Os computadores femininos da Segunda Guerra

Enquanto filmava um documentário sobre uma associação feminina da Filadélfia, a cineasta LeAnn Erickson entrevistou as irmãs Shirley Blumberg Melvin e Doris Blumberg Polsky. As gêmeas, já há muito aposentadas, de passagem mencionaram um trabalho diferente que realizaram durante a Segunda Guerra Mundial: foram “computadores” femininos do Exército Americano.
Computador naquela época não era uma máquina, era um tipo de trabalho. Muito antes de serem empresárias, ativistas, mães e avós, as gêmeas foram recrutadas pelas Forças Armadas dos EUA para realizar cálculos de balística. Trabalhavam seis dias por semana, muitas vezes em turnos duplos ou triplos, com dezenas de outras mulheres.
As trajetórias de armas que elas calcularam foram repassadas para soldados no campo de batalha e bombardeadores no ar. Algumas de suas colegas continuaram no programa para trabalhar no primeiro dos computadores de emprego geral, o ENIAC.
Não era um trabalho de fábrica, mas elas também fizeram sua parte para ajudar no esforço de guerra.
A cineasta ficou surpresa. “Do que estão falando? Sou historiadora e nunca ouvi falar disso! Mulheres trabalhando com matemática e ciência em segredo? Eu não sabia!”
As memórias e testemunhas destes fatos estavam desaparecendo, constatou Erickson. E a verdade sobre as mulheres na tecnologia e as primeiras programadoras de computador iam junto.
Sua missão para resgatar o passado se materializou no documentário “Top Secret Rosies: The Female Computers of World War II”, que estreou ano passado na TV e recentemente saiu em DVD.
“Havia milhares de mulheres fazendo esse trabalho, por todos os Estados Unidos; e nós simplesmente não sabíamos”, disse Erickson.
O documentário se foca nas mulheres escolhidas em escolas e faculdades para trabalharem na Universidade da Pensilvânia na década de 1940. Elas foram colocadas em dormitórios coletivos e passaram por uma rigorosa introdução em cálculo de balística para realizar o trabalho. Elas viviam juntas, trabalhavam e se divertiam juntas.
Jean Jennings Bartik era uma dos computadores femininos. Em 1945 ela graduou-se em matemática, e imediatamente recebeu um telegrama urgindo-lhe para apresentar-se rapidamente. Ela tomou um trem noturno e rumou para a Filadélfia.
Lá aprendeu os cálculos manuais e a operação do desajeitado analisador que acelerava o processo – sua precisão dependia do serviço de suas colegas e do mecânico que alimentava suas correias e engrenagens.
O fim da guerra chegou em 1945, mas apenas dois meses depois de chegar, Bartik foi contratada para um novo projeto – um computador eletrônico que podia fazer cálculos mais rápido que qualquer ser humano. O Eletronic Numeric Integrator and Computer (ENIAC), criado pelos cientistas John Mauchly e J. Presper Eckert Jr, pesava mais de 30 toneladas e continha 18.000 válvulas termiônicas. Conseguia reconhecer números, somar, subtrair, multiplicar, dividir e realizar outras funções básicas.
Homens construíram a máquina, mas foram Bartik e suas colegas que programaram cada válvula e aprenderam a fazê-la funcionar. Logo depois, elas demonstraram aos militares como o computador funcionava, com as programadoras iniciando os processos e mostrando como produzia resultados. A gigantesca máquina fazia instantaneamente cálculos que levavam horas para serem feitos a mão.
Mas nenhuma das programadoras foi convidada para o jantar de comemoração que se seguiu. Não receberam nenhum certificado nem comenda dos militares, e passaram para o esquecimento.
Seu trabalho durante a guerra foi pouco conhecido, e por isso deixado de fora da história oficial e do desenvolvimento da informática. Pesquisadores apontam que a razão para isso é reflexo da cultura da época, que considerava as mulheres como substitutas temporárias dos homens.
Contudo, desde que o documentário estreou, a história já foi exibida em diversas escolas e pequenos cinemas – e muitos pedidos por exibições apareceram. Há sempre algum tipo de “veterana” na platéia, e os aplausos são sempre efusivos.
“A parte mais importante dessas histórias é que podemos usá-las para moldar o legado para a próxima geração de mulheres”, disse Carolyn Leighton, fundadora da Women in Technology International. “Sabemos como, sem dúvida, como exemplos podem inspirar e afetar escolhas. Não é somente por elas, mas também pelos jovens homens e mulheres que podemos inspirar”.
