC 200. O Circo de Skalski foi extremamente bem-sucedido, e depois da rendição do Eixo na Tunísia em 13 de maio ainda participou da invasão da Sicília em junho. Martel retornou à Inglaterra em julho e assumiu o comando de voo do 317º Esquadrão em novembro. Em setembro de 1944 ele foi condecorado com a maior honraria militar da Polônia, a Ordem Virtuti Militari. transferido para o QG da Força Aérea Polonesa, permanecendo em postos de estado-maior até o fim da guerra.

Ludwik Martel desligou-se da Força Aérea Polonesa em 1947 e escolheu permanecer na Inglaterra, evitando o governo comunista da Polônia. Bastante querido pelos veteranos da RAF, Martel era sempre chamado para representar os aviadores poloneses em eventos. O Spitfire Mk.Vb da Historical Aircraft Collection está pintado com as marcações de seu caça durante serviço no Norte da África.

Ludwik Martel com o Spitfire da Historical Aviation Collection pintado em sua homenagem.

Agradeço ao amigo Robert Motyl pela dica!

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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Adivinha o que tem na minha van?

Adivinha o que tem na minha van?


Uma delegacia da polícia inglesa foi evacuada após um cidadão tentar entregar um morteiro ativo da Segunda Guerra Mundial, que havia encontrado na floresta.

O homem descobriu a bomba enquanto cavava na floresta de Whiteway, perto de Arundel, Inglaterra. Ele levou o artefato para delegacia de polícia de Littlehampton em West Sussex, deixando-o em sua van, estacionada do lado de fora.

A delegacia foi evacuada, assim como a central de ambulâncias próxima, e a polícia montou um cordão de isolamento com 100 metros de raio.

O esquadrão anti-bombas da Royal Navy chegou de Portsmouth para analisar o morteiro. Eles concluíram que embora ativo, poderia ser removido com segurança em um contêiner e que uma explosão controlada não era necessária.

O homem havia achado a bomba no começo da tarde, com a ponta para fora do solo.

Um porta-voz da polícia disse: “O esquadrão anti-bombas pediu-nos para avisar as pessoas que elas devem deixar esses objetos onde foram encontrados e chamar a polícia, para que especialistas venham ao local removê-los com segurança”.

Fonte: Daily Mail, 18 de maio de 2010.

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terça-feira, 18 de maio de 2010

Nota de Falecimento: Walker Mahurin

Walker Mahurin
(05/12/1918 - 11/05/2010)

Faleceu no último dia 11 de maio em Newport Beach, Califórnia, de complicações seguidas a um derrame aos 91 anos de idade, o ás norte-americano Coronel Walker Melville "Bud" Mahurin.

Nascido em Benton Harbor, Michigan, Mahurin era um estudante de engenharia na Universidade de Purdue quando juntou-se à USAAF em 29 de setembro de 1941. Graduado em 29 de abril de 1942, ele foi designado para o 63º Esquadrão do 56º Grupo de Caça. A unidade chegou à Inglaterra em janeiro de 1943 e foi alocada na base aérea de Halesworth. Feito líder de voo do 63º Esquadrão, Mahurin começou a voar missões em maio daquele ano, no cockpit de um Republic P-47 Thunderbolt chamado "The Spirit of Atlantic City, N. J.".

Ele abriu seu escore em 17 de agosto de 1943 quando derrubou dois Fw 190s enquanto escoltava B-17s participantes da trágica missão sobre Schweinfurt/Regensburg. Um dos dois Focke-Wulfs era pilotado pelo Major Wilhelm "Wutz" Galland, comandante do II./JG 26 e irmão do General Adolf Galland. Em missão no dia 3 de outubro sobre Düren, na Alemanha, ele tornou-se um ás ao derrubar 3 Messerschmitt Me 110s. Mahurin fez história no mês seguinte, novembro, ao derrubar sua décima presa e tornar-se o primeiro duplo-ás norte-americano na Europa. Promovido a Major em 21 de março de 1944, seis dias depois ele se encontrava em missão sobre a França, onde avistou um Dornier Do 217. Ao atacar a aeronave, Mahurin recebeu pesado fogo defensivo, que danificou seu avião e forçou-o a saltar: "Quando me dei conta, eu estava no interior da França ao meio-dia com 35 dos meus colegas me sobrevoando como uma colméia. Eu corri como um louco", disse ele depois. Escondendo-se num monte de feno, ele fez contato com a Resistência Francesa, que contrabandeou-o para a Inglaterra cinco semanas depois. Devido ao seu conhecimento da Resistência, ele foi proibido de voar e enviado aos EUA. Em outubro de 1944 Mahurin foi feito comandante do 3º Esquadrão de Caça, enviado para Luzon, nas Filipinas. Voando o P-51 Mustang, ele derrubou um Mitsubishi Ki-46 em 14 de janeiro de 1945, encerrando suas vitórias na Segunda Guerra Mundial com um total de 20,75 abates.

