Faleceu no último dia 26 de setembro em Einhausen, Alemanha, de causas naturais aos 89 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, meu amigo, Leutnant Georg Max Bose.
Nascido em Cottbus, Bose passou a infância nas florestas ao redor de sua casa, e em 8 de maio de 1938 apresentou-se para o período obrigatório no Serviço de Trabalho do Reich (Reichsarbeitsdienst). Após pouco tempo, ele tentou a vaga de chefe de serviço, que acabou conseguindo. Com isso, Bose teria que permanecer pelo menos mais um ano no RAD. Em agosto de 1939, seu batalhão de serviço foi transferido para a fronteira polonesa, e após o começo da invasão do país, eles ficaram responsáveis pelo reparo de estradas e pontes destruídas. Contudo, dada a rapidez do avanço alemão, Bose teve pouco a fazer: "Não fizemos nada lá, pois não tinha nada destruído".
Em 1 de abril de 1940 Bose deixou o RAD e foi chamado para o serviço militar, inicialmente voluntariando-se para a tropa de paraquedistas. No entanto, ele foi recusado por ser muito jovem. Em seguida, foi aceito para treinamento em uma unidade de artilharia antiaérea, mas logo desviado para a artilharia de campo, junto ao 58º Batalhão de Artilharia na França, em setembro de 1940. A partir de então, Bose participou de diversos exercícios para a Operação Leão Marinho - a invasão da Inglaterra - que acabou cancelada por Hitler. Em abril de 1941 ele tormou parte na invasão da Grécia, sendo logo depois enviado para Memel, no Báltico, de onde partiu para a Operação Barbarossa. Avançando em direção a Leningrado, ele enfrentou pesadas batalhas no inverno 1941-1942 na frente de Volkhov. Após um longo período no hospital tratando uma enfermidade, Bose voluntariou-se para a força de canhões de assalto (Sturmartillerie) em novembro de 1942.
Após completar o treinamento no StuG III, ele foi enviado para o 177ª Brigada de Canhões de Assalto (Sturmgeschütz). Lá, Bose era parte da 3ª Bateria, na qual comandava o canhão 309. Em julho de 1943, a unidade envolveu-se no centro dos pesados combates entre blindados em Kursk. Quando o comandante da bateria foi mortalmente ferido após abandonar seu veículo quebrado, Bose cobriu o recuo da tripulação, disparando energicamente contra o avanço soviético - ação pela qual ganhou a Cruz de Ferro de 2ª Classe. No dia 10 de julho, ele foi o primeiro de sua bateria a destruir um tanque inimigo, sendo premiado com uma garrafa de champagne. Em outro combate, ele protegeu o estado-maior da 76º Divisão de Infantaria, incluindo o General Helmut Weidling (último comandante militar de Berlim em maio de 1945), de um ataque soviético, destruindo seu segundo tanque inimigo.
No inverno 1943-1944, Bose enfrentou os contra-ataques soviéticos na região de Vitebsk, na Bielorrúsia, e foi promovido a Leutnant logo em seguida, recebendo também o comando de um pelotão. Sua unidade foi renomeada 69º Batalhão Panzer na primavera de 1944, e seguiu ininterruptamente em combate desde os pântanos de Pripet até a Prússia Oriental. Durante os combates ao redor da cidade polonesa de Radziwillowka, Bose protegeu o recuo da 292ª Divisão de Infantaria, destruindo um grande número de veículos blindados soviéticos e parando o ímpeto do avanço inimigo. Por essas ações, no dia 21 de setembro de 1944, ele foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.
Mesmo sofrendo de hepatite, Bose continuou firmemente engajado nos combates na Hungria em 1945, terminando a guerra com um total de 44 tanques soviéticos destruídos, num hospital na Tchecoslováquia. Capturado pelos soviéticos em 11 de maio, ele passou três anos em cativeiro, até ser libertado em 18 de julho de 1948.
Georg Bose era secretário da Associação dos Ganhadores da Cruz do Cavaleiro, e escreveu uma longa e muito elogiada autobiografia, dividida em três volumes. A Dragon Models lançou em 2007 em edição especial um modelo em escala 1/35 de seu StuG III Ausf.G. Ativo na internet, Bose era talvez o único dos RKTs a utilizar e-mail com regularidade, de forma que nos comunicávamos desde 2008 desta maneira. Não pude encontrá-lo em 2009 por ele ter tido uma recaída na saúde, mas tive a imensa honra de conhecê-lo pessoalmente no encontro de 2010.
E que impressão Georg Bose deixou! Extremamente vívido e cortês com os convidados (como pode ser visto no vídeo abaixo), ele em nada deixava transparecer a frágil condição em que se encontrava. Comunicamo-nos pela última vez no dia 17 de julho, quando ele me disse que a tradução para inglês do 2º volume de sua biografia tinha ficado pronto. Esperávamos revê-lo este ano, daqui a duas semanas, e infelizmente as notícias pegaram todos de surpresa. Sinto-me privilegiado por tê-lo conhecido e poder carregar boas lembranças deste guerreiro. Sua falta será muito sentida.
