Faleceu no último dia 12 de novembro em Chosei, no Japão, de causas naturais aos 91 anos de idade, o veterano de Pearl Harbor, Tenente Haruo Yoshino.
Nascido em Mobara, na província de Chiba, Yoshino aplicou-se na Academia Naval de Etajima em 1938. A aceitação de sua ficha deixou-lhe extremamente feliz: "A Marinha era considerada a elite das forças armadas. Ser um piloto era a maior honra que alguém podia ter, pois era considerada uma missão digna de um samurai". O treinamento foi, contudo, duríssimo. Os instrutores repreendiam qualquer falha dos alunos com severas punições físicas. Yoshino chegou a desmaiar após ser atingido na cabeça por um instrutor com uma vara de madeira durante um exercício. As lições multidisciplinares também eram extremamente árduas, fazendo com que apenas 1 em cada 5 alunos terminassem o curso.
Feito Sub-Oficial de 1ª Classe, Yoshino foi treinado no bombardeiro/torpedeiro Nakajima B5N2 (codinome Aliado "Kate"), uma aeronave de três tripulantes conhecida por ser uma plataforma extremamente precisa para lançamento de torpedos. Enviado para compor a força de ataque do porta-aviões Kaga, Yoshino rumou para o Havaí em novembro de 1941, ainda completamente inconsciente da missão que realizaria. Ele era o comandante da aeronave, com a função de navegador/bombardeador, e decolou no começo da manhã de domingo, 7 de dezembro de 1941, como parte da primeira onda de ataque. Yoshino estranhou a ausência de reação antiaérea inimiga enquanto se aproximava de Pearl Harbor (dado que os japoneses pensavam ter avisado os EUA cerca de uma hora antes do ataque; essa comunicação falhou devido à demora de decifração na embaixada em Washington). Na liderança de uma formação de 12 aeronaves, Yoshino avistou seu alvo, o couraçado USS Oklahoma, bem à frente. Seu piloto então alinhou a aeronave e baixou a altitude de voo para meros 10 metros acima da água. Ao ver o Oklahoma encher sua mira, Yoshino liberou o torpedo, que atingiu em cheio a belonave norte-americana. Mais tarde, o Oklahoma explodiria e se partiria em dois devido à uma bomba lançada por outro bombardeiro japonês, que atingiria diretamente seu paiol de munições. Yoshino retornou ao Kaga pouco depois de ter lançado seu torpedo, recebendo alguns tiros da defesa antiaérea americana, ja despertada.
Em 20 de janeiro de 1942, Yoshino participou das missões de bombardeio contra o porto de Rabaul, em Papua-Nova Guiné. Nesta missão, sua aeronave foi pesadamente atingida pela antiaérea australiana, danificando diversos cabos de controle e o motor. Foi com muita dificuldade que ele conseguiu pousar novamente no porta-aviões. Na madrugada de 4 de junho, ele decolou para uma missão de reconhecimento sobre a ilha de Midway. Retornando junto com a primeira força de ataque, ele passou a aguardar no deque do Kaga por novas ordens. Foi quando um grupo de bombardeiros de mergulho SBD Dauntless norte-americanos avistou o porta-aviões japônes, acertando quatro bombas em seu convés. Enquanto a embarcação era dominada pelas chamas, Yoshino saltou no mar, sendo mais tarde recolhido das águas por um destroier japonês - que também desferiu o golpe de misericórdia no funesto Kaga.
Em outubro de 1942, Yoshino tomou parte na Batalha de Santa Cruz, grande enfrentamento de porta-aviões americanos e japoneses pela dominação das águas ao redor de Guadalcanal. Em 1944, tomou parte na campanha das Filipinas e depois foi transferido para o Japão, participando das operações finais de defesa territorial.
Em 1998, Yoshino acompanhou uma expedição a Midway para encontrar os porta-aviões Yorktown, Akagi e Kaga. Embora somente o Yorktown fosse encontrado, ele realizou uma tradicional cerimônia em homenagem aos mortos japoneses, lançando flores e saquê ao mar. Em 2000, participou de uma grande reunião em Pearl Harbor, com mais de 250 veteranos japoneses e americanos, para encerrar a velha rivalidade. Fazendo uma reflexão após esses encontros, ele disse: "Devemos sempre respeitar todas as pessoas, e nunca subestimar um inimigo. Nunca devemos esquecer que, aquele que hoje é seu inimigo, amanhã poderá se tornar seu amigo".
Com sua morte, somente resta o Tenente Takeshi Maeda ainda vivo, entre os aviadores japoneses que participaram do ataque a Pearl Harbor.
