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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Nota de Falecimento: Ernst Neufeld

Ernst Neufeld
(29/03/1915 - 05/10/2010)

Faleceu no último dia 5 de outubro em Bad Gandersheim, na Alemanha, de causas naturais aos 95 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Oberleutnant Ernst Neufeld.

Nascido em Birkenfelde, na antiga Prússia Oriental, Neufeld juntou-se à infantaria do Exército Alemão e tomou parte nas invasões da Polônia e da França. Com o início da Operação Barbarossa - a invasão da União Soviética em 22 de junho de 1941 - sua unidade, o 40º Batalhão de Infantaria Motorizada, foi alocada ao 6º Exército do Generalfeldmarschall Walter von Reichenau.

Com o reinício do avanço alemão no Cáucaso após o inverno de 1941-1942, o 6º Exército cruzou o rio Don e chegou às margens do rio Volga na cidade de Stalingrado em agosto. Contudo, a decidida resistência do 62º Exército Soviético dentro da cidade impediu que os alemães conquistassem uma vitória rápida, e tornou a batalha uma árdua e prolongada luta casa a casa que estendeu-se por meses. Em meio à este ambiente hostil, Neufeld tornou-se comandante de pelotão da 2ª Companhia do 40º Batalhão. Após a realização da Operação Urano - o cerco do 6º Exército em Stalingrado, executado pelo Marechal Georgi Zhukov - e já em pleno inverno de dezembro de 1942, Neufeld defendia uma posição estruturada de bunkers numa área vulnerável do dispositivo alemão. Sob o frio de 50º C negativos, ele segurou a posição contra numerosos ataques soviéticos, em números superiores, e no processo capturou muitos inimigos. Contudo, em meio ao pesado combate foi seriamente ferido por um estilhaço na cabeça, e transportado por via aérea para fora do cerco. Por suas determinadas ações, em 3 de janeiro de 1943 ele foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.

Ernst Neufeld seguiu então para a Escola de Oficiais e foi comissionado Leutnant, terminando a guerra com a patente de Oberleutnant. Em 2002, foi lançada sua biografia: "Ernst Neufeld - Cruz do Cavaleiro, a vida de um homem indomável", do autor Josef Manger. Com sua morte, somente restam dois ganhadores da Cruz do Cavaleiro por Stalingrado ainda vivos: Arthur Büssecker e Helmut Lutze.

Capa da biografia de Ernst Neufeld, publicada em 2002.

NOTA: Agradeço aos amigos Bart Bayens e Richard Schmidt pela ajuda!

Veja também:
>>Maximilian De Angelis
>>Hermann Hoth
>>Maximilian von Weichs
>>Nota de Falecimento: Heinrich Köhler
>>Nota de Falecimento: Dr. Ernst Stuhlinger
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

War Witness: um excelente achado!


"War Witness" é um interessante tributo realizado pelo canal de notícias russo Russia Today, reunindo um vastíssimo conteúdo audiovisual, que inclui documentários, entrevistas e outros, tudo liberado e de acesso gratuito.

Um achado e um prato cheio para nós, ainda um pouco órfãos de conteúdo sobre o front oriental. Espero que gostem tanto quanto eu gostei:


Veja também:
>>Lembranças do Normandie-Niemen
>>Entrevista com Sergei Kramarenko
>>Rússia celebra 70 anos do T-34
>>Parada da Vitória em Moscou 2010
>>Veteranos russos são processados por cantar canções da guerra
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Nota de Falecimento: Klaus Feldt

Klaus Feldt
(14/04/1912 - 07/09/2010)

Faleceu no último dia 7 de setembro em Wiesbaden, na Alemanha, de causas naturais aos 98 anos de idade, o ganhador das Folhas de Carvalho para a Cruz do Cavaleiro, Korvettenkapitän Klaus Feldt.

