Chegamos a Berlim no domingo, 9 de outubro, às 19h. Voo com a Air Berlin, partindo de Frankfurt, de apenas 50 minutos. Aterrissagem no aeroporto de Tegel. Escolhemos um hotel próximo ao Tiergarten, para não ficar muito distante do eixo monumental que culmina no Portão de Brandenburgo.
Na segunda-feira pela manhã, pegamos um táxi até a Brunnenstrasse, onde se localiza a sede da Berlinen Unterwelten. Para quem não conhece, esta empresa oferece passeios pelos subterrâneos da capital alemã, incluindo um bunker, uma torre antiaérea e diversos outros locais relacionados à Segunda Guerra Mundial e à Guerra Fria. Há tours em alemão, inglês e espanhol, e você pode se programar através do site deles.
Escolhemos fazer o tour n.1, que leva os visitantes ao bunker da Brunnenstrasse, logo ao lado da sede da empresa. O bunker tem sua entrada pela estação de metrô Gesundbrunnen, que curiosamente tem dois pequenos bunkers individuais (infelizmente hoje bastante vandalizados) bem em frente.
Às 11h da manhã, teve início o tour. O guia nos leva à entrada do bunker, dá algumas informações iniciais, e somos levados ao seu interior. Importante ressaltar: é proibido fazer qualquer tipo de fotografia ou filmagem lá dentro – política da empresa. Isso, contudo, só faz com que vocês fiquem mais curiosos, pois posso dizer que o passeio vale muito a pena. Custando apenas 10 euros por pessoa, é um dinheiro muito bem empregado.
O bunker da Brunnenstrasse está muito bem conservado. Dos cerca de 1.200 bunkers que havia em Berlim durante a guerra, este é um dos pouquíssimos sobreviventes. A maioria absoluta foi destruída pelos Aliados durante a ocupação, mas este foi deixado intacto, por estar muito próximo à rede metroviária. Sua destruição implicaria um elevado custo de reconstrução das linhas subterrâneas de transporte.
Somos levados até a sala dos sanitários femininos, onde, nos últimos desesperadores dias da guerra, aconteciam a maioria dos suicídios nos bunkers. Como os abrigos se viam cada vez mais superlotados, os banheiros propiciavam um raríssimo espaço de privacidade, que era o ambiente ideal para tirar a própria vida. Tremendamente triste.
Em seguida, vamos para uma sala pintada com tinta branca. O guia explica que esta não é uma tinta qualquer, mas sim uma composição altamente reagente à luz. Uma demonstração disso nos deixa boquiabertos. Não vou contar aqui para não estragar a surpresa de quem for fazer o passeio, mas é algo impressionante. Aliás, impressionante também é o fato da tinta manter seu efeito após 70 anos...
Uma das salas seguintes possui bancos. Na parede, uma inscrição: “Máximo de 20 pessoas”. A restrição se dava por conta do oxigênio. Contudo, a sala frequentemente era ocupada por 60 ou mais pessoas durante ataques aéreos. É simulado um black-out, e temos a vívida experiência de quem passou por momentos aterrorizantes lá embaixo durante a guerra. Experiência semelhante, devo dizer; pois é inimaginável pensar no que realmente passaram.
Lá embaixo ainda há diversas salas, com objetos escavados do solo, que recontam os últimos dias do Terceiro Reich em Berlim. O visitante revê objetos alemães e soviéticos, capacetes, uniformes, placas de identificação e utensílios domésticos (que revelam a cruel realidade de que muitos civis estavam no meio do fogo cruzado).
Saímos do bunker após 90 minutos muito informativos. Infelizmente não tive tempo de fazer o tour pela torre antiaérea, localizada no parque logo à frente, mas tenho a impressão de que é igualmente interessante. A Berlinen Unterwelten me surpreendeu pela qualidade de seu trabalho. Fica a dica.
Ás 18h, tendo previamente combinado, pegamos um táxi rumo à casa do último sobrevivente do Fühkerbunker, o antigo segurança de Adolf Hitler, SS-Unterscharführer Rochus Misch.
Sua quieta rua de subúrbio já estava escurecida nesse horário, em parte devido às pesadas nuvens de chuva que dominavam os céus da cidade. Lá dentro, a luz da sala acesa. Fomos recebidos por um amigo de Misch, que educadamente encaminhou-nos até a sala de estar, onde o velho segurança encontrava-se.
