Fuzileiro sobreviveu a morteiros em Okinawa
Menos de uma hora após ter desembarcado na ilha japonesa de Okinawa, Harry Hopkins encontrou um soldado japonês armado – ou assim ele pensou.“Eu congelei”, disse Hopkins, de 92 anos, que serviu no Corpo de Fuzileiros Navais durante a Segunda Guerra Mundial. “Não consegui me mover um centímetro”. O inimigo não disparou um tiro sequer. Olhando mais de perto, Hopkins viu que o japonês estava morto – era uma tática para assustá-los.
“Alguém tinha colocado aquele soldado morto numa posição de tiro, alinhando-o com seu possível alvo”, disse Hopkins. “E eu caí direitinho”.
Este encontro com o inimigo deu a ele o primeiro gosto da guerra. “Só estávamos na praia há 30 minutos, então não sabíamos o que esperar”, disse ele, cuja unidade desembarcou no domingo de Páscoa, em abril de 1945. “Pra minha sorte, o primeiro japonês que encontrei estava morto. Eu não congelei daquele jeito de novo”.
Hopkins, que servia com o III Corpo Anfíbio, participou da luta contra os japoneses no Teatro de Operações do Pacífico. Lá, testemunhou um imenso banho de sangue.
Ele quase perdeu a vida duas vezes na guerra. “Eu estava junto de um tanque quando morteiros começaram a cair”, disse. “O primeiro caiu tão perto que me fez voar uns quatro metros para trás”. Ele recuperou a consciência 20 minutos depois.
“Voltei a mim bem devagar”, lembra-se. “Um lado do meu corpo estava totalmente preto. A primeira coisa que fiz foi contar todos os meus dedos, mãos e pés. A única coisa que faltava era o meu capacete”.
Hopkins conseguiu reencontrar seus colegas, que estavam a uns 180 metros do local do ataque. Quando ele finalmente conseguiu encontrar um médico, suas feridas já cicatrizavam. “Me senti bem, então só continuei em frente”.
No entanto, oito meses depois, pequenos caroços começaram a se formar no lado ferido do seu corpo, perto dos órgãos internos.Médicos militares descobriram que uma grande quantidade de tecido interno cicatrizado havia se formado na área do impacto. Como resultado, os tecidos fibrosos formados internamente tiveram que ser cirurgicamente removidos.
Isso não era uma tarefa fácil para os médicos da época. Na verdade, a maioria do pessoal médico no USS Repose – o navio-hospital que transportava soldados americanos feridos ao longo da costa chinesa – estavam convencidos de que Hopkins não sobreviveria por muito tempo após a cirurgia.
“Mas estou aqui, aos 92 anos de idade”, disse Hopkins, sorrindo.
Fonte: Delmarva Now!, 19 de março de 2011.
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