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sexta-feira, 27 de maio de 2011

A Inglaterra foi o “cérebro” da Resistência Francesa


A Inglaterra foi o “cérebro” da Resistência Francesa


A França está relutantemente aceitando a extensão da ajuda britânica no planejamento de suas operações de resistência durante a guerra, de acordo com um dos últimos agentes secretos franceses de Churchill.

O Capitão Robert “Bob” Maloubier foi um agente da seção francesa da Executiva de Operações Especiais (SOE) britânica. O “exército secreto” de Churchill foi criado para “colocar fogo na Europa”, encorajando e facilitando a espionagem e a sabotagem atrás das linhas inimigas duante a Segunda Guerra Mundial.

Maloubier, então com apenas 20 anos, tomou parte numa série de ousadas missões na França ocupada, como treinador de armas e especialista em demolição. Ele ajudou a explodir uma estação de força, uma siderúrgica e uma base de submarinos, bem como preparou o caminho para o Dia-D.

Ele deu seu testemunho completo das operações de guerra no livro “Winston Churchill's Secret Agent”, lançando recentemente na França.

Os franceses são um pouco xenófobos; eles acham que eles se liberaram sozinhos. Sempre se escuta sobre a Resistência Francesa”, disse Maloubier, de 88 anos. “A influência do SOE, dos especialistas que vieram treinar os franceses, têm muita pouca cobertura na França”.

Fomos poucos em números após a guerra, como podíamos competir com movimentos políticos de resistência do pós-guerra? Não tivemos nosso lugar”.

Maloubier, um dos três membros franceses do SOE restantes, comemorou com a família real inglesa o 70º aniversário do primeiro lançamento de um agente do SOE em Valencay, na França central, e os 104 agentes que morreram no cumprimento do dever.

Entre o lançamento inicial de Georges Bégué, em maio de 1941, e agosto de 1944, mais de 400 agentes da Seção F foram enviados para a França ocupada.

Após escapar da França para a Tunísia e depois para a Argélia aos 17 anos de idade, Maloubier juntou-se ao Destacamento Especial do SOE e passou seis meses na Grã-Bretanha aprendendo as artes da sabotagem, assassinato e fuga.

Em um capítulo, ele reconta sua quase-captura pela polícia de campo alemã em Rouen, 20 de dezembro de 1943.

Em seu caminho para pegar equipamento lançado à noite em um paraquedas, ele foi parado em sua motocicleta pela polícia alemã. Seu colega, um falsificador, fugiu, mas Bob foi obrigado a montar na motocicleta com um policial alemão na garupa, pressionando-lhe uma arma contra o pescoço.

Na reta final antes da estação de polícia, ele conseguiu livrar-se de seu passageiro alemão, jogou a moto sobre ele e fugiu. Enquanto corria, os alemães atiraram, atingindo-lhe no pulmão, mas ele conseguiu cruzar um campo e pular em uma poça congelada para tirar os cães do seu rastro.

Eu disse a mim mesmo: estou morto. Ninguém que leva um tiro nos intestinos e pulmão sobrevive”. No entanto, em agonizante dor, ele conseguiu andar muitos quilômetros de volta a Rouen e ainda subiu seis lances de escada.

Após uma cirurgia clandestina, ele foi colocado num avião de volta para a Inglaterra semanas depois por um “esquadrão do luar” do SOE, voltando para a França em junho de 1944.

Após a guerra, a vida de ação de Maloubier continuou quando ele juntou-se às Forças Especiais Francesas. Ele ainda fundou o equivalente francês dos SEALs da Marinha Americana, e desenhou o lendário relógio de mergulho Fifty Fathoms usado por Jacques Custeau.

A França nos anos recentes tem revisado o papel de seus cidadãos durante a guerra, em meio a acusações de que o governo francês deliberadamente insuflou o número de seus cidadãos que se juntaram à Resistência Francesa.

Fonte: The Telegraph, 5 de maio de 2011.

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