Sorrindo, Misch cumprimentou a todos, sem levantar-se. Demonstrou-me ser o que eu já imaginava: um homem simples, simpático, que por um acaso da história foi colocado num lugar de destaque.
Dissemos de onde vínhamos, mas Misch não pareceu muito impressionado: “Vem gente do mundo todo aqui me ver: Coreia, EUA, Rússia...” Nos disseram que a frequência de visitantes é muito grande. Não perguntei se mais alguém do Brasil já havia estado lá antes, mas também, não julguei importante no momento.
Com algum esforço, Misch se levantou. Usando uma bengala, foi até a mesa da sala, e sentou-se em uma cadeira. Entreguei-lhe minha cópia de sua biografia “Eu Fui Guarda-Costas de Hitler”, que eu havia acabado de ler alguns dias antes. Embora estivesse cheio de perguntas para fazer-lhe, resolvi conter-me, visto que ele próprio havia dito à imprensa, no começo deste ano, que não queria mais dar entrevistas. Julguei que minha visita já era um prêmio suficientemente grande e me contentei com a dedicatória em meu livro.
O colega Roberto Andrade também entregou sua cópia a Misch, que igualmente fez-lhe uma bela dedicatória. Também ganhamos fotos autografadas, e tiramos fotos juntos. Durante todo o tempo, Misch se mostrou sorridente e à vontade. Ele até mesmo brincou sobre ter assistido uma partida de futebol entre as seleções brasileira e alemã – atestando a superioridade tática desta última (não discordo).
Tendo realizado nosso objetivo, decidimos que era hora de despedirmos de Rochus Misch. Com um grande sorriso ele cumprimentou a todos, desejando-nos uma boa estadia na Alemanha. Da mesma maneira, nos despedimos, desejando-lhe boa sorte e saúde.
Resumindo esse dia, posso dizer que o aproveitamos muito bem! Conhecer um bunker de verdade e o último sobrevivente do mais famoso dos bunkers foi algo único! Vir à Berlim começou a valer muito a pena!
Mas não acabou, no dia seguinte, visitas aos principais marcos da guerra na cidade. Até lá!
Na segunda-feira pela manhã, pegamos um táxi até a Brunnenstrasse, onde se localiza a sede da Berlinen Unterwelten. Para quem não conhece, esta empresa oferece passeios pelos subterrâneos da capital alemã, incluindo um bunker, uma torre antiaérea e diversos outros locais relacionados à Segunda Guerra Mundial e à Guerra Fria. Há tours em alemão, inglês e espanhol, e você pode se programar através do site deles.
Escolhemos fazer o tour n.1, que leva os visitantes ao bunker da Brunnenstrasse, logo ao lado da sede da empresa. O bunker tem sua entrada pela estação de metrô Gesundbrunnen, que curiosamente tem dois pequenos bunkers individuais (infelizmente hoje bastante vandalizados) bem em frente.
Às 11h da manhã, teve início o tour. O guia nos leva à entrada do bunker, dá algumas informações iniciais, e somos levados ao seu interior. Importante ressaltar: é proibido fazer qualquer tipo de fotografia ou filmagem lá dentro – política da empresa. Isso, contudo, só faz com que vocês fiquem mais curiosos, pois posso dizer que o passeio vale muito a pena. Custando apenas 10 euros por pessoa, é um dinheiro muito bem empregado.
O bunker da Brunnenstrasse está muito bem conservado. Dos cerca de 1.200 bunkers que havia em Berlim durante a guerra, este é um dos pouquíssimos sobreviventes. A maioria absoluta foi destruída pelos Aliados durante a ocupação, mas este foi deixado intacto, por estar muito próximo à rede metroviária. Sua destruição implicaria um elevado custo de reconstrução das linhas subterrâneas de transporte.
Somos levados até a sala dos sanitários femininos, onde, nos últimos desesperadores dias da guerra, aconteciam a maioria dos suicídios nos bunkers. Como os abrigos se viam cada vez mais superlotados, os banheiros propiciavam um raríssimo espaço de privacidade, que era o ambiente ideal para tirar a própria vida. Tremendamente triste.