Tendo graduado-se em engenharia aeronáutica em 1949, Mahurin recebeu o comando do 1º Grupo de Caça em julho de 1951. Enviado à Guerra da Coreia em dezembro daquele ano, ele agora voava o North American F-86 Sabre, que ele descreveu como um "Cadillac" no céu, completo com ar-condicionado na cabine. Sobre sua nova tarefa de derrubar MiG-15s em combates individuais, ele disse: "Foi a época mais divertida da minha vida. Você não costuma pensar em combate aéreo - levar chumbo - como algo divertido, mas é divertido quando é você quem atira". Mahurin derrubou três MiG-15s antes de ser derrubado pela antiaérea em 13 de maio de 1952. Caindo num campo de arroz e quebrando um braço, ele foi capturado e passou 16 meses como prisioneiro de guerra; período em que passou por severos interrogatórios e torturas psicológicas. Mahurin foi forçado a permanecer de pé em temperaturas congelantes até desmaiar de exaustão, e foi mantido numa solitária o tempo todo - ele chegou a tentar o suicídio. Juntamente com outros pilotos, ele foi forçado a assinar uma falsa confissão, na qual atestava que os EUA tinham feito guerra biológica contra a Coreia do Norte.

Ao voltar do cativeiro, ele e outros foram publicamente condenados pelo Senador Richard Russell, por causa das falsas confissões. Em 1956, já um Coronel, Mahurin aposentou-se da Força Aérea. A USAF disse que essa decisão foi uma escolha dele próprio; contudo, Robert Smith, piloto que serviu com Mahurin na Coreia, disse que a USAF desonrou-se ao pressioná-lo a aposentar-se pelas pressões políticas, apenas quatro anos antes de poder desfrutar dos benefícios da aposentadoria. Mahurin então passou a trabalhar para a indústria aeronáutica até aposentar-se. Ele deixa esposa e quatro filhos. Ás com 24,25 vitórias confirmadas - e também o único ás a derrubar aeronaves na Europa, Pacífico e Coreia - o Coronel Bud Mahurin foi enterrado no Cemitério Nacional de Arlington.

Bud Mahurin na cabine de seu P-47. Note as marcas de 11 vitórias aéreas.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: John Vogt
>>Nota de Falecimento: Carl Luksic
>>Nota de Falecimento: Eugene Paul Roberts
>>Nota de Falecimento: Edward Roddy
>>Câmera de combate do P-47
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segunda-feira, 17 de maio de 2010

A esquecida coragem dos cães de guerra

A esquecida coragem dos cães de guerra


Testemunhas da Parada da Vitória realizada em Moscou em 24 de junho de 1945 se lembram de um destacamento de cães desfilando pela Praça Vermelha.

Entre os que tiveram a honra de participar estava Dzhulbars, um cachorro que foi famoso na época. Nascido com a incrível habilidade de detectar explosivos com o seu olfato, Dzhulbars salvou tesouros arquitetônicos em Praga, Viena, Hungria e Romênia. O cão havia se ferido e proibido de participar do desfile, até que Stalin ordenou que Dzhulbars fosse carregado pela Praça Vermelha em seu próprio casaco.

65 anos depois, é difícil dizer se essa história é real ou não. Existem poucos registros e documentos restantes que descrevem os feitos dos animais devotados aos seus mestres e seus serviços ao estado. No entanto, sua contribuição para a vitória é inegável.

Cães que serviram no front entregaram mensagens, passaram cabos telegráficos, detectaram minas, desencavaram feridos em bombardeios e agiram como guardas em patrulhas caninas. Eles continuavam a lutar apesar das feridas, e em circunstâncias terríveis eles atingiram os limites de seu esforço, mostrando coragem indomável.

De acordo com o manual soviético de criação de cães publicado em 1973, mais de 60.000 cachorros serviram com o Exército Vermelho. Nos primeiros anos da guerra, 168 destacamentos individuais, batalhões e regimentos centrados no treinamento e uso de animais foram formados. A princípio os cães foram treinados em escolas especiais e somente depois eram enviados ao front.

Cães salvaram a vida de mais de 700.000 soldados feridos. Os animais especialmente treinados carregavam kits de primeiros-socorros e uma faixa da Cruz Vermelha para permitir que fossem instantaneamente reconhecidos.

