Minissérie reconta heroísmo de capitão de U-boat

Um dos esquecidos herois do esforço de guerra Aliado na Segunda Guerra Mundial foi um comandante alemão de submarinos. Esta é a curiosa verdade revelada numa minissérie em duas partes a ser exibida pela BBC: The Sinking of the Laconia. A produção conta os extraordinários eventos que aconteceram no Atlântico Sul em setembro de 1942. A história chega ao ar após cinco anos de pesquisas e oposição por parte daqueles cuja reputação pode ficar manchada.
O drama reconta a bravura do Korvettenkapitän Werner Hartenstein, submarinista alemão que colocou em risco sua própria vida e a de sua tripulação para salvar centenas de passageiros a bordo do RMS Laconia, um navio de cruzeiro requisitado para serviço militar na Inglaterra, e que foi torpedeado por suas ordens a quase mil quilômetros da costa oeste da África.
“Nenhum comandante de U-boat que tenha esperado na superfície por tanto tempo arriscando sua própria vida é um homem mau”, disse Geoffrey Greet, marinheiro inglês sobrevivente do Laconia. “Eu não gostei nada dele a princípio – até porque ele tinha matado 2.000 dos meus colegas passageiros. Mas no fim, passei a admirá-lo”.
Greet, de 91 anos, acredita que a minissérie vai recontar corretamente a história de um dos mais controversos incidentes marítimos da guerra.
Após disparar dois torpedos no desavisado Laconia na noite de 12 de setembro de 1942, Hartenstein percebeu que muitos dos quase 3.000 a bordo eram civis, mulheres, crianças e prisioneiros de guerra italianos. Numa série de urgentes telegramas com o Alto-Comando em Berlim, o comandante alemão anunciou sua intenção de resgatar o máximo de sobreviventes possível. A marinha inglesa desconfiou dos planos de resgate de Hartenstein e, num erro terrível, bombardeiros americanos tentaram afundar o submarino, U-156, mesmo vendo que estava carregado de sobreviventes e exibindo uma cruz vermelha.
“De tempo em tempo eu relembro de tudo e penso que para Hartenstein havia uma certa ‘irmandade do mar’. Ele estava tentando ajudar as mulheres, crianças e prisioneiros italianos”, disse Greet. “Eu me lembro tão bem de sua face. Eu o descreveria como sóbrio e muito sério o tempo todo. Ele desesperadamente tentou nos convencer de que o que estava fazendo era para o nosso próprio bem”.
“Pessoas de muitas nacionalidades envolvidas neste incidente não queriam que a história fosse contada”, disse a produção. “Os americanos em particular não queriam que os fatos fossem contados. Se a tripulação do B-24 viu ou não a cruz vermelha, permanece um mistério”.
Greet, que retornava à Inglaterra no Laconia após três anos de serviço no mar, lembra-se claramente do momento em que o primeiro torpedo explodiu, enquanto ele esperava por sua refeição noturna em sua beliche no quarto deque.
“Eu conhecia muito bem o som de um torpedo e sabia que íamos afundar; do contrário, o submarino mandaria mais uns. Eu tinha passado três anos esperando constantemente o momento em que seria atingido, e não entrei em pânico. Mostrei aos soldados como colocar os salva-vidas e fui o último a sair”.
Quando Greet chegou ao convés, o navio pendia bastante para estibordo. “Foi um pandemônio. Todos tentavam desprender os barcos salva-vidas. Eu estava determinado em não entrar naquela confusão, então foi para a amurada do outro lado. Eu ia me abaixar com uma corda e então entrar num barco. Então olhei pra cima e vi um bote descendo acima de mim”.
Greet e dois colegas abaixaram o bote, arduamente afastando-o da lateral do navio. “Quando chegamos à água foi difícil soltar o bote do navio, e tínhamos gente entrando no bote por todos os lados. Tínhamos cinco prisioneiros italianos, e soldados poloneses que os guardavam. Só eu era marinheiro. Tentávamos nos afastar porque um navio daquele tamanho quando desce, cria uma imensa sucção”.
Algumas das piores memórias de Greet são da cena a estibordo: “O mar estava absolutamente escuro com os corpos. Procurávamos pessoas que pudessem estar vivas, mas éramos 64 num barco desenhado para 32. Fixamos uma corda para que alguns pudessem se segurar, mas nenhum deles estava lá pela manhã. Foi a noite mais longa da minha vida. Me lembro de ver uma menina loira com o cabelo flutuando ao redor dela, e perto estava uma senhora ainda com o chapéu na cabeça. Ambas mortas. Foi macabro”.
Muitos afundaram com o navio, muito feridos ou chocados para escapar. Então o U-boat subiu e Hartenstein instruiu os sobreviventes em inglês, levando as mulheres e crianças feridas para dentro para tratamento e servindo sopa e água para todos.
“Hartenstein falava inglês muito bem. Ele me garantiu que havia barcos vindo de Dakar. Foi óbvio que ele era uma pessoa bem melhor do que pensávamos”, disse Greet, que eventualmente foi levado a bordo de um navio da França Vichy e colocado em internamento no Marrocos. “Estou feliz em ver a história sendo contada agora”, concluiu. Seis meses depois do incidente do Laconia, o submarino de Hartenstein foi afundado, com a perda de toda a tripulação.
