Pilotos Tuskegee relembram suas histórias
Alexander Jefferson, um pequeno e magro senhor com um bigode prateado, serviu como piloto de caça no famoso 332º Grupo de Caça dos EUA, os “Tuskegee Airmen”. Após decolar da base aérea de Ramitelli, na Itália, ele foi derrubado no dia 12 de agosto de 1944.
Ele atacava estações de radar alemães quando seu Mustang foi atingido. Após perder a consciência na queda, ele foi acordado por um soldado alemão que apontava-lhe uma arma e gritava: “Naeger! Naeger!” (A palavra soa similar ao termo pejorativo norte-americano “nigger”, que traduz-se por “crioulo”).
“Pensei: ‘Mas que droga – até na Alemanha!’”, disse Jefferson rindo e balançando a cabeça. “Mas depois descobri que ele não estava me xingando – essa era a palavra deles para ‘negro’”.
Na verdade, o oficial-comandante do soldado alemão saudou Jefferson quando levou-o em custódia. “Eu fui tratado como um oficial todo o tempo que passei no cativeiro alemão”, disse ele.
Hiram Mann, também veterano Tuskegee, é hoje um efervescente octogenário, cuja brincalhona personalidade rendeu-lhe o apelido de “Gremlin”.
Ele disse que quando entrou no serviço, era “um pouco mais jovem que a maioria dos caras”.
“Eu tinha 21 anos e já era casado”, lembrou-se. Ele estava voltando à base para voar uma missão importante quando foi proibido de decolar pelo cirurgião da base, que disse que Mann e seus colegas não tinham tido descanso o suficiente antes do seu próximo voo.
O avião dele, “Boss Lady” (“Chefona”, um apelido carinhoso para sua esposa), foi designado para outro piloto – que não voltou da missão. “Eu penso nisso frequentemente”, disse Mann. “Podia ter sido eu no lugar dele, não sei”.
Os aviadores Tuskegee escoltaram bombardeiros na missão mais longa daquele teatro de operações, quando decolaram de Ramitelli e acompanharam os quadrimotores até Berlim, onde destruíram uma fábrica da Daimler-Benz. Eles retornaram cobertos de glórias e citações – até que voltaram para casa.
“Ao voltar para casa de barco”, lembrou-se Jefferson, “chegamos ao porto de New York, com as bandeiras balançando, a Estátua da Liberdade. Descemos do navio e um pequeno soldado lá embaixo dizia: ‘brancos para a direita, crioulos para a esquerda’”.
Bem-vindos de volta.
Fonte: NPR, 11 de abril de 2011.
Ele atacava estações de radar alemães quando seu Mustang foi atingido. Após perder a consciência na queda, ele foi acordado por um soldado alemão que apontava-lhe uma arma e gritava: “Naeger! Naeger!” (A palavra soa similar ao termo pejorativo norte-americano “nigger”, que traduz-se por “crioulo”).
“Pensei: ‘Mas que droga – até na Alemanha!’”, disse Jefferson rindo e balançando a cabeça. “Mas depois descobri que ele não estava me xingando – essa era a palavra deles para ‘negro’”.
Na verdade, o oficial-comandante do soldado alemão saudou Jefferson quando levou-o em custódia. “Eu fui tratado como um oficial todo o tempo que passei no cativeiro alemão”, disse ele.
Hiram Mann, também veterano Tuskegee, é hoje um efervescente octogenário, cuja brincalhona personalidade rendeu-lhe o apelido de “Gremlin”.
Ele disse que quando entrou no serviço, era “um pouco mais jovem que a maioria dos caras”.
“Eu tinha 21 anos e já era casado”, lembrou-se. Ele estava voltando à base para voar uma missão importante quando foi proibido de decolar pelo cirurgião da base, que disse que Mann e seus colegas não tinham tido descanso o suficiente antes do seu próximo voo.
O avião dele, “Boss Lady” (“Chefona”, um apelido carinhoso para sua esposa), foi designado para outro piloto – que não voltou da missão. “Eu penso nisso frequentemente”, disse Mann. “Podia ter sido eu no lugar dele, não sei”.
Os aviadores Tuskegee escoltaram bombardeiros na missão mais longa daquele teatro de operações, quando decolaram de Ramitelli e acompanharam os quadrimotores até Berlim, onde destruíram uma fábrica da Daimler-Benz. Eles retornaram cobertos de glórias e citações – até que voltaram para casa.
“Ao voltar para casa de barco”, lembrou-se Jefferson, “chegamos ao porto de New York, com as bandeiras balançando, a Estátua da Liberdade. Descemos do navio e um pequeno soldado lá embaixo dizia: ‘brancos para a direita, crioulos para a esquerda’”.
Bem-vindos de volta.
Fonte: NPR, 11 de abril de 2011.
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2 comentários:
Realmente,um ótimo Post.fico pensando o quanto foi horrível chegar e ver novamente esta discriminação,acredito que deve dar vontade de voltar para a guerra,aonde eles eram tratados muitas vezes melhor,e eram reconhecidos por suas façanhas. que bela postagem
Meu DEUS! Sabia que a coragem vista em ação, tinha que ter participação de brasileiros. O Raça. Só nesse momento fiquei sabendo disso que tínhamos brasileiros no Esquadrão 332°. E a emoção toma conta de meu corpo. Assistam o filme: Prova de Fogo (The Tuskegee Airmen - 1995) que vcs entenderão o por que tamanho de minha emoção. É um dos filmes mais lindos que vi na vida.
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