Eu conheci um monte de cachorros intrépidos”, escreveu o autor e jornalista russo Ilya Ehrenburg em suas memórias da Segunda Guerra Mundial. “Um collie com roupa protetora branca – era inverno – achava uma pessoa ferida e se deitava ao seu lado. O cachorro carregava uma cesta especial com comida de vodka. Então arrancava com os dentes uma plaqueta de identificação especial, feita de couro, que o soldado levava no pescoço e corria para encontrar um médico. O cão mostrava o que tinha encontrado e guiava o médico até o ferido”.

Uma impressionante habilidade desses médicos caninos era entender se o soldado estava morto ou apenas ferido – uma tarefa desafiadora visto que muitos feridos não mostram qualquer sinal claro de vida.

Um cão-médico que encontrava um soldado ferido farejava sua face para revivê-lo e indicar que ‘eu estou com você’”, disse Yekaterina Vasilyeva, uma pesquisadora do Museu de História Militar da Artilharia, Engenheiros e Sinaleiros.

Para não assustar o soldado, o cão imediatamente o mostrava seu símbolo da Cruz Vermelha e seus remédios. Frequentemente os animais arrastavam soldados para trás do campo de batalha em macas especiais. Sob fogo, os cães podiam fazer coisas que eram impossíveis aos médicos.

Cães com macas eram usados para trazer feridos e levar munição”, disse Vasilyeva. “Durante a guerra, os animais carregaram 6.000 toneladas de munição e 3.500 toneladas de outros materiais”. Cada maca levava o que três ou quatro médicos levavam, e o tempo de evacuação também era bastante reduzido.

A maioria dos cães – cerca de 9.000 – serviu como mensageiros.

Durante a guerra, cães carregaram mais de 200.000 relatórios e passaram cerca de 12.000 quilômetros de cabos”, disse Sergei Paskhin, pesquisador-chefe do museu.

Os cachorros serviram com perfeição e confiança”, de acordo com um relatório da época. “Houve muitas ocasiões em que as condições tornaram impossíveis o uso de ferramentas de comunicação, mas os cães conseguiam entregar relatórios e ordens dentro do cronograma. Mesmo cães feridos costumavam arrastar-se até seus pontos de destino”.

Seis cães mensageiros podiam fazer o trabalho de 10 mensageiros humanos, e a velocidade de entrega era três ou quatro vezes maior”, disseVasilyeva.

Documentos de arquivo contam a história de Rex, que sob bombardeio nadou pelo gélido rio Dnieper três vezes em um dia para entregar importantes documentos militares. Durante a Batalha de Moscou, animais trabalhando na linha de frente ajudaram a parar a ofensiva inimiga que avançava sobre a capital.

Durante a ofensiva realizada em dezembro de 1941, em condições de total ausência de estradas e em temperaturas congelantes, a comunicação com muitos destacamentos do exército foi realizada somente por cachorros, e era perfeitamente confiável”, de acordo com um relatório escrito pelo General Dmitry Lelyushenko em 14 de março de 1942. “Um cão chamado Bulba correu por mais de 10 quilômetros sob bombardeio e entregou ordens, recebendo nove feridas a bala e bombas”.

Logo depois disso, uma medalha especial para cães foi estabelecida – o equivalente da Ordem da Coragem entregue aos soldados. Hoje, poucos se lembram ou sabem dessa medalha, embora a famosa e internacional Medalha Dickin também fosse entregue a animais que mostrassem notável coragem ou devoção ao dever enquanto serviam. A Dickin é uma grande medalha de bronze onde se lê: “Por Bravura” e “Também Servimos”.

Cães e pássaros podiam receber a Medalha Dickin entre 1943 e 1949, e os ganhadores incluíram pombos, cachorros, cavalos e um gato. Seus feitos foram registrados, e as informações sobre seus feitos heróicos podem ser facilmente encontradas. Mesmo assim, os feitos dos animais soviéticos foram quase esquecidos, e a maior parte deles sobrevive apenas como lendas.

Os arquivos preservaram um curto relatório relacionado ao bombardeio de um trem alemão na Bielorrússia em 19 de agosto de 1943. Dez vagões foram destruídos, e uma grande parte da linha férrea foi danificada. O relatório tem uma pequena nota: “Não houve perdas do nosso lado”. A explosão foi causada por um sabotador – uma cadela chamada Dina.

Não é lenda”, diz Vasilyeva. “Dina era uma cadela muito esperta. Sabotadores caninos levavam uma bagagem destacável especial. Eles notaram no treinamento que se a bagagem caísse, o cão a pegaria com os dentes e a levaria ao seu destino. Isso foi o que Dina fez. Ela deixou uma patrulha alemã passar e somente então carregou o pacote que tinha escorregado de suas costas para a linha férrea. E então ela escapou”.

Cães revelaram incríveis habilidades durante seu serviço: a história registrou os feitos de um collie britânico, Rob, que fez mais de 20 saltos de paraquedas durante a guerra.

