(24/09/1916 - 04/01/2011)
Faleceu no último dia 4 de janeiro em Milão, na Itália, de causas naturais aos 94 anos de idade, o líder da última carga de cavalaria bem-sucedida da história, Tenente Mario Traverso.
Nascido em Nápoles, Traverso vinha de uma família com tradição na indústria têxtil. Ele aprendeu inglês com uma governanta irlandesa e entreou para a Universidade de Nápoles em 1934. Concluiu seu doutorado em Negócios na Universidade de Bari em 1939, trabalhando em seguida na fabricante de elevadores Otis. Contudo, com a aproximação da guerra, ele ingressou no corpo de cavalaria em Roma, sendo aprovado no topo de sua classe para a Cavalaria de Savoia.
Em julho de 1941, a Cavalaria de Savoia, como parte da 3ª Divisão Celere "Príncipe Amedeo Duque de Aosta", foi enviada para a União Soviética como parte do Corpo Expedicionário Italiano. Não encontrando oportunidades para usar seu potencial naquele ano, os homens e animais do regimento sofreram bastante no duro inverno, com temperaturas de -50ºC. No entanto, durante o verão de 1942, a Savoia cobria o flanco norte da ofensiva alemã na direção do rio Don, a 200 km a noroeste de Stalingrado. Nas proximidades de Isbushenski, no dia 23 de agosto, encontraram uma retaguarda soviética de 2.000 homens, apoiados por metralhadoras e morteiros. O comandante do regimento, Colonello Alessandro Bettoni, ordenou o acampamento pela noite, e pela manhã decidiu preparar o ataque. Bettoni decidiu que era hora agir e Traverso, comandante do esquadrão de metralhadoras, foi o primeiro a atacar as posições do 812º Regimento de Infantaria Siberiana, cobrindo o centro inimigo com uma rajada de fogo. Então, usando suas gravatas vermelhas e luvas brancas, o 2º Esquadrão realizou um ataque perfeito pela esquerda da posição soviética, atacando os siberianos com seus sabres em punho.
Bettoni ordenou então um ataque frontal do 4º Esquadrão pelo campo coberto de girassois, utilizando-se de granadas para dispersar os inimigos, que iniciaram uma fuga desordenada. Os italianos então concluíram a ação com uma carga do 3º Esquadrão contra o flanco direito soviético. 150 siberianos foram mortos, e mais 500 capturados, contra a perda de 40 homens da Savoia. Foi a última carga de cavalaria bem-sucedida da história, e a última vez que a Savoia realizou uma ação ofensiva. Traverso e seus colegas tiveram que recuar após a ofensiva soviética de dezembro de 1942 contra as posições italianas no Don, e após percorrerem 2.000 km chegaram a Gomel, na Bielorrússia, de onde iniciaram o transporte de volta à Itália.
Após a assinatura do Armistício italiano em setembro de 1943, Traverso ordenou a dispersão da unidade que comandava e rumou norte para Milão, onde reativou a indústria têxtil da família em sociedade com um primo. Após a guerra, seu negócio cresceu e Traverso expandiu a empresa para a Austrália, Inglaterra e Japão. Tornou-se consultor de companhias químicas que produziam fibras de tecidos sintéticos e finalmente aposentou-se em 2003.
Traverso salvou a bandeira regimental da Cavalaria de Savoia logo após a Batalha de Isbushenski, recuperando-a das mãos de um camarada morto. Ele levou-a consigo de volta à Itália e guardou-a em casa, somente revelando estar de sua posse há alguns anos. Uma delegação do regimento compareceu ao seu funeral e estendeu a bandeira sobre o caixão durante o enterro, depois retirando-a para finalmente expô-la no museu regimental.
Oficiais da Cavalaria de Savoia na União Soviética.
Veja também:
>>Sabres por Savoia
>>Nota de Falecimento: Amedeo Guillet
>>La Leggenda del Comandante Diavolo
>>O último adeus a Amedeo Guillet
>>Batalha de Nikolajewka - Parte 1, Parte 2
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