Nascido em Mobara, na província de Chiba, Yoshino aplicou-se na Academia Naval de Etajima em 1938. A aceitação de sua ficha deixou-lhe extremamente feliz: "A Marinha era considerada a elite das forças armadas. Ser um piloto era a maior honra que alguém podia ter, pois era considerada uma missão digna de um samurai". O treinamento foi, contudo, duríssimo. Os instrutores repreendiam qualquer falha dos alunos com severas punições físicas. Yoshino chegou a desmaiar após ser atingido na cabeça por um instrutor com uma vara de madeira durante um exercício. As lições multidisciplinares também eram extremamente árduas, fazendo com que apenas 1 em cada 5 alunos terminassem o curso.
Feito Sub-Oficial de 1ª Classe, Yoshino foi treinado no bombardeiro/torpedeiro Nakajima B5N2 (codinome Aliado "Kate"), uma aeronave de três tripulantes conhecida por ser uma plataforma extremamente precisa para lançamento de torpedos. Enviado para compor a força de ataque do porta-aviões Kaga, Yoshino rumou para o Havaí em novembro de 1941, ainda completamente inconsciente da missão que realizaria. Ele era o comandante da aeronave, com a função de navegador/bombardeador, e decolou no começo da manhã de domingo, 7 de dezembro de 1941, como parte da primeira onda de ataque. Yoshino estranhou a ausência de reação antiaérea inimiga enquanto se aproximava de Pearl Harbor (dado que os japoneses pensavam ter avisado os EUA cerca de uma hora antes do ataque; essa comunicação falhou devido à demora de decifração na embaixada em Washington). Na liderança de uma formação de 12 aeronaves, Yoshino avistou seu alvo, o couraçado USS Oklahoma, bem à frente. Seu piloto então alinhou a aeronave e baixou a altitude de voo para meros 10 metros acima da água. Ao ver o Oklahoma encher sua mira, Yoshino liberou o torpedo, que atingiu em cheio a belonave norte-americana. Mais tarde, o Oklahoma explodiria e se partiria em dois devido à uma bomba lançada por outro bombardeiro japonês, que atingiria diretamente seu paiol de munições. Yoshino retornou ao Kaga pouco depois de ter lançado seu torpedo, recebendo alguns tiros da defesa antiaérea americana, ja despertada.
Em 20 de janeiro de 1942, Yoshino participou das missões de bombardeio contra o porto de Rabaul, em Papua-Nova Guiné. Nesta missão, sua aeronave foi pesadamente atingida pela antiaérea australiana, danificando diversos cabos de controle e o motor. Foi com muita dificuldade que ele conseguiu pousar novamente no porta-aviões. Na madrugada de 4 de junho, ele decolou para uma missão de reconhecimento sobre a ilha de Midway. Retornando junto com a primeira força de ataque, ele passou a aguardar no deque do Kaga por novas ordens. Foi quando um grupo de bombardeiros de mergulho SBD Dauntless norte-americanos avistou o porta-aviões japônes, acertando quatro bombas em seu convés. Enquanto a embarcação era dominada pelas chamas, Yoshino saltou no mar, sendo mais tarde recolhido das águas por um destroier japonês - que também desferiu o golpe de misericórdia no funesto Kaga.
Em outubro de 1942, Yoshino tomou parte na Batalha de Santa Cruz, grande enfrentamento de porta-aviões americanos e japoneses pela dominação das águas ao redor de Guadalcanal. Em 1944, tomou parte na campanha das Filipinas e depois foi transferido para o Japão, participando das operações finais de defesa territorial.
Em 1998, Yoshino acompanhou uma expedição a Midway para encontrar os porta-aviões Yorktown, Akagi e Kaga. Embora somente o Yorktown fosse encontrado, ele realizou uma tradicional cerimônia em homenagem aos mortos japoneses, lançando flores e saquê ao mar. Em 2000, participou de uma grande reunião em Pearl Harbor, com mais de 250 veteranos japoneses e americanos, para encerrar a velha rivalidade. Fazendo uma reflexão após esses encontros, ele disse: "Devemos sempre respeitar todas as pessoas, e nunca subestimar um inimigo. Nunca devemos esquecer que, aquele que hoje é seu inimigo, amanhã poderá se tornar seu amigo".
Com sua morte, somente resta o Tenente Takeshi Maeda ainda vivo, entre os aviadores japoneses que participaram do ataque a Pearl Harbor.
Meus agradecimentos ao amigo Ron Werneth pela ajuda.
Pouco depois do Tsunami que varreu o Japão em março deste ano, escrevi para Haruo Yoshino. Desejei-lhe meus melhores votos, pois a área onde ele residia foi atingida pelas ondas gigantes. Yoshino-san respondeu-me com serenidade, mostrando-se um perfeito cavalheiro, mesmo em horas de tanta dificuldade. Enviou-me duas fotos autografadas, hoje guardadas com muito carinho:

Descanse em paz grande guerreiro! Torá, Torá, Torá!!!

Descanse em paz grande guerreiro! Torá, Torá, Torá!!!
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1 comentários:
Cumpriu honrosamente com o seu dever. Descanse em paz no Yassukuni.
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