Animais frequentemente davam suas vidas pela vitória. Os alemães temiam mortalmente os cães soviéticos que carregavam minas para baixo de seus tanques. Houve casos em que cães conseguiram fazer recuar destacamentos completos do inimigo.

Farejadores capazes de detectar minas desempenharam um papel crucial. Eles descobriram e desativaram mais de quatro milhões bombas e minas inimigas. “Os nazistas frequentemente deixavam armadilhas, a maioria em prédios industriais”, disse Vasilyeva. “Detectores de metal podia encontrar as bombas se estivessem em invólucros metálicos. Muitos, no entanto, estavam em caixas de madeira. Somente um cão podia descobrir uma mina numa profundidade de 1,5 metro – eles conseguiam farejá-la”.

O cão indicava o local exato do explosivo. Muitas vidas foram salvas dessa maneira, e mesmo depois da guerra os cães foram usados dessa mesma forma”.

Os cães vasculharam e limparam mais de 15.000 quilômetros quadrados, incluindo 300 cidades – Praga, Budapeste, Varsóvia, Kiev e Odessa entre elas.

Alguns contos de feitos caninos existem em algum ponto entre realidade e mito. De acordo com uma história bastante conhecida, um collie chamado Dick salvou o Palácio Pavlovsk – uma das mais esplêndidas residências da Rússia Imperial localizada a 30 quilômetros ao sul de São Petersburgo. O cão descobriu uma bomba de 2.500 quilos nas fundações do palácio uma hora antes de sua explosão.

Documentos raros criados por Pyotr Zavodchikov, comandante do primeiro batalhão de cães criado – um time de cães sapadores – mencionam Dick como um animal do Exército Vermelho. Em 1943, ele foi ensinado a farejar explosivos, e ao fim da guerra tinha desativado 10.500 dispositivos.

O departamento de imprensa do Palácio Pavlovsk não tem registros do incidente, embora o palácio tenha sido realmente minado pelos alemães. Vasilyeva, no entanto, conseguiu provar a história. Muitos anos atrás, uma mulher – descendente dos donos de Dick – veio pesquisar sobre o cachorro.

É verdade”, disse Vasilyeva. “O cachorro existiu. Procuramos informações sobre ele nos arquivos e encontramos alguns fatos”.

Encontrar tal confirmação, no entanto, é algo raro. Na Europa, animais eram tratados com grande respeito. Os Aliados não somente lhes deram medalhas, mas também criaram patentes especiais para animais. Por exemplo, o Exército dos EUA um destacamento exclusivo de cães.

Eles serviram como mensageiros e receberam a patente de Cabo”, disse Vasilyeva. “Soldados fizeram uniformes especiais para cães e costuravam as medalhas neles”.

Muitos anos atrás um monumento em Londres foi inaugurado, prestando tributo aos animais que serviram corajosamente na Segunda Guerra Mundial.

Fonte: The Moscow Times, 11 de maio de 2010.

Veja também:
>>Livro: O Zoológico de Varsóvia
>>Parada da Vitória em Moscou 2010
>>Lilya Litvyak
>>Cemitério da Wehrmacht é inaugurado na Rússia
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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tive Rommel na minha mira

Tive Rommel na minha mira


Jim Purves teve que ajustar seus binóculos porque não podia acreditar no que estava vendo.

Quando a figura uniformizada entrou em foco, o jovem escocês pôde ver claramente cada detalhe, dos clássicos óculos de campo e a insígnia da Wehrmacht. Ele sussurrou para si mesmo: “Ah, seu eu tivesse um rifle”.

Jim havia localizado o General Erwin Rommel – o garoto de ouro de Adolf Hitler.

Ele era o mestre de táticas do Terceiro Reich, apelidado de “Raposa do Deserto” por ter repetidamente vencido os nervos dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

E ele estava em pé a menos de uma milha do soldado escocês, sob o escaldante sol do Norte da África. Apenas uma bala teria provocado um enorme choque nos planos de guerra de Hitler.

Mas Jim apenas estava numa missão de reconhecimento para localizar forças alemãs e não tinha nenhuma arma com poder suficiente para derrubar seu alvo. O ex-artilheiro da Artilharia Real recentemente foi re-condecorado com uma medalha, a Croix de Guerre – por lutar ao lado dos franceses – a original foi perdida num incêndio após a guerra.

E mesmo embora ele agora tenha 91 anos, ainda pode recontar seu encontro com o cérebro do Terceiro Reich quase 70 anos atrás como se fosse ontem. Falando pela primeira vez, Jim disse: “Eu era parte de uma unidade de reconhecimento que procurava alemães, quando avistei Rommel. Não pude acreditar que era mesmo ele, e pedi a um colega para também dar uma olhada. Era mesmo Rommel”.