Em seguida, vamos para uma sala pintada com tinta branca. O guia explica que esta não é uma tinta qualquer, mas sim uma composição altamente reagente à luz. Uma demonstração disso nos deixa boquiabertos. Não vou contar aqui para não estragar a surpresa de quem for fazer o passeio, mas é algo impressionante. Aliás, impressionante também é o fato da tinta manter seu efeito após 70 anos...
Uma das salas seguintes possui bancos. Na parede, uma inscrição: “Máximo de 20 pessoas”. A restrição se dava por conta do oxigênio. Contudo, a sala frequentemente era ocupada por 60 ou mais pessoas durante ataques aéreos. É simulado um black-out, e temos a vívida experiência de quem passou por momentos aterrorizantes lá embaixo durante a guerra. Experiência semelhante, devo dizer; pois é inimaginável pensar no que realmente passaram.
Lá embaixo ainda há diversas salas, com objetos escavados do solo, que recontam os últimos dias do Terceiro Reich em Berlim. O visitante revê objetos alemães e soviéticos, capacetes, uniformes, placas de identificação e utensílios domésticos (que revelam a cruel realidade de que muitos civis estavam no meio do fogo cruzado).
Saímos do bunker após 90 minutos muito informativos. Infelizmente não tive tempo de fazer o tour pela torre antiaérea, localizada no parque logo à frente, mas tenho a impressão de que é igualmente interessante. A Berlinen Unterwelten me surpreendeu pela qualidade de seu trabalho. Fica a dica.
Ás 18h, tendo previamente combinado, pegamos um táxi rumo à casa do último sobrevivente do Fühkerbunker, o antigo segurança de Adolf Hitler, SS-Unterscharführer Rochus Misch.
Sua quieta rua de subúrbio já estava escurecida nesse horário, em parte devido às pesadas nuvens de chuva que dominavam os céus da cidade. Lá dentro, a luz da sala acesa. Fomos recebidos por um amigo de Misch, que educadamente encaminhou-nos até a sala de estar, onde o velho segurança encontrava-se.
Sorrindo, Misch cumprimentou a todos, sem levantar-se. Demonstrou-me ser o que eu já imaginava: um homem simples, simpático, que por um acaso da história foi colocado num lugar de destaque.
Dissemos de onde vínhamos, mas Misch não pareceu muito impressionado: “Vem gente do mundo todo aqui me ver: Coreia, EUA, Rússia...” Nos disseram que a frequência de visitantes é muito grande. Não perguntei se mais alguém do Brasil já havia estado lá antes, mas também, não julguei importante no momento.
Com algum esforço, Misch se levantou. Usando uma bengala, foi até a mesa da sala, e sentou-se em uma cadeira. Entreguei-lhe minha cópia de sua biografia “Eu Fui Guarda-Costas de Hitler”, que eu havia acabado de ler alguns dias antes. Embora estivesse cheio de perguntas para fazer-lhe, resolvi conter-me, visto que ele próprio havia dito à imprensa, no começo deste ano, que não queria mais dar entrevistas. Julguei que minha visita já era um prêmio suficientemente grande e me contentei com a dedicatória em meu livro.
O colega Roberto Andrade também entregou sua cópia a Misch, que igualmente fez-lhe uma bela dedicatória. Também ganhamos fotos autografadas, e tiramos fotos juntos. Durante todo o tempo, Misch se mostrou sorridente e à vontade. Ele até mesmo brincou sobre ter assistido uma partida de futebol entre as seleções brasileira e alemã – atestando a superioridade tática desta última (não discordo).
Tendo realizado nosso objetivo, decidimos que era hora de despedirmos de Rochus Misch. Com um grande sorriso ele cumprimentou a todos, desejando-nos uma boa estadia na Alemanha. Da mesma maneira, nos despedimos, desejando-lhe boa sorte e saúde.
Resumindo esse dia, posso dizer que o aproveitamos muito bem! Conhecer um bunker de verdade e o último sobrevivente do mais famoso dos bunkers foi algo único! Vir à Berlim começou a valer muito a pena!
Mas não acabou, no dia seguinte, visitas aos principais marcos da guerra na cidade. Até lá!















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