Fonte: The Guardian, 2 de janeiro de 2011.
O drama reconta a bravura do Korvettenkapitän Werner Hartenstein, submarinista alemão que colocou em risco sua própria vida e a de sua tripulação para salvar centenas de passageiros a bordo do RMS Laconia, um navio de cruzeiro requisitado para serviço militar na Inglaterra, e que foi torpedeado por suas ordens a quase mil quilômetros da costa oeste da África.
“Nenhum comandante de U-boat que tenha esperado na superfície por tanto tempo arriscando sua própria vida é um homem mau”, disse Geoffrey Greet, marinheiro inglês sobrevivente do Laconia. “Eu não gostei nada dele a princípio – até porque ele tinha matado 2.000 dos meus colegas passageiros. Mas no fim, passei a admirá-lo”.
Greet, de 91 anos, acredita que a minissérie vai recontar corretamente a história de um dos mais controversos incidentes marítimos da guerra.
Após disparar dois torpedos no desavisado Laconia na noite de 12 de setembro de 1942, Hartenstein percebeu que muitos dos quase 3.000 a bordo eram civis, mulheres, crianças e prisioneiros de guerra italianos. Numa série de urgentes telegramas com o Alto-Comando em Berlim, o comandante alemão anunciou sua intenção de resgatar o máximo de sobreviventes possível. A marinha inglesa desconfiou dos planos de resgate de Hartenstein e, num erro terrível, bombardeiros americanos tentaram afundar o submarino, U-156, mesmo vendo que estava carregado de sobreviventes e exibindo uma cruz vermelha.“De tempo em tempo eu relembro de tudo e penso que para Hartenstein havia uma certa ‘irmandade do mar’. Ele estava tentando ajudar as mulheres, crianças e prisioneiros italianos”, disse Greet. “Eu me lembro tão bem de sua face. Eu o descreveria como sóbrio e muito sério o tempo todo. Ele desesperadamente tentou nos convencer de que o que estava fazendo era para o nosso próprio bem”.
“Pessoas de muitas nacionalidades envolvidas neste incidente não queriam que a história fosse contada”, disse a produção. “Os americanos em particular não queriam que os fatos fossem contados. Se a tripulação do B-24 viu ou não a cruz vermelha, permanece um mistério”.
Greet, que retornava à Inglaterra no Laconia após três anos de serviço no mar, lembra-se claramente do momento em que o primeiro torpedo explodiu, enquanto ele esperava por sua refeição noturna em sua beliche no quarto deque.
“Eu conhecia muito bem o som de um torpedo e sabia que íamos afundar; do contrário, o submarino mandaria mais uns. Eu tinha passado três anos esperando constantemente o momento em que seria atingido, e não entrei em pânico. Mostrei aos soldados como colocar os salva-vidas e fui o último a sair”.
Quando Greet chegou ao convés, o navio pendia bastante para estibordo. “Foi um pandemônio. Todos tentavam desprender os barcos salva-vidas. Eu estava determinado em não entrar naquela confusão, então foi para a amurada do outro lado. Eu ia me abaixar com uma corda e então entrar num barco. Então olhei pra cima e vi um bote descendo acima de mim”.
Greet e dois colegas abaixaram o bote, arduamente afastando-o da lateral do navio. “Quando chegamos à água foi difícil soltar o bote do navio, e tínhamos gente entrando no bote por todos os lados. Tínhamos cinco prisioneiros italianos, e soldados poloneses que os guardavam. Só eu era marinheiro. Tentávamos nos afastar porque um navio daquele tamanho quando desce, cria uma imensa sucção”.
Algumas das piores memórias de Greet são da cena a estibordo: “O mar estava absolutamente escuro com os corpos. Procurávamos pessoas que pudessem estar vivas, mas éramos 64 num barco desenhado para 32. Fixamos uma corda para que alguns pudessem se segurar, mas nenhum deles estava lá pela manhã. Foi a noite mais longa da minha vida. Me lembro de ver uma menina loira com o cabelo flutuando ao redor dela, e perto estava uma senhora ainda com o chapéu na cabeça. Ambas mortas. Foi macabro”.Muitos afundaram com o navio, muito feridos ou chocados para escapar. Então o U-boat subiu e Hartenstein instruiu os sobreviventes em inglês, levando as mulheres e crianças feridas para dentro para tratamento e servindo sopa e água para todos.
“Hartenstein falava inglês muito bem. Ele me garantiu que havia barcos vindo de Dakar. Foi óbvio que ele era uma pessoa bem melhor do que pensávamos”, disse Greet, que eventualmente foi levado a bordo de um navio da França Vichy e colocado em internamento no Marrocos. “Estou feliz em ver a história sendo contada agora”, concluiu. Seis meses depois do incidente do Laconia, o submarino de Hartenstein foi afundado, com a perda de toda a tripulação.
Fonte: The Guardian, 2 de janeiro de 2011.
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