Me lembro do seu impecável uniforme, de pé ao lado de seu carro, cercado por veículos blindados. Ele parecia observar os arredores com o peito inchado, e não era por menos, ele era a Raposa do Deserto – o homem que nunca errava e cujas táticas não eram superadas por ninguém”.

Mas Rommel e suas temidas divisões panzer seriam parados em pouco tempo. E Jim, que trabalhava para o Departamento de Parques de Leith antes de ser convocado, foi parar no meio da ação.

O escocês foi enviado para a 1ª Brigada Francesa Livre, após navegar de Liverpool para o Egito em seu primeiro serviço além-mar. Em 1 de junho de 1942 ele envolveu-se na Batalha de Bir Hakeim, na Líbia. Essa batalha não é tão famosa quanto a Batalha da Inglaterra ou o Dia-D, mas teve um papel vital no resultado da Segunda Guerra Mundial.

Tropas francesas e britânicas foram atacadas por quatro divisões blindadas sob comando pessoal de Rommel. Os defensores estavam em desvantagem de 10 para 1, com somente 100 canhões, comparados aos 270 canhões e 350 tanques do inimigo. Rommel emitiu um ultimato para que eles depusessem armas, mas o comandante francês General Koenig, insistiu: “Não estamos aqui para nos render”.

Por 10 dias e noites os alemães atacaram os Aliados, com a Luftwaffe voando 1.400 surtidas contra suas posições. Jim disse: “Eu deixei de trabalhar nos parques para ir pro meio de uma batalha em um curto espaço de tempo. Tivemos pouquíssimo treinamento no deserto. O calor era insuportável e estávamos muito queimados. Eu estava disparando armas antiaéreas Bofors, e estávamos sob constante ataque de Stukas. Eles colocam o medo da morte em você. O barulho que faziam enquanto mergulhavam sobre nossas posições era ensurdecedor. Nosso trabalho era derrubá-los do céu, e parece que seu trabalho era destruir nossos Bofors”.

Uma bomba bateu a três metros de mim. Espalhou areia por todo lugar, mas não explodiu. Se tivesse, eu não estaria aqui. O 8º Exército deveria vir e nos resgatar, mas após o oitavo dia nos disseram que eles estavam em problemas e que devíamos segurar nossa posição o máximo possível, para permitir o reagrupamento”.

À noite você se agacha no chão ou em algum buraco e tenta dormir do jeito que pode. Na alvorada os tiros recomeçavam. O problema era que os canhões alemães eram maiores que os nossos e podiam disparar mais longe, o que significava que podiam ficar fora do nosso alcance. Só podíamos ficar enterrados e reagir contra as aeronaves. Eu estava em Londres durante a Blitz, mas isso foi diferente. Foi como estar no fogo do inferno”.

Eventualmente, sem água, comida e munição, os 400 soldados tiveram que se render. Embora completamente cercado, Jim e outros soldados fugiram na calada da noite, abrindo caminho entre os campos minados, antes de penetrar as linhas inimigas e atingir a liberdade.

Eu não sabia que estávamos ficando sem munição e comida até o último minuto. Eu não estava contando, estava muito ocupado sobrevivendo aos bombardeios. À noite fugimos, num círculo de fogo. Havia um lampejo e então escuridão completa”.

Podíamos ver vultos se aproximando, mas estranhamente não temíamos, andávamos em fila e esperávamos que a escuridão nos desse cobertura. Eventualmente eu pulei em um caminhão francês. Eu senti algo pegajoso atrás de mim e pensei que alguém tinha sido atingido, mas me virei e vi que era uma cabra – o mascote da brigada francesa. Eu fiquei rindo do fato da cabra ter escapado de Rommel”.

Por segurar a linha contra as expectativas, os franceses ganharam tempo precioso para o 8º Exército preparar-se para a Batalha de El Alamein, uma das batalhas mais decisivas da guerra.

Fonte: The Sun, 7 de maio de 2010.

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>>A história do explorador do deserto Laszlo Almasy
>>Günter Halm
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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Vídeo: Mina é encontrada no Alagoas

Uma mina marítima da Segunda Guerra Mundial foi encontrada por trabalhores de uma obra de saneamento básico na pequena Maragogi, a 140 quilômetros de Maceió, no Alagoas. A Polícia Militar foi imediatamente acionada, e com a ajuda de um guindaste o esquadrão anti-bombas removeu o artefato até uma praia deserta, enterrando-o numa vala na areia. Mesmo com os cuidados tomados, a força da detonação foi tremenda, e danificou casas na vizinhança. Abaixo, reportagem do jornal Pajuçara Manhã:


Agradeço a Marco Faria e Lambert Sousa pela dica!

