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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mortos assombram piloto que atacou o Bismarck


Mortos assombram piloto que atacou o Bismarck


Os brilhantes olhos de John Moffat se obscurecem quando ele se lembra dos 2.000 marinheiros engolidos pelo Atlântico após seus torpedeiros selarem o destino do couraçado alemão KMS Bismarck há quase 70 anos.

Aquilo ainda me assombra. Foi uma visão terrível. Todas aquelas cabeças flutuando pra cima e pra baixo nas gigantescas ondas, e absolutamente nenhuma chance de serem resgatados”, disse Moffat, agora aos 91 anos.

Moffat é um dos últimos sobreviventes dos torpedeiros biplanos Fairey Swordfish que, em 26 de maio de 1941, aleijaram o que era então o maior navio de guerra do mundo, permitindo à Royal Navy que destruísse o Bismarck.

O afundamento demonstrou que couraçados não estavam à altura do poder aéreo, e pôs um fim aos sonhos de Hitler de desafiar a superioridade britânica no Atlântico, forçando a Alemanha a se focar na guerra submarina.

As histórias de Moffat sobre sua carreira de piloto são salpicadas de sorrisos e risadas, e o hoteleiro escocês aposentado ainda se impressiona que tenha sobrevivido ao seu encontro com o Bismarck. Somente quando se lembra do custo de vidas humanas é que se torna sério e sóbrio.

Dois dias antes do ataque de Moffat, o navio abalou a Grã-Bretanha ao destruir o orgulho da Royal Navy, o HMS Hood, levando Winston Churchill a despachar sua famosa ordem: “Afundem o Bismarck”.

Um acerto da esquadrilha de Swordfishes de Moffat travou o leme do Bismarck, permitindo que a marinha britânica o alcançasse.

O tempo estava horrível. Para fazer um porta-aviões balançar 20 metros, você precisa de um mar muito revolto, com ondas gigantes”, disse Moffat. “E também de uma ventania monstruosa. E foi isso que tivemos”.

As condições eram tão precárias que os bombardeiros decolaram do porta-aviões HMS Ark Royal para interceptar o Bismarck, mas acabaram atacando antes um navio inglês, o HMS Sheffield.

Evitando por pouco o desastre, os aviões desviaram, e rapidamente entraram sob fogo pesado do Bismarck em nuvens cerradas.

Foi o inferno. Não o tínhamos visto. Explosões estouravam por todo lado”, disse Moffat. “Eles montaram uma barragem de forma que, quando a cápsula explodisse, levantasse uma parede de água”.

Separado do restante das aeronaves, Moffat começou sua corrida de ataque e estava disparando seu torpedo quando escutou a voz de seu navegador, John “Dusty” Miller: “Ainda não!!!”.

Eu olhei para meu lado direito e tudo que pude ver foram suas costas no ar. Ele estava sobre o lado do avião”, disse. “Ele percebeu que se eu lançasse o torpedo no mar, iria para qualquer lugar, menos na direção desejada. Ele queria fazer todo o necessário para que o torpedo corresse na direção correta”.

Uma eternidade pareceu passar antes de Miller dar o sinal positivo para Moffat lançar o único torpedo que ele já lançou em combate.

Muito tempo passou. Eu tinha certeza de que iríamos atingi-lo”, confessou. “Eu estava bem perto quando lancei o torpedo”.

Longos debates vêm acontecendo sobre quem realmente disparou o torpedo que aleijou o Bismarck, e Moffat ficou desapontado quando editores decidiram mudar o nome de suas memórias de “Eu afundei o Bismarck” para “Nós afundamos o Bismarck”.

Eu disse-lhes que era a coisa mais controversa que podiam fazer, e eu acho bastante embaraçoso. Até onde eu sei, foram os torpedeiros da marinha que pararam o navio”, disse Moffat.

Com seu leme travado para bombordo, o Bismarck era um alvo fácil, e a Royal Navy entrou em cena. Mas apesar de ser reduzido a um monte de escombros fumegantes por horas de bombardeio, ele se recusava a afundar.

Então os torpedeiros de Moffat foram novamente enviados. Eles chegaram bem a tempo de ver o navio virar e centenas de marinheiros serem jogados no Atlântico. Somente 115 dos 2.200 foram salvos.

Quando voltamos ao deque, ninguém comemorava. Eles eram marinheiros, da mesma forma que nós”, disse Moffat. “A maioria de nós pensava que, se não fosse pela graça de Deus, poderíamos estar no lugar deles”.

Fonte: Edmonton Journal, 30 de dezembro de 2010.

Veja também:
>>Sir John Tovey
>>Nota de Falecimento: Les Sayer
>>Nota de Falecimento: Edward Briggs
>>Nota de Falecimento: Norman Tod
>>Nota de Falecimento: Alan "Alfie" Sutton
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