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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Estônia planeja lei para honrar seus soldados da Waffen-SS


Embora ainda vaga em detalhes, a Estônia está novamente planejando honrar seus “soldados da liberdade” que serviram nas unidades estonianas da Waffen-SS durante a Segunda Guerra Mundial.

Iniciativas similares já ocorreram no passado – que os nacionalistas dizem objetivar prestar homenagem àqueles que enfrentaram o Exército Vermelho – mas falharam. Mas a nova legislação para honrar os membros estonianos da Waffen-SS está sendo elaborada, e espera-se que seja apresentada no Parlamento Nacional em março.

Na Alemanha, o projeto foi recebido com ultraje. Jornais esquerdistas de Berlim disseram que o projeto quer “beatificar a SS”.

Apesar de tal reflexo, é válido dar uma olhada na iniciativa estoniana – porque não é uma tentativa de justificar o assassinato em massa, mas sim uma moção compreensível no contexto histórico do pequeno estado báltico. Afinal, após 200 anos sob colonização czarista, a Estônia somente ganhou sua independência com o fim da Primeira Guerra Mundial. O país novamente mergulhou na influência russa – desta vez soviética – em 1939, e depois foi ocupado pelos alemães entre 1941 e 1944. Finalmente, foi integrado à União Soviética entre 1944 e 1991.

A Estônia e os outros países bálticos, Lituânia e Letônia, eram independentes há duas décadas quando alemães e soviéticos assinaram o Pacto de Não-Agressão em 1939 – que secretamente colocava os pequenos países na esfera de influência de Stalin.

Menos de um ano depois, o Exército Vermelho anexou os três países e “sovietizou-os” brutal e imediatamente. Dezenas de milhares de pessoas foram deslocadas, centenas torturadas e mortas. O movimento de libertação nacional da Estônia, que formou-se imediatamente após a anexação soviética, não tinha qualquer condição de fazer frente ao poderoso exército da URSS.

Então, em 22 de junho de 1941, a Alemanha atacou a União Soviética, e dentro de poucas semanas os soldados alemães expulsaram o Exército Vermelho da Estônia, ocupando-a. Inicialmente, os alemães foram recebidos como libertadores, até ficar claro que um governo de ocupação seria formado – sob tutela de Berlim – e chefiado pelo líder nacionalista Hjalmar Mäe.

Unidades policiais estonianas foram formadas em 1942 para atuar no combate anti-guerrilha, e logo foram agrupadas na Legião Estoniana da Waffen-SS – que rapidamente evoluiu para 3ª Brigada Voluntária-SS da Estônia. No começo de 1944, a unidade foi redesignada 20ª Divisão Voluntária-SS da Estônia. No mesmo ano, ainda foi renomeada para 20ª Divisão de Granadeiros-SS (1ª Estônia).

Empregada contra o Exército Vermelho, que avançava sobre o país, a unidade realizou feitos de grande bravura em ações retardatárias ao avanço soviético. Em outubro de 1944, tomou parte na defesa da Prússia Oriental e da Silésia, sempre evitando a captura, até capitular na Boêmia, no fim da guerra. Centenas de membros fugiram para o oeste, e muitos conseguiram emigrar para os Estados Unidos.

O argumento no qual se baseia a iniciativa de honrar os “soldados da liberdade” estonianos da Waffen-SS, apoiado principalmente por partidos nacionalistas da Estônia, é o de que eles lutaram para segurar o Exército Vermelho nos primeiros seis meses de 1944, quando este avançava sobre seu país. A lei será votada na capital, Tallinn, em março.

Fonte: World Crunch, 17 de janeiro de 2012.

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1 comentários:

João Carlos Spindler disse...

Vejo que existe uma tendência em recuperar e manter a História não apenas do ponto de vista dos vencedores. Temos muito a saber ainda dos diversos confrontos belicosos e as mudanças radicais provocadas em toda sociedade mundial...