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Caça P-38 emerge das areias de Gales

Caça P-38 emerge das areias de Gales


Permaneceu escondido sob as areias e ondas desde que caiu na costa de Gales em 1942. Mas agora os destroços de um raro caça da Segunda Guerra Mundial podem em pouco tempo estar em terra seca.

Descrito como “um dos mais importantes achados militares da história recente”, a localização do Lockheed P-38 Lightning está sendo mantida em segredo para sua segurança.

Conhecido como a “Senhora de Harlech”, o caça da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos caiu na costa de Gwynedd quando participava de treinamentos e seus motores cortaram.

Incrivelmente, o piloto Tenente Robert Elliott saiu andando do local da queda sem nenhum arranhão, mas tragicamente morreu três meses depois em ação durante da Campanha da Tunísia, no Norte da África.

As imagens mostram o antes escondido Lightning que apareceu de repente na costa galesa em 2007. A maré moveu a areia que o escondia há 60 anos e revelou o fantástico achado.

Agora, uma organização anunciou planos de resgatá-lo no ano que vem. O International Group for Historic Aircraft Recovery (IGHAR) está procurando por apoio e um museu inglês que aceite o fascinante caça americano como presente.

A organização é a única sem fins lucrativos de seu tipo no mundo, e trabalha incessantemente para recuperar destroços de importância histórica e doá-los para exibição em museus.

Liderado por Ric Gillespie, o time está se preparando para ir à Ilha Gardner, no Pacífico, para procurar pistas no avião perdido de Amelia Earhart. Logo depois, irão se dedicar ao P-38. Eles discutem desde 2007 se é realmente seguro retirar a aeronave da água sem que ela se desintegre depois.

As praias, baías e oceanos do mundo são ricos repositórios de aeronaves raras, mas estas permanecem quase intocadas por causa dos efeitos corrosivos da imersão em água salgada. Museus têm içado aeronaves históricas da água salgada em boas condições e a grande custo, somente para vê-las virar farinha nos meses seguintes. Técnicas para conservar e estabilizar metais recuperados de ambientes aquáticos estão sendo desenvolvidas e testadas, mas nunca foram aplicadas a uma aeronave completa”, disse Gillespie.

Um dos processos comprovados envolve o desmonte parcial da aeronave e sua submersão em uma solução especial na qual passa uma pequena corrente elétrica. A desintoxicação pode levar um ano ou mais, mas no fim o resultado é um artefato histórico relativamente estável que do contrário poderia ser perdido”.

Estamos construindo uma parceria entre grupos de arqueologia aeronáutica ingleses e americanos que irá tornar possível o financiamento, realizar o resgate e começar o processo de conservação antes que a natureza mais uma vez exponha sua força destrutiva sobre a aeronave. Encorajamos todos que compartilham dos nossos objetivos a juntar-se a nós”, concluiu.

Fonte: Daily Mail, 7 de maio de 2010.

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terça-feira, 11 de maio de 2010

Parada da Vitória em Moscou 2010

Pra quem perdeu aqui está. A magnífica Parada da Vitória na Praça Vermelha, em comemoração aos 65 anos da derrota da Alemanha Nazista. Presidindo a cerimônia estava Dmitri Medvedev, e também presentes estavam Vladimir Putin, Angela Merkel, Shimon Peres e Hu Jintao. Pela primeira vez, tropas da OTAN desfilaram na Praça Vermelha, com contingentes da Inglaterra, EUA, França e Polônia.

Não percam!














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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nota de Falecimento: Rudolf Opitz

Rudolf Opitz
(09/08/1910 - 01/05/2010)

Faleceu no último dia 1 de maio em Connecticut, EUA, de causas naturais aos 99 anos de idade, o piloto de testes do Messerschmitt Komet, Hauptmann Rudolf "Rudy" Opitz.

Nascido em Landeshut, na Silésia, desde jovem Opitz apaixonou-se pelo voo. Como na Alemanha pós-Primeira Guerra aviões motorizados eram proibidos, ele ingressou num clube de planadores em 1929. Em 1934 tornou-se instrutor na prestigiosa escola de voo a vela de Wasserkuppe. Opitz passou a trabalhar para a DFS em 1936, juntando-se à equipe do lendário projetista Alexander Lippisch, onde voou com Heinrich Dittmar, Hanna Reitsch e Wolfgang Späte (futuro comandante do JG 400). Com a mudança da DFS para as instalações da Messerschmitt, Opitz voou diversos tipos de aeronaves, entre eles o Me 110 e o planador DFS 230. Em setembro de 1939, ele foi recrutado pela Luftwaffe, que precisava de sua experiência para treinar os paraquedistas no uso de planadores.

