
Entre os dias 27 e 29 de julho de 2011 eu participei das celebrações do centenário de nascimento do Sargento Max Wolff Filho, na Escola de Sargentos das Armas – entidade que leva seu nome – sediada em Três Corações – MG.
Há cerca de um mês, fui convidado pelo comandante da EsSA, General-de-Brigada Fernando Vasconcellos Pereira, para estar presente no evento, e fazer uma pequena palestra na ocasião. Tamanha honra claramente só poderia ser por mim recebida com os melhores acolhimentos.
No dia 27 tomei o voo no sentido Montes Claros – Belo Horizonte – Varginha (sim, a capital brasileira dos extraterrestres), cidade que fica a apenas um curto trajeto de Três Corações. Lá no aeroporto estava o oficial designado para me acompanhar, o Tenente Bruno Lima. Uma pessoa extremamente atenciosa e cortês, me acompanhou até a EsSA, onde levou-me ao gabinete do Gen. Vasconcellos.
O edifício do comando é um prédio antigo, com quase 100 anos, mas muito conservado. Uma ampla escadaria de madeira adornada com vitrais leva o visitante ao segundo andar, onde encontra-se o gabinete do comandante. O Gen. Vasconcellos recebeu-me com muita cortesia numa sala decorada com os retratos dos antigos comandantes da escola. Conversamos rapidamente, pois ele se encontrava em meio a uma reunião.
Naquela noite, os convidados tiveram um jantar com o comando da EsSA, no qual também compareceu a delegação da Associação Nacional de Veteranos da FEB de Belo Horizonte. Lá estavam o Capitão Divaldo Medrado, Tenente Geraldo Taitson, Tenente Josino Aguiar e a última enfermeira da FEB, Dona Carlota – com impressionante saúde aos 97 anos de idade! Além destes, também estava lá o bem-humorado veterano tricordiano, José Santana – que, aliás, é uma fonte infindável de revelações sobre a FEB.
Uma noite muito divertida e acolhedora, mas todos tinham que dormir cedo, pois o dia seguinte seria cheio.
Às 9h da manhã estávamos de volta à EsSA para o ensaio da cerimônia que aconteceria às 14:30h. Nisso fomos instruídos pelo Tenente-Coronel Souza, que seria o condutor daquela tarde. O almoço no Hotel de Trânsito foi muito saboroso, e contamos com a ilustre companhia da Sra. Hilda Della Nina, filha do Sgt. Wolff.
Pontualmente às 14:30h, deu-se início à cerimônia, com uma palestra sobre a campanha da Itália, desde a Operação Husky (invasão da Sicília), até a entrada da FEB nos combates, ministrada pelo Ten-Cel. Souza. Em seguida, foram ao palco o Cap. Medrado e o Ten. Taitson, e ambos relataram reminiscências de suas memórias de combate. O Cap. Medrado falou sobre sua proximidade com o Sgt. Wolff, de quem foi grande amigo.
Em seguida foi minha vez. Fui à frente para falar sobre veteranos e a experiência que tenho com eles. Discorri um pouco sobre meus amigos americanos Jim Pattillo, Maurie Ashland, Ben Nicks e Jerry Yellin, ressaltando que os EUA são verdadeiramente o país que melhor trata seus veteranos de guerra, realizando frequentemente eventos em sua honra. Sobre as minhas andanças na Europa, falei da triste situação pela qual passaram os veteranos romenos durante o governo comunista e sobre o estado de esquecimento dos veteranos alemães perante sua própria sociedade (que além de tentar virtualmente apagá-los de sua história, ainda pintam todos com a pecha de “criminosos”). Claro, eu não podia deixar de citar o meu amigo Martin Drewes (que visitei há duas semanas) e a produção do documentário sobre sua carreira. Resolvi deixar o Brasil para a conclusão, ressaltando a importância desses anos que estamos vivendo. São esses os últimos anos que temos para compartilhar momentos com esses nossos herois, esses bravos que defenderam nossas cores há 7 décadas no passado. O mesmo recado eu deixo aqui: você que está lendo este artigo, procure um veterano, converse com ele e diga-lhe “Obrigado pelo seu serviço”. Com certeza significará muito para ele.
Bom, voltando ao nosso relato...