Fonte: CNN, 8 de fevereiro de 2011.
Computador naquela época não era uma máquina, era um tipo de trabalho. Muito antes de serem empresárias, ativistas, mães e avós, as gêmeas foram recrutadas pelas Forças Armadas dos EUA para realizar cálculos de balística. Trabalhavam seis dias por semana, muitas vezes em turnos duplos ou triplos, com dezenas de outras mulheres.
As trajetórias de armas que elas calcularam foram repassadas para soldados no campo de batalha e bombardeadores no ar. Algumas de suas colegas continuaram no programa para trabalhar no primeiro dos computadores de emprego geral, o ENIAC.Não era um trabalho de fábrica, mas elas também fizeram sua parte para ajudar no esforço de guerra.
A cineasta ficou surpresa. “Do que estão falando? Sou historiadora e nunca ouvi falar disso! Mulheres trabalhando com matemática e ciência em segredo? Eu não sabia!”
As memórias e testemunhas destes fatos estavam desaparecendo, constatou Erickson. E a verdade sobre as mulheres na tecnologia e as primeiras programadoras de computador iam junto.
Sua missão para resgatar o passado se materializou no documentário “Top Secret Rosies: The Female Computers of World War II”, que estreou ano passado na TV e recentemente saiu em DVD.
“Havia milhares de mulheres fazendo esse trabalho, por todos os Estados Unidos; e nós simplesmente não sabíamos”, disse Erickson.
O documentário se foca nas mulheres escolhidas em escolas e faculdades para trabalharem na Universidade da Pensilvânia na década de 1940. Elas foram colocadas em dormitórios coletivos e passaram por uma rigorosa introdução em cálculo de balística para realizar o trabalho. Elas viviam juntas, trabalhavam e se divertiam juntas.
Jean Jennings Bartik era uma dos computadores femininos. Em 1945 ela graduou-se em matemática, e imediatamente recebeu um telegrama urgindo-lhe para apresentar-se rapidamente. Ela tomou um trem noturno e rumou para a Filadélfia.Lá aprendeu os cálculos manuais e a operação do desajeitado analisador que acelerava o processo – sua precisão dependia do serviço de suas colegas e do mecânico que alimentava suas correias e engrenagens.
O fim da guerra chegou em 1945, mas apenas dois meses depois de chegar, Bartik foi contratada para um novo projeto – um computador eletrônico que podia fazer cálculos mais rápido que qualquer ser humano. O Eletronic Numeric Integrator and Computer (ENIAC), criado pelos cientistas John Mauchly e J. Presper Eckert Jr, pesava mais de 30 toneladas e continha 18.000 válvulas termiônicas. Conseguia reconhecer números, somar, subtrair, multiplicar, dividir e realizar outras funções básicas.
Homens construíram a máquina, mas foram Bartik e suas colegas que programaram cada válvula e aprenderam a fazê-la funcionar. Logo depois, elas demonstraram aos militares como o computador funcionava, com as programadoras iniciando os processos e mostrando como produzia resultados. A gigantesca máquina fazia instantaneamente cálculos que levavam horas para serem feitos a mão.
Mas nenhuma das programadoras foi convidada para o jantar de comemoração que se seguiu. Não receberam nenhum certificado nem comenda dos militares, e passaram para o esquecimento.
Seu trabalho durante a guerra foi pouco conhecido, e por isso deixado de fora da história oficial e do desenvolvimento da informática. Pesquisadores apontam que a razão para isso é reflexo da cultura da época, que considerava as mulheres como substitutas temporárias dos homens.
Contudo, desde que o documentário estreou, a história já foi exibida em diversas escolas e pequenos cinemas – e muitos pedidos por exibições apareceram. Há sempre algum tipo de “veterana” na platéia, e os aplausos são sempre efusivos.“A parte mais importante dessas histórias é que podemos usá-las para moldar o legado para a próxima geração de mulheres”, disse Carolyn Leighton, fundadora da Women in Technology International. “Sabemos como, sem dúvida, como exemplos podem inspirar e afetar escolhas. Não é somente por elas, mas também pelos jovens homens e mulheres que podemos inspirar”.
Fonte: CNN, 8 de fevereiro de 2011.
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