Na madrugada de 10 de maio de 1940, Rudy Opitz decolou como líder de um grupo de três planadores, rebocados por Junkers Ju 52s, com o objetivo de tomar as pontes do Canal Albert, na Bélgica. Usando todo seu talento, ele guiou perfeitamente seu time, pousando ao lado da ponte, que rapidamente foi tomada. Logo ali, outros paraquedistas tomavam o forte de Eben-Emael. Por suas ações no ousado e bem-sucedido ataque, Rudy Opitz foi condecorado com as duas classes da Cruz de Ferro. Em maio de 1941, Opitz foi designado para o "Projeto X", o desenvolvimento do interceptador-foguete Messerschmitt Me 163 Komet. Ele tornou-se o piloto-chefe de testes do projeto, levando o pequeno avião a velocidades recordes: em um voo em 1944, ele atingiu 1.123 km/h - há quem diga que ele foi o primeiro piloto a romper a barreira do som. Opitz também sobreviveu a numerosos acidentes e pousos forçados, e muitas sugestões suas ajudaram a refinar o projeto. Por seu trabalho como piloto de testes do Komet, ele foi condecorado com a Cruz Alemã em Ouro - sendo um dos únicos dois ganhadores que não a obtiveram em combate. Com a formação do Jagdgeschwader 400 em fevereiro de 1944 - a única ala aérea na história a operar aeronaves com propulsão de foguete - o Hauptmann Opitz recebeu o comando do II Gruppe, que lideraria até o fim da guerra.

Logo após o fim do conflito, Opitz foi secretamente levado aos EUA pela Operação Paperclip, que recrutou diversos cientistas e militares alemães para desenvolver projetos para os americanos. Opitz trabalhou como engenheiro e piloto de testes na Base Aérea de Wright, em Dayton, Ohio. Depois teve uma carreira de 20 anos como piloto de testes da Avco-Lycoming, e também foi inspetor da Administração Federal de Aviação (FAA) por 30 anos. Em 1994, ele foi incluído no Hall da Fama do Voo a Vela dos EUA, continuando a voar planadores até seus últimos anos.

Major Wolfgang Späte (esq.) congratula Rudy Opitz (dir.) no dia de seu primeiro voo no Me 163B.


Veja também:
>>Vídeo: Entrevista com Hanna Reitsch
>>Nota de Falecimento: Robert White
>>Horten Ho 229
>>Arado Ar 234 Blitz
>>Rudolf Witzig
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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Bill Reynolds: Uma bola de fogo perseguiu nosso avião

Uma bola de fogo perseguiu nosso avião

William “Bill” Reynolds foi piloto de Boeing B-29 junto ao 5º Esquadrão do 9º Grupo de Bombardeio, que operou a partir da ilha de Tinian, nas Marianas, em 1945. Bill comandou algumas das missões do histórico B-29 “Goin’ Jessie”, recordista operacional com 52 missões sem abortagem. Ele foi colega, desde os tempos de treinamento, do colaborador da Sala de Guerra Maurice Ashland, também do 5º/9º Grupo. Bill Reynolds faleceu no dia 11 de abril de 2010, após lutar quatro anos contra a leucemia, aos 88 anos de idade. Este é um relato dele, contido no Livro Histórico do 9º Grupo, que resolvi postar aqui como uma homenagem:

"Eu nunca tinha escutado ninguém contar uma história de guerra sobre ser perseguido por uma “Bola de Fogo”. Pensei então que seria uma mudança do usual e, talvez, uma interessante história.

No começo de 1945 os japoneses estavam usando uma arma antiaérea que as tripulações de B-29 da 20ª Força Aérea chamavam de “Bola de Fogo”. Alguns B-29s foram perdidos para essa misteriosa arma, incluindo, acredito eu, a tripulação Jones do 5º Esquadrão. Após a invasão de Okinawa, diversas bombas voadoras Baka foram encontradas. Seus exaustores de jato eram nossa “Bola de Fogo”.

Numa noite após termos despejado nossas bombas e estarmos voltando de nossa área-alvo, o artilheiro de cauda, Cabo Lou Pieri, anunciou que uma “Bola de Fogo” estava nos perseguindo e se aproximando. Os outros três artilheiros confirmaram o avistamento. Foi uma notícia assustadora, mas aos 23 anos de idade você age calmamente, mesmo embora esteja com os cabelos da nuca em pé.

Eu instruí os artilheiros a não atirar a menos que eu especificamente ordenasse o contrário. Apontei o nariz da aeronave para baixo, apliquei potência e disse ao co-piloto, Tenente J. William Frentz, que quando a “Bola de Fogo” estivesse quase nos atingindo, faríamos uma violenta e plana curva à esquerda, tanto quanto possível. Eu sabia que a “Bola de Fogo” estava tão sujeita às leis da física quanto nós. Disse ao artilheiro de cauda para manter falando a posição da “Bola de Fogo”.

