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quarta-feira, 23 de março de 2011

Dias Negros na Irlanda do Norte: A Blitz de Belfast


Dias Negros na Irlanda do Norte: A Blitz de Belfast


Na noite de 15 de abril de 1941 quase 1.000 pessoas foram mortas durante um bombardeio alemão à Belfast. A cidade foi considerada um alvo legítimo durante a Segunda Guerra Mundial devido ao seu estaleiro e indústria aeronáutica.

A noite escolhida pela Luftwaffe para realizar o ataque foi a terça-feira de Páscoa de 1941.

Um aviso antiaéreo em Belfast naquela noite dizia: “As sirenes começaram às 22:45, e às 23h minha equipe estava na rua – foi aí que começaram seis horas de horror, morte e destruição”.

Por horas, centenas de toneladas de bombas de alto-explosivo e incendiárias foram despejadas na cidade. Ao redor dos alvos nas docas estavam residências abarrotadas. Nas apertadas ruas do distrito industrial, viviam os trabalhadores das fábricas. Cada bomba desgarrada podia matar civis em grandes números.

Os mortos foram empilhados numa piscina vazia de Falls Road e num mercado perto do centro da cidade. Muitos corpos e partes não puderam ser identificados – se houvesse rosários nos bolsos, a vítima possivelmente era católica.

Não somente houve uma grande perda de vidas – mas também extensivo dano por toda Belfast.

Bombas atingiram metade das casas da cidade, deixando 100.000 pessoas desabrigadas. Memórias daquela noite persistem na mente dos sobreviventes.

Um residente de Belfast lembra-se de apagar incêndios em diversos pontos da cidade: “Dois dos nossos foram mortos na estação Sans Souci. Estavam dirigindo numa rua quando uma bomba caiu e deixou uma cratera. O carro deles caiu na cratera”.

Mas ele nunca esqueceu o que se passou após o bombardeio na Rua York: “Um vi um cachorro com um bebê morto na boca. Estava fugindo. Eu tirei meu capacete de metal e o joguei no chão. O barulho o assustou e ele largou o bebê. Me lembro de ter enrolado o corpo do bebê em um pedaço de cortina de uma das casas atingidas. Deixei-o com alguns soldados, colocando uma nota dizendo onde o tinha encontrado... Coisas assim, você nunca esquece”.

Ele também lembrou-se de seu amigo, cuja casa no norte da cidade fora bombardeada, e que nunca conseguiu encontrar os corpos da mãe e do pai. “Fomos ver os corpos no mercado. Os mortos estavam por toda parte. Me lembro de passar ao redor e ir levantando os lençóis para ver quem era. Mas nunca encontramos seus pais”.

Hoje, há dois monumentos nas valas comuns onde os corpos sem identificação foram enterrados – um no cemitério católico Milltown, e o outro no cemitério municipal.

Não houve distinção entre católicos e protestantes nos enterros. Todos morreram unidos. Apesar da histórica rivalidade religiosa entre as duas Irlandas, brigadas de bombeiros irlandeses vieram duas vezes ajudar seus vizinhos do norte, apesar da neutralidade da República da Irlanda.

Fonte: BBC News, 21 de março de 2011.

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