A tarde continuou com a palestra da Sra. Hilda, que contou-nos sobre suas memórias de infância, da relação pai-filha, mostrando a figura humana do Sgt. Wolff. Muito emocionante foi o momento em que, logo após ela ter concluído sua fala e descido do palco, foi cumprimentada pelo Cap. Medrado, que disse-lhe com a voz trêmula: “Seu pai me falava tanto de você!”
À noite tivemos um jantar de gala no rancho dos oficiais, durante o qual honrarias foram entregues a diversas autoridades. Neste jantar, tive a honra de conhecer o Coronel Cláudio Moreira Bento, historiador militar de prolífica produção bibliográfica, hoje presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil. O Cel. Bento estava lá lançando sua mais nova obra: “Os 68 Sargentos Herois da FEB, Mortos em Operações de Guerra”.
Na manhã do dia 29, mais uma vez retornamos à EsSA, desta vez para assistir a uma formatura da tropa e a entrega da Medalha Max Wolff Filho aos sargentos e oficiais que se destacaram no cumprimento das atividades anuais. Ponto de destaque (e completa surpresa para mim) foi a passagem de um blindado meia-lagarta M-2 da Segunda Guerra Mundial, mantido em perfeitas condições pela escola. Realmente uma visão impressionante!
Logo após a formatura tivemos a reinauguração do museu da EsSA, que contém algumas peças realmente interessantes. Destaca-se, na minha opinião, o bastão de comando do General Plínio Pitaluga, comandante do Esquadrão de Reconhecimento da FEB durante a guerra. Para finalizar, tivemos um coquetel no pátio da escola, onde tive a chance de despedir-me de todos e parabenizar o Gen. Vasconcellos pela execução tão impecável do evento.
E fui-me de volta para minha querida Montes Claros.
Há cerca de um mês, fui convidado pelo comandante da EsSA, General-de-Brigada Fernando Vasconcellos Pereira, para estar presente no evento, e fazer uma pequena palestra na ocasião. Tamanha honra claramente só poderia ser por mim recebida com os melhores acolhimentos.
No dia 27 tomei o voo no sentido Montes Claros – Belo Horizonte – Varginha (sim, a capital brasileira dos extraterrestres), cidade que fica a apenas um curto trajeto de Três Corações. Lá no aeroporto estava o oficial designado para me acompanhar, o Tenente Bruno Lima. Uma pessoa extremamente atenciosa e cortês, me acompanhou até a EsSA, onde levou-me ao gabinete do Gen. Vasconcellos.
O edifício do comando é um prédio antigo, com quase 100 anos, mas muito conservado. Uma ampla escadaria de madeira adornada com vitrais leva o visitante ao segundo andar, onde encontra-se o gabinete do comandante. O Gen. Vasconcellos recebeu-me com muita cortesia numa sala decorada com os retratos dos antigos comandantes da escola. Conversamos rapidamente, pois ele se encontrava em meio a uma reunião.
Naquela noite, os convidados tiveram um jantar com o comando da EsSA, no qual também compareceu a delegação da Associação Nacional de Veteranos da FEB de Belo Horizonte. Lá estavam o Capitão Divaldo Medrado, Tenente Geraldo Taitson, Tenente Josino Aguiar e a última enfermeira da FEB, Dona Carlota – com impressionante saúde aos 97 anos de idade! Além destes, também estava lá o bem-humorado veterano tricordiano, José Santana – que, aliás, é uma fonte infindável de revelações sobre a FEB.
Uma noite muito divertida e acolhedora, mas todos tinham que dormir cedo, pois o dia seguinte seria cheio.
Às 9h da manhã estávamos de volta à EsSA para o ensaio da cerimônia que aconteceria às 14:30h. Nisso fomos instruídos pelo Tenente-Coronel Souza, que seria o condutor daquela tarde. O almoço no Hotel de Trânsito foi muito saboroso, e contamos com a ilustre companhia da Sra. Hilda Della Nina, filha do Sgt. Wolff.
Pontualmente às 14:30h, deu-se início à cerimônia, com uma palestra sobre a campanha da Itália, desde a Operação Husky (invasão da Sicília), até a entrada da FEB nos combates, ministrada pelo Ten-Cel. Souza. Em seguida, foram ao palco o Cap. Medrado e o Ten. Taitson, e ambos relataram reminiscências de suas memórias de combate. O Cap. Medrado falou sobre sua proximidade com o Sgt. Wolff, de quem foi grande amigo.