O Cabo Pieri então ficou falando e falando e falando e falando (pareceu uma eternidade). Quando sua voz atingiu um certo tom agudo, eu imediatamente tirei a potência dos dois motores esquerdos, ativei o aileron esquerdo e o pedal direito do leme e deslizamos para a esquerda. Estávamos indicando 450 km/h naquela hora. A “Bola de Fogo” então passou zunindo pela nossa direita, para grande alívio e conforto de toda a tripulação.

Todo o episódio não pode ter levado mais do que alguns minutos – mas pareceu uma eternidade. Retornamos ao voo normal e fomos para casa, embora borrados e suados."

William A. Reynolds, AC, 5th Squadron

Bill Reynolds falando sobre diferenças nos depoimentos de tripulantes em uma mesma aeronave.

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>>Maurice Ashland: A Campanha Aérea de Minagem
>>Ben Nicks: A mais longa missão da Segunda Guerra
>>Jim Pattillo: Os problemas operacionais do B-29 no CBI
>>D. H. Clarke: Meu encontro com o Saetta
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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Zhukov admitiu que a URSS foi quase derrotada

Zhukov admitiu que a URSS foi quase derrotada


Uma entrevista na qual o comandante soviético admitiu o quão perto Moscou esteve da derrota pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial foi ao ar na Rússia pela primeira vez.

A União Soviética quase perdeu a guerra em 1941 e sofreu de pobre planejamento, de acordo com Marechal Georgi Zhukov na franca entrevista televisiva que foi banida desde sua gravação em 1966.

Zhukov, o mais condecorado general da história russa e soviética, admitiu que os generais soviéticos não estavam confiantes de que poderiam segurar as forças alemãs na linha de defesa de Mozhaisk, fora de Moscou.

Tinham os comandantes confiança de que poderíamos segurar a linha de defesa e parar o inimigo? Tenho que dizer francamente que não tínhamos certeza disso. Seria possível conter as primeiras unidades do oponente, mas se ele rapidamente enviasse seu grupo principal, teria sido difícil pará-lo”, confessou ao entrevistador, o escritor soviético Konstantin Simonov.

Zhukov também revelou detalhes de suas correspondências com Josef Stalin, o líder durante a Segunda Guerra Mundial, na entrevista transmitida pelo canal governamental Channel One.

Ele recontou que um gripado Stalin o chamou a Moscou em outubro de 1941 para reorganizar o que ainda era uma raquítica defesa ocidental fora de Moscou. Após chegar ao front, Zhukov descobriu que as defesas montadas eram “absolutamente insuficientes”.

Eu estava numa situação extremamente perigosa. Em essência, todas as vias de aproximação de Moscou estavam abertas. Nossas tropas na linha de defesa de Mozhaisk não poderiam parar o inimigo se ele investisse contra Moscou”.

Telefonei para Stalin. Disse que a coisa mais urgente era ocupar a linha de Mozhaisk já que em partes da frente ocidental não havia tropas soviéticas”.

Logo depois, Stalin telefonou para Zhukov informando que ele havia sido feito comandante da frente ocidental.

A relação entre os dois terminaria tragicamente quando Stalin tornou-se preocupado com a popularidade de Zhukov após a guerra, e enviou-o para postos obscuros em Odessa e nos Urais.

Zhukov recebeu a honra de liderar a Parada da Vitória do Exército Vermelho em 1945, cavalgando pela Praça Vermelha num cavalo branco, e alguns historiadores acreditam que Stalin temeu ser derrubado pelo carismático general.

Após a morte de Stalin, Zhukov serviu como ministro da defesa, mas permaneceu uma figura controversa e as autoridades soviéticas ordenaram que a fita com sua entrevista com Simonov fosse destruída. No entanto, uma cópia do arquivo sobreviveu.

No fim das contas, o notório clima russo desempenhou um papel primordial para a derrota da Alemanha Nazista, mas a Wehrmacht “superestimou sua capacidade e subestimou as tropas soviéticas”, disse Zhukov.

Ao dar as razões para a vitória soviética, Zhukov não fez qualquer menção a Stalin, que foi pego desprevenido pela invasão alemã da URSS.

A transmissão da esquecida entrevista vem como antecipação à gigantesca parada em 9 de maio para marcar os 65 anos da derrota da Alemanha Nazista, enquanto a Rússia aparentemente vem cautelosamente derrubando diversos tabus sobre sua vitória na guerra.

Notavelmente, a Rússia recentemente disponibilizou na internet documentos sobre o Massacre de Katyn, onde oficiais poloneses foram assassinados por forças soviéticas eme 1940.

Fonte: The Telegraph, 5 de maio de 2010.


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