Nascido em Kiel, na costa do Báltico, Feldt juntou-se à Marinha Mercante em 1930. Em 1933, ele ajudou no resgate de 30 marinheiros do navio francês l'Atlantique, sendo condecorado pelo governo da França. Em abril de 1935, Feldt juntou-se à nova Kriegsmarine e realizou o treinamento básico em Stralsund, no Báltico, indo em seguida para o curso de artilharia em Kiel e Escola de Cadetes Navais em Flensburg. Ele participou de duas patrulhas de treinamento no couraçado KMS Schleswig-Holstein e em setembro de 1936 tornou-se imediato do torpedeiro Luchs. Já promovido a Leutnant zur See, Feldt recebeu, em março de 1938, o comando do torpedeiro Leopard, participando de ações em águas espanholas em apoio aos Nacionalistas do General Francisco Franco.

No começo da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939, ele comandava uma unidade especial da marinha em Bremen, e participou ativamente da campanha norueguesa em abril de 1940, ganhando a Cruz de Ferro de 1ª Classe. No mês de julho de 1940 ele foi transferido para a 2ª Schnellbootsflotille (Flotilha de Barcos Rápidos), recebendo o comando do Schnellboot S-30, e mais tarde do S-43. Com estes barcos, ele participou de ações no Mar Báltico, Mar do Norte e Canal da Mancha, afundando um vapor de 501 toneladas em 6 de fevereiro de 1941. No dia 25, Feldt e outros comandantes interceptaram um comboio costeiro britânico ao largo de Lowestoft, Suffolk. Feldt manobrou habilmente seu S-30 e lançou um torpedo que atingiu a popa do destróier inglês HMS Exmoor, rompendo os condutores de combustível do navio e causando um incontrolável incêndio a bordo - que causou seu afundamento em apenas 10 minutos. Por essas ações, Feldt foi condecorado pelo Grossadmiral Erich Raeder com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 25 de abril de 1941.

Após o início das operações contra a União Soviética, Feldt passou a operar com o S-43 no Golfo da Finlândia, onde em 27 de junho seu barco atingiu violentamente uma mina e afundou, causando-lhe sérios ferimentos na cabeça, tronco e pernas. Promovido a Kapitänleutnant em setembro, ele assumiu o comando da 2ª Schnellbootsflotille em 20 de outubro. A partir de então, Feldt comandou a flotilha numa série de bem-sucedidas missões, incluindo a Operação Cerberus - a passagem de três navios de guerra alemães pelo Canal da Mancha - em fevereiro de 1942. Durante seu comando, a 2ª Schnellbootsflotille afundou 39 navios mercantes inimigos, num total de 103.360 toneladas, além de 3 destróieres e dois navios de patrulha. Por este sucesso, ele se tornou o 362º soldado da Wehrmacht a receber as Folhas de Carvalho para a Cruz do Cavaleiro, em 1 de janeiro de 1944. A partir de 16 de fevereiro até o fim da guerra, o já Korvettenkapitän Feldt comandou a Divisão de Treinamento de Barcos Rápidos, e foi capturado pelos ingleses em Flensburg em maio de 1945. Após uma rápida detenção, foi liberado em 31 de agosto do mesmo ano.

Klaus Feldt mudou-se para Wiesbaden, perto de Frankfurt, onde desfrutou de uma longa e tranquila aposentadoria, sendo reconhecido pelo cavalherismo com que atendia aos que lhe escreviam.

Klaus Feldt é condecorado com as Folhas de Carvalho pelo Korvettenkapitän Hans Bütow em 1 de janeiro de 1944.

NOTA: A notícia do falecimento de Klaus Feldt somente chegou a mim a semana passada, mais de um mês após o ocorrido. Correspondi-me com o longevo comandante Feldt há dois anos, e guardo hoje uma foto autografada por ele:


Descanse em paz!

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Friedrich Kemnade
>>Nota de Falecimento: Jürgen Oesten
>>Nota de Falecimento: Hans-Georg Hess
>>Nota de Falecimento: Heinz Stahlschmidt
>>Günther Prien
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Matemática para descobrir a produção alemã de tanques

Matemática para descobrir a produção alemã de tanques


Durante a Segunda Guerra Mundial, os Aliados prontamente admitiram que os tanques alemães eram melhores que os seus próprios. A grande dúvida para as forças Aliadas, então, era: quantos tanques a Alemanha está produzindo?