Descanse em paz Sr. Bose!
Nascido em Cottbus, Bose passou a infância nas florestas ao redor de sua casa, e em 8 de maio de 1938 apresentou-se para o período obrigatório no Serviço de Trabalho do Reich (Reichsarbeitsdienst). Após pouco tempo, ele tentou a vaga de chefe de serviço, que acabou conseguindo. Com isso, Bose teria que permanecer pelo menos mais um ano no RAD. Em agosto de 1939, seu batalhão de serviço foi transferido para a fronteira polonesa, e após o começo da invasão do país, eles ficaram responsáveis pelo reparo de estradas e pontes destruídas. Contudo, dada a rapidez do avanço alemão, Bose teve pouco a fazer: "Não fizemos nada lá, pois não tinha nada destruído".
Em 1 de abril de 1940 Bose deixou o RAD e foi chamado para o serviço militar, inicialmente voluntariando-se para a tropa de paraquedistas. No entanto, ele foi recusado por ser muito jovem. Em seguida, foi aceito para treinamento em uma unidade de artilharia antiaérea, mas logo desviado para a artilharia de campo, junto ao 58º Batalhão de Artilharia na França, em setembro de 1940. A partir de então, Bose participou de diversos exercícios para a Operação Leão Marinho - a invasão da Inglaterra - que acabou cancelada por Hitler. Em abril de 1941 ele tormou parte na invasão da Grécia, sendo logo depois enviado para Memel, no Báltico, de onde partiu para a Operação Barbarossa. Avançando em direção a Leningrado, ele enfrentou pesadas batalhas no inverno 1941-1942 na frente de Volkhov. Após um longo período no hospital tratando uma enfermidade, Bose voluntariou-se para a força de canhões de assalto (Sturmartillerie) em novembro de 1942.
Após completar o treinamento no StuG III, ele foi enviado para o 177ª Brigada de Canhões de Assalto (Sturmgeschütz). Lá, Bose era parte da 3ª Bateria, na qual comandava o canhão 309. Em julho de 1943, a unidade envolveu-se no centro dos pesados combates entre blindados em Kursk. Quando o comandante da bateria foi mortalmente ferido após abandonar seu veículo quebrado, Bose cobriu o recuo da tripulação, disparando energicamente contra o avanço soviético - ação pela qual ganhou a Cruz de Ferro de 2ª Classe. No dia 10 de julho, ele foi o primeiro de sua bateria a destruir um tanque inimigo, sendo premiado com uma garrafa de champagne. Em outro combate, ele protegeu o estado-maior da 76º Divisão de Infantaria, incluindo o General Helmut Weidling (último comandante militar de Berlim em maio de 1945), de um ataque soviético, destruindo seu segundo tanque inimigo.
No inverno 1943-1944, Bose enfrentou os contra-ataques soviéticos na região de Vitebsk, na Bielorrúsia, e foi promovido a Leutnant logo em seguida, recebendo também o comando de um pelotão. Sua unidade foi renomeada 69º Batalhão Panzer na primavera de 1944, e seguiu ininterruptamente em combate desde os pântanos de Pripet até a Prússia Oriental. Durante os combates ao redor da cidade polonesa de Radziwillowka, Bose protegeu o recuo da 292ª Divisão de Infantaria, destruindo um grande número de veículos blindados soviéticos e parando o ímpeto do avanço inimigo. Por essas ações, no dia 21 de setembro de 1944, ele foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.
Mesmo sofrendo de hepatite, Bose continuou firmemente engajado nos combates na Hungria em 1945, terminando a guerra com um total de 44 tanques soviéticos destruídos, num hospital na Tchecoslováquia. Capturado pelos soviéticos em 11 de maio, ele passou três anos em cativeiro, até ser libertado em 18 de julho de 1948.
Georg Bose era secretário da Associação dos Ganhadores da Cruz do Cavaleiro, e escreveu uma longa e muito elogiada autobiografia, dividida em três volumes. A Dragon Models lançou em 2007 em edição especial um modelo em escala 1/35 de seu StuG III Ausf.G. Ativo na internet, Bose era talvez o único dos RKTs a utilizar e-mail com regularidade, de forma que nos comunicávamos desde 2008 desta maneira. Não pude encontrá-lo em 2009 por ele ter tido uma recaída na saúde, mas tive a imensa honra de conhecê-lo pessoalmente no encontro de 2010.
E que impressão Georg Bose deixou! Extremamente vívido e cortês com os convidados (como pode ser visto no vídeo abaixo), ele em nada deixava transparecer a frágil condição em que se encontrava. Comunicamo-nos pela última vez no dia 17 de julho, quando ele me disse que a tradução para inglês do 2º volume de sua biografia tinha ficado pronto. Esperávamos revê-lo este ano, daqui a duas semanas, e infelizmente as notícias pegaram todos de surpresa. Sinto-me privilegiado por tê-lo conhecido e poder carregar boas lembranças deste guerreiro. Sua falta será muito sentida.
Descanse em paz Sr. Bose!
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