Em seguida foi minha vez. Fui à frente para falar sobre veteranos e a experiência que tenho com eles. Discorri um pouco sobre meus amigos americanos Jim Pattillo, Maurie Ashland, Ben Nicks e Jerry Yellin, ressaltando que os EUA são verdadeiramente o país que melhor trata seus veteranos de guerra, realizando frequentemente eventos em sua honra. Sobre as minhas andanças na Europa, falei da triste situação pela qual passaram os veteranos romenos durante o governo comunista e sobre o estado de esquecimento dos veteranos alemães perante sua própria sociedade (que além de tentar virtualmente apagá-los de sua história, ainda pintam todos com a pecha de “criminosos”). Claro, eu não podia deixar de citar o meu amigo Martin Drewes (que visitei há duas semanas) e a produção do documentário sobre sua carreira. Resolvi deixar o Brasil para a conclusão, ressaltando a importância desses anos que estamos vivendo. São esses os últimos anos que temos para compartilhar momentos com esses nossos herois, esses bravos que defenderam nossas cores há 7 décadas no passado. O mesmo recado eu deixo aqui: você que está lendo este artigo, procure um veterano, converse com ele e diga-lhe “Obrigado pelo seu serviço”. Com certeza significará muito para ele.
Bom, voltando ao nosso relato...
A tarde continuou com a palestra da Sra. Hilda, que contou-nos sobre suas memórias de infância, da relação pai-filha, mostrando a figura humana do Sgt. Wolff. Muito emocionante foi o momento em que, logo após ela ter concluído sua fala e descido do palco, foi cumprimentada pelo Cap. Medrado, que disse-lhe com a voz trêmula: “Seu pai me falava tanto de você!”
À noite tivemos um jantar de gala no rancho dos oficiais, durante o qual honrarias foram entregues a diversas autoridades. Neste jantar, tive a honra de conhecer o Coronel Cláudio Moreira Bento, historiador militar de prolífica produção bibliográfica, hoje presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil. O Cel. Bento estava lá lançando sua mais nova obra: “Os 68 Sargentos Herois da FEB, Mortos em Operações de Guerra”.
Na manhã do dia 29, mais uma vez retornamos à EsSA, desta vez para assistir a uma formatura da tropa e a entrega da Medalha Max Wolff Filho aos sargentos e oficiais que se destacaram no cumprimento das atividades anuais. Ponto de destaque (e completa surpresa para mim) foi a passagem de um blindado meia-lagarta M-2 da Segunda Guerra Mundial, mantido em perfeitas condições pela escola. Realmente uma visão impressionante!
Logo após a formatura tivemos a reinauguração do museu da EsSA, que contém algumas peças realmente interessantes. Destaca-se, na minha opinião, o bastão de comando do General Plínio Pitaluga, comandante do Esquadrão de Reconhecimento da FEB durante a guerra. Para finalizar, tivemos um coquetel no pátio da escola, onde tive a chance de despedir-me de todos e parabenizar o Gen. Vasconcellos pela execução tão impecável do evento.
E fui-me de volta para minha querida Montes Claros.




















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4 comentários:
Parabéns pelo relato. A riqueza dos detalhes permitiu ter uma perfeita noção de tão significativo envento realizado pela EsSA.
Obrigado Agostini. O evento foi verdadeiramente imperdível. Fiquei muito feliz em participar.
Parabéns. Tenho acompanhado seus passos através da SALA DE GUERRA, sobretudo, sua dedicação e carinho em relatar a coragem e o espírito de companheirismo dos combatentes da WWII, sem preconceitos e distinção de farda. Sou um aficcionado pelas batalhas travadas na Normandia (França)e estarei em junho/2012, junto ao meu filho, visitando cada local histórico do Dia - D. Gostaria de ter suas sugestões para visitar os locais de combate de nossos pracinhas em solo italiano, pois conheço muito pouco este assunto. No retorno, comprometo-me em compartilhar as imagens e histórias. Um abraço fraterno.
Olá Thomaz! Muito obrigado pelas palavras!
Olha, na Itália, você tem que visitar o Monte Castelo, Montese e o Cemitério de Pistóia. Esse é o roteiro mais básico da FEB, o obrigatório. Como ainda não estive na Itália, fica um pouco difícil te dar informações mais detalhadas. Mas me escreva no e-mail que te passarei o contato das pessoas certas.
Abraços!!!
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