Aqui segue o relato de como eles usaram “engenharia reversa” nos números seriais dos panzers para descobrir.

Para resolver o problema de determinar os números de produção, as forças Aliadas inicialmente tentaram utilizar informações convencionais de inteligência: espionagem, interceptação de mensagens decodificadas e interrogatório de prisioneiros inimigos.

Através desse método, os Aliados deduziram que entre junho de 1940 e setembro de 1942, o complexo industrial alemão tinha produzido cerca de 1.400 tanques por mês. O número simplesmente não parecia certo. Para colocar esse número em contexto, o Eixo usou “somente” 1.200 tanques durante a Batalha de Stalingrado, um confronto de oito meses que resultou em quase dois milhões de baixas. Então, 1.400 por mês era alto demais.

Obviamente céticos com o resultado acima, os Aliados procuraram outros métodos para estimar a quantidade. E então encontraram uma pista vital: os números seriais.

A Inteligência Aliada notou que cada tanque alemão capturado continha um número serial único para o chassis. Com cuidadosa observação, os Aliados foram capazes de determinar que os números seriais tinham um padrão que denotava a ordem de produção do veículo.

Usando esses dados, eles criaram um modelo matemático para determinar a taxa de produção de tanques alemães, e estimaram que, durante o mesmo verão de 1940 até o outono de 1942, os alemães produziram 255 tanques por mês – uma fração dos 1.400 inicialmente estimados.

E como se viu, a metodologia do número serial se provou acertada: após a guerra, documentos capturados dos alemães relataram que a produção média fora de 256 tanques por mês – apenas um a mais do que o estimado.

Eis aqui a fórmula:

Suponha que você é um analista da Inteligência Aliada durante a Segunda Guerra Mundial, e tem alguns números de série de tanques alemães capturados. Além disso, presuma que os tanques são numerados sequencialmente de 1 a N. Como estimar o número total de tanques?

Para uma estimativa pontual (estimar um valor único para o total), o Estimador Imparcial de Variância Mínima (sigla em inglês “MVUE”), é dado por:


Onde m é o maior número da série observada (máximo da amostra) e k é o número de tanques observados (tamanho da amostra). Note também que o uma vez que um número de série é observado, não entra novamente na amostra e não será observado novamente.

Isso gera a seguinte variação:


Portanto, com um desvio-padrão de aproximadamente N/k para calcular o tamanho médio na lacuna entre as amostras, compara-se m/k acima.

E foi assim que a matemática ajudou os Aliados a vencer os alemães.

Fonte: Jalopnik, 18 de outubro de 2010.

Veja também:
>>Entusiastas constroem seu próprio Panzer III
>>Museu adiciona poder de fogo à sua coleção
>>O polêmico roubo de tanques na Bulgária
>>Tanque alemão é descoberto em Viena
>>Tiger 131 consegue os fundos para sua restauração
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Voltando à vida

Pessoal,

Recebi muitos e-mails e mensagens perguntando o porque da parada repentina da Sala de Guerra. Desta forma, eu agradeço a todos e fico feliz que queiram ler mais um pouquinho.

O que aconteceu foi que viajei para a Alemanha mais uma vez, para comparecer aos encontros anuais de veteranos, ao lado de Martin Drewes. Contudo, a viagem deste ano foi muito mais corrida que a do ano passado, e infelizmente não tive tempo de atualizar o blog. Quando cheguei em casa esta semana tive que colocar em dia todo o trabalho dos últimos 15 dias e, portanto, mais uma vez não pude postar nada.

Porém, todo o material da viagem, em foto e vídeo, está aqui registrado e irá ser postado gradualmente. Há muitas boas surpresas e conteúdo exclusivo. Tenho certeza de que irão gostar!

Abraços,

Júlio César Guedes Antunes

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ribbentrop planejou aposentar-se em Cornwall

Ribbentrop planejou aposentar-se em Cornwall

Um dos mais altos oficiais de Hitler sonhava com uma estilosa aposentadoria em Cornwall, após a invasão alemã da Grã-Bretanha, revela uma nova pesquisa.

Joachim von Ribbentrop, Ministro do Exterior do Führer, planejou viver em St. Michael’s Mount, uma das mais belas localidades do país. Ele serviu como embaixador alemão na Grã-Bretanha no fim dos anos 1930 e tinha seus olhos voltados para uma pitoresca ilha a 400 metros da costa, que conheceu durante uma visita a Cornwall em 1937.

Ele também queria manter o Castelo Tregenna, perto de St. Ives, como uma casa de verão caso os alemães conseguissem a vitória final. O caso de amor de Ribbentrop com Cornwall é pontuado com histórias de que a Luftwaffe fora proibida de bombardear certos pontos daquela região.

Ribbentrop era um dos mais próximos de Hitler, e era notório por sua arrogância ao servir em Londres. Ele foi eventualmente enforcado como criminoso de guerra nos Julgamentos de Nuremberg.

Seu fascínio por Cornwall foi descoberto após uma pesquisa de três anos feita pelo artista Andrew Lanyon, que buscava ligações nazistas com a região. Baseando-se em testemunhos e reportagens, ele disse que Ribbentrop tinha dito que queria mudar-se para lá depois da guerra: “Em uma visita, ele ficou lá por cinco dias em 1937. Ele trouxe seus assistentes e foi a St. Ives. Ele disse que adorou Cornwall”.

Uma de suas principais características era a arrogância. Uma das razões pelas quais meu avô juntou-se ao Comando de Bombardeio da RAF foi porque ele tinha passado metade de um dia jogando golf com Ribbentrop, e achou péssimo. Ele era a soberba em si”.

Lanyon disse que Michael Lyne, um residente local, estava com seu avô durante o jogo com Ribbentrop, no qual o embaixador descreveu seus planos de morar lá.

Ao final da guerra, Lyne cruzou novamente com Ribbentrop, mas desta vez, o inglês era guarda em Nuremberg. Ao passar pela cela de Ribbentrop, disse: “É, seus planos não saíram do jeito que você pensou não é?

Ribbentrop respondeu: “Não, não saíram mesmo...

Fonte: Daily Mail, 4 de outubro de 2010.


Veja também:
>>O futebol sob a Alemanha Nazista
>>Filho de Speer ataca plano para conservar obra do pai
>>Nazistas marchando por Londres
>>As únicas fotos coloridas da rendição alemã
>>Filmes: O Triunfo da Vontade
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Veteranos japoneses refletem sobre batalha em Kadena

Veteranos japoneses refletem sobre batalha em Kadena


Um grupo de idosos japoneses entrou em um escuro bunker enquanto o vento balançava barulhentamente a vegetação acima. Olhando para o abrigo de concreto, eles puderam sentir o cheiro da terra molhada e rememorar um passado longínquo e sangrento.

Eles puderam rever um tempo em que os sinistros bunkers da Base Aérea de Kadena ainda abrigavam soldados suicidas do Exército Imperial Japonês e a catastrófica Batalha de Okinawa ainda acontecia.

Sim, eu perdi meu braço, e daí?” disse Kentaro Togashi, 89, veterano da Segunda Guerra Mundial que usa um membro prostético. “Tantos que nem puderam voltar para casa”.

Togashi e outros 27 veteranos japoneses que viajaram do Japão para Kadena (em Okinawa) estavam entre os que conseguiram voltar para casa após a guerra. Alguns lutaram na Batalha de Okinawa e outros lutaram na China, Birmânia, etc.

Cerca de 110 mil tropas japonesas e conscritos de Okinawa, bem como mais de 150 mil civis okinawanos, morreram durante a luta pela ilha, a última grande batalha da Guerra do Pacífico.

A Força Aérea Americana permitiu que os veteranos japoneses visitassem os locais históricos de Kadena. Veteranos locais visitaram a base no ano passado, mas esta foi a primeira vez que um grupo vindo do Japão em si veio a Kadena, de acordo com o porta-voz da base.

Togashi, que perdeu seu braço servindo na China, disse que visitar os locais históricos em Kadena proveu-lhe uma conexão com aqueles que serviram e morreram lá.

Isso retrata quão grande foi o sacrifício feito pelo povo de Okinawa durante a batalha”, disse ele, que é membro da Associação de Veteranos Deficientes em Tóquio – órgão que organizou a visita.

Shigeru Miyagi, 78, foi um guia montanhês para os soldados imperiais em Okinawa em 1945, quando uma metralhadora americana perfurou seu braço esquerdo e mandíbula. “Cerca de uma semana depois de eu ter sido ferido, as feridas pioraram e eu quase morri por falta de tratamento adequado. Foi aí que meu irmão decidiu que nos entregaríamos no campo americano lá perto”, disse ele.

Lembrar-se das tragédias e dor de Okinawa pode ser o caminho para evitar outra grande guerra, disse Yoshio Takeda, 88, que perdeu um braço nas lutas em Cingapura.

Aqueles que experimentaram a guerra estão ficando velhos”, disse Takeda. “Após todos nós morrermos, não sobrará mais ninguém para passar adiante as histórias daquela terrível guerra”.

Preservar os locais da guerra como este é muito importante para fazer com que as gerações futuras vejam a tragédia de nossa época”, concluiu.





Fonte: Star and Stripes, 1 de outubro de 2010.

Veja também:
>>Pilotos japoneses celebram Midway no Havaí
>>Neto de Ushijima luta pela paz
>>Civil de Okinawa relembra batalha
>>Últimos veteranos japoneses falam sobre Nanking
>>Veterano japonês reconta os horrores na China
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Soldado inglês devolve souvenir da Segunda Guerra

Soldado inglês devolve souvenir da Segunda Guerra


Uma pistola de 250 anos tirada de um museu da Itália durante a Segunda Guerra Mundial foi finalmente devolvida, atendendo ao último pedido de um veterano.

Stanley Perry, que faleceu ano passado, serviu o 8º Exército britânico, combatendo no Norte da África e no gradual avanço Aliado pela Itália.

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, enquanto voltava para a Inglaterra pelo Canal da Mancha, ele viu um colega prestes a jogar no mar uma pistola decorada do século XVIII, impediu-o e colocou-a em sua mochila como souvenir.

A arma, com uma bela decoração prateada, foi uma enorme tentação para o soldado, que a roubou do Museu Stibbert em Florença em 1944 – local do quartel-general britânico na época.

Um relatório do supervisor do museu revelou: “O estacionamento de centenas de soldados dentro do prédio, que foi usado para dormir, comer e lavar-se causou toda espécie de problemas. Eles percorriam o museu todo, deixando seus equipamentos em qualquer lugar e se divertiam posando com exibições de armaduras, incluindo elmos e escudos, todos retirados das paredes”.

Eles jogavam colchões no chão onde bem queriam, e esvaziavam mostruários com muitos artefatos hoje considerados perdidos”. O relatório inclui, entre os itens perdidos, uma “pistola turca prateada do século XVIII”. Emissários do museu pediram ajuda à Grã-Bretanha para reaver a arma, mas até agora sem sucesso.

Parry levou-a para sua casa em Holywell, norte de Gales, e deixou-a lá por 66 anos – duelando com sua consciência sobre se deveria devolvê-la – até que sua filha June Cooke o fez.

Ele havia pedido à filha para que devolvesse a pistola após entrar em contato com a Embaixada Italiana em Londres e com a unidade de Polícia Carabinieri estacionada lá. Eles fizeram os preparativos para a devolução do item.

Papai sempre quis devolver a pistola, e esse foi seu último pedido. Ele queria que o museu soubesse que ele não havia roubado-a, e eu deixei bem clara a situação. A família está feliz que agora sim está tudo como ele queria”, disse Cooke.

Cristina Piacenti, diretora do museu, disse: “É uma história fascinante e ficamos atônitos quando recebemos a ligação da embaixada em Londres nos dizendo que haviam recuperado a pistola. O fato da pistola não ter sido devolvida atormentava o Sr. Parry, e ele pediu à filha para que a devolvesse”.

O museu é batizado em homenagem a Frederic Stibbert, um inglês nascido em Florença, e conta hoje com mais de 30 mil peças entre armaduras, porcelanato e mobiliário da Europa e Oriente Médio.


Fonte: The Telegraph, 26